quarta-feira, 11 de maio de 2005

Os Cães Raivosos

Independentemente do que possa acontecer até ao fim do campeonato de futebol, as últimas semanas deixaram claro (não era preciso, mas confirmou-se) que em Portugal há duas espécies de clubes e, portanto, duas espécies de adeptos: os do Benfica e os outros. Os “outros” são os anti-benfiquistas primários e fundamentalistas, cujo único objectivo é deitar abaixo e denegrir a imagem do Benfica.
Para atacar o Benfica vale tudo: desde pôr em causa todos os campeonatos ganhos pelo Benfica ao longo da história, até afirmar que este está encomendado desde a primeira jornada. É certo que este ano tem havido erros de arbitragem de palmatória com uma frequência inusitada, e o Benfica tem beneficiado de alguns deles. Mas daí a inferir-se, como tem sido voz corrente da parte dos “outros”, que o Benfica está a ser levado ao colo, domina a arbitragem e que o campeonato está encomendado vai uma grande distância. Aliás, viu-se este fim-de-semana como foi. O árbitro Pedro Proença, tido como sócio do Benfica, arbitrou o jogo em Penafiel e não marcou nenhum dos 3 penalties (repito, 3) cometidos sobre os jogadores “encarnados”. Na primeira parte, uma rasteira sobre o Geovanni; na segunda, uma gravata sobre o Mantorras e um empurrão sobre o Simão (o árbitro Jorge Coroado escreveu no jornal “O jogo” e repetiu na TVI que a carga sobre a omoplata é legal; esta para mim é nova, porque eu pensava que a carga de ombro é que era legal; não sabia que agora também havia carga de omoplata!). Então em que ficamos? Não é o árbitro um benfiquista confesso? Não está o Benfica a ser levado ao colo? Juntem-se estes dois ingredientes e temos… nenhum penalty assinalado. Não bate certo, pois não? Não seria tão fácil marcar um daqueles penalties? Então porque não o fez? Por não ter visto? Certamente que não, mas porque a campanha anti-Benfica atingiu tais dimensões que, se o árbitro se atrevesse a marcar um penalty ou a expulsar um jogador do Penafiel caía-lhe toda a gente em cima, acusando-o de estar feito com o clube do seu coração. Assim, o pobre homem teve de mostrar que era capaz de fazer uma arbitragem isenta e para isso só mesmo prejudicando o Benfica. É simples, não é?
Se o Benfica ganhar este campeonato, vai haver muitos cães raivosos a vociferar contra a falta de verdade desportiva que levou a esse resultado. Há quem tenha o desplante de dizer num programa de rádio que o Benfica sempre foi beneficiado pelas arbitragens (mas desde quando? Desde que o futebol existe? Desde que há campeonatos? Desde a implantação da República? Desde o Estado Novo?), e que grande parte dos campeonatos que ganhámos foi com ajudas externas. Então eu pergunto: todos os campeonatos ganhos pelos outros foram limpos? A verdade desportiva tem estado sempre defendida? Já ninguém se lembra do que se passou nos últimos 10 anos? De como foram ganhos os campeonatos do penta? Da viagem do árbitro Carlos Calheiros ao Brasil paga pelo Porto? Dos quinhentinhos? Do único guarda-redes (Vítor Baía) que defende com as mãos fora da área? Do único clube que marcou um penalty com um foguete atirado para dentro da baliza (Porto-Farense)? Do único clube cujos jogadores fizeram um árbitro correr 100 metros pelo campo à frente deles (José Pratas num Benfica-Porto para a Supertaça)? E dos 17 penalties do Jardel no Sporting? E dos penalties forjados na Luz pelo Jardel e pelo Silva (Sporting outra vez)?
