terça-feira, 27 de junho de 2006

O gorgulho gay


Ele é a Pantera Rosa (não, não estamos a falar dos filmes em que o fabuloso Peter Sellers interpretou magistralmente o impagável Inspector Clouseau, e nos quais teve origem o desenho animado), ele é a Ilga, ele é o orgulho gay. Tudo associações que, tal como uma mosca varejeira, de vez em quando vêm para a rua exibir orgulhosamente (porquê, pergunta-se?) os seus desvios e fazer exigências que só a eles lembram.
Agora, no seguimento de mais um “orgulhoso” desfile, pediram ao Presidente da República a fiscalização da constitucionalidade dum decreto que regula a procriação medicamente assistida. A dúvida é: porquê, se eles não podem procriar coisa nenhuma? Como é que um casal homossexual quer procriar se não tem as condições genéticas para o efeito? E o que é que eles têm a ver com isso? Já não basta andarem a chatear com a treta do casamento e da adopção (sim, porque fazer filhos é coisa que não podem), agora ainda têm que meter o bedelho num assunto ao qual são completamente estranhos? Mas que procriação querem eles? Ainda está para nascer alguém (e já agora, feito por um homem e uma mulher…) que me explique como é que um casal homossexual pode procriar. Pela barriga das pernas, será?
Querem filhos? Façam-nos! Se não podem ou não querem devido às suas próprias opções, deixem o assunto para os outros.
O que mais me irrita nesta gente é a sua exibição pública. Qualquer heterossexual não precisa de se andar a pavonear pela rua a dizer que tem orgulho naquilo que é. Descontando o facto de que não sei do que é que eles se podem orgulhar, porque é que hão-de exibi-lo? As escolhas do foro íntimo de cada um não precisam de ser exibidas na rua. Os casais heterossexuais não dão sessões públicas de exibicionismo da sua libido como estes fazem. Eu não tenho nada a ver com isso, mas também não quero que me venham chatear com as suas opções.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 26 de junho de 2006

40 anos depois...

Portugal passou pela segunda vez na sua história aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo. Tal como no Europeu de há 2004, calha-nos a Inglaterra. Venham eles: há dois anos também eliminámos a Holanda, por isso já estamos habituados. E com aquele treinador brasileiro que tão criticado é por alguns sectores...

Não sei porquê, mas a esta hora numa certa cidade do norte do país alguns tipos devem estar muito chateados...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Expectativa gorada




Eu a pensar que ia beber um sumo de laranja fresquinho e afinal já estavam podres...
(não sei porquê agora estão-me a apetecer bifes!...)

blogoberto, chico-esperto

domingo, 25 de junho de 2006

Frase do dia no Mundial

O imbecil do Costinha devia pensar que ainda estava a jogar no Porto, onde podia fazer tudo o que queria.

