quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A bofetada do mal-amado nos pessimistas


Pois é, quando o cão é danado todos lhe atiram pedras. E quando se cola um rótulo em alguém tudo o que o homem fizer é mal feito, independentemente dos resultados. Existe uma espécie de unanimidade nacional contra o seleccionador Carlos Queirós, que é apontado como o maior incompetente do país e arredores. Se perdemos a culpa é do Queirós, se ganhamos é apesar do Queirós. Se o homem fizesse o pino no banco de suplentes iam querer que ele fizesse o pino só com uma mão e batesse palmas ao mesmo tempo…
Chegou-se ao cúmulo de dizer que o golo do Bruno Alves no jogo de Lisboa resultou do caos táctico, porque na realidade, numa equipa organizada, ele não devia estar naquele sítio e portanto não teria feito golo. E o que nos safou foi o golo na Albânia no último minuto, mais o golo da Dinamarca contra a Suécia, mais as bolas na trave no 1º jogo com a Bósnia. E como ganhámos por 1-0 o jogo foi péssimo porque devíamos ter ganho por 4! E claro que o Queirós é que tem culpa de os avançados falharem 4 golos de baliza aberta contra a Dinamarca em Alvalade, de o Quim ter dado dois frangos, de o Ronaldo não acertar um único livre, e de em 29 remates na Dinamarca a maioria deles terem ido para fora!
Claro que o Queirós não presta como treinador, não sabe ler o jogo, não sabe fazer substituições e não percebe nada de futebol. Se joga em losango, devia jogar em 4x3x3, mas se joga em 4x3x3 devia jogar em losango. E claro que não conta para nada o facto de termos ganho os últimos 5 jogos, de feitas as contas só termos perdido um jogo na fase de qualificação, precisamente aquele jogo surrealista com a Dinamarca em Alvalade, em que podíamos estar a ganhar por 4-0 aos 80 minutos se os avançados não atirassem a bola para fora sem ninguém na baliza (por culpa do Queirós, pois claro); de há 5 jogos não sofrermos um golo (graças à sorte, pois claro, a mesma que nos faltou nos dois jogos com a Dinamarca); e nem mesmo agora, que fomos a única equipa a ganhar os dois jogos do play-off (alguém reparou nisso? A França passou com um empate obtido com um golo irregular) e em que fizemos uma exibição seguríssima na Bósnia, onde se esperava um vendaval que nunca existiu e onde nunca estivemos em risco de perder o jogo, nem agora se dá um bocadinho de crédito ao treinador.
Há um ano que lhe andam a fazer o funeral e a dizer que não íamos ao Mundial porque ele não presta. A verdade é que, contra todos os pessimismos, vamos lá com ele como treinador. Como não morreu na qualificação, ia morrer no play-off. Se não morreu no play-off, vai morrer no Mundial. Vá-se lá ser prior numa freguesia destas… É como a oposição em Portugal: se o governo não aumenta as pensões está a tratar mal os reformados. Se aumenta é demagógico…

Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos