segunda-feira, 30 de julho de 2007

Os “senhores doutores” de merda

Não sei se “ignomínia” é uma expressão suficientemente forte para classificar o que se tem passado e tem vindo a lume com as pseudo-“juntas médicas” que recusaram a reforma a funcionários que padecem de cancro, entre outras situações menos graves. Depois de ler as sucessivas notícias sobre casos conhecidos (esta semana apareceram mais, e estes são só os que foram denunciados) e, ainda por cima, os comentários jocosos de que foram alvo os doentes em causa, só posso sentir nojo por estes crápulas que se arrogam o direito de brincar com a vida e a desgraça das pessoas.
Como é possível que um professor morra de cancro enquanto é forçado a dar aulas? Como é possível que um professor com cancro na laringe (saberão esses anormais que as aulas se dão... falando?) ouça um comentário de que “se tratasse dos dentes e fizesse uma limpeza aos ouvidos ficava muito bem”? Como é possível que alguém diga que “a senhora não quer é trabalhar”? Mas quem é que eles se julgam? Serão eles, na realidade, médicos? (o terceiro elemento já se sabe que não é; deve ser um pau-mandado qualquer, um verbo de encher que está ali em comissão de serviço para servir de capacho a um medíocre qualquer com o cargo de “chefe”). E se são, é assim que querem granjear o respeito da opinião pública? E o senhor bastonário, sempre tão pressuroso a vir bradar aos quatro ventos que os médicos, coitadinhos, são alvo duma campanha de perseguição, não terá nada a dizer sobre isto?
E você, senhor Ministro da Saúde, que tão orgulhoso se mostrou da decisão tomada de não fazer um inquérito à morte dum acidentado no Alentejo que demorou 7 horas a ser transportado para Lisboa, não cora de vergonha perante mais esta infâmia?
E esses filhos de uma senhora com muitos maridos que vão para essas pseudo-juntas, se vissem um familiar nessa situação teriam a mesma opinião? O que eles mereciam era que o doente, ou algum familiar que o acompanhasse, se passasse dos carretos e lhes afiambrasse umas quantas bordoadas naquilo a que popularmente se chama “os cornos”.
A esses miseráveis sem nome, o que lhes desejo é o dobro do mal de que padecem os doentes com quem eles gozaram.

Kroniketas, sempre kontra as tretas