quarta-feira, 4 de maio de 2005

Não há almoços de borla

O que se está a passar em Timor Leste mostrou a verdadeira face da igreja católica no território. Fazendo-se valer da religiosidade da população (e da sua pouca instrução) e utilizando um pretexto esfarrapado - a passagem das aulas de religião e moral de obrigatórias a facultativas - a padralhada quer mandar no país e arroga-se o direito de depor governos legalmente eleitos e apoiados pela maioria da população. A faceta manipulativa de um clero que se julga dono das vidas das pessoas veio à luz de forma muito clara. Como Miguel Sousa Tavares afirmou um destes dias na TVI, se um caso semelhante tivesse ocorrido num país muçulmano estaríamos a falar agora de fundamentalismo! E é disso que se trata - os fundamentalismos, sejam de que natureza forem, possuem uma génese totalmente demagógica e, de boa fé ou hipocritamente, fazem-se valer da ignorância para despontar e florescer.
O fundamentalismo é a incapacidade absoluta de ver para além dos nossos próprios preconceitos e limitações, para julgar para além daquilo que a nossa civilização nos inculcou culturalmente, de tentar compreender os outros, por muito estranhos que nos pareçam.
No caso de Timor, faz agora a igreja arvorar o seu papel na libertação do território, que o teve e importante, como uma prerrogativa que lhes dá direito a ultrapassarem a lei. Senhores Padres, voltem para as vossas igrejas e ajudem o povo instruindo-o, e não controlando-o!
Como dizia o outro, não há almoços de borla...

tuguinho, cínico sem qualquer ilusão (quanto à igreja católica)