domingo, 10 de setembro de 2006

Palhaçada tuga


O chamado “caso Mateus” já enjoa. Neste futebol feito de analfabetos, vigaristas, arguidos, corruptos e corruptores, só podia acabar assim. Em Julho, num jantar entre amigos, eu já tinha dito que o novo campeonato havia de começar e a questão não estaria resolvida. Não era difícil adivinhar.
Em todas as instâncias desportivas, o Gil Vicente perdeu. Porque as regras definidas para a competição assim o determinam. Vendo que não tinha hipótese nenhuma, virou-se para os tribunais civis com recursos e providências cautelares, pondo em causa todo o funcionamento do futebol português. Não percebo a indignação de alguns comentadores acerca da despromoção do Gil Vicente, porque se ganhou o direito a participar no campeonato da 1ª Liga no campo, e isso é verdade, também é verdade que o fez com batota, porque inscreveu um jogador que não podia. E a batota começou precisamente por ir fazendo uma série de requerimentos a um tribunal, viciando as regras do jogo que aceitou jogar.
Mas o mais caricato nisto tudo é vermos uma figura patética, no papel de presidente do clube, um tal António Fiúza, cujo discurso é de gargalhada. Primeiro houve aquela cena da vinda a Lisboa para não jogar e anunciar que ia ao Jardim Zoológico. Ainda há dias, durante uma ridícula entrevista na RTP1, durante a qual alguém estava a seu lado a sussurrar-lhe o que havia de dizer e onde interrompia constantemente o entrevistador quando este o interpelava, o meu comparsa de blog me enviou uma mensagem a perguntar “estás a ver o palhaço do Gil?”. O homenzinho é ridículo e faz-me lembrar aquela cena dos Monty Python no filme “O cálice sagrado” em que o cavaleiro negro tem os braços e as pernas decepadas por Sir Lancelot e no fim, quando este abandona o local do combate, ainda fica a vociferar a dizer que lhe dá uma dentada numa perna. Pois o sr. Fiúza, de derrota em derrota, vai dizendo mais alarvidades, ao ponto de acusar um juiz de ter garantido ao presidente do Belenenses que “isto estava no papo”, o que para já lhe valeu o anúncio desse juiz de que o vai processar!
Como se não bastasse, depois de derrotada uma última providência cautelar e colocado sem apelo na 2ª divisão, anuncia que não vai comparecer ao jogo. O que lhe garante desde logo a derrota e a perda de mais 3 pontos pela falta de comparência. Ou seja, vão caminhando alegremente para o abismo. Agora só falta dar o tal passo em frente. Claro que nisto não poderia faltar um advogado oportunista, que está a ajudar o clube a dar o passo em frente e certamente a engordar uma choruda conta bancária, e no fim poderá passar umas ricas férias com os proventos deste processo ruinoso para o clube.
Já toda a gente que liga ao fenómeno futebolístico percebeu que a causa do Gil Vicente está há muito perdida, menos o atrasado do presidente, que continua a bradar que os portugueses querem conhecer a verdade. Eu acho que já conhecemos. A cereja no topo do bolo, que também não poderia faltar, é o ataque habitual aos “gajos do sul”. Mas para esse peditório já demos.
Eduardo Prado Coelho chamou-lhe, na sua crónica do Público, mentecapto, o que deixou António Pedro Vasconcelos muito indignado. Eu acho bem. Não havia nenhuma necessidade de lhe chamar mentecapto. Imbecil chegava.

Kroniketas, sempre kontra as tretas