blogoberto, chico-esperto

Massacre televisivo

Têm sido tempos difíceis, estes do campeonato do mundo de futebol, em termos de visionamento televisivo. Quando não posso ver os jogos tento ver os resumos e, de preferência, os golos na primeira oportunidade. E aí começa o drama.
Somos assim obrigados a engolir meias-horas de comentários até conseguirmos ver as imagens que nos faltam. Pelo meio, na Sporttv, televisão oficial da prova para Portugal, vão passando, em cima das imagens dos jogos, duas linhas de rodapé, uma com os habituais SMS de conteúdos absolutamente indigentes, e como se não bastasse por cima dessa passa outra linha em que se explica como mandar as aberrantes mensagens para lá. Dizem que Portugal vai ser campeão do mundo, que somos os maiores, que o Figo assim e o Deco assado, que Portugal e Brasil na final era lindo... A estupidez destas mensagens é de tal modo reveladora da ignorância dos seus autores, que quem o escreve nem se deu ao trabalho de tentar perceber que Portugal e Brasil não se poderão encontrar na final devido aos emparelhamentos nas eliminatórias: se se encontrarem será nas meias-finais. Como se não bastasse, os repórteres, fazendo gala do seu profissionalismo de pacotilha, fazem esse mesmo tipo de perguntas aos adeptos: logo no princípio do campeonato alguém perguntava a um inglês se gostava de encontrar Portugal na final. Lá está: Portugal e Inglaterra podem encontrar-se, se passarem ambos este domingo, mas é já no próximo jogo, nos quartos-de-final.
Na televisão oficial do Estado, por sua vez, somos brindados com um estúdio montado algures num local de emigrantes, com os comentadores estrategicamente colocados à frente dum conjunto de espectadores que, à boa maneira tuga, se afadigam durante aqueles escassos minutos em que a câmara foca quem está à frente deles para tentar aparecer na imagem de todos os ângulos possíveis e fazer adeus sabe-se lá para quem. Entretanto vão-se mirando num monitor algures no estúdio para se tentarem posicionar no melhor enquadramento e fazer aquele sorriso alarve dos basbaques tipo-emplastro. E o espectador tem que levar com isto enquanto desespera por três minutos que mostrem o resumo do malfadado jogo que não viu.
Tudo isto é entrecortado com aquelas reportagens com os emigrantes na rua ou nos cafés, que nos mostram o Portugal pequenino de outrora e grandes tiradas acerca do que Portugal vai fazer no Mundial. No meio da saloiice só falta aparecer o garrafão de tinto a martelo, a melancia e a sandes de coirato para o quadro ser completo.
Entretanto, nas reportagens de rádio é a mesma coisa. Para se saber duas ou três notícias levamos com 10 minutos de reportagens vazias de interesse e de conteúdo feitas na rua. E, a cereja no topo do bolo, ainda lhe acrescentam o massacre duns pseudo-hinos futebolísticos absolutamente anedóticos que, além de não dizerem nada, ainda cederam a essa caricatura sonora a que alguém quer chamar música que é o “rap”, que me deixam a pensar por que raio é que até a selecção tem que ser brindada com umas frases idiotas duns tipos que de música só devem ter ouvido falar em sonhos?
Muito sofre um adepto que só quer ver a bola...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O Maratonista - Jornal de Notícias Discretas (VI)



“Um passo na senda do progresso”
Uma nota do ministério divulgada hoje (que nem é dia de trabalho!) congratula-se com a entrada de Portugal num clube relativamente restrito: o das nações que possuem “serial killers” certificados. Os horrendos homicídios perpetrados aparentemente pelo GNR reformado de Santa Comba Dão (terra que já nos deu outros recordes igualmente aziagos) parecem realmente corporizar os actos de um assassino em série tradicional.
Especialistas contactados pelo Maratonista e instados a opinar se este não seria “um tiro de pólvora seca” – como metaforizou um membro da oposição – visto que outros criminosos no passado já tinham assassinado várias pessoas, concordaram em que tecnicamente esses não tinham sido crimes em série e sim “em paralelo” segundo uns, “por atacado” disseram outros.
Espera-se que nos próximos tempos também consigamos entrar noutras elites, como por exemplo ter o maior lago artificial poluído da Europa e ter habitação suficiente para albergar cinco vezes a população do país e continuar a ter barracas um pouco por todo o lado.
A candidatura a país totalmente constituído por campos de golfe ainda não foi aceite, mas tudo indica que para o ano é que é!

Mateus Bichoso, repórter horroroso

terça-feira, 20 de junho de 2006

Business as usual

Segundo a Agência financeira, as liquidações de IRS estão atrasadas. Mais, desde 2002 que o fisco não respeita os prazos de liquidações previstos na lei.
É o costume. Se for o contribuinte a atrasar-se aplicam-lhe logo uma multa e juros de mora, mandam cartas para casa a ameaçar com execuções fiscais e penhoras. Em 2004 enganei-me em 20 euros numa declaração do IVA. Por causa disso andei dois anos a receber cartas de coimas, ameaçaram penhorar-me a casa (!!!), paguei mais de 300 euros de multa (por causa de 20, vejam bem!) e o ano passado recebi o reembolso em… Outubro. Juros compensatórios? ZERO!
Como se não bastasse, já depois de ter pago a famigerada coima, ainda não me queriam passar uma declaração em como não devia nada porque havia um erro no sistema e tinham-se esquecido de cobrar uma porcaria duma taxa qualquer de mais meia-dúzia de euros. Como tive oportunidade de dizer na cara a uns zelosos funcionários, só falta irem a casa apontar-nos uma pistola à cabeça e dizer “passa pra cá a massa”. Mas para nos devolverem aquilo que é nosso e que nos sonegam compulsivamente, não há pressa…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Justificação de faltas



Este blog tem estado meio parado por motivos logísticos, doentíficos, feríisticos e preguinhentos.
Mas agora voltámos à carga.

tuguinho, cínico temporariamente desequilibrado

segunda-feira, 19 de junho de 2006

O que os outros disseram (XXII)

“Vocês não gramam mesmo o homem!”
(Dias Ferreira, sportinguista, para Guilherme Aguiar, portista, a propósito de Luís Felipe Scolari, seleccionador nacional de futebol - “O dia seguinte”, SIC Notícias, 19-6-2006)

terça-feira, 13 de junho de 2006

Momentos sublimes



Passada uma semana sobre o fim do Rock-in-Rio, não tendo havido tempo na semana subsequente venho agora dar conta das impressões recolhidas nas minhas duas deslocações ao festival.
Um festival deste género é para ser aproveitado ao máximo, pois é uma oportunidade única de ver desfilar em pouco tempo um grupo alargado de artistas que normalmente não teríamos oportunidade de ver em tão pouco tempo. E quando se investe no bilhete, há que aproveitar ainda melhor.
Não são só os artistas que me fazem deslocar ao festival. Depois da experiência de 2004, a vontade de voltar (e logo duas vezes) deve-se também a todo o ambiente que se vive, o desfrutar daquele espaço tão animado e com tantas pequenas distracções. Para além dos espectáculos no Palco do Mundo, há os outros palcos onde actuam artistas menos mediáticos, a tenda electrónica, o slide, as pinturas, os passatempos, etc. Claro que participar nisto tudo exige tempo e paciência para estar nas filas. Mas também é engraçado ver. Passeia-se pelo recinto, pinta-se a cara e o cabelo ou põe-se uma peruca cor-de-rosa, põe-se um lenço ao pescoço ou no pulso, descansa-se deitado na relva olhando para o céu. É um dia de distracção e despreocupação.
O prato forte, naturalmente, é o Palco do Mundo. É pelos concertos que lá vamos. E mesmo aqueles que não são das nossas preferências acabam por nos prender a atenção no meio de toda aquela animação que chama o espectador para junto do palco. Este ano a minha escolha recaiu nos dias 2 e 4, mas nos outros dias vi pela televisão todos os concertos que pude.
A grande expectativa era para dia 2, com um cartaz de luxo. Rui Veloso foi reincidente, mas o concerto foi melhor que o de há 2 anos. Não sei se pela hora mais tardia (em 2004 foi ainda bem à tarde, com o sol alto), a verdade é que houve um maior envolvimento com o público. De Rui Veloso, que já vi actuar ao vivo umas 20 vezes, espera-se sempre que cumpra com a competência habitual e que nos brinde com os clássicos. E foi o que fez.
A seguir veio Santana. Rodeado de um naipe de músicos excepcionais, deu-nos uma hora e meia espectacular, deliciando-nos com a sua mestria na guitarra eléctrica que faz dele um dos melhores do mundo, mantendo sempre aquela sonoridade inconfundível de “rock latino” em que se destaca o jogo de percussões, onde o imparável Raul Rekov (o homem das quatros mãos, como lhe costumo chamar, tal é a destreza com que toca as congas), que o acompanha há mais de 20 anos, é figura de proa. Com uma carreira de 50 anos, Carlos Santana continua em grande forma. Mesmo para quem o conhece há muito tempo, vê-lo em palco é quase extasiante. Aquilo é que é tocar, e está tudo dito. Ali o que vale é o talento dos músicos em palco. Tinha visto o concerto no Pavilhão Atlântico há uns anos, e este esteve muito acima. Óptimo som e fantástica performance.
