quarta-feira, 28 de março de 2007

Fly away


Às primeiras horas da manhã vou voar até Paris (talvez o título deste post devesse estar em francês, mas esta expressão é mais sucinta...). O tuguinho fica a tomar conta do estaminé enquanto eu me divirto na Eurodisney...

Kroniketas, prestes a levantar voo

O grande embuste


A irmã Lúcia faria hoje 100 anos. Como tal, vai ser-lhe feita uma homenagem para assinalar a efeméride.
Confesso que não percebo porquê. Alguém me explica o que é que a senhora fez de relevante ao longo da sua vida? Meteu-se num convento, ou lá onde foi, e viveu à conta do Estado porque disse que viu a Nossa Senhora. Agora querem beatificá-la.
E assim vamos vivendo há 90 anos à sombra dum monumental embuste, talvez o maior embuste da história de Portugal. Um embuste protagonizado por gente inútil e alimentad por gente ainda mais inútil.
Agora vão fazer-lhe uma homenagem. Mais uma inutilidade. Como diz um site que foi retirado do ar, «Não me merece qualquer respeito a sua memória. Não me congratulo pela sua morte porque não veio alterar nada. O logro mantém-se. Se a morte da “vidente” viesse acabar com o escândalo de exploração das desgraças de gente ignorante que se verifica em Fátima, a questão seria muito diferente.»

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O equívoco da ignorância

Quem é ignorante(1) nunca será livre… Pode ter toda a liberdade do mundo, mas continuará sempre com o espírito a grilhetas(2) e sem possibilidade de libertação…

tuguinho, cínico já habituado (às manifestações de tuguice andrajosa…)

(1) – somos uma nação com larga experiência na propagação e na perpetuação de néscios (2), com uma longa tradição que vem da igreja e da inquisição e continuou com governantes de todos os tempos, salvo as excepções que confirmam a regra…
(2) – se não sabe o que são grilhetas/néscios, parabéns, deve ter votado no vencedor do concurso Os Grandes Portugueses!

O país medieval


A imagem duma mulherzinha histérica de cartaz na mão aos gritos de “Viva Salazar!”, “Viva Salazar!” em Santa Comba Dão, é bem o espelho dum país atrasado e medieval que herdámos do ditador, e que ficou patente na votação do programa “Os grandes portugueses”.
Só num país com uma forte componente medieval ainda arreigada (que a pouco e pouco vai mudando, mas que ainda demorará mais 50 anos a erradicar) se pode defender um sujeito que manteve o povo na ignorância durante 40 anos, manteve o país subdesenvolvido e desligado do mundo, instaurou a mentalidade retrógrada, mesquinha e pequenina do “pobrezinhos mas honrados” e da “minha alegre casinha tão modesta como eu”, manteve-nos no isolamento do “orgulhosamente sós”, arrastou-nos numa guerra colonial sem esperança nem glória para defender a “pátria”, e com isso criou uma multidão de analfabetos que agora, passados mais de 35 anos, manifestam o seu saudosismo pelo tempo em que viviam quase na pré-história.
Todos esse pobres de espírito, que são tão burros que nem percebem que no tempo do Salazar nem teriam sequer direito a abrir a boca para dizer o que quer que fosse, agora vêm dizer mal da democracia sem que a sua parca inteligência lhes permita entender que agora têm liberdade para dizer mal desta democracia de que não gostam, mas que no tempo do beato de Santa Comba se abrissem a boca recebiam uma visita da PIDE a meio da noite e iam parar a uma prisão algures e poderiam nunca mais aparecer. Com sorte não iriam parar ao Tarrafal. Esses que defendem o velho beato esquecem-se que nessa altura nem tinham acesso à informação, nem à água canalizada, nem à electricidade, não tinham carro nem televisão, nem comiam bacalhau.
São os filhos da ditadura, que fazendo jus à sua triste condição de pobres de espírito, nem conseguem perceber a diferença entre um país onde não se tinha direito a voto e se demorava 8 horas por caminhos de cabras para chegar a Trás-os-Montes, e um país onde há liberdade de expressão, direito de manifestação, direito à greve e direito a voto. Esses anormais, de tão burros que são, não merecem o direito que têm de dizer estas imbecilidades que a democracia, que agora tanto criticam, lhes deu. E acabam por dar a vitória a uma personagem que em vida nunca ganhou uma votação, simplesmente porque nunca foi a votos.
Dizem mal dos governantes que temos? Pois é, cada povo tem o governo que merece.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Não publiquei aqui uma foto do vencedor porque me recuso a conspurcar este blog com a cara de tão sinistra figura.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Contra a mudança da hora legal

Volta e meia lá volta o fantasma da hora legal, que parecia já ter desaparecido desde os governos de Cavaco Silva. Agora que vamos entrar na hora de Verão, são as confederações patronais que querem pôr a nossa hora igual à da Espanha por, segundo alegam, esta diferença de uma hora causar dificuldades nos contactos e nos negócios.
O Observatório Astronómico de Lisboa já há alguns anos, quando se fixou (pensava-se que definitivamente) a hora actual, se pronunciou contra essa pretendida mudança pelo governo de Durão Barroso, e não há qualquer razão que a justifique, pois não se pode brincar com a vida de um país inteiro por razões meramente economicistas. Esse horário já esteve em vigor em governos do PSD e provou-se que causa grandes perturbações à vida normal das pessoas, pois cria um enorme desfasamento em relação à hora solar, que fica a ser que quase 3 horas no Verão, o que é um perfeito absurdo. As crianças têm que se levantar de noite e deitar-se quase de dia, o que é completamente antinatural.
Não se pode mudar a geografia do país, e nós estamos 8 graus a oeste do meridiano de Greenwich, portanto não faz qualquer sentido ter a mesma hora de países como a Alemanha e a Itália que estão quase 15 graus para leste. Desde 1911 a hora legal em Portugal foi quase sempre a do meridiano de Greenwich excepto entre 1967 e 1976, quando estava uma hora adiantada durante todo o ano e não havia mudança entre hora de Verão e hora de Inverno. Só entre 1993 e 1996 estivemos sempre adiantados em relação ao meridiano de Greenwich, adiantando mais uma hora no Verão, o que se provou ser completamente aberrante.
Aliás, o argumento cai por si próprio só de pensarmos no Reino Unido, que fica por cima de França e Espanha e mantém uma hora a menos, e eles não parecem estar nada preocupados com isso. Pior, então e os EUA, que têm 4 fusos horários entre as costas leste e oeste? E não é por isso que deixam de ser a primeira economia mundial. A própria Austrália tem 3 fusos horários. Coitadinhos que devem ser os empresários americanos e australianos.
Espero que o governo não vá atrás destas patranhas. O que está em causa não é só a vida dos senhores empresários, que vivem muitas vezes de subsídios e de mandar empregados para a rua. O Engº Belmiro nunca se queixou da hora legal, pois não?
Não sejam ridículos!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Tudo boa gente


Ele é o reitor, ele é o vice-reitor, um fecha-se no gabinete, o outro vai para prisão preventiva. É tudo boa gente.

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 22 de março de 2007

Um país à mercê do mar

Os recentes avanços do mar em Esmoriz e na Costa de Caparica vieram pôr a nu o estado calamitoso de um dos melhores bens que existem em Portugal, os cerca de 800 km de costa. Após 30 anos de poder autárquico em democracia, o resultado dramático de políticas de construção irresponsáveis e criminosas na orla costeira, promovidas por presidentes de Câmara incompetentes, é este: o desastre está aí à porta.
Num país onde vale tudo para encher de betão qualquer bocadinho de terreno que possa ser atulhado de gente, estamos a começar a aprender da pior forma que com o mar não se brinca. Construções nas dunas, esporões pelo mar dentro que modificam as marés, falta de planeamento na construção de portos e barragens, sem cuidar de saber dos impactos que isso poderia provocar no movimento de areias, tudo tem contribuído para se chegar ao ponto onde estamos agora: o mar a entrar pela terra, levando tudo à sua frente e pondo em risco populações que nem deviam ali estar, e que muitas vezes construíram clandestinamente em locais de risco. A falta de respeito pelos cursos de água e pela força das marés levou a uma situação em que a única solução visível é gastar mais alguns milhões de euros a reconstruir barreiras destruídas pelo mar e a repor toneladas de areia que o mar irá levar novamente.
Assim se vai vivendo alegremente neste país de faz de conta. Quando o mar avança não há quem o segure, quando o calor aperta metade do país arde, quando alguém tem um acidente a 200 km de Lisboa demora 7 horas a chegar ao hospital e morre porque não se podia fazer mais nada, quando um barco naufraga à vista da costa os pescadores afogam-se porque a marinha, de tão ocupada que anda a fazer sabe-se lá o quê, não chega a tempo e todos os responsáveis acham que cumpriram a sua obrigação. Assim como aqueles que deixaram transformar a orla costeira num imenso estaleiro. Todos cumprem a sua obrigação. Até os polícias de trânsito que andam a multar carros mal estacionados em vez de regularem o trânsito nos cruzamentos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O que os outros disseram (XXX)

“O mais extraordinário para mim é que os autarcas estejam preocupados com a boa imagem do Algarve, porque primeiro era preciso que o Algarve tivesse boa imagem, e graças a eles em grande parte, não tem, por isso é que é preciso fazer campanhas no estrangeiro; segundo, porque tudo aquilo que é bonito no Algarve foi a natureza que fez, tudo o que é feio foram os autarcas que fizeram (ou quase)”.

“Gastamos milhões de contos no estrangeiro a promover uma imagem idílica do Algarve, com praias desertas onde só se vê rochas, e nunca ninguém viu, nem nas campanhas feitas pelos autarcas, promover o Algarve com as torres de Quarteira ou da Praia da Rocha, porque então não viria um único turista. Porque será?”
(Miguel Sousa Tavares, “Jornal Nacional”, TVI, 20-3-2007)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Allarves

O escarcéu que vai por aí por causa duma campanha de promoção do Algarve em que se faz um trocadilho com o nome mudando-o para Allgarve. Os autarcas e quejandos da região ficaram ofendidos argumentando que estão a mudar o nome da região e que isso é uma ofensa.
Pena é que estes mesmos ofendidos de agora não se preocupem da mesma forma com os atentados que eles próprios cometeram na região ao longo das últimas 3 décadas! Porque com as Quarteiras, Albufeiras e Praias da Rocha que têm espalhado pela costa (parece que o próximo alvo da sua voragem insaciável para encher de betão é a ria de Alvor) deviam era ter vergonha na cara por causa de um trocadilho com um nome. Se houve alguém que assassinou quase tudo de bom que o Algarve tinha foram estes mesmos que agora bradam aos céus, quais virgens ofendidas, como se estivesse a ser cometido um grande atentado. Atentados cometeram eles! E vão continuar enquanto não lhes puserem um travão.
São todos uns allarves.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 19 de março de 2007

O fim do embuste


O estudo vindo a público no passado fim-de-semana acerca do aeroporto da OTA, para além de arrasador para as intenções do governo, põe a nu aquilo que já muita gente dizia à boca cheia mas que ainda não tinha sido confirmado: é um completo embuste, com uma localização totalmente inadequada e que, ainda por cima, nem resolve os problemas pois não tem capacidade para o número do voos por hora que era pretendido e, pasme-se!!!, não permite uma aterragem e uma descolagem em simultâneo. Como se não bastasse, estará saturado ao fim de… imaginem… 13 anos! Então vão demorar 10 anos a construir um aeroporto que vai custar uma fortuna, para depois deixar de servir ao fim de 13 anos, em vez dos 50 previstos???
E as condições do terreno, alagadiço, onde passam 3 cursos de água? Tudo questões de somenos? Para o Ministro das Obras Públicas parece que sim, pois já disse que a decisão é irreversível. Pois claro. Quando nos querem enfiar o barrete, sejam quais forem as razões que desaconselhem a decisão, ela está tomada de modo a levar o embuste até ao fim. É o bando dos embusteiros.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 17 de março de 2007

Euromilhões ou Europarvalhões?



Não sei se já viram o novo anúncio do Euromilhões, aquele que parodia uma viagem do Space Shuttle em que se sabe depois que dela fazia parte o primeiro turista espacial português. Como imita a emissão de um canal noticioso, no ecrã também surge uma barra de notícias onde vão aparecendo, além de notícias, a temperatura e as condições meteorológicas de diferentes cidades mundiais.
Já na parte final do anúncio, quando os astronautas vêm a descer a rampa e a acenar para as câmaras, aparece na tal barra Lisbon e logo depois New Mexico, logo seguido de Sidney. Ah, a linda cidade de New Mexico, pérola do deserto! Estranhamente, não a encontro no mapa! Deparo-me com Santa Fé, Albuquerque, a ovnilógica Roswell, até Clovis, que dá nome a uma das primeiras culturas autóctones da América do Norte, mas não encontro a cidade de New Mexico no estado de... New Mexico!
Coloco-me várias hipóteses: toda a cidade foi "abduzida" por um ovni; isto foi uma brincadeira dos gajos da agência, do tipo "bota aí essa que o pessoal não nota e é giro"; ou, quem fez o anúncio é um estúpido ignorante que devia ser vergastado em público!
Estranhamente, inclino-me para esta última hipótese...

tuguinho, cínico sagaz (e muito tentado a visitar Miami, esse lindo país da Polinésia!)

sexta-feira, 16 de março de 2007

A lei do menor esforço...

...a tal que nunca foi escrita porque dava muito trabalho tem levado a melhor sobre este escriba, que promete voltar com melhores armas e vencê-la definitivamente...

tuguinho, cínico que tem estado calado

segunda-feira, 12 de março de 2007

Parabéns outra vez, RTP

Bem podem inaugurar não sei quantos estúdios cheios da mais avançada tecnologia, mas se não usarem um simples corrector ortográfico vai continuar a sair asneira.
Este domingo, no programa “Só visto”, que é daqueles que servem para encher chouriços durante a tarde, passaram aquelas legendas em rodapé que agora se tornaram moda em qualquer programa de televisão. Numa delas era noticiado o casamento de uma actriz com um actor (cujos nomes não fixei) algures num país hindu segundo a tradição local. Depois era descrito que a CATRIZ ia usar um sari no casamento.
Mais à frente revelava-se a recente paixão entre Alexandra Lencastre e Miguel Guilherme, dizendo que eram amigos de LOGA data.
Nos tempos que correm, não se percebe como erros tão primários podem passar, porque qualquer programa que faça edição de texto detecta-os imediatamente. Ora se não usam, ou não sabem usar uma ferramenta tão simples, não é um estúdio tão futurista que lhes vai resolver o problema.

Demérito Matos, sábio com eles

quarta-feira, 7 de março de 2007

Parabéns RTP



Podemos dizer mal ou dizer bem, mas faz parte das nossas vidas - de toda ela, se tivermos menos de 50 anos.
Quem nunca correu para casa para não perder os desenhos animados do Speedy Gonzalez, quem nunca galopou para a sala para não perder o Espaço 1999, quem nunca esperou ansioso por mais um episódio d'O Tal Canal, quem nunca sentiu este tipo de entusiasmo pelo menos uma vez na vida, enfim, que atire o primeiro telecomando!

tuguinho, cínico hertziano

P.S. - e parabéns também à filhota do Kroniketas, que apesar de fazer anos no mesmo dia, tem menos uns anitos que a RTP!

segunda-feira, 5 de março de 2007

O adeus ao “homem de borracha”


