terça-feira, 31 de agosto de 2004

Dúvida lancinante

Se os abortos são ilegais, por que é que o Paulo Portas ainda não foi preso?

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Ser ou não ser aberração

Um ser de nome José Castelo Branco apareceu há uns dias numa capa de revista a dizer "Não sou uma aberração". Hoje a mesma personagem passou pela televisão. Conclusão: ele/ela é uma aberração. Um homem que se penteia, pinta, fala e gesticula como mulher, é uma aberração.
Aliás, se não fosse porque é que seria preciso dizê-lo?

blogoberto, chico-esperto

domingo, 29 de agosto de 2004

Krónikas em fim de banhos

A propósito do mesmo assunto, sugiro uma visita ao post de 9 de Março de 2004, intitulado "O famigerado direito à vida" (também aí à esquerda na secção das rabugices).

Kroniketas

Krónikas a Banhos (10) - No nosso cantinho, a salvo

Se não fosse o Doutor Portas, ver-nos-íamos invadidos pela ignomínia da civilização, conspurcados pela Europa herege daqueles para quem a vida não vale nada. Sim, porque velhinhos como os nossos, com reformas de menos de 200 euros, não há noutro lugar! Porque nós respeitamos a vida em toda a sua extensão - é por isso que temos uma rede de cuidados médicos e de apoio às crianças desvalidas que dá gosto ver! Vejam só o caso da Casa Pia, com tantos colos amigos a oferecerem-se para afagar os petizes.
Por isso, esse barco do demo que vá para longe, que nós não precisamos dele - quem quiser abortar que o faça em qualquer vão de escada, essas pecadoras que não merecem mais! Agora a quererem comparar-se às senhoras que vão a Espanha e a Londres, a bem da nação?!? Vacas! Tenham 10 ou 20 filhos, lindos lusitos para povoar o nosso Portugal, porque aquelas coisas de borracha também são obra do demo - onde é que já se viu enfiar o coiso naquele tubo! Não é natural, pois claro. Deus há-de criá-los!
Se for preciso, tocamos o sino a rebate e vamos todos afundar a barca do demo, com toda a corja comunista (que é tudo o que estiver à esquerda do Prof. Freitas do Amaral, inclusivé) lá dentro também, para ser a limpeza completa!
Ainda bem que há quem nos proteja, neste cantinho abençoado pela virgem santíssima ainda que às vezes alvo dos peidos de deus (que o diga eu, que tenho uma Etarzita a 500 metros do lar).
Continuai, valentes cruzados, pois estais no caminho certo, que é o da vida (a nossa) e o da caridade (é que se não houver pobres e desgraçaditos, deixa de ser possível a dita cuja...)
Bem hajam

tuguinho, cínico assalazarado (só para este post salazarento)
Vieira do Mar também o diz (sem papas na língua que, como se sabe, também é um orgão sexual importante, embora não engravide...)

sábado, 28 de agosto de 2004

Krónikas a Banhos (9) - Galegos não são Mourinhos

Pois é, isto sem o Deco e o Mourinho não é a mesma coisa... É a vida.

blogoberto, chico-esperto

domingo, 22 de agosto de 2004

Krónikas a banhos (8) – Os tugas no seu pior

Uma vergonha! Inqualificável o que se passou com a selecção olímpica de futebol. Um bando de rapazinhos malcriados encheu de vergonha o nome dum país que tanto tinha sido publicitado durante o Europeu.
Este é o espírito tuga no seu expoente máximo. Achamos que somos os maiores sem termos feito nada para o demonstrar, sonhamos alto de mais e encaramos a competição como se fosse uma mera formalidade. Depois vêm uns tipos de uns países como Iraque (pensei que só sabiam explorar petróleo e pôr bombas) e Costa Rica e enfiam-nos 8-golos-8, mandando os nossos rapazinhos malcriados para casa sem honra nem glória, mas cobertos de vergonha.
Não foram só os resultados desastrosos. O pior foi a imagem deixada, de um grupo excursionista que estava ali a fazer um grandessíssimo frete, em que ninguém se entendia nem sabia o que estava a fazer, nem dentro nem fora do campo, e culminou com 3 expulsões em 3 jogos. O desnorte foi total, e do banco nunca vieram soluções.
Afinal, do que acusamos Scolari por não ter sido campeão europeu? Muito fez ele, porque o nosso espírito tuga, a nossa verdadeira dimensão, não é a do Europeu mas sim a destes Jogos Olímpicos, do Mundial de 2002, de Saltillo, dos balneários destruídos em França por esta mesma selecção. E nunca, em nenhuma destas ocasiões, se ouviu uma voz de comando com autoridade, que pusesse os meninos na ordem e os chamasse às suas responsabilidades, a começar no treinador e a acabar no presidente da Federação. Apenas se vê um bando de incompetentes que se vão mantendo a usufruir dos seus tachos à custa dos compadrios.
Após o final do Europeu, havia vozes a pedir a demissão de Scolari porque o 2º lugar foi um fracasso. Esquecem-se é que NUNCA ganhámos o que quer que fosse a nível de selecções seniores, e que a regra não são os lugares honrosos, nem sequer a participação frequente nestas competições. Tudo junto, neste momento temos 3 presenças em Jogos Olímpicos (1928, 1996 e 2004), 3 em Campeonatos do Mundo (1966, 1986 e 2002) e 4 em Campeonatos da Europa (1984, 1996, 2000 e 2004), com um balanço de 4 presenças nas meias-finais e 1 na final. E agora, querem o quê? Chegar a qualquer lado e dizer que vamos ser campeões Olímpicos, da Europa, do Mundo? Com que base ou justificação é que atribuímos a nós próprios esse (falso) favoritismo? E qual é, invariavelmente, o resultado nessas ocasiões? O desastre completo, o fracasso total, como na Coreia, como no México com o caso-Saltillo, com os nossos jogadores armados em vedetas mais preocupados com os prémios de jogo, com as diárias e os telefonemas, com imaginárias transferências para o estrangeiro que, ou nunca se concretizam, ou redundam quase sempre em fiascos, com os jogadores a serem recambiados rapidamente para o banco ou para equipas menores.
