segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Aparições



Quando a máquina de uma organização se sobrepõe à razão da sua existência, o que podemos dizer? O edifício da igreja católica vem sendo construído há séculos, cada geração de burocratas religiosos adicionando mais um andar de leis e ensinamentos que nada têm a ver com a ideia original à torre vertiginosa em que se vão transformando todas as religiões. E mesmo aqueles que se revoltaram contra esse estado de coisas acabaram por desembocar em outros extremismos e por construir um edifício idêntico ao que tinham criticado, o que só nos faz temer que esta seja uma regra aplicável a todas as organizações sociais que a civilização elabora. Veja-se o caso do estado – devia ser a cúpula organizada da população e trabalhar em prol do bem público, mas transformou-se numa máquina autónoma que nos domina e diz o que podemos ou não fazer e como o fazer, que se autoperpetua e satisfaz e que, de vez em quando, nos pede para colocarmos um papelinho com uma cruz dentro de uma caixa. E vem tudo isto a propósito de quê?
Há já alguns anos que se assiste ao triste espectáculo público de degradação física de um homem através das televisões e jornais de todo o mundo. E digam-nos o que disserem recorrendo a leis da igreja ou cânones papais e etc. e tal, nada nos convence que esse triste espectáculo seja necessário. Parece quase que estamos perante um artigo da série “Believe it or not!” ou da tentativa de bater um recorde do Guiness de cada vez que é anunciado que o papa está melhor e que até conseguiu debitar algumas palavras ininteligíveis aos fiéis. Mas para quê? Que raio, não estamos num circo! E que tal escolherem um novo papa e deixarem o actual viver os seus últimos dias em paz, como qualquer ser humano tem o direito de fazer?
E não nos venham dizer que não podemos opinar sobre isto por não sermos católicos, como o outro disse ao outro em relação àquela outra situação – o caso é apenas humano e toda a religião que mantenha o seu líder em funções no estado em que este se encontra é desumana! Que saibamos, só as árvores morrem de pé. O resto é estupidez e egoísmo.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos