segunda-feira, 14 de maio de 2007

Oportunismo político tuga


À boa maneira portuguesa, Carmona Rodrigues roeu a corda a Marques Mendes, deixando o líder do PSD numa situação embaraçosa quando estava convencido que o Presidente da Câmara de Lisboa ia abandonar o cargo pelo seu próprio pé.
Ao afirmar que não estava agarrado ao poder, foi precisamente essa a imagem que deixou ao país. Aliás, é sempre essa a imagem que os políticos deixam passar para a opinião pública: a de que se agarram, que nem lapas, ao “tacho” e só saem se forem empurrados. Para completar o ramalhete da pouca-vergonha e deitar por terra o pouco de credibilidade que lhe restava, desatou a fazer nomeações oportunistas antes de se ir embora, arranjando uns “tachos” de última hora aos amigalhaços. Assim é que é.
O facto de Carmona só ter caído após as renúncias dos vereadores da oposição deixa em aberto uma questão, para mim incompreensível: então o Presidente da República pode demitir o Primeiro-ministro, pode dissolver a Assembleia da República, se verificar que não está assegurado o regular funcionamento das instituições, e não há ninguém que tenha poder para demitir um Presidente de Câmara? E depois assistimos a este espectáculo patético de ver os líderes partidários a retirar a confiança política àqueles que elegeram sem conseguir apeá-los da cadeira do poder, e a debates intermináveis acerca da atitude que estes deveriam tomar quando estão a contas com a justiça. Ora isto só acontece porque os próprios políticos, sempre tão prolíficos a legislar contra os cidadãos, não são capazes de legislar para si próprios, impondo-se uma suspensão automática dos mandatos quando são confrontados com processos judiciais. É assim nas autarquias, no governo, na Assembleia da República, onde aliás gozam do estatuto de imunidade parlamentar e só por vontade própria podem abdicar da mesma.
Houvesse uma lei que os suspendesse imediatamente e não teríamos que assistir a este desfilar de pouca-vergonha e oportunismo com que somos brindados regularmente, com candidatos arguidos a fazerem-se eleger por populações incapazes de ter um momento de lucidez. Lembram-se de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais? Da mesma forma que é completamente absurdo que possa haver eleições para a Câmara e não para a Assembleia Municipal, ficando tudo ao critério dos partidos. De quem é a culpa, afinal, senão dos próprios agentes do sistema e dos que dele retiram benefícios?

Kroniketas, sempre kontra as tretas