Mas o que todos esperavam era Roger Waters, alma-mater dos Pink Floyd e figura incontornável para os fãs do grupo. Tal como em 2002 no Pavilhão Atlântico, Waters voltou a transmitir-nos aquela sensação de estarmos dentro do grupo, vivendo e sentindo aquelas canções. E é o próprio Roger Waters que passa isso para o público, com o empenho e a alma que põe na sua actuação. As suas canções não são apenas música, são mensagens que ele vive e sente enquanto actua. Vê-se na sua expressão em palco que não está apenas a cantar. Os músicos que o acompanham, alguns já como suporte de palco desde o tempo dos Pink Floyd (como o guitarrista Snowy White), estão completamente à altura da função, encarnando bem o seu papel de substitutos dos originais. Claro que seria diferente ver lá o David Gilmour, mas os dois guitarristas presentes não o deixam ficar mal.
Num concerto que excedeu as expectativas, com a duração de quase 3 horas, Waters percorreu algumas das peças mais importantes da história dos Pink Floyd: “Another brick in the wall part 2”, “Mother”, “Comfortably numb”, “In the flesh”, “Shine on you crazy diamond”, “Wish you were here”, “Sheep” (uma surpresa do álbum “Animals”, quando se esperaria “Dogs”), e até recuou a 1968 para ir buscar “Set the controls for the heart of the sun” ao álbum “A saucerful of secrets”. Depois do intervalo, outra surpresa: o “Dark side of the moon” tocado de princípio a fim, com o rigor adequado à fama que granjeou (apesar de eu preferir os 3 que se lhe seguiram, mas isso é outra conversa).
Em suma, estivemos quase até às 3 e meia da manhã a assistir a estes momentos sublimes, que nos reconciliam com as coisas boas da vida, resistindo ao cansaço. Se o concerto de 2002 tinha sido fantástico, este conseguiu ser ainda melhor.
No segundo dia da minha presença, o cansaço ainda se fazia sentir e, ao contrário das intenções iniciais, acabei por assistir apenas aos concertos de Anastacia e Sting. Mas voltou a valer a pena.
Anastacia, de quem não conhecia sequer grande coisa nem nunca tinha visto actuar, entrou com grande alegria e muita comunicação com o público, criando um ambiente muito animado. Tinha assistido ao concerto de Shakira pela televisão e percebi que só mesmo lá se consegue absorver aquele ambiente e entusiasmo transmitidos pelos artistas. Porque um concerto também é isso, a interacção com o público.
Para finalizar, Sting, que também tinha visto pela televisão há 2 anos. Desta vez (e felizmente), optou por um alinhamento mais baseado nas canções dos Police entrecortados com alguns dos seus maiores sucessos a solo. Começou em grande estilo com “Message in a bottle” e ao longo de uma hora e meia percorreu alguns dos maiores sucessos, como “Roxanne”, “Walking on the moon”, “Every little thing she does is magic”, “Shape of my heart”, terminando novamente em grande com “Every breath you take”. Pelo meio ainda foi buscar alguns temas menos tocados de “Zenyatta mondatta”. A acompanhá-lo mais um naipe de excelentes músicos, com destaque para o guitarrista Dominic Miller, um excelente executante que o acompanha em palco desde 1990, após ter tocado com Phil Collins no álbum “But seriously”, tendo já actuado em mais de mil concertos de Sting e participado em todos os seus álbuns desde “The soul cages”.
Por fim, vencidos pelo cansaço e porque no outro dia era 2ª feira, abandonámos o recinto antes da actuação de encerramento do festival pelos GNR, que ainda pude acompanhar na parte final pela televisão. Mas fica a satisfação de ter assistido à actuação de alguns dos melhores músicos de agora e de sempre, e a promessa de voltar em 2008, pelo menos para mais dois dias.

Kroniketas, audiófilo exausto mas realizado

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Outra vez a escumalha

É cíclico. Volta e meia um bando de atrasados mentais que se levam a sério e se intitulam nacionalistas sai da toca e resolve vir para a rua vomitar umas imbecilidades acerca do país. Há um ano foi por causa do arrastão de Carcavelos. Desta vez foi a propósito duma manifestação da polícia, que os ditos “nacionalistas” aproveitaram para se juntar ao evento e desfilar gritando o nome de Rudolf Hess enquanto faziam a saudação nazi.
É pena que os polícias manifestantes, sabendo antecipadamente que se iriam confrontar com tão má companhia, não tenham aproveitado para levar uns bastões escondidos e aplicar uma carga de porrada a preceito no lombo das bestas. Afinal, as bestas só à porrada é que se amansam.
Um tal Mário Machado, que conseguiu o seu momento de publicidade na comunicação social, ameaçou pegar em armas e vir para a rua defender o que é “nosso”, se for preciso. Para isso até dispõe de uma besta que comprou. Faz sentido. Uma besta usa como arma uma besta. Será que hoje, depois de discursar para os outros neonazis na Alemanha, também foi para o estádio assistir ao Portugal-Angola e gritar “Angola é nossa”?
Aqui só entre nós: não haverá ninguém que atire esta escumalha da Ponte 25 de Abril abaixo?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 10 de junho de 2006

O que os outros disseram (XXI)

“Eu se fosse Ministro da Educação remunerava os professores pela assiduidade”
(Miguel Sousa Tavares, “Jornal Nacional”, TVI, 6-6-2006)

E uma grevezita entre dois feriados e antes duma ponte dá sempre um jeitão, não dá?

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Segredos de Alqueva



O trocadilho é barato* mas justificado, pois esta história parece mais uma intriga de comadres do que outra coisa. O problema é que a comadre que ficou lixada na intriga somos todos nós.
Qual JC em dia de milagre, o plano para o Alqueva multiplicou, não pães e peixes, mas camas! E não, caro leitor, estas camas não vão beneficiar a indústria do móvel – estas são mais para os patos bravos e para o turismo destruidor.
Como disse na passada terça-feira Miguel Sousa Tavares na sua intervenção no jornal nacional da TVI, fomos todos enganados: disseram-nos que o maior lago artificial da Europa ia ser a revolução da agricultura alentejana e que ia haver apenas 500 camas turísticas, só para os olivais dos espanhóis não se sentirem sós, e etc. Pespegam-nos agora, que nos apanharam a olhar para o lado, com 16 mil leitos para camone usar, mai-los respectivos campos de golfe e afins. Agora é que percebo para que era precisa aquela água toda!
Acho que fazem muito bem! Enganaram-nos mas fizeram muito bem, porque o povo é ignorante e não vê os benefícios que tudo aquilo vai trazer: ele é empregos como criados de mesa e jardineiros, ele é a necessidade de caseiros e seguranças, empregadas de limpeza e dançarinos de rancho folclórico. Tudo empregos qualificados e que vão lançar o país em áreas que são o estado da arte do desenvolvimento sustentado. Se tivessem dito a verdade ele era manifestações, pedidos de demissão de governantes, em suma, agitação desnecessária.
Afinal de contas, por que é que o Alentejo não pode ter o seu Algarve? Como está a demorar muito a rebentar com a costa alentejana, porque não fazer também pequenas Quarteiras e Vilamouras no interior da transtagana província? Ai são só Vilamouras? Quem quer sardinhadas e garrafões de 5 litros tem de procurar outras paragens? Turismo de luxo? Está bem, sempre há mais uns empregos na área da geriatria e do aluguer de chicha.
É que é só vantagens! Imagine-se o leitor deitado na praia, olhando para as motos de água que passam céleres a rasar a margem, e que chegou a este paraíso muito mais depressa do que ao Algarve. Não é bom?
Devíamos agradecer quanto antes ao(s) magnífico(S) urdidor(es) deste plano e oferecer-lhe(s) uma enorme medalha, que lhe(s) podia ser aposta no extraordinário cenário da barragem. E para figura(s) deste calibre menos que 10 quilinhos de betão na medalhita seria insulto.**
Só tenho uma dúvida: quando chegassem à água, muitos metros abaixo, o conjunto homem-medalha faria “tchibum”?

tuguinho, cínico de alcova

* para os que não perceberam o trocadilho, procedeu-se à substituição de “alcova” por “alqueva”; se mesmo assim não perceberam, azar.
** este parágrafo compensa largamente a ausência de parêntesis no post anterior.

terça-feira, 6 de junho de 2006

Que mal tem dar-te um tiro nas fuças?