Chamava-se Manuel Galrinho Bento e era uma das grandes referências do Benfica. Foi o melhor guarda-redes português que vi jogar. Foi titular indiscutível do Benfica e da Selecção Nacional durante 10 anos, até que uma traiçoeira fractura numa perna, num treino da Selecção no Campeonato do Mundo do México em 86, lhe acabou com a carreira.
Não era muito alto para um guarda-redes (1,73 m) mas compensava a estatura mediana com uma agilidade e uma rapidez a sair da baliza invulgares. Em Outubro de 1980, num jogo da Selecção na Escócia, fez uma exibição sensacional defendendo o possível e o impossível, garantindo o empate a 0-0, o que lhe valeu a alcunha de “homem de borracha” nos jornais escoceses. Memorável ficou também a exibição contra a França na meia-final do Europeu de 84 contra a França, assim como outra em Estugarda, no jogo em que uma vitória por 1-0 sobre a Alemanha (com um golo fantástico de Carlos Manuel do “meio da rua”) garantiu o apuramento para o Mundial do México, jogo onde as bolas pareciam ir ter com ele, tirando-as em cima da linha de golo ou batendo nos postes e saltando-lhe para as mãos.
Foi o salvador do Benfica em muitas ocasiões, transformando-se muitas vezes no “São Bento” do 3º anel. Não tinha pontos fracos. Era bom entre os postes, quase imbatível nas saídas da baliza, em que raramente chegava mais tarde que os avançados, especialista a defender “penalties”, fortíssimo no jogo aéreo, conseguindo ir “lá acima” buscar a bola no meio de um cacho de jogadores e ficar com ela bem segura. Começou a notabilizar-se num jogo em Moscovo em Outubro de 77, quando no desempate por “penalties” contra o Torpedo, defendeu um e marcou o último.
Também dava os seus “frangos”, como todos os guarda-redes, e bem grandes. O seu grande terror era o Liverpool e principalmente um avançado galês de nome Ian Rush, que lhe marcava golos de todas as maneiras e feitios.
É ainda hoje o 11º jogador com mais jogos na Selecção (63), tendo estado quase a bater o máximo de internacionalizações de Nené, e o 6º com mais jogos pelo Benfica (465), depois de Nené, Veloso, Coluna, Humberto Coelho e Shéu, e à frente de Simões, Eusébio e Cavém.
Morreu no passado dia 1 de Março, aos 58 anos, vítima de ataque cardíaco, um dia depois de ter estado na gala de aniversário do Benfica.
Foi-se embora o Bento, um dos grandes símbolos da mística do Benfica. Até sempre. Os benfiquistas vão sentir-te a falta.

Kroniketas

PS: Claro que os anormais da claque Superdragões tinham que borrar a pintura, assobiando durante o minuto de silêncio em memória do guarda-redes. Sempre que podem, não perdem uma oportunidade de mostrar como são reles.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Exemplo de eficácia

Lisboa, 9:20 h da manhã. No cruzamento da Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Braamcamp, bem no coração da cidade, está um Mercedes estacionado junto à esquina e dois polícias de trânsito (DOIS!!) de volta dele para tratar da multazinha da praxe. Estão com aquele ar pachorrento que os caracteriza, olham e folheiam aqueles blocos intermináveis que sempre carregam consigo.
Atravesso a rua e vou tomar o pequeno-almoço do outro lado da Braamcamp. Saio passados 10 minutos e eles ainda lá estão de volta do Mercedes. Os mesmos dois. Sim, porque um não chegava para passar o raio da multa, são precisos dois.
A 100 metros dali, na confluência da Braamcamp com a Alexandre Herculano, o trânsito está parado, o entroncamento entupido, carros parados em cima das riscas amarelas. Os polícias de trânsito, de costas voltadas para o local, não querem nem saber, se calhar nem sabem que o trânsito está assim, e continuam com aquele ar de quem passa o dia a roçar o cu pelas paredes ou a coçar a micose (como se dizia na tropa) de volta do Mercedes.
É assim que se mostra trabalho. É assim que se mostra eficiência. Regular o trânsito nos cruzamentos? Para quê? Isso dá trabalho. Importante é multar os carros que estão mal estacionados. É esta a utilidade da nossa polícia de trânsito. Um bando de inúteis e parasitas.
Nem de propósito, no mesmo dia ficou a saber-se que o governo pretende extinguir a brigada de trânsito e criar uma direcção central para esses assuntos. Com a utilidade que estes parasitas mostram, bem podia ficar sossegado, porque ninguém lhes iria sentir a falta.

Kroniketas, sempre kontra as tretas