Agora finalmente começa a destapar-se a ponta do véu e a perceber-se as manobras que levaram ao maior embuste da história do futebol português, o penta-campeonato do Porto. Começa-se a conhecer os métodos utilizados, que aliás o jornalista Marinho Neves já tinha denunciado no seu livro “Golpe de estádio”. Ainda não tinham era vindo a público…
Independentemente da justiça ou não com que o Benfica possa ganhar o campeonato (se o ganhar) e dos benefícios arbitrais que tenha tido, o que se tem visto é uma campanha infame contra o Benfica vinda de todos os quadrantes, porque os cães raivosos não suportam a ideia de que o Benfica possa voltar a ganhar. O que eles queriam era que o Benfica desaparecesse ou, no mínimo, que fosse para a 2ª divisão por incumprimento fiscal. (Em relação a este assunto há um pormenor curioso, é que parece que o Porto e o Sporting estão em falta relativamente a 1996 ou 97. Como dizia o macaco no programa do Jô Soares, cadê os outros? Mas perante as falcatruas praticadas pelo FCP, a esse respeito só tenho a dizer que preferia que o meu clube descesse de divisão por dever ao fisco do que por ganhar campeonatos à custa de corrupção). Por isso, de cada vez que o Benfica levanta a cabeça e parece querer ressurgir, lá vêm as línguas viperinas acusar-nos de todas as malfeitorias possíveis e imaginárias, dizendo que somos sempre beneficiados. Mesmo quando não há resultados palpáveis.
Também foi dito no mesmo programa de rádio que o futebol português é feito de trapaça. Plenamente de acordo. Então, para saber onde estão os trapaceiros é só saber quem têm sido os beneficiários da trapaça. Será o clube que em 10 anos tudo o que conseguiu foi ganhar 2 Taças de Portugal? A esta gente só interessa uma coisa: dizer mal do Benfica, seja por que razão for ou, principalmente, por razão nenhuma. Só por ser o Benfica.
Neste capítulo tem especial destaque um comentador televisivo, de seu nome Dias Ferreira, conhecido sportinguista que pauta os seus comentários por um ódio visceral ao clube da águia, chegando até a ficar vermelho (que ironia) com tanta exaltação que o Benfica lhe provoca. A propósito do jogo com o Estoril no Algarve, o homem quase teve um ataque de raiva, tamanha era a cólera que dele se apossou por causa do seu ódio de estimação. Também ele só se manifesta de forma colérica contra os supostos benefícios que ele imagina que o Benfica tem, mesmo que no fim o campeão seja o Porto. Isto aconteceu no ano do “penta”, quando à 4ª jornada o Benfica ia à frente e já o homem estava como um cão raivoso a lançar o seu ódio sobre o Benfica por causa dos prejuízos que o Sporting sofria nessa altura, a benefício, como é óbvio, do Benfica. No fim o Porto fez o “penta” (ultrapassando o Sporting que era o único que tinha ganho 4 campeonatos seguidos), o Benfica foi 3º e o Sporting 4º, mas aí eles calaram-se porque o Benfica já não fazia mossa e eles, claro, preferem qualquer coisa a que o Benfica seja campeão. Aliás, o próprio Dias Ferreira já declarou no “Dia seguinte”, na Sic Notícias, que duas vezes por ano é portista. Nós já sabíamos. Às vezes devia era pôr um açaimo para não morder!
Outra patranha que com frequência nos tentam impingir é chamar ao Benfica o “clube do regime” associando as glórias passadas do Benfica ao regime de Salazar. Claro que não vale a pena perder tempo a desmontar argumentação tão tacanha, na maior parte das vezes vinda de ignorantes que não sabem do que falam e falam do que não sabem e que, muitos deles, nem teriam ainda nascido quando Salazar morreu, e provavelmente nem sabem quem foi o homem, o que fez, que papel teve em Portugal e o que é que o futebol tinha (se é que tinha alguma coisa) a ver com ele. A ignorância e a estupidez são tamanhas que se vai ao ponto de dizer que ao pé dos actuais dirigentes da Liga de Clubes e da Comissão de Arbitragem o Salazar era um aprendiz. Uma afirmação destas só pode vir dum imbecil, pelo que nem vale a pena perder tempo a explicar-lhe que o Salazar não foi jogador, não foi árbitro nem dirigente da Comissão de Arbitragem, não marcou nenhum golo nem assinalou nenhum penalty a favor do Benfica. Quando a ignorância se torna arrogante, é preferível deixá-la a pastar na própria estupidez. Apenas lhes aconselharia verem os vídeos dos jogos do Benfica nos anos 60 para verem como jogava o Eusébio, o Simões, o Coluna, o José Augusto, o Águas, o Torres, e perceberem como é que marcavam tantos golos e pediam meças às melhores equipas da Europa. À falta de melhor argumentação para denegrir a imagem do Benfica, dizem estas enormidades sem terem qualquer noção do ridículo em que caem. Como dizia Jesus Cristo, abençoados os pobres de espírito.
Também não vale a pena explicar que, se o Benfica era o clube do regime e mandava em tudo, não se compreende como é que teve de jogar em Setúbal para a Taça de Portugal no dia seguinte à vitória da equipa principal na Taça dos Campeões Europeus, em Berna. Assim sendo, a “equipa do regime”, que estava em viagem de regresso a Portugal, teve que apresentar as reservas e foi eliminada da prova. Por causa duma decisão federativa…
Claro que no meio de todos os paus mandados que gostam de funcionar como marionetas nas mãos do mestre, também há sempre quem goste de repetir até à náusea as baboseiras e tonterias que o seu patrono inspirador vomita, por maiores idiotices que sejam. Uma das mais recorrentes é o famigerado “Estádio de Oeiras”, uma das muitas aleivosias em que Pinto da Costa é especialista e que alguns capachos alcunham de “ironia”, utilizada para designar o Estádio Nacional, habitual palco da final da Taça de Portugal. O mais caricato é que habitantes de Lisboa se prestem ao ridículo de repetir a patetice. Qualquer lisboeta deveria saber que o Estádio Nacional é na Cruz Quebrada, e que dali a Oeiras distam cerca de 6 km, e pelo meio ainda há Caxias e Paço d’Arcos. Portanto, ou é burro ou ignorante. E já agora, não lhe fazia mal ficar a saber que o Estádio Municipal de Oeiras, com esse nome, fica no Parque dos Poetas, junto ao Oeiras Parque, esse sim em Oeiras. Mas há quem goste de funcionar como sabujo… Bom proveito lhe faça.
Quanto aos outros cães raivosos que há por aí, o que mais lhes atiça a raiva é o facto de o Benfica ser claramente o único clube em Portugal que arrasta multidões e enche todos os estádios onde se desloca (como se viu em Vila do Conde, Penafiel e Algarve), o que leva os adversários a querer jogar em campos maiores para fazerem a receita da época. Mais nenhum clube consegue isto. Se isto é assim com o Benfica a perder, como seria com o Benfica a ganhar? A romaria que vi ao estádio do Algarve, ao longo da Via do Infante, foi uma coisa a que nunca tinha assistido, e conheço bem aquela via, pois circulo lá todos os verões. O Benfica é o abono de família de todos os clubes pequenos do campeonato, que fazem a sua maior receita quando recebem o Benfica. Todos eles deviam rezar para que o Benfica fosse campeão, pois assim teriam sempre os seus estádios cheios quando o Benfica lá fosse. Assim sendo, como se compreende que tanta gente odeie o Benfica e queira deitar-nos abaixo?
Pois eu gostava era que os benfiquistas dessem uma resposta a todos aqueles que só destilam o seu ódio contra o nosso clube: deviam deixar de ir ver os jogos do Benfica fora e encher sempre o estádio da Luz. Se todos nos querem mal, então não lhes vamos encher os cofres e deixemos-lhes os estádios às moscas. Talvez assim percebessem a falta que o Benfica faz.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e os cães raivosos que por aí pululam