É esta a história das nossas selecções, de um futebol que raramente sai da mediocridade e que, nos momentos em que mais é apontado como candidato a qualquer coisa (não éramos nós que já dizíamos que nos íamos vingar dos gregos e ganhar a medalha de ouro?) mais nos envergonha. Os nossos futebolistas preocupam-se mais com questões acessórias do que com o essencial. Prémios de jogo por participar numa grande competição? Eles são os principais interessados em mostrarem-se ao mundo, deviam era pagar para jogar na selecção. Deviam jogar primeiro e mostrar que merecem ganhar prémios antes de os exigirem.
Mas com a complacência de dirigentes analfabetos e incompetentes e empresários mafiosos, rapidamente se eleva um jogador vulgar à condição de vedeta só porque faz meia-dúzia de jogos jeitosos. Veja-se o recente exemplo de Miguel, que é apenas um defesa razoável mas em quem só se fala para a Juventus. Ele que vá, e veremos quanto tempo lá fica. E o malabarista Cristiano Ronaldo, a quem saiu a lotaria ao ir para Manchester, que ainda não passa dum projecto de jogador e tem muito que pedalar para chegar ao estatuto de um Figo ou de um Rui Costa, já se deve achar o melhor do mundo só porque fez uns floreados no Europeu, e nos Jogos Olímpicos começou logo por mostrar a sua classe dando uma cotovelada num iraquiano e escapando inexplicavelmente à expulsão.
Depois, quando aparece alguém com ideias, trabalho metódico e projectos com pés e cabeça, como Carlos Queirós, é rapidamente trucidado por um sistema de medíocres e invejosos, a quem só interessam os compadrios e os favores. Por isso Carlos Queirós é tão malquerido em Portugal, quando foi o único que conseguiu fazer duas selecções de sub-20 campeãs do Mundo e nem antes nem depois dele alguém repetiu o feito, sendo duvidoso que alguma vez o faça.
É este o verdadeiro espírito tuga. Em Portugal, quem tem valor não é admirado, é sim invejado e faz-se tudo para o deitar abaixo. Os incompetentes e medíocres são promovidos de tacho em tacho como prémio para os desfalques que fazem no erário público. O exemplo da gestão da TAP é paradigmático, com um brasileiro a conseguir pôr aquilo a dar lucro e a ser torpedeado por um medíocre como Cardoso e Cunha, que teve este prémio depois do buraco que deixou na Expo 98. Por isso não se iludam. Sonhar com títulos europeus e mundiais? Não nascem Figos todos os dias, e o que Figo conseguiu até agora foi à custa de muito trabalho, muito suor, muita corrida e muita, muita cabeça. Que é o que as nossas pseudo-vedetas olímpicas não têm.
A completar o ramalhete, os dirigentes sem vergonha. Como é possível que um presidente da Federação se vá mantendo em funções depois de todas as barracas que se vão sucedendo? Nunca ninguém é responsável pelas vergonhas que nos fazem passar? Simplesmente manda-se embora o Romão, vota-se o João Pinto ao esquecimento e pronto, está tudo resolvido? Não será mais do que altura de, como preconizava Queirós há 10 anos, limpar a porcaria da Federação?

Kroniketas, sempre kontra as tretas e as pseudo-vedetas

quinta-feira, 19 de agosto de 2004

Krónikas a Banhos (7) – Tugalhada!

Infelizmente, o que eu temia acabou por acontecer. Safaram-se com Marrocos, tremidinhos, mas contra a Costa Rica, temida potência futebolística de além-mar, sucedeu a habitual tugalhada. E foi uma tugalhada à antiga portuguesa, com direito a treinador a debitar inanidades no fim do jogo, a dizer que estava contente e feliz – o que me deixa curioso sobre o que o deixaria infeliz: talvez deitar-lhe a casa abaixo com um bulldozer e fuzilar-lhe a família, mas não sei. Mesmo assim era capaz de lhe aparecer uma réstiazita de felicidade no olhar…
Mas dizia eu que foi uma tugalhada com todos os condimentos, como a seguir se descreve:
Treinador e restante equipa técnica – completamente incompetentes, até para reconhecerem que só fizeram merda. O Romão foi capaz de afirmar sem se rir que estava contente porque os rapazes se tinham empenhado (ainda existem casas de penhores?!) e que até tinham feito umas coisas, e coisa e tal. O discurso do “irresponsabilismo” e do está tudo benzito, na paz de deus, o que interessa é que estamos todos bem. Nunca o epíteto de “coach” foi tão bem aplicado, não no sentido de responsável técnico, mas no que a fonética o aproxima daquele termo bem português: coxo! Nunca se viu por ali uma equipa, apenas 11 tipos perdidos num rectângulo verde.
Jogadores – Deviam julgar que estavam ali por causa do solinho e da praiíta. Era vê-los refastelados a ver os adversários passar e depois a discutirem com os colegas, no estilo “porque é que não foste lá tu? Aquela era tua!” Ainda não descobri se a ausência de esquema táctico ou indicações para dentro de campo nos prejudicou ou beneficiou. É uma dúvida que vai persistir. E o Fréchaut, aquele magnífico jogador que se vê mesmo que alguém quis mostrar para ver se o despachava? Mas estamos a ser injustos, porque houve muitos mais a jogar (?) igualmente mal, ou mesmo pior. As excepções chamaram-se Cristiano Ronaldo (ainda que individualista), Danny (um dos poucos que não foi fazer turismo), Raul Meireles (esforçado) e Fernando Meira (que até marcou um golo, o pormenor de ser na baliza errada é muito relativo).
Lobbies parolos – que desde que fomos apurados começaram a fazer pressão para não lhes levarem jogadores, porque isso dos Jogos Olímpicos é para diletantes e nós queremos é coisas profissionais, como o campeonato nacional e o torneio da paróquia! Se houve um conjunto de jogadores que formou uma equipa e se conseguiu apurar, porque raio é que não se manteve? Ou só foram os que não faziam muita falta aos clubes, principalmente certos clubes do norte? Não, o Cristiano não conta porque não joga cá, assim até é giro prejudicar um bocado os bifes, e coiso e tal, ‘tão a perceber?
Moreira – eu sei que é jogador, mas pelo que o fizeram sofrer, merece estar à parte. Espero que sofrer 9 golos em 3 jogos não o tenha ferido psicologicamente, porque precisamos dele para o campeonato.
Sururu – e no fim até houve sururu que quase descambava em batalha campal, como quem diz “se não podemos vencê-los com a bola, vamos vencê-los ao pontapé!”. Disgusting… Estou convencido que o calor aqui ajudou, porque os nossos jogadores pensaram “ainda vou sair daqui com a camisola suada, não vale a pena correr atrás deles”, e a cena de pugilismo latente não se verificou.
Em conclusão: já não via uma vergonha assim há muito tempo. É que é preciso reunir muitas e esforçadas incompetências para o conseguir! Não julguem que é fácil! Que saudades do Carlos Queirós, que sabia o que andava ali a fazer e conseguia transmitir isso aos jogadores e fazê-los jogar... Mas pensando bem, estar lá o Carlos Queirós é que foi anti-natural, porque o que é natural é estar lá uma caterva de incompetentes, porque são amigos do presidente, que por sua vez é o incompetente maior. Esta sim é a norma na Tugalândia!
Há alguém aí com uma Kalachnikov ou mesmo uma G-3 para me vender? É que estou mesmo com vontade de ir ali à Praça da Alegria e fazer uma selecção.

tuguinho, cínico envergonhado (porque já se tinha desabituado destas situações no futebol tuga)

segunda-feira, 16 de agosto de 2004

Krónikas a banhos (6) – Hugo (Des)Leal

Parece que a grande surpresa da noite de apresentação do FCP aos sócios (sem treinador) foi um tal de Hugo (Des)Leal, que aos 18 anos abandonou o Benfica de forma vergonhosa, com uma rescisão unilateral sem justificação. Depois disso, não parou muito tempo em lado nenhum.
Perante a falta de carácter que tão cedo mostrou, foi parar ao clube certo para ele. Desejo-lhe, agora como antes, toda a infelicidade na sua carreira.

blogoberto, chico-esperto

domingo, 15 de agosto de 2004

Krónikas a Banhos (5) – A Artuguite Lusitanóide Incapacitante

O indígena tuga é marcado por certas e determinadas particularidades que lhe configuram o carácter e o comportamento, como se de pragas bíblicas se tratassem. Antes fossem, que tinham solução, nem que fosse por intervenção divina. Mas com estas coisas deus não quer nada e o diabo faz-se de desentendido…
Uma das mais estranhas, misteriosas e inexplicáveis é a que dá pelo nome de artuguite lusitanóide incapacitante, que pode surgir nas mais diversas situações da vida em sociedade dos tugas e para a qual até agora nunca surgiu antídoto nacional.
Um dos últimos casos em que se manifestou, e da forma mais flagrante possível, foi no jogo de futebol Portugal – Iraque para o torneio olímpico. O que se viu durante todo o jogo foram 11 tugas (mais substituições, menos expulsões) completamente tolhidos dos neurónios, logo com amplas dificuldades cognitivas, de locomoção e de organização colectiva. Mais a equipa técnica (que desconfio foi o reservatório do micro-organismo e o foco da epidemia) que se resumia a cofiares de barba mais próprios do Alzheimer do que de alguém com competência para dirigir uma equipa de futebol, só faltaram mesmo aqueles espasmos característicos da doença – que nestas situações faz com que os pacientes tendam a ser agressivos para os senhores de negro. Se a enfermidade não for debelada por alguém que lhes incuta nos cérebros empedernidos que não foram para ali para fazer turismo, que jogar na selecção é uma honra que está para além dos milhões e que ninguém vence antes de ganhar, mesmo (ou sobretudo) ao Iraque (que o digam os americanos), prevejo que neste domingo suceda um novo Alcácer-Quibir. A única coisa que me anima, a acontecer este cenário saltillano, é que, tal como Sebastião se perdeu no olvido, talvez Romão também não volte…
Falando de negro, acodem-me os incêndios à memória – não, não são os deste ano, são os do ano passado! Uma boa manifestação do carácter incapacitante desta maleita é o facto de que, um ano e pouco depois das funestas ocorrências, poucas ajudas sistemáticas e consequentes tenham sido concedidas aos prejudicados pelos fogos… Não são meia dúzia de tijolos e sacos de cimento que refazem vidas e recuperam comunidades, mas esta maldita doença grassa desde sempre entre os nossos governantes (aliás, é endémica…) e tolda-lhes o entendimento. Onde é que estão os programas de recuperação da floresta prometidos, o reordenamento do território ardido, a prevenção necessária? Ah pois foi, fez-se uma comissão! A artuguite tem como consequência típica fazer surgir processos paralelos, em que a criação de comissões se substitui às soluções.
Urge encontrar vacina, processos sanitários ou soluções radicais como o abate da manada (esta solução é especialmente apelativa nos casos do futebol e dos governantes) para debelar a artuguite! Por via das dúvidas e para conter a doença, eu já estou a preparar um pau de marmeleiro bem flexível, que diz a sabedoria popular pode contribuir grandemente para a expulsão do bicho dos corpos contaminados. Vamos ver o que acontece com os marroquinos…

tuguinho, cínico ao sol, ao sul

sábado, 14 de agosto de 2004

Krónikas a banhos (4) – Os parolos do costume

Depois da brilhante contratação e despedimento do treinador Del Neri, que mostrou ser mais um golpe de mestre do infalível Papa (e que alguma imprensa lambe-botas transformou de burrada monumental em acto de gestão de grande coragem!), eis que o seu substituto vem na linha do que já é habitual: tal como o Benny McCarthy veio jogar para o Porto com o número 77 só para achincalhar o Benfica por causa dos 7-0 de Vigo, o novo treinador é o mesmo que treinava essa equipa que deu os 7-0 ao Benfica.
Mesmo que não tivesse qualquer outro predicado, para os parolos do costume isso já deve ser motivo suficiente para contratar o homem. Assim sempre arranjam mais um motivo para nos provocar. Pinto da Costa já pode dormir descansado.
Entretanto, parece que o Porto contratou mais um brasileiro. Com esta, deve ser já a décima vez que o plantel está fechado. Mas pode sempre voltar a abrir-se...

Kroniketas, sempre kontra as tretas e os parolos

quarta-feira, 11 de agosto de 2004

Krónikas a banhos (3) – Os veraneantes de pocilga

As campanhas de sensibilização para limpeza das praias têm o mesmo efeito que as campanhas de segurança rodoviária: nenhum. Umas e outras continuam a ser o espelho do nosso atraso 30 anos depois da revolução, que ainda não chegou às mentalidades.
Basta uma chuvinha de verão para que centenas de carros se espatifem nas estradas e voltem a surgir os números assustadores de mortos. Os imbecis do volante que se acham todos uns verdadeiros Schumacher’s, que pensam que têm carros de corrida e que a estrada é a pista de Monza, que nas auto-estradas voam baixinho pela faixa da esquerda e dão com os máximos em qualquer condutor que esteja a fazer uma ultrapassagem, digamos, a 120 ou 130 km/h (que lesmas!!!) a 100 metros de distância, e que a 160 vão a meio metro do carro da frente – que para eles é apenas um empecilho –, conduzem com a mesma soberba e inconsciência quer esteja sol, chuva, granizo ou nevoeiro. Depois dão aquelas explicações idiotas de que não tiveram tempo de travar porque não viram o carro da frente. A sua estupidez não lhes permite raciocinar o suficiente para perceber que com chuva ou nevoeiro não se pode circular como num dia de sol com estrada vazia. Só é pena que não se matem sozinhos, e arrastem sempre outros consigo.
O que se passa nas praias é um sintoma semelhante. Por muitas reportagens que apareçam na televisão a mostrar jovens voluntários que limpam o lixo que os javardos lá deixam, por muitos cartazes que existam a dizer “Mantenha a praia limpa”, por muitos sacos de lixo que estejam espalhados pela praia, o resultado é sempre o mesmo: continuamos a ver uma lixeira espalhada pela areia e pela água.
Um dia destes, passeando pela Praia da Rocha com o meu filhote, enquanto a maré subia, fomos encontrando uma colecção diversificada de objectos que os veraneantes (que devem confundir a praia com a pocilga onde possivelmente foram criados) vão deixando atrás de si. E fomos anotando.
Na areia e, o que é mais impressionante, à beira-mar e vogando ao sabor das ondas, deparámo-nos com:
latas de bebida (cerveja, Sumol, Fanta, Coca-Cola, Pepsi), garrafas de água, um pacote de Doritos, maços de tabaco, folhas de jornal, sacos de plástico, iogurtes, papéis de gelado e, pasme-se, uma caixa de gelado Carte d’Or!
Este ano ainda não encontrei: preservativos, pensos higiénicos, tampões e cagalhões a boiar. Mas até ao fim do mês ainda há tempo e não se deve perder a esperança!
Esta espécie de banhistas javardos continua a manter o espírito do garrafão e melancia que marcava as nossas praias há 30 anos. Parece que mesmo as mentes mais novas não acompanharam o progresso. Enquanto os efeitos da revolução não se fizerem sentir na educação, é tempo perdido andar a fazer campanhas. O pessoal é demasiado bronco para perceber.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e a javardice dos banhistas

PS: E também já vi o Zezé Camarinha…

domingo, 8 de agosto de 2004

Krónikas a Banhos (2) - O espião que foi para o quente

Não sei se os atentos leitores já esbarraram, num qualquer telejornal de duas longas horas ou nas páginas de um jornal, com a história do espião português no Brasil. Espião industrial, metido numa história com escutas telefónicas a governantes e outras peripécias afins. Foi preso por falar demais.
Portanto, a história começa a ter contornos tugas - o sujeito falou demais, um defeito típico do tuga, em especial do tuga que tem cargo governativo a qualquer nível (do grupo de bairro ao governo do país), com o máximo do delírio nas declarações etílico-políticas do Alberto João.
Por outro lado, foi exercer para uma terra de bom clima, boa bebida, bom futebol e boas mulheres - esta jogada, embora tipicamente tuga pelo cariz oportunista, conta a seu favor; só um idiota chapado iria desempenhar funções de espião para o círculo polar ártico ou para selvas insalubres que nem vêm no mapa.
Vangloriou-se na Internet das suas façanhas - definitivamente tuga, do macho conquistador da treta ao Portas com a sua central de compras, é compulsiva esta necessidade de espalharmos aos quatro ventos o que fizemos. É certo que foi por uma boa causa (engate, puro e simples), mas estragou completamente a pintura e levou a que fosse apanhado ingloriamente pela polícia brasileira, o que denigre ainda mais a reputação do encarcerado.
Analisando bem o caso, eu penso que este senhor será um émulo do Zezé Camarinha que, em vez do tradicional ataque em plena praia, preferiu a divulgação dos seus feitos na Internet como meio de atrair o mulheredo. Podia ter optado por feitos mais simples e quiçá de mais impacto do que escutas telefónicas a senhores barrigudos, mas enfim, está feito, está feito... Tivesse ele observado melhor o já referido Zézé ou o nosso primeiro e ficaria a saber que os melhores métodos são os mais simples.
Bem, vou fazer as malas porque tenho de ir tratar de uns assuntos na secretaria de estado da agricultura, ali na Golegã, e depois ainda vou à junta de freguesia dos Olivais, que foi descentralizada para Freixo de Espada à Cinta, para melhor servir os munícipes (ou, já que é de freguesia, deveria dizer antes fregueses?).

tuguinho, cínico em início de vacanças (e altamente motivado para a preguiça total)

terça-feira, 3 de agosto de 2004

Kroniketas no Alentejo profundo, em trânsito para águas algarvias

Depois da chegada ao Algarve, uma rápida incursão ao Alentejo (à chamada "santa terrinha") permite-me ligar o modem a uma ficha telefónica e postar aqui umas linhas. Ontem foi dia de praia na costa vicentina com água a 19º, o que justifica o rápido regresso ao litoral algarvio, hoje ainda antes de almoço (tenho é que dormir depressa), para ver se chego a tempo de desfrutar das águas bem mais cálidas e calmas da Praia da Rocha (ao menos ali pode-se nadar sem corrermos o risco de ser chamados para terra pelo nadador-salvador se nos afastarmos mais de 20 metros da costa, e molhamo-nos em vez de sermos molhados por vagas incessantes de ondas de metro e meio).
À noite ainda houve oportunidade de comer uma picanha fatiada na pedra, com umas garrafitas de Cabernet Sauvignon do Esporão (rói-te de inveja, Tuguinho!) e de Padre Pedro, do Ribatejo, obviamente depois de terem sido arrefecidos até à temperatura adequada, que não a ambiente. Para entreter, ainda se consumiu um verde Quinta do Ameal, da casta Loureiro, que mereceu da dona da casa o comentário de que parecia champanhe. Bom, então é porque não era mau!
Enfim, por terras dos mouros tá-se beeeeeeeemm!!!!

Kroniketas, afastado das novas tecnologias por tempo indeterminado

domingo, 1 de agosto de 2004

Krónikas a Banhos (1) - Agarra o Verão, Tóino!

Eis-nos chegados àquela altura do ano em que geralmente vamos cirandar para fora do ninho habitual. O Kroniketas deixou-nos pelos Algarves, eu lá irei ter daqui a uma semana, mais ou menos. Entretanto há que manter a casa aberta e os clientes satisfeitos.
Os assuntos tornam-se esparsos: o Santana ainda não fez mais nenhuma, os incêndios apagaram-se e o Ferro Rodrigues já não é secretário geral do P.S...
Resta aparecer com alguma ideia iluminada para atrair a atenção como, por exemplo, usar os submarinos do portas para combater os incêndios no interior em profundidade, ou propor o Major Alvega para conduzir o P.S. nas eleições. Um herói de guerra cai sempre bem.
Assim algo que nos ice desta 3ª divisão bloguística e nos guinde mais alto. Estou a brincar! Não me digam que acreditaram!
Eu próprio já estou apanhado pela silly season e este blog também, por isso não estranhem se aparecerem histórias estranhas por aqui.
"...e dona Caquética, em eloquentes monossílabos, contou-nos detalhadamente como o extraterrestre a tinha violado repetidas vezes e sem remorsos. A descrição do meliante coincidia com o standard verde e de olhos rasgados, tantas vezes referido por outros envolvidos em encontros imediatos do 3º grau.
Esta história extraordinária caiu por terra quando a GNR deteve, no dia seguinte ao da entrevista, um emigrante russo de origem asiática ainda com restos da tinta verde com que tinha pintado a moradia do Casal Silva. Repetia convulsivamente que não se lembrava de nada do que fizera depois de uma velhinha o obrigar a beber, sob ameaça de um velho trabuco, três garrafas de vodka barato. Sabiá á moufuô, declarou. Não conseguimos ainda esclarecer se era o vodka ou a velhinha..."
Kroniketas, mantém a água quente!!

tuguinho, cínico encalorado