domingo, 30 de maio de 2004

Ladrando ao Sol – só porque o Verão vem aí (18): A Vergonha foi a Banhos

Não se trata de partidarismos nem de afirmação de posição política própria do autor – é apenas bom-senso e um olhar lúcido. Não sei se foi o Dr. Portas que levou algum vírus de demagogite aguda para o governo, ou se a incubação foi individual e intransmissível e já estaria instalada nas meninges do nosso primeiro desde os tempos vermelhos do MRPP. O que é certo é que o Dr. Durão Barroso e os seus alter-egos políticos de circunstância proferiram nos últimos tempos certas declarações de bradar aos céus e pedir explicações a deus!
Vamos por partes, como diria Jack, o Estripador:
1. No decorrer do congresso do PSD Madeira tivemos um conjunto de declarações que podiam figurar no mais selecto manual de lambe-botices políticas – além do Dr. Durão, tivemos o privilégio de que o Dr. Arnaut e o Dr. Dias Loureiro declarassem os seus casos de amor pela democracia na Madeira, alcandorando os processos e as políticas locais ao que de melhor a democracia poderia produzir, e sugerissem mesmo estender os excelsos métodos de Jardim ao resto do país. E disseram isto tudo sem se rirem, o que é bastante mais preocupante do que as declarações em si!
2. Num processo que poderíamos denominar como monty-pythoniano, foram produzidas no congresso do PSD Nacional mais declarações que, em paralelo com as anteriores, nos fazem duvidar se não estarão a gozar connosco – então agora os Açores têm um défice democrático? Será por não ser o PSD que está no poder lá e isso ser considerado automaticamente um défice de democracia? Como mero observador e visitante ocasional das ilhas açorianas, posso constatar que os Açores se desenvolveram mais nos últimos 5 a 6 anos do que nas décadas anteriores. "Sim, mas até nas ditaduras pode haver desenvolvimento económico!", poderão alvitrar os leitores. Mas alguém no seu juízo perfeito acha que há uma democracia deficiente nos Açores? De certeza que não foi um erro geográfico de confusão de arquipélagos (não, não estou a referir-me às Canárias…)? Ora tenham vergonha, por favor!
3. Esta penso que também foi proferida no mumificado congresso nacional do PSD, que se pareceu muito com um congresso da União Nacional na docilidade das declarações e na ausência de linhas divergentes e de conteúdo que se visse: então agora o PCP será o culpado se alguma coisa má acontecer durante o Euro 2004? Quer dizer, se as contas derem buraco, o PC é o culpado? Será que o Dr. Cunhal se verá novamente arrecadado em Caxias (pelo menos agora há lá um café-restaurante-bar no perímetro) só porque o SEF iria fazer uma greve durante o Euro? Greve aliás perfeitamente legítima, aproveite ou não o contexto do Euro 2004. Se um hooligan partir uma garrafa de cerveja na cabeça de um eleitor do partido no governo, será que Carlos Carvalhas se verá condenado a trabalhos forçados no bar da sede nacional do PSD? Carvalhas tinha razões para chamar mais do que cobarde político ao Dr. Durão – agora que toda a gente já se tinha esquecido de que os comunistas comiam criancinhas (não, meus caros leitores mais jovenzinhos, não estamos a falar de pedofilia – a afirmação é em sentido literal) vêm apor-lhes mais este estigma inusitado!?
Mas anda tudo doido, ou a Ministra das Finanças já fez negócio com os neurónios do cidadão vulgar sem que ele soubesse e por isso já ninguém consegue distinguir a nuvem de Juno?
É certo que todos estamos habituados a alguma chicana política, e essa atitude não é exclusivo de uma ou outra formação política, mas quando os limites deixam de existir (e a vergonha na cara também!) então é a democracia que está em perigo. Da acusação fictícia à acção repressiva baseada nessa acusação vai um passo pequeno. E é assim que as democracias vão pelo ralo…

tuguinho, cínico encartado (e que, apesar dos tempos não o valorizarem, continua com vergonha na cara)

quarta-feira, 26 de maio de 2004

O dia da final

É hoje que o Porto joga a final da Liga dos Campeões com o Mónaco. Como benfiquistas, os autores deste blog desejam-lhes o dobro do que eles nos desejarem a nós.

