terça-feira, 28 de julho de 2009

O voo das águias


Na passada semana assisti ao concerto de um grupo clássico, os Eagles, no Pavilhão Atlântico. Nunca foram propriamente um dos meus grupos favoritos, sendo que como muitas outras pessoas conheci-os mais pelo inesquecível Hotel California do que pelo conjunto da sua obra.
Com o tempo fui ficando mais atento a outros temas, ao mesmo tempo que o grupo se separava durante década e meia. Depois do reencontro e do segundo fôlego acabei por ficar mais atento à carreira das “águias” e quando soube da sua deslocação a Portugal achei que era uma oportunidade a não perder. E ainda bem que o fiz. Durante quase 3 horas, os 4 elementos que vêm da década de 70, secundados por mais 8 músicos (!!!), entre os quais 4 instrumentistas de sopro, brindaram um pavilhão quase a abarrotar com os clássicos que toda a gente esperava alternados com temas do álbum mais novo, “Long road out of Eden”. Mas o maior destaque vai para o virtuosismo dos instrumentistas cantores (os Eagles são dos raros grupos em que todos os elementos cantam) que conseguem harmonias vocais maravilhosas ao alcance de poucos. A idade nota-se nas faces e nos cabelos mas não na execução. 3 guitarristas fazem uma conjugação sonora notável e mais um guitarrista convidado eleva a performance a níveis superiores, muito bem secundado pelos fundadores resistentes.
Não se trata de um concerto para dançar e muito menos estar aos pulos; trata-se de ouvir música tocada e cantada maravilhosamente, quase não se dando pelo passar do tempo. O que se pode pedir mais dum espectáculo destes?
Foram 3 horas muito bem passadas. As águias continuam a voar alto.

Kroniketas, audiófilo encantado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

As eleições da vergonha


O processo eleitoral do Benfica deve encher de vergonha qualquer benfiquista e, sobretudo, devia encher de vergonha aqueles que causaram todo o imbróglio jurídico em que o Benfica está mergulhado. A um dia da data marcada, ainda não se sabe se amanhã haverá eleições com uma lista, com duas listas ou se não haverá eleições de todo.
E de quem é a culpa? Ao contrário do que dizem os seguidistas e todos aqueles que estão sempre do lado da situação, a culpa não é de Carlos Quaresma, o candidato rejeitado, e muito menos de Bruno Carvalho, o candidato da lista B; é precisamente da situação, daqueles que através duma golpada rasteira anteciparam a data das eleições inopinadamente apenas com o objectivo de, como titulava “ A Bola” a 9 de Junho, driblar a oposição e retirar margem de manobra aos outros possíveis candidatos. A pretexto da suposta instabilidade criada pela oposição, criaram uma instabilidade ainda maior.
Mantendo o habitual discurso truculento e atacando tudo e todos, comportando-se sempre como se fosse o salvador na terra, o dono da verdade e o único benfiquista com boas intenções, Luís Filipe Vieira garante que não há nenhum advogado nem nenhuma solicitadora que impeça as eleições do Benfica e que nenhum garoto vai ser presidente do Benfica. O actual presidente fala como se fosse o dono do clube, como se estivesse acima da lei e como se os sócios não tivessem o direito de pensar pela sua cabeça. E continua sempre a comportar-se como se fosse mais esperto que toda a gente.
Mas, como sempre acontece com aqueles que se julgam mais espertos que toda a gente, há sempre um dia em que encontram alguém mais esperto que eles. E neste caso a esperteza foi questionar a legitimidade da candidatura do próprio Luís Filipe Vieira, e certamente com isso é que os mentores desta estratégia não contavam. Saiu-lhes o tiro pela culatra. O tom irritado e inflamado do discurso de ontem em Évora parece indiciar um homem nervoso e à beira de perder a cabeça. Talvez esteja a sentir o chão fugir-lhe debaixo dos pés e a ver a sua estratégia virar-se contra si.
Agora está criada uma situação que só pode acabar mal, por culpa de quem atropelou os estatutos do Benfