quinta-feira, 9 de junho de 2005

A crise quando nasce não é para todos

Vão mudando os governos, mas mantêm-se as práticas. Passando por cima (por agora) da calamidade recorrente relacionada com os incêndios (sobre isso falaremos um dia destes), custa a qualquer um ver que as vítimas da crise são sempre as mesmas: aqueles que não têm defesa nem fuga.
Enquanto isso, continuam as situações escandalosas de reformas chorudas (e vitalícias) que alguns nababos auferem, ou por terem sido vice-governadores do Banco de Portugal durante 6 anos ou por terem estado 9 meses na Caixa Geral de Depósitos; as acumulações dessas mesmas reformas com ordenados de ministros; as dezenas de milhares de contos gastos em carros de topo de gama para o Tribunal Constitucional (presumo que os srs. juízes não podem dar pareceres fundamentados se não se locomoverem refastelados em BMW’s ou Audi’s novinhos em folha).
Situações como estas, que são apenas os exemplos mais gritantes, são um verdadeiro atentado à dignidade dos cidadãos que vão ser, mais uma vez, fortemente penalizados pelas asneiras dos sucessivos (des)governos do país. Os políticos, se querem ser respeitados e ter uma imagem positiva junto dos cidadãos, deveriam ser os primeiros a dar o exemplo. Se há necessidade de cortes, é por eles próprios que deviam começar. Que moral têm para nos pedir sacrifícios quando não abdicam nem um cêntimo da sua vida luxuosa?
Nós aqui nas Krónikas ficámos contentes com a mudança de governo, mas a conclusão que se tira nestas alturas é sempre e só uma: mudam as moscas mas a merda é a mesma.

Kroniketas, sempre kontra as tretas