terça-feira, 24 de julho de 2007

Os “lisboetas” de Cabeceiras de Basto

Esta gente não tem a noção do ridículo. Aquele espectáculo patético dos velhotes que vinham de excursão e foram levados à porta do hotel Altis, para festejar a estrondosa vitória do candidato António Costa com uns fabulosos 57.000 votos em Lisboa, e que foram apanhados de surpresa pelas televisões e só sabiam que ali estavam porque o motorista sabia o caminho, é das cenas mais caricatas a que já assisti e revela bem o despudor em que caiu um partido que de esquerda já tem muito pouco e de socialista, de certeza, já não tem nada. Deviam mudar o nome, como outros fizeram, e chamar-lhe partido dos “boys”, ou dos corruptos, ou dos compadrios.
Das poucas vezes que votei no PS em eleições nacionais acabei sempre por me arrepender, porque no governo consegue sempre ser mais direitista que os partidos de direita. Mas o mais grave é o completo despudor em que se caiu, com o compadrio descarado com os lóbis da construção civil, os paus-mandados que agora funcionam como bufos, a partidarização do Estado, a tentativa de imposição de leis que representam um retrocesso ao 24 de Abril.
Aquilo que se tem passado com a reforma selvagem da Administração Pública, com o processo do novo aeroporto de Lisboa, com os projectos de construção desenfreada ao arrepio de todas as regras, com as juntas médicas, com os delatores dos que “ofendem” o governo, com a tentativa de liberalização dos despedimentos que até o ex-Ministro Bagão Félix considera “um arbítrio inaceitável”, é uma completa ignomínia que devia fazer corar de vergonha uns quantos imbecis que andam por aí a responder pela alcunha de ministros. Esta gente perdeu o respeito pelo país, pela democracia e, pior que tudo, pelo passado do próprio partido que os colocou lá. Já quase nada resta do partido que durante três décadas se ufanou orgulhosamente de ter ido para a fonte luminosa lutar pela democracia e para derrotar o papão comunista. Agora só resta um partido cuja prática me mete nojo.
Já quase me apetece dizer como Miguel Sousa Tavares escreveu há pouco tempo no Expresso: se isto é a esquerda, que venha a direita...

Kroniketas, sempre kontra as tretas