quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Ladrando à Lua (10) - Blogs, escutas e macanudos

Há um certo perfume corporativo na forma como os blogs e respectivas listas de ligações se entrelaçam. Algo como uma oligarquia estabelecida em que é difícil entrar, se não se conhecer a senha iniciática ou não se tiver um bom padrinho.
Acho que todos os grupos que se associam em volta de um interesse comum são assim, um bocado fascizantes e alienantes – passa a viver-se no universo auto-criado e a esquecer-se o exterior, a vida real, o senso comum. Faz-me lembrar os escuteiros e todos aqueles ritos fabricados e assim. Fosga-se! Se gosto de acampar vou acampar, levo a malta amiga e o rádio a pilhas e uma tenda – não preciso de uniformes, rituais ou gente a dizer-me o que devo fazer! Ou os macanudos, lembram-se, rádio-amadores ou coisa assim? Todos contentinhos dentro de um universo chato com’ó caraças.
Qualquer grupo que não tenha por base uma visão anárquica e descomprometida da sua própria organização vai dar a isto: masturbações mútuas e palmadinhas nas costas…
Já me deparei também com uma coisa chamada “União dos blogues livres”. União dos blogues livres? Mas livres de quê? Existe alguma conspiração que lhes coarcta a liberdade criativa, algum complot que os limita ou os quer eliminar da net?
Por definição, um blog é livre – o seu autor é livre de escrever as maiores alarvidades que ninguém tem nada com isso! Basta não o ler.
Não temos outro objectivo senão desabafar. Não queremos escrever livros (como a peta do Pipi, que antes de ser já o era!), não queremos ser famosos (como algumas personagens que por aí andam) nem trocar presentes, ideias ou polémicas com outros blogs, parecer muito inteligentes ou intelectuais. Existimos porque queremos, acabaremos quando nos fartarmos e a única coisa que nos dá satisfação é sermos lidos – concordem ou não com as nossas ideias e dissertações.
Que falemos uns com os outros é extremamente saudável, mas não nos fechemos em conchas. Os outros agradecem…

tuguinho, cínico encartado