quarta-feira, 24 de maio de 2006

Os cromos



Isto é para verem como as coisas mudam! Estão para aí todos a babarem-se a pensar que eu vou falar sobre uns quaisquer gajos toscos, em suma, uns cromos, que a imagem é só para enganar, e afinal estão rotundamente enganados! Do que eu quero falar é mesmo sobre cromos, os daquelas colecções de tudo e mais alguma coisa que vinham em carteirinhas de 3, normalmente, e faziam as delícias dos suficientemente velhos para se lembrarem também de que Bonanza não é só uma marca de um produto de limpeza… É para verem como o tempo muda as coisas.

Prometo que vou revirar o sótão (a bem dizer, é mais uma arrecadação e duas garagens) até encontrar tudo o que se relacione com colecções de cromos e que tenha resistido à voragem do tempo e dos peixinhos-de-prata.
Prometo publicar posts sobre o que encontrar e fazer-vos salivar de nostalgia.
Não prometo endireitar o défice nem descobrir a verdadeira idade da Cinha Jardim. Isso são assuntos mais esotéricos.

Do que ainda consigo enxotar da memória, acho que tenho por aí ainda várias cadernetas (nota do autor para os menores de 25: “caderneta” era uma espécie de livro ou caderno com lugar reservado para se colar os cromos, não tem nada a ver com a Caixa ou o Montepio) de colecções referentes a mundiais de futebol, raças de cães, bandeiras e não sei quê e raças de todo o mundo, e assim.
Cromos do tempo em que não bastava destacar as costas do meco e colá-los. Cromos autocolantes cheira-me a coisa abichanada. Estou a falar das sagas de colagem (nem sempre dos objectos pretendidos nem no sítio certo) que envolviam tubos de cola branca Pelicano e de cola UHU, transparente e tóxica, sem certificados CE ou garantias de que não colaria as peles ao infante, ou mesmo da clara de ovo ou da massa meio diluída de certas elaborações culinárias da família dos rissóis. Um mundo, portanto.

Estas coisas estão no limiar de deixarem de ser velhas para passarem a ser antigas e potenciais vítimas do coleccionismo. Vamos começar pelos cromos. Divagaremos certamente por outras coisas, como carrinhos Matchbox, subbuteos do tempo da Maria Cachucha (Kroniketas, prepara-te!) e bonecos plásticos de soldados à escala (onde é que eles andarão?), pistas Scalextric ou jogos de mesa em que o computador não era necessário (é verdade, sou desse tempo, confesso!).
Esperemos que gostem. Se não gostarem, paciência, mas vamos ter de vos dispensar.

tuguinho, cínico cromado