quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Lapidar

“José Mourinho está há um ano e pouco em Inglaterra e ainda não aprendeu a ser um gentleman.
José Peseiro ainda não se esqueceu que é de Santarém e que os bois se pegam pelos cornos.”

(Dias Ferreira, comentador do programa “O dia seguinte”, Sic Notícias, a propósito da troca de comentários entre José Mourinho, treinador do Chelsea, e José Peseiro, treinador do Sporting)

blogoberto, chico-esperto

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Desabafos, coño

No regresso de férias as Krónikas abrem um espaço à colaboração externa, para dar voz à indignação de um comparsa sem forum adequado para a manifestar. O título, a assinatura e as ideias são dele, e não vinculam necessariamente os autores deste blog à totalidade do conteúdo. No entanto a publicação do artigo que se segue é feita, naturalmente, por considerarmos válidas as ideias nele expressas.

Idálio Saroto, provedor do blog



Uma visita – misturada com algum acaso - a um velho amigo que mora perto de Tavira, resultou numa pequena viagem por terras espanholas. Recomendação dele, uns dias antes, quando planeávamos a jornada: “traz o depósito na reserva!”. Percebi imediatamente a razão. A gasolina – assim como o gasóleo – é mais barata por lá. Ok, segui as instruções dele e tentei calcular, pelas voltinhas que daria nos dias seguintes por Albufeira, Portimão, etc, qual o momento em que estaria a precisar de gasolina.
Nesse belo dia, lá fui eu. Assim que chegámos a Ayamonte, foi-nos impossível abastecer – em boa verdade, nem perto do posto chegámos! – pela quantidade inacreditável de carros que nos precediam. Em bicha que ia até uma rotunda a mais de 300m de distância! Elemento curioso: nem uma matrícula espanhola à vista. Mas como não pude ver todos os carros, achei que era apenas um acaso.
Entrámos um pouco mais dentro de Espanha e eis que surge outra bomba, esta da Galp (pois, essa mesmo, a companhia portuguesa). Rumámos a ela e, mesmo assim, tínhamos seis carros à nossa frente (em cada “ilha” de abastecimento). Coincidência: todos os carros – eram mesmo todos, verifiquei porque saí do meu para ver melhor – eram portugueses. Aliás, os únicos espanhóis por perto eram os funcionários do posto. Porquê? Por ser um posto nacional e os nossos compatriotas estarem com saudades de algo genuinamente luso ou porque as diferenças por litro, na gasolina, ascendiam aos 15 cêntimos? No gasóleo, a diferença era menor mas ainda assim importante: 8 cêntimos.
Bem, mas lá abastecemos e seguimos viagem. Mais tarde, ao jantar, abordámos o assunto. Puxei do meu espírito patriótico e disse: “ó Zé, não te parece que os 50 Km que fazes para vir encher o depósito a Espanha não compensam? Gastas vários litros no processo!”. E ele, depois de uma pausa, talvez com algum receio de ferir o meu revelado espírito, começou a sua justificação.
Resumindo uma conversa que se estendeu por várias horas, vou apenas focar os pontos essenciais: ele está a frequentar um mestrado numa universidade em Sevilha. E porquê? Porque lhe fica mais perto do que Lisboa; tem uma auto-estrada directa que cola com a via do Infante, em que não paga um cêntimo; enquanto lá está, poupa dinheiro em combustível, refeições e supermercado. Tudo substancialmente mais barato porque (mas não só por isso!) o IVA deles é de 16% e vai descer para 15%!!!!!!! Leram bem: vai DESCER! Passarão a ter apenas duas taxas: 15% e 7%.
Mesmo nos meses de férias do mestrado, como Agosto, ele vai uma vez por semana a Espanha abastecer o carro e aproveita para ir a uma grande superfície fazer as compras da semana. Em vez dos 100 € que gasta em Portugal, deixa lá 70 ou 80 €. Isto é, poupa 20 a 30 € e o Estado português, espertalhão, em vez de cobrar menos IVA, se a taxa fosse inferior, não cobra nenhum! ZERO! E como ele, há milhares de outros raianos, ao longo das centenas de quilómetros de “fronteira” que temos com Espanha, a fazer o mesmo! Quanto custa isso ao país, em impostos? Em postos de trabalho? Em movimento económico?
Mas ainda há mais, muito mais: é mais barato ir passar férias ao Sul de Espanha do que ao Algarve. O alojamento é melhor, os equipamentos de praia são superiores (passadiços nas praias, chuveiros, lojas e restauração de qualidade e acessíveis, arquitectura muito bem ordenada, de acordo com a geografia dos locais, locais de estacionamento…). Comprar um T1 em Isla Cristina, Isla Antilla, ou Matas las Cañas custa menos que fazer o mesmo em Albufeira!
E estes são os motivos objectivos. Agora, passemos aos outros: superior sensação de segurança; ausência – aparente, pelo menos - de pessoal de aspecto “duvidoso”; sensação de verdadeiras férias pelo ambiente reinante de pessoas diferentes, com língua e “look” bem diferentes do que se vê habitualmente no Algarve; e, posso estar a ser mauzinho, a gasolina deu para mais quilómetros do que quando abasteço em Portugal! Ok, foi por qualquer outro motivo que me escapa, mas aconteceu mesmo e tão cedo não esquecerei; têm um piloto de F1 no comando do campeonato e só por milagre o título lhe fugirá; têm um piloto (pelo menos!) de ponta no moto GP e outro (pelo menos!) nos 250cc, o que só contribui para lhes elevar o moral e o orgulho nacional, no presente e no futuro mais próximo; já depois de ter escrito este texto, o Oriol Servia ganhou a corrida de Champ Cars em Montreal (o que me obrigou a acrescentar esta linha); são uma potência futebolística mundial com clubes detentores de invejáveis palmarés; estão entre os principais utilizadores de energia eólica, a anos-luz de nós, reduzindo a sua dependência do petróleo e da conjuntura mundial; ouvi ontem no telejornal que anularão o deficit orçamental em 2006. É verdade. Lá não se discute se vão ser 6.83% ou 4 ou 2! Haverá um superavit!
Porque será? Porque eles – assim como os irlandeses, os gregos, etc. – aproveitaram os fundos de coesão para qualquer coisa palpável em vez de casas, quintas, carros, negociatas e sabe-se lá mais o quê, apenas para uma meia-dúzia de eleitos? Porque não têm altas individualidades que são apanhadas a 200 Km/h, a caminho de Lisboa e a apenas 20 Km desta, a pretexto de uma reunião importante, a decorrer 3 horas mais tarde? Eu também tenho muitas reuniões. Importantes. Será que posso usá-las como argumento para os meus excessos? Ficarei tão impune como esta individualidade vai ficar?
No final do jantar com o meu amigo Zé Pego, já com a ajuda de algumas bebidas que ditaram o nosso regresso na condição de passageiros, desabafávamos, no meio de gargalhadas: “mas porque raio não foi o D. Afonso Henriques afogado à nascença?...”

Maranello, artista convidado

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Só vim aqui para dizer uma coisita

ou
Os nossos políticos são todos uns idênticos filhos da puta incompetentes


Era de esperar. Como o Kroniketas já aqui o disse, as moscas mudaram mas a merda continuou a ser a mesma.
É certo que este ano as condições de seca potenciavam a ocorrência de incêndios. Não choveu praticamente desde Outubro e tudo está seco e à espera do fogo.
É certo que as pessoas negligenciam a limpeza das matas e mesmo da envolvente das suas habitações. E com isso deixam acumular material combustível que serve de rastilho fácil para os incêndios.
É certo que muitos fogos são de origem criminosa. Mas como não se mudam cabeças de um dia para o outro, devia apostar-se na prevenção.
Mas precisamente por tudo isto o governo devia ter trabalhado na prevenção e na preparação dos meios de combate logo que tomou posse. Não foi assim… Os senhores ministros, secretários de estado, sub-secretários de estado, sub-sub-secretários de estado e demais tachistas precisavam primeiro de sentar bem o rabo no couro das cadeiras e no veludo dos sofás e refazer a decoração dos gabinetes, escolher umas secretárias boas ou parentela para os lugares sobrantes e descansar da azáfama das nomeações. Só foi em Fevereiro, eu sei. Seis meses não é nada para realizar estas tarefas tão importantes, só depois se podiam abalançar a coisas mais comezinhas, como não deixar o país arder.
É assim tão difícil planear e prever? Não temos técnicos competentes para o fazer? Vão buscá-los então ao estrangeiro – se fazemos isso no futebol, porque não aqui? Mas faça-se! Planeie-se! Adquira-se o que tem de ser adquirido e ponham-se os submarinos do Portas em banho-maria! Construa-se uma guarda florestal que vigie e previna, e dotem-se os bombeiros do equipamento de que necessitam!
Não podemos é continuar a alicerçar o combate em voluntários, por muito boa vontade que tenham (e têm, ninguém tenha dúvidas!).
Não podemos é continuar a alicerçar o combate em meios aéreos alugados todos os anos, delapidando o dinheiro de todos nós em negociatas pouco claras.
Não podemos é continuar indiferentes à inacção e à incompetência!
Os políticos de um país deviam ser constituídos por elementos de diferentes elites que, por diversos méritos, constituíssem bons governantes, activos ou potenciais, que servissem o país e fossem recompensados justamente por isso. Ao invés, não passam de uma escumalha onde poucos se destacam positivamente e a maior parte apenas quer encher os bolsos e beneficiar de mordomias escandalosas. E o pior é que a classe empresarial, na sua maioria, afina pelo mesmo diapasão – ou seja, dificilmente será daí que virá a iniciativa e a competência.
Estou farto de incompetentes! Estou farto de filhos da puta!
Pronto, já disse.

tuguinho, cínico chamuscado

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Asneiras em catadupa

Há quem chame a esta época “silly season”, porque normalmente não acontece nada de relevante em termos políticos e como tal vão surgindo por aí uns quantos disparates destinados a criar factos políticos (claro que o facto de o preço da gasolina subir quase todos os dias, ou de o país continuar a arder e de se registarem 57% dos incêndios da Europa mediterrânica não contam para este efeito...).
O curioso é a comunicação social também ser contagiada pela época dos disparates. Assim, nos últimos dias apanhei estas duas pérolas nos noticiários televisivos:
TVI – Grande surpresa: na Austrália nunca se tinha visto um verão assim! Imaginem que caiu um enorme nevão no país dos cangurus! Acontece é que, como cá é verão e a Austrália está situada no hemisfério sul, lá é Inverno!!! Oh animais, não tiveram lições de geografia? Bravo, Júlio Magalhães!
SIC – Esta é do inefável Nuno Luz: o Benfica treinou no Estádio Nacional... à porta fechada. Ah, pois foi: enquanto ele dizia isto via-se um casal sentado nas bancadas. Mas houve um pormenor que me deixou curioso: à porta fechada... mas que porta??? Onde estão as portas para fechar no Estádio Nacional? Será que o Nuno Luz nunca reparou que se pode aceder ao estádio através da mata circundante?
Moral da história: cada país tem as televisões que merece. Estes são os canais que inventaram o “Big Brother”, o “Levanta-te e ri”, a “Quinta da Celebridades” e agora essa coisa inenarrável e abjecta que dá pelo nome de “Fiel ou infiel”, e que preenchem toda a sua programação nocturna com novelas. Está tudo dito.

Kroniketas, virado para o sol

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

A caminho do Portugal profundo



Pois também eu, tuguinho, vou abandonar durante alguns dias os prazeres digitais, rumo ao Portugal profundo.
Espero voltar.

tuguinho, cínico a caminho das Beiras

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Longe do mundo digital

Esta coisa de passar férias no Algarve sem ligação à Internet dá nisto: de vez em quando sentimos saudades do velho computador. Nem sequer música em formato digital, quanto mais Internet. Vamos é contando os cemitérios de beatas da Praia da Rocha...
O que vale é que sempre há uns amigos que nos dizem para ir lá a casa e podemos matar o vício um bocadinho. Mas amanhã volto à praia (que o tempo já melhorou) e vou tentar dar uma espreitadela ali no mundialito de futebol de praia... ao vivo!

Kroniketas, a banhos

domingo, 7 de agosto de 2005

Declaração e-motiva



Este blogue está assim... como é que hei-de dizer?... de férias ou coisa parecida.
Portanto, os posts aparecerão quando aparecerem - o que não é novidade nenhuma, porque já é assim que fazemos.

tuguinho, cínico em vacanças

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Espero...

...que o fumo dos incêndios chegue ao Quénia...

tuguinho, cínico intoxicado

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Admirável mundo digital



Rendi-me. Confesso que quando o CD apareceu larguei o vinil sem remorsos – o CD tinha todas as vantagens, excepto uma: perdiam-se as magníficas capas de LP, impossíveis de reproduzir na reduzida área que a caixa do CD proporciona.
O aparecimento da música em formato digital não me seduziu de forma tão rápida – a desmaterialização completa do suporte deixava-me desconfortável. E ainda deixa. Quem não gosta – apesar dos problemas de espaço – de admirar as lombadas da sua colecção e percorrê-las enquanto escolhe o que quer ouvir? Não ter nada para o que olhar torna as coisas estranhas.
Há duas semanas atrás acabei por comprar um aparelho de reprodução digital, daqueles de bolso, com capacidade de 5GB. E foi aqui que as coisas ficaram menos estranhas: embora já tivesse música dos meus CDs em formato digital no PC, só a podia ouvir ligando a máquina – com este aparelhómetro tenho sempre à mão centenas de canções acessíveis com 2 ou 3 toques nos botões. Com a vantagem de que tenho informação sobre os nomes dos temas, coisa que não me é proporcionada por um leitor de CDs normal.
Há duas semanas que ouço muito mais música. E nem incomodo os vizinhos.
Rendi-me.

tuguinho, cínico digital