Idálio Saroto, provedor do blog

Pedimos desculpa por esta interrupção

A inspiração não tem abundado, e a paciência para escrever também não.
Retomaremos dentro de momentos...

tuginho e kroniketas, os diletantes preguiçosos (para escrever)

domingo, 23 de maio de 2004

A Iliteracia na Tugalândia (5) – O Paradoxo de Senão anda a surgir vezes Demais

Alguém pode informar os nossos escribas da imprensa e da TV e respectivos revisores (se os há) da pequena diferença entre “senão” e “se não”, ou entre “demais” e “de mais”, e dizer-lhes que apesar de tudo não são comutativos na sua utilização? É que se é demais este desconhecimento da língua, será talvez de mais educação que precisamos! Senão vai ser difícil apanhar a Europa, se não mesmo impossível…
Estamos entendidos ou preciso de fazer um desenho?

tuguinho, cínico encartado (e desesperado com as imbecilidades que se escrevem por aí)

Ladrando à Lua (17) – A Mulher de César

Diz o ditado que “à mulher de César não basta ser séria, tem de parecê-lo”! Com o nível cultural médio dos nossos políticos, especialmente os dos escalões secundários (é incrível como o futebolês casa bem com a política!), não duvido que seja desconhecido de muitos deles. Tenho a certeza de que é isso que acontece em Celorico de Basto, porque não acredito numa situação de favorecimento político (espero que tenha transparecido a ironia…). Então não é que na respectiva Câmara Municipal trabalham 17-almas-17 que têm em comum o facto de serem rebentos de Presidentes ou Secretários de Juntas de Freguesia do concelho? E por sinal, coincidência de certeza, todos de Juntas do PSD, a mesma cor política do distinto representante do povo na presidência da câmara!
Disse este autêntico ícone da democracia participativa, devorador do desemprego e incentivador demográfico no concelho (pelo menos nas freguesias do PSD e em relação a futuros presidentes ou secretários de junta), que tudo é transparente e que se eles lá estão é porque foram os mais competentes para os lugarzitos na autarquia. Bate certo, senão vamos ver: o PSD está no poder, por isso devem ser os mais competentes, ou o povo não os teria escolhido (como é que se faz um smiley nesta coisa?); se isto é verdade, também o é quando descemos na escala e passamos do governo central às autarquias; se isto é verdade, também os descendentes dos mais competentes serão os mais competentes (estão a seguir até aqui?); se isto é verdade, não há surpresa nenhuma que sejam descendentes de autarcas do PSD a abotoarem-se com as posições na Câmara! Tudo o mais que se disser, que é clientelismo ou jobs for the boys, é pura manipulação (até porque há algumas girls à mistura)!
E mais não digo, porque não se me afigura necessário.
A bem da nação

tuguinho, cínico encartado (a caminho de Celorico de Basto na tentativa de ser adoptado por algum autarca local…)

terça-feira, 18 de maio de 2004

Imbecilidades sobre a Taça

Perante o chorrilho de imbecilidades debitadas pelos adeptos do FCP acerca do resultado da final da Taça e das suas causas, atirando a culpa exclusivamente para cima do árbitro (falaram em ROUBO, imagine-se), só se pode concluir aquilo que eu já penso há muitos anos: os portistas são todos um bando de anormais.

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 17 de maio de 2004

SLB! SLB! SLB!

Finais da Taça:
Benfica, 8 - Porto, 1
Depois do 25 de Abril (para quem quer sempre associar as vitórias ao regime):
Benfica, 5 - Porto, 0

Total:
Benfica, 24 - Porto, 12
Depois do 25 de Abril:
Benfica, 9 - Porto,9

Isto mesmo com o Benfica em jejum de 8 anos.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Só mais uma consideraçãozita futebolística

O Mourinho pode ser um treinador que ganha e tem êxito mas, como se viu pelas reacções à derrota na final da taça, nunca será um grande treinador porque para isso também é preciso ser homem!

tuguinho, mouro mas não mourinho!

Paixões

Na vida pode mudar-se tudo: pode mudar-se de emprego, de cidade, de país, de nacionalidade, de mulher (ou homem), até de sexo! Mas nunca se muda de clube! Quem todavia o faz é um bandalho desprezível abaixo da condição humana. Nós não somos desses. Por isso perdoem-nos o clubismo (quem não for do Glorioso) e a menor legibilidade - é só por uns dias, até desincharmos...

tuguinho, benfiquista desencartado (mas sempre fiel)

domingo, 16 de maio de 2004

SLB! SLB!

SLB! SLB! SLB!
Glorioso, SLB!
Glorioso SLB!

Ó Mourinho, vai para a puta que te pariu!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 13 de maio de 2004

A Vez do Parvo (aperiódico sem concessões)

Quando tentou disparar a caçadeira de canos cerrados, a arma rebentou-lhe na tromba. Foi mais uma vítima da iliteracia... (esta é profunda e subtil)

Nota: companheiro leitor, se não percebeste não te preocupes - és só outra vítima da iliteracia...

blogoberto, chico-esperto

Avés do Povo (periódico anual a 13 de Maio)

Ouvi agora na tv a notícia de que os republicanos espanhóis não vão assistir ao casamento do príncipe com a jornalista Letizia Ortiz. Outros dizem que a noiva deveria ser de sangue azul.
Perante questões tão prementes, pergunto eu: who cares?
Enquanto isso, a televisão pública transmite a peregrinação dos beatos (há quem lhes chame fiéis) a Fátima. E no que é que isso contribui para a minha felicidade? Mas será que aquela gente acredita mesmo naquela treta da virgem Maria e dos pastorinhos?

blogoberto, chico-esperto

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Ladrando à Lua (16) – Um Santana de pau carunchoso

Um pouco de história: apesar da tacanhez e modorrice do antigo regime (além de outros epítetos menos inofensivos), ele teve algumas pessoas de mérito nas suas fileiras. O que nos interessa para hoje chamava-se Duarte Pacheco, e além de ministro das Obras Públicas foi presidente da câmara de Lisboa nos idos de 40 do século XX. Homem dinâmico, marcou o país com obras emblemáticas como os edifícios do IST na Alameda ou a auto-estrada que hoje se chama A5 e naquela época ia até ao Estádio Nacional, outra obra de sua iniciativa. Além do cimento deixou-nos uma outra coisa que denota uma visão de futuro, coisa que falta aos nossos actuais políticos míopes, que só vêem ao perto, geralmente até às eleições seguintes: foi o Parque de Monsanto, criado a seu mando e que transformou cabeços nus há 60 anos na mancha verde que é hoje. Acaba aqui a lição de história.
Apesar de ratada por pequenos avanços de betão, a tal mancha permaneceu verde e, nos últimos anos, foram mesmo dados passos positivos para de lá erradicar a prostituição e devolver o espaço às famílias. Ainda me recordo de fazer piqueniques nos Montes Claros, sem perigo de ser assaltado ou de encontrar preservativos usados debaixo do cesto do lanche.
Até que nos apareceu um Santana de pau carunchoso, que resolveu fazer de Monsanto a carpete da capital e para lá varrer todos os projectos abortados ou abortivos da sua (des)governação mediática – desde a Feira Popular (será que os esquilos gostam de cheiro de sardinhada?) ao Hipódromo e seus apoios (quantas árvores serão destruídas? – a menos que os cavalos façam slalom pelo meio delas), dos campos de ténis (para o povo de Lisboa, como é lógico; já estou a ver as famílias a acorrerem em massa com as suas raquetes de fibra de carbono numa mão e o farnel na outra!) ao campo de tiro (que já lá está mas não devia estar! – é tão absurdo como se estivesse no Parque Eduardo VII).
Estou convencido que ainda lá vamos ver projectados o novo Parque Mayer, as torres de Alcântara, o túnel do Marquês e o casino do Gehry, tudo como num magnífico Portugal do Santanita, emulação do Portugal dos Pequenitos - o que condiria com a dimensão política do referido - qual Las Vegas de pesadelo às portas de Lisboa!
Como já disse aqui noutras ocasiões, o país somos nós, e nada de bom advém de carneiradas de absentismo e desinteresse! Por isso vão a http://www.ipetitions.com/campaigns/por_monsanto/ e assinem a petição – é um primeiro passo para evitar a tragédia. Depois podemos fazer um golpe de estado ao nível da capital, defenestrar o Santana Lopes e substitui-lo por alguém com cérebro e sensatez, embora quando olhamos para a fileira dos políticos (usar “fileira” está na moda agora, lançada por uns quantos economistóides) essa se perfile como uma tarefa árdua…
Estaremos dispostos a perder o único verdadeiro pulmão de Lisboa por causa das manobras politico-circenses de um diletante inconsequente? Entre um Monte Santo e um Santana de pau carunchoso não tenho dúvidas na escolha. Alguém tem?

