sexta-feira, 26 de março de 2004

Assassinos!

O indecoroso assassínio do líder do Hamas, o sheik qualquer coisa, e a forma como foi executado, veio revelar uma vez mais que estamos perante uma guerra sem quartel em que não se olha a meios para atingir os fins.

Devo desde já dizer, como declaração de interesses, que não nutro a menor simpatia pelos islâmicos: cá para mim são todos doidos, e pararam na Idade Média. Ainda recentemente uma islâmica escrevia no Correio da Manhã que os ocidentais não os compreendem nem compreendem o Corão. Estou-me nas tintas. Temos que os acolher e aturar com as suas taras e manias medievais (ele é o véu, ele é a circuncisão, ele é a carne de porco, ele é o Ramadão, e todo um rol de outras anormalidades) e ainda temos que os compreender? E por que carga de água é que eu haveria de compreender um livro escrito há séculos por um suposto Deus que manda matar os infiéis? Guerra santa? Alguém consegue explicar-lhes o paradoxo que existe nesta expressão? Eles que se adaptem à civilização ocidental; se não quiserem, voltem para donde vieram. Em Roma sê romano. E agora, ainda por cima, temos que viver com o medo dum ataque da Al-Qaeda? Já há quem tenha receio de ir ao Rock-in-Rio ou ao Euro 2004 por causa destes tarados!

Mas também começo a ter a mesma antipatia pelos judeus, só que esta é mais recente. E mais recente exactamente por causa do conflito israelo-palestiniano.

Em tempos não ligava muito a isto, até que um dia resolvi investigar as origens desta guerra. Posso não conhecer todos os desenvolvimentos históricos, mas uma coisa parece-me evidente: o estado de Israel foi criado pelo Ocidente roubando território aos palestinianos. E o que está aqui em causa é que Israel, por muitas queixas que faça, tem o seu país (que até dizem ser democrático!) e a Palestina… não existe. Numa leitura simplista da coisa, isto resolvia-se se Israel deixasse que alguns territórios fossem entregues aos palestinianos. Mas não: Israel está a fazer-lhes o mesmo que Hitler fez aos judeus: fechá-los em “guetos” e aniquilá-los. Ocupa a faixa de Gaza, ocupa os montes Golan, constrói outro muro da vergonha... Afinal, o que é que eles pretendem? Dialogar? Ariel Sharon não disse ao que ia quando foi eleito?

Sempre fui contra os genocidas. Considero Hitler o maior assassino da história. Mas perante o que se vê, sou obrigado a considerar que Ariel Sharon é outro assassino, um segundo Hitler. A grande diferença é que este tem os americanos do seu lado, por isso faz o que muito bem entende. Não haverá ninguém que o assassine também? O extermínio a que os judeus foram sujeitos pelos nazis não legitima que agora façam o mesmo a outros durante décadas. Não façam o papel de coitadinhos, porque é o que eles não são. Nem são as únicas vítimas na história da Humanidade.

O terrorismo é condenável sob qualquer forma, e neste conflito já não há inocentes: todos são culpados. Mas uma coisa são os movimentos radicais; outra é ser um estado DITO democrático a levar a cabo uma acção de pura execução, como o que foi praticado por Israel sobre o líder do Hamas. Nunca se viu uma coisa assim: o homem estava numa mesquita e um helicóptero disparou 3 mísseis sobre ele, com o acompanhamento pessoal do próprio Sharon. Isto é, pura e simplesmente, barbárie. Ariel Sharon deveria ser julgado por crimes de guerra, tal como se fez com Milosevic e com os nazis em Nuremberga. Ah, mas o amigo americano não deixa! Os outros são terroristas: e Ariel Sharon, é o quê?

É óbvio que nem todos os judeus serão assim tão maus, mas perante esta diferença de forças e métodos em confronto (sim, porque uns matam matando-se com bombas à cintura e os outros usam mísseis), o meu receio é que um dia destes eu comece a achar que, afinal, o Hitler é que tinha razão, e que foi pena não o terem deixado acabar com os judeus antes de acabarem com ele.

E já agora: não se arranja por aí uma bomba atómica que arrase com aquilo tudo? Assim ficávamos livres de todos de uma só vez, e o mundo voltaria a ser mais pacífico.

Kroniketas, sempre kontra as tretas