sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

Ladrando à Lua (9) - Os políticos inocentes

Anda por aí uma espécie de indignação envergonhada por causa de se ter descoberto recentemente que, afinal, não havia armas de destruição maciça no Iraque!!! Eureka! Só agora é se que ficou a saber!

Isto justifica o embaraço que alguns políticos da nossa praça sentem agora para tentar explicar o inexplicável, quando há alguns meses eles eram acérrimos defensores da invasão por causa das ditas armas, das ligações do Iraque à Al Qaeda, do Bin Laden, do 11 de Setembro, e por aí fora. Ou seja, todos os pretextos eram bons para invadir um país contra a vontade da ONU e de grande parte da comunidade internacional, porque o sr. Bush e os seus informadores garantiam que as tais armas existiam. Toda a gente sabia que isso era apenas um pretexto, porque toda a gente também já sabia que o presidente mais bronco da história desde que tinha sido eleito tinha como objectivo invadir o Iraque.

Ora os defensores da invasão contra tudo e contra todos, agora caíram com a cara no chão e não sabem como é que hão-de sair desta. Com o inevitável euro-deputado José Pacheco Pereira à cabeça. Ele que foi um dos mais empedernidos adeptos da invasão, por todas as razões e mais alguma, agora está positivamente à rasca, sem saber como justificar este embuste em que caiu, e que já mereceu do dito dois artigos de opinião no “Público” das últimas 5ªs feiras, para além da presença habitual no programa “Quadratura do círculo” da SIC Notícias (sucessor do extinto “Flashback” na TSF, com os mesmos protagonistas). E a inocência destes senhores (o colega de programa Lobo Xavier alinha pelo mesmo diapasão) é tanta que chegam ao ponto de perguntar (como J.P.P. nos referidos artigos do “Público”) se terá sido engano ou mentira.

E agora pergunto eu: então não foram avisados? Não foi dito, redito e escrito até à exaustão pelos mais variados sectores (também no “Público”, Miguel Sousa Tavares desmontou variadíssimas vezes todas as teorias conspirativas e pseudo-terroristas associadas ao Iraque) que se estava perante um monumental embuste, em que o único objectivo dos americanos era apoderarem-se do petróleo? Que todos os que eram contra a invasão reclamaram sempre pela necessidade de haver provas concretas, e que não bastavam as afirmações do sr. Rumsfeld a garantir que havia as tais armas, mas que era necessário que estas aparecessem? Que era necessário demonstrar que o Iraque tinha ligações à Al Qaeda? Em suma e acima de tudo, que vincaram bem a ilegitimidade de tal invasão? Isto valeu-lhes o epíteto (oh mancha indelével na sua reputação!) de anti-americanos, assim como aos países como a França e a Alemanha que não alinharam na carneirada. De nada valeu. O que era preciso era invadir, a pretexto de uma sui-generis “guerra preventiva”. Conceito giro, este: eu acho que aqueles gajos ali ao lado são perigosos, têm armas e são terroristas, por isso antes que eles possam fazer alguma coisa, a gente vai lá e acaba com eles. E afinal, era tudo mentira.

Não, não foi engano. Desde a primeira hora, só não percebeu quem não quis que era tudo uma farsa, a intenção estava à vista de todos e as supostas armas invisíveis eram apenas o pretexto, mas os todos os Pachecos Pereiras e todos os Durões preferiram não ouvir os argumentos dos cépticos e fazer o papel do pigmeu que se põe aos saltos porque quer aparecer na fotografia. E assim lá foi a GNR para o Iraque, fazer não se sabe bem o quê.

Agora o J.P.P. afadiga-se e desdobra-se a tentar explicar que foi enganado nas suas convicções e que, se calhar, Bush e Blair perderam credibilidade perante a opinião pública (aliás, ainda não vi mas estou curioso para saber o que terá ele escrito no seu blog, o abrupto). Oh inocente! Como se alguém acreditasse nisto. São estas posições que destroem a imagem dos políticos. Eu não acredito que ele e os outros como ele tenham sido enganados, porque os que eram contra não se deixaram enganar. Preferiram foi alinhar cegamente com o “amigo americano”, e agora ficaram de calças na mão. Perante isto, só me apetece dizer-lhes bem alto: PUTA QUE OS PARIU!

Kroniketas, sempre kontra as tretas