Calma, caro leitor*, não me transformei num louco homicida de um momento para o outro! Não sou homicida! Lembrei-me deste título-choque, “a la” Independente de outros tempos , para falar sobre uma coisa que todos os homens mais ou menos da minha geração fizeram: brincar aos cowboys!**
Não, tirem essas imagens cowboycidas do Brokeback Mountain das vossas mentes, não é nada disso! Esqueçam essa treta – imaginem que o filme foi feito com homens do lixo em vez de cowboys. Pronto, já o fizeram? Então continuemos.
Brincar aos cowboys e aos índios implicava uma série de coisas horrendas para os “eduqueses” das últimas duas décadas: para começar, andávamos com armas; para continuar, não eram para auto-defesa e sim para matar os outros, fossem eles bandidos (equiparados a índios em termos de destino) ou índios (sempre os maus da fita); por outro lado, implicava uma boa dose de sujidade, germes sortidos e outras ameaças mortais; para mais, não era raro ficarmos esmurrados ou andarmos mesmo à batatada uns com os outros (muito vulgar quando alguma vítima não queria morrer sem protesto).
Portanto, se olharmos para isto tudo, há, pelo menos: brincadeiras com armas que potencialmente nos poderiam levar a uma vida de crime (ou a polícias, mas pronto); banalização da morte, com implicações extremas na percepção da vida por parte dos meninos; racismo e deturpação da história no posicionamento dos índios; possibilidade de acidentes mortais e infecções devastadoras.
Pois bem, contrariamente às expectativas, nem eu nem os meus companheiros de brincadeiras nos tornámos: maníacos das armas ou criminosos; cabrões insensíveis; não nos alistámos na frente nacional nem batemos em negros; não sofremos infecções fatais e as cicatrizes nos joelhos que ganhámos na altura até dão um certo charme. E, pelo menos da minha parte, mesmo nessa altura, nunca tomei a nuvem por Juno ou confundi brincadeira com realidade.
Vem tudo isto a propósito das redomas em que actualmente vivem as crianças e que, essas sim, as deixam perturbadas, e da saga do politicamente correcto que não deixa um honesto infante divertir-se a valer com um seis balas de fulminantes!
Nesse grupo fluido de colegas de escola e de brincadeiras alguns ficaram pelo caminho. Uns por doença, outros apanhados pela droga, outros por azares da vida, mas nada disso teve a ver com os tiros nas fuças que demos uns aos outros. E esses azarados foram poucos – a maioria está bem na vida e não ficou com os valores trocados por os índios perderem sempre ou por terem morto centenas de adversários em brincadeiras de tardes intermináveis. É triste não se verem crianças a brincar na rua nem se ouvir o tradicional “pum, pum, estás morto!” – acho que as gerações mais novas pensam que “ar livre” é o contrário de “ar condicionado”. Só.

tuguinho, cínico e ex-cowboy

*utilização do masculino como generalização; não quero que as caras leitoras se sintam esquecidas, mas andar a encher o texto de “caras(os)” e etc. não fica bem…
**ok, cara leitora, eu sei que afinal também brincava aos cowboys e isso; só que essas coisas levar-nos-iam muito longe, como por exemplo por que é que o seu namorado se chama Alfreda…

sexta-feira, 2 de junho de 2006

É hoje o grande dia




Esta 6ª feira as Krónikas Tugas regressam ao Rock-in-Rio de Lisboa. Mas só metade. A outra metade fica a ver pela televisão. No domingo reincidimos para ver o encerramento. Vamos encontrar nomes como Rui Veloso, Carlos Santana, Roger Waters, Anastacia, Sting e GNR.

Não perca na próxima semana a reportagem do nosso enviado-especial ao Parque da Bela Vista.

Kroniketas, audiófilo