tuguinho, cínico encartado (mas amante sincero da natureza)
Kroniketas, sempre kontra as tretas
Blogoberto, chico-esperto
Valter Rego, observador desassombrado (deste circo que é a vida)
Mónica Galho, cronista da sóçaite e consultora sentimental
...e outros artistas convidados

terça-feira, 11 de maio de 2004

As pequenas coisas da vida

De que precisamos nós para ser felizes? São as pequenas coisas que importam: uma pequena fortuna no banco, uma pequena mansão, um pequeno latifúndio, um pequeno iate, um pequeno Ferrari...
As pequenas coisas da vida, afinal, é que nos fazem felizes...

blogoberto, chico-esperto

Avós do mar (periódico com maré regular)

Era um tipo tão benfiquista, tão benfiquista, que quando ia à praia só tomava banho no Mar Vermelho!

blogoberto, chico-esperto

domingo, 9 de maio de 2004

A vez do polvo (tentáculo com periodicidade certa)

Se na última jornada do campeonato é suposto que todos os jogos comecem à mesma hora, porque será que o Porto mudou a hora do jogo para fazer do McCarthy o melhor marcador? Não é concorrência desleal jogar quando os outros já jogaram, sabendo quantos golos o sul-africano precisava de marcar? Até esta questão teve que ser resolvida com aldrabice? E porque é que tudo isto é permitido?
Agora digam lá: já ouviram falar num tal "sistema"?

blogoberto, chico-esperto

A voz do burro (periódico com zurrada certeira)

A quem possa interessar: "escassear" escreve-se com dois "ss". Vem de ser escasso. Escacear viria de escaco. Ora caco só poderia dar "cacear". Digo eu. Se calhar o português é uma língua estrangeira para quem dá estas calinadas.
Talvez tenha havido confusão com escoicear, essa sim escrita com "c", que vem de "coice", movimento associado aos jumentos e outros equídeos!

blogoberto, chico-esperto

A Vez do Murro (Barbaridade com periodicidade diária)

Sabe-se agora que o que há no Iraque não são armas de destruição maciça. São armas de humilhação selectiva.
Treme Bin Laden! Estás aqui, estás a ser sodomizado por um valente soldado dos EUA!

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 7 de maio de 2004

Chega de Rui Costa

Então o Rui Costa espera ficar no Milan? Eu espero que então ele se cale duma vez com a lenga-lenga de que quer regressar ao Benfica. Se quisesse já o tinha feito. Ou vem agora, ou já não vem. Mais um para a reforma não.
Além disso, também já farta ouvir as suas juras de amor eterno ao Benfica, mas que em 10 anos foram sempre de amor platónico, à distância das liras. As liras falaram sempre mais alto. Se é este o amor que ele tem ao clube, podemos passar bem sem ele.

Entretanto, fala-se no possível regresso de João Pinto, se este não renovar pelo Sporting. Por mim, pode vir. Seria uma forma de acertar contas com a história, depois da forma absurda como foi empurrado para fora do clube. Este, ao menos, nunca quis sair.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Ladrando à Lua (15) - E agora, Santana?

Já tínhamos o sarilho do túnel do Metro no Terreiro do Paço. Agora temos o sarilho do túnel das Amoreiras. Isto num país em que tudo se faz em cima do joelho, com a maior irresponsabilidade e sem que nunca ninguém seja chamado à pedra, ninguém é responsável por nada: as pontes podem cair de causas naturais, a Expo dá um buraco de mais de 100 milhões de contos mas o incompetente ex-comissário Cardoso e Cunha ainda se dá ares de importante na TAP e embirra com um gestor que veio do Brasil para pôr aquilo a dar lucro, as estradas IP3, IP4 e IP5 matam que se fartam por deficiências no traçado, e ninguém vai preso.
A gestão de Santana Lopes na Câmara de Lisboa já tinha revelado alguns sinais preocupantes de uma sede de protagonismo acima de todo o bom-senso. Desde as polémicas com o casino, o parque Mayer, as torres de Siza Vieira em Alcântara (vade retro, Satanás!), até à decisão inimaginável de proibir o trânsito em Monsanto ao fim-de-semana (se eu quiser ir ao parque infantil da Serafina com os meus filhos, como é que o sr. presidente da Câmara achará que é melhor: a pé, de bicicleta, de táxi ou de autocarro?), de tudo um pouco o homem se tem servido para deixar o nome ligado a algo notório na cidade. Mesmo que seja pela negativa.
Agora, a cereja no topo do bolo. Contra toda a prudência, lá avançou o famigerado túnel. Devo dizer que como utente da cidade de Lisboa, onde trabalho diariamente morando na periferia como tantos milhares de pessoas, a ideia na sua essência não me pareceu de todo descabida. Seria uma forma de minorar as filas intermináveis que quem entra na cidade pelo viaduto Duarte Pacheco apanha todos os dias, e poderia libertar os cruzamentos onde se gastam horas para conseguir passar um semáforo.
Mas eis que surge o malfadado estudo de impacto ambiental. Que foi pedido, reclamado e sugerido vezes sem conta pelos mais diversos sectores. Fazendo o papel de autista que tem caracterizado o seu mandato, Santana Lopes avançou sem o tal estudo, aconselhado ainda por cima por um secretário de Estado que, mesmo depois da decisão do tribunal, continua a dizer que o estudo não é necessário. Até quando continuaremos a ser (des)governados por gente desta?
Pois é, um túnel que afunda e volta a subir com inclinações de 9%, que passa meio metro abaixo do túnel do Metropolitano, que poderá ficar com centenas de carros parados lá dentro, em que não se sabe bem o que está no subsolo, como em grande parte da baixa da cidade, pode-se construir assim, do pé para a mão, só porque o autarca quer fazer algo em grande?
Conclusão inevitável: o homem é um irresponsável. Mas quem vai pagar a factura, como sempre, são os cidadãos que sofrem um trânsito caótico naquela zona e que agora, com a paragem das obras, não se sabe como vão ter este problema resolvido. Eu sei do que falo, passo lá todos os dias.
Se Santana Lopes achava que a Câmara de Lisboa era o trampolim para Belém, talvez o tiro lhe saia pela culatra. Já João Soares começou a perder a Câmara com a ideia peregrina de fazer um elevador para o Castelo de S. Jorge. Agora, Santana Lopes não só começou já a perder a Câmara, como a corrida às presidenciais.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 5 de maio de 2004

A voz do burro (periódico sem zurrada certa) - O idiota inútil

O inefável Alberto João voltou a atacar no 1º de Maio e a zurrar uns quantos impropérios contra os sindicatos. A permanente diarreia mental deste indivíduo faz-me lembrar apenas uma afirmação sua durante a onda de solidariedade com Timor que varreu Portugal de lés-a-lés há uns anos. Disse ele, no seu estilo desbocado e para se demarcar da posição das pessoas normais, que não queria fazer o papel de idiota útil.
Tem razão. Ele é apenas o idiota inútil. Nem para assunto de anedotas serve.

blogoberto, chico-esperto

terça-feira, 4 de maio de 2004

Ladrando à Lua (14) - Ponha…ponha…ponha…

Arranjam-se 3 ou 4 pretensos especialistas, muito directos, muito pós-modernos e cheios de certezas absolutas elucubradas em 5 segundos. Juntam-se candidatos à humilhação bem frescos e ingénuos, mistura-se com 2 apresentadores com à vontade e uma montagem modernaça e serve-se em doses limitadas durante várias semanas numa estação de televisão, para fazer render o peixe. Esta descrição lembra-vos alguma coisa?
Pois é, não é necessário ser espectador assíduo, basta estar a fazer zapping e dar de chofre com estes abastardamentos do que devia ser um programa de entretenimento. Dos Big Brothers de má memória ao Masterplan que gerou um ícone pimba de nome Gisela, dos Sobreviventes da treta ao Ponha… ponha… ponha… que quase deu mau nome às iguanas, existe uma coisa em comum a todos estes programas: a devassa da intimidade dos participantes de um ou outro modo – pela exploração das fobias de cada um, pelo abastardamento das relações entre pessoas, pela humilhação do que devia ser íntimo e não exposto a um universo de voyeurs javardos(as).
A SIC descobriu (comprou!) agora uma nova fórmula que resultou: a humilhação mascarada de procura de novos talentos. Foi o que aconteceu em parte no Ídolos e está a acontecer no Sonho de Mulher, até porque o tema – a beleza – se presta mais a isso.
É notório que uma boa parte das candidatas a este concurso, que desembocará na eleição de Miss Portugal, foram iludidas pelo amor-próprio, pelos namorados à procura de mais extensos favores, ou pela simples e santa ingenuidade daquelas idades mais tenras (sem bocas, por favor, que isto é sério!). Isso sempre aconteceu e sempre acontecerá. Mas, no passado, a destruição de semelhantes ilusões passava-se à porta fechada e não perante a multidão de telespectadores ávida do sofrimento dos outros. Sim, muitas eram feias, mas era preciso dizer-lhes daquela maneira? As coisas só se passam assim porque, mais do que a eleição da Miss, o que se procura mostrar no programa é a amargura das rejeitadas, a revolta das eliminadas, a vergonha, o choro, mais ainda do que a alegria das escolhidas que tem muito menor impacto para o teleconsumidor deste lixo emocional. Ou seja, o objectivo deste programa não é eleger a Miss Portugal, é mostrar o processo de eleição! E quanto mais sangue e humilhação houver, melhor! Pão e circo, lembram-se? Resulta há mais de dois mil anos…
Deixem-me então ser mauzinho e, por breves instantes, travestir-me de júri e dissertar sobre as quatro peças que agora nos é dado ver e apreciar:
Ana Borges – a ex-manequim habituada a lidar com carne, cheia de certezas e certamente a pensar que o mundo gira em volta dela.
Xana Guerra – quando diz que não gosta da roupa, ou do rosto, ou do corpo das candidatas já olhou realmente para si? Já viu que parece uma lésbica bêbeda e com mau gosto, com roupa horrível e aspecto desleixado?
Manuel Serrão – um caso perdido da bimbice que existe em certas regiões. Se fosse presidente de câmara seria um émulo do cacique Torres, assim é apenas um parvalhão alegre, que mesmo com um Armani vestido continuará a parecer um aprendiz de taberneiro.
Vítor Nobre – apesar de ser o menos acintoso dos quatro, não deixa de ser afirmativo demais e aquele ar e modos de pederasta que está bem na vida acabam por traí-lo.
Pronto, já estou mais aliviado. Não gostaram, pois não? Fiz juízos apressados, foi isso? Fui injusto? E olhem que tive bastante mais do que uns segundos para os analisar e depois opinar!
É preciso também dizer que há muito tempo que este tipo de concursos deixaram de ser de beleza e passaram a ser de modelos – mais que a Miss Portugal, elege-se a Manequim Portugal! É por isso que o júri, independentemente do processo utilizado, julga as candidatas usando o estereótipo da mulher cabide (óptima para passar roupa) e não os parâmetros de beleza de gente normal. Sim, porque não aceito que uma modelo anoréctica possa ser o ideal de beleza de alguém.
É mesmo preciso telelixo para se atraírem audiências? Ou é apenas mais fácil e mais barato? Por outras palavras, será que uma televisão comercial não pode ter qualidade para ter sucesso? O sucesso será inimigo da qualidade? Recuso-me a acreditar que seja assim.

tuguinho, cínico encartado e heterossexual inveterado