domingo, 5 de fevereiro de 2006

Reféns do obscurantismo?!?



Este episódio das caricaturas de Maomé está de acordo com as minhas piores expectativas: a 3ª guerra mundial não vai ser entre blocos políticos e sim entre modos de viver – e vamos ser nós contra eles, não tenham dúvidas. Não estamos aqui para ser politicamente correctos.
Qualquer pessoa se pode sentir ofendida com algo que se diga ou escreva – lembram- se do episódio do cartoon do António no Expresso, em que aparecia o papa com um preservativo no nariz, e da celeuma que isso provocou nos sectores retrógrados da igreja? –, mas isso não lhe dá o direito de requerer a incineração do autor, ou de pedir que as liberdades fundamentais sejam anuladas, para que se previnam casos semelhantes! Coloquemos as coisas no seu devido lugar.
Já agora, será que algum muçulmano se preocupou com o facto de que tratar as mulheres como seres de segunda ou condená-las à lapidação por crimes de que são vítimas nos ofende profundamente? Ou que a existência de escravos em países como a Mauritânia vai contra tudo em que acreditamos?
Uma coisa é respeitar o outro, outra bem diferente é deixarmo-nos subjugar por ele. É evidente que os arautos do politicamente correcto vieram logo dizer que temos de respeitar os coitadinhos, que estamos a ofender as suas crenças, etc. Mas eu aprendi há muito tempo que o respeito, para existir, tem de ser mútuo. E que a verdade e a justiça não são relativas. Portanto não me venham dizer que por causa da sensibilidade de uns devemos cortar a liberdade de expressão a outros! Nós temos razão!
A reacção do mundo muçulmano só mostra o que está por baixo do verniz: se pudessem, já andaríamos todos de corão na mão e as senhoras com a burka da última moda. Não nos iludamos! Aliás, basta olhar para o que se passa com o Irão – alguém acredita que o regime só quer energia atómica para fins pacíficos? Logo aquele senhor que disse que Israel devia ser riscado do mapa?
Acho que devíamos fazer como eles fazem: a próxima bujarda que o presidente do Irão disser deve provocar pelo menos o incêndio de meia dúzia de embaixadas de países muçulmanos na Europa e nos Estados Unidos, e a incineração de uns cem quilos de bandeiras desses países. Talvez assim consigam ver o absurdo deste tipo de reacções…
Já me devem estar a chamar de tudo, como xenófobo, racista, que não quero entender outras vivências. Não sou nada disso, mas também não sou hipócrita.
Numa sociedade democrática e laica não há assuntos tabu nem dogmas que coarctem a liberdade. O único limite deveria ser o do mau gosto, mas apenas por razões estéticas. Quando se ceder pela primeira vez, estaremos apenas a iniciar o fim…

Este era o post que tinha escrito ontem. O que estou a escrever agora foi depois de ver as imagens no telejornal desta noite. Tal como dizia o El País, não é blasfémia maior atirar aviões contra edifícios invocando Alá? Razão tinha Marx quando afirmou que a religião é o ópio do povo. E eles estão todos drogados no mais alto grau!
Bush pode ser estúpido e ter piorado as relações com os países muçulmanos, mas não duvidem que, se não fosse por ele, outras razões teriam sido encontradas para provocar o confronto com o ocidente! Não há pontos de contacto entre uma civilização repressiva e dogmática e a nossa sociedade de liberdade, por muitas imperfeições que ela tenha. Nem quero receber no meu seio quem não quer respeitar os valores da sociedade em que deseja viver. Não tem nada a ver com racismo – é que não gosto de receber em minha casa quem me insulta. Você gosta?

tuguinho, cínico ocidental