quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Regresso em grande


O regresso de férias ficou marcado, há precisamente uma semana, pela presença no Coliseu dos Recreios num concerto de Roger Hodgson, ex-vocalista/guitarrista/teclista/compositor dos Supertramp e a voz inconfundível de “Breakfast in America”, “Logical song”, “School”, “Dreamer”, “Give a little bit”, entre outros.

Afastado dos Supertramp desde 1983, Roger Hodgson tem capitalizado ao longo da carreira a fama granjeada enquanto esteve no grupo, à semelhança de muitos músicos que construíram a carreira e a fama em grupos de que mais tarde se afastaram – e estou a lembrar-me, na linha dos meus preferidos, de Roger Waters em relação aos Pink Floyd e de Mark Knopfler em relação aos Dire Straits, cujos temas constituem sempre a fatia principal dos respectivos concertos, e em menor escala de Sting e Bryan Ferry em relação aos Police e aos Roxy Music, tanto assim que ambos têm colectâneas mistas, com os seus êxitos a solo e com o grupo.

Depois de estar afastado dos palcos durante 15 anos por causa duma queda em que partiu os dois pulsos, com o prognóstico de que não poderia voltar a tocar qualquer instrumento, neste regresso a Portugal depois do concerto de Cascais em 1979 Roger Hodgson fez-se deslocar bem acompanhado: uma orquestra com 36 elementos além dos habituais músicos de banda, com a curiosidade de haver apenas dois instrumentos eléctricos, o baixo e um piano/sintetizador. Não faltou o inevitável piano de cauda para os clássicos, mas abdicou da guitarra eléctrica, substituída por uma acústica de 12 cordas com um som magnífico.

Passados todos estes anos, a voz de Roger Hodgson continua em grande, clara e cristalina como sempre (infelizmente os Supertramp não arranjaram um vocalista à altura para cantar os seus temas). No registo predominantemente acústico que deu ao concerto a voz acaba sempre por sobressair, pois alguns dos temas até foram cantados apenas com o piano ou a viola de 12 cordas (que quanto a mim teve o expoente máximo em “Even in the quietest moments”). Claro que este era mais um concerto para os saudosistas dos êxitos dos anos 70, agora cantados pelo seu criador, e ele não se fez rogado: ao longo de 2 horas percorreu a esmagadora maioria das canções que interpretava nos 4 álbuns históricos (4 de “Crime of the century”, 3 de “Crisis? What crisis?”, 3 de “Even in the quietest moments” e 4 de “Breakfast in America”), mais algumas dos seus álbuns a solo, de que se destaca o primeiro, “In the eye of the storm” (1984), que proporcionou momentos sublimes ao piano com “Lovers in the wind” e “Only because of you”. Obviamente não faltou nenhuma das canções já citadas, mais o “Take the long way home” a abrir o concerto com a orquestra a dar o mote e o “Fool’s overture” a fechar (que mereceu a explicação de que tinha sido escrito para orquestra), antes da reprise de “Give a little bit” para a despedida.

Para além duma actuação empolgante que terminou com toda a gente no Coliseu a cantar de pé, destaca-se ainda a simpatia e a comunicabilidade do músico, sempre em diálogo com o público e dando algumas explicações (sempre em inglês) acerca das canções que ia cantando, com rasgados elogios pelo meio à orquestra que o acompanhava.

Agora fica o anúncio do lançamento do DVD de um concerto no Canadá. Fico ansiosamente à espera.
Mais pormenores em http://www.rogerhodgson.com

Kroniketas, melómano saudoso