sábado, 28 de fevereiro de 2004

Ladrando à Lua (11) - O Carnaval estragado

Passou o Carnaval e vimos nas televisões diversas notícias que davam conta de que os festejos estavam a ser prejudicados pelo mau tempo, estragando os desfiles das escolas de samba, entre outras coisas.
O ridículo da situação é precisamente esse: estamos em pleno Inverno, na época em que normalmente se atinge o pico do frio, o que é perfeitamente normal, uma vez que estamos no hemisfério norte. Então qual é o espanto de estar frio, chuva, neve? Nenhum! Mas a situação torna-se ridícula exactamente porque os promotores dos festejos carnavalescos, fazendo jus à nossa mentalidade pequenina e provinciana, teimam em querer fazer um Carnaval brasileiro (daí as escolas de samba), “esquecendo-se” que nesta altura, no Brasil, é o pino do verão, e as temperaturas andam acima dos 30 graus (ou até dos 40).
Se fossemos um país de gente normal e não de gente atrasada, preparávamos desfiles adequados à época do ano e adequados à chuva, ao frio e à neve que cai nalgumas zonas do país. Não consta que na Alemanha haja desfiles de samba. Não consta que em Veneza, um dos Carnavais mais famosos da Europa, as pessoas desfilem quase nuas. Porque é que em Portugal se insiste em querer fazer um Carnaval como se fosse verão?
O mais caricato foi ver o responsável pelo Carnaval da Mealhada, em camisola de manga curta e aos saltinhos para aquecer enquanto caía granizo, a dizer que aquela chuvinha era boa para arrefecer mas agora “vamos aquecer e preparar para o desfile”, esteja o tempo que estiver. O suposto “sambódromo”, obviamente, estava deserto e, mais tarde, o dito desfile sempre se realizou com as bailarinas quase nuas sob uns fantásticos 8 graus à chuva, enquanto o público assistia protegido por guarda-chuvas ou sacos de supermercado. Simplesmente ridículo.
Será que este país nunca mais evolui?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Ladrando à Lua (10) - Blogs, escutas e macanudos

Há um certo perfume corporativo na forma como os blogs e respectivas listas de ligações se entrelaçam. Algo como uma oligarquia estabelecida em que é difícil entrar, se não se conhecer a senha iniciática ou não se tiver um bom padrinho.
Acho que todos os grupos que se associam em volta de um interesse comum são assim, um bocado fascizantes e alienantes – passa a viver-se no universo auto-criado e a esquecer-se o exterior, a vida real, o senso comum. Faz-me lembrar os escuteiros e todos aqueles ritos fabricados e assim. Fosga-se! Se gosto de acampar vou acampar, levo a malta amiga e o rádio a pilhas e uma tenda – não preciso de uniformes, rituais ou gente a dizer-me o que devo fazer! Ou os macanudos, lembram-se, rádio-amadores ou coisa assim? Todos contentinhos dentro de um universo chato com’ó caraças.
Qualquer grupo que não tenha por base uma visão anárquica e descomprometida da sua própria organização vai dar a isto: masturbações mútuas e palmadinhas nas costas…
Já me deparei também com uma coisa chamada “União dos blogues livres”. União dos blogues livres? Mas livres de quê? Existe alguma conspiração que lhes coarcta a liberdade criativa, algum complot que os limita ou os quer eliminar da net?
Por definição, um blog é livre – o seu autor é livre de escrever as maiores alarvidades que ninguém tem nada com isso! Basta não o ler.
Não temos outro objectivo senão desabafar. Não queremos escrever livros (como a peta do Pipi, que antes de ser já o era!), não queremos ser famosos (como algumas personagens que por aí andam) nem trocar presentes, ideias ou polémicas com outros blogs, parecer muito inteligentes ou intelectuais. Existimos porque queremos, acabaremos quando nos fartarmos e a única coisa que nos dá satisfação é sermos lidos – concordem ou não com as nossas ideias e dissertações.
Que falemos uns com os outros é extremamente saudável, mas não nos fechemos em conchas. Os outros agradecem…

tuguinho, cínico encartado

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Avós do Polvo (periódico sem período)

Qual é a semelhança entre o sexo e os computadores?

Quando as coisas não resultam à primeira, a solução é sair e voltar a entrar.

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

Uivando desesperadamente à lua - Prémio Nobel de quê?

Aditamento: parece que Bush e Blair foram nomeados para o Prémio Nobel da paz. Será que ouvi mal? O presidente mais bronco da história? Prémio Nobel, para ele, só se fosse o da guerra ou o da estupidez!!! Parece que querem descredibilizar completamente o prémio. Só pode ser brincadeira.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 14 de fevereiro de 2004

Avós do Polvo (periódico sem período)

Era um gajo com tanto azar, mas tanto azar, que num ano até o Dia dos Namorados lhe calhou numa sexta-feira 13...

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

Ladrando à Lua (9) - Os políticos inocentes

Anda por aí uma espécie de indignação envergonhada por causa de se ter descoberto recentemente que, afinal, não havia armas de destruição maciça no Iraque!!! Eureka! Só agora é se que ficou a saber!

Isto justifica o embaraço que alguns políticos da nossa praça sentem agora para tentar explicar o inexplicável, quando há alguns meses eles eram acérrimos defensores da invasão por causa das ditas armas, das ligações do Iraque à Al Qaeda, do Bin Laden, do 11 de Setembro, e por aí fora. Ou seja, todos os pretextos eram bons para invadir um país contra a vontade da ONU e de grande parte da comunidade internacional, porque o sr. Bush e os seus informadores garantiam que as tais armas existiam. Toda a gente sabia que isso era apenas um pretexto, porque toda a gente também já sabia que o presidente mais bronco da história desde que tinha sido eleito tinha como objectivo invadir o Iraque.

Ora os defensores da invasão contra tudo e contra todos, agora caíram com a cara no chão e não sabem como é que hão-de sair desta. Com o inevitável euro-deputado José Pacheco Pereira à cabeça. Ele que foi um dos mais empedernidos adeptos da invasão, por todas as razões e mais alguma, agora está positivamente à rasca, sem saber como justificar este embuste em que caiu, e que já mereceu do dito dois artigos de opinião no “Público” das últimas 5ªs feiras, para além da presença habitual no programa “Quadratura do círculo” da SIC Notícias (sucessor do extinto “Flashback” na TSF, com os mesmos protagonistas). E a inocência destes senhores (o colega de programa Lobo Xavier alinha pelo mesmo diapasão) é tanta que chegam ao ponto de perguntar (como J.P.P. nos referidos artigos do “Público”) se terá sido engano ou mentira.

E agora pergunto eu: então não foram avisados? Não foi dito, redito e escrito até à exaustão pelos mais variados sectores (também no “Público”, Miguel Sousa Tavares desmontou variadíssimas vezes todas as teorias conspirativas e pseudo-terroristas associadas ao Iraque) que se estava perante um monumental embuste, em que o único objectivo dos americanos era apoderarem-se do petróleo? Que todos os que eram contra a invasão reclamaram sempre pela necessidade de haver provas concretas, e que não bastavam as afirmações do sr. Rumsfeld a garantir que havia as tais armas, mas que era necessário que estas aparecessem? Que era necessário demonstrar que o Iraque tinha ligações à Al Qaeda? Em suma e acima de tudo, que vincaram bem a ilegitimidade de tal invasão? Isto valeu-lhes o epíteto (oh mancha indelével na sua reputação!) de anti-americanos, assim como aos países como a França e a Alemanha que não alinharam na carneirada. De nada valeu. O que era preciso era invadir, a pretexto de uma sui-generis “guerra preventiva”. Conceito giro, este: eu acho que aqueles gajos ali ao lado são perigosos, têm armas e são terroristas, por isso antes que eles possam fazer alguma coisa, a gente vai lá e acaba com eles. E afinal, era tudo mentira.

Não, não foi engano. Desde a primeira hora, só não percebeu quem não quis que era tudo uma farsa, a intenção estava à vista de todos e as supostas armas invisíveis eram apenas o pretexto, mas os todos os Pachecos Pereiras e todos os Durões preferiram não ouvir os argumentos dos cépticos e fazer o papel do pigmeu que se põe aos saltos porque quer aparecer na fotografia. E assim lá foi a GNR para o Iraque, fazer não se sabe bem o quê.

Agora o J.P.P. afadiga-se e desdobra-se a tentar explicar que foi enganado nas suas convicções e que, se calhar, Bush e Blair perderam credibilidade perante a opinião pública (aliás, ainda não vi mas estou curioso para saber o que terá ele escrito no seu blog, o abrupto). Oh inocente! Como se alguém acreditasse nisto. São estas posições que destroem a imagem dos políticos. Eu não acredito que ele e os outros como ele tenham sido enganados, porque os que eram contra não se deixaram enganar. Preferiram foi alinhar cegamente com o “amigo americano”, e agora ficaram de calças na mão. Perante isto, só me apetece dizer-lhes bem alto: PUTA QUE OS PARIU!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Um Mourinho muito… inho!

Depois de mais uma bronca desencadeada após o jogo Sporting-Porto por aquele que foi eleito no site da UEFA como melhor treinador da Europa (ao que parece com mais de 80% dos votos provenientes do mesmo computador, o que dá bem a ideia da validade da votação), que mostrou toda sua indignação por um suposto acto anti-desportivo de um jogador adversário, o que até o levou a proclamar que se queria ir embora para bem longe, convém fazer um levantamento de actos e frases deste senhor que são bem demonstrativas do seu grau de desportivismo.

- Mourinho e Pinto da Costa foram, porventura, os dois únicos presentes no estádio José Alvalade que ficaram sentados e impávidos no seus lugares durante o minuto de silêncio (que se transformou em minuto de aplauso) em homenagem a Fehér.
- Mourinho tem na sua equipa um jogador (Deco) que nas duas últimas épocas, no estádio das Antas provocou a expulsão de jogadores do Benfica através da simulação de faltas inexistentes. De uma delas até resultou o golo da vitória portista.
- O próprio Mourinho, a época passada, impediu um jogador da Lazio de fazer um lançamento lateral que poderia provocar perigo para a baliza do Porto, num acto inédito por parte de um treinador em qualquer campo do mundo.
- O mesmo Mourinho, no jogo em Setúbal da época passada (em que o FCP foi beneficiadíssimo, com um golo limpo anulado ao Vitória, um penalty por marcar contra o Porto e uma expulsão do Capucho por fazer), atirou uma bola para dentro do campo para provocar a interrupção do jogo e impedir também uma possível jogada de perigo para a sua baliza (outro acto inédito).
- Foi o próprio Mourinho que disse num jornal que para ganhar vale tudo, que os adversários são inimigos e que se um colega lhe desejar boa sorte antes do jogo não lhe responde.
- Foi ainda Mourinho que há algum tempo mostrou a sua irritação quando um jogador da sua equipa atirou a bola para fora para que fosse assistido um adversário.

Perante estas evidências, o que pensar do homem? Quem é o enganador e quem é que não tem "fair play"? Ou não está bom da cabeça ou é mesmo mau feitio. Ele achará que pode ir para Inglaterra fazer estas cenas sem ser corrido em dois tempos? Ou achará que o país é pequeno demais para ele? Julga-se um Deus, o supra-sumo da sapiência, o omnisciente? Se quer ir embora para bem longe, pois o mais longe que temos é a Nova Zelândia. Ele que embarque no primeiro avião e com bilhete só de ida! Ou julgará que ainda há pachorra para aturar as suas insolências? A não ser que prefira a Lua ou Marte. Pois se até há um americano que está a vender lotes de terreno na lua…

Ele pode ser um grande treinador, o melhor da Europa, do mundo ou do universo. Mas é um homem sem carácter.

Kroniketas, sempre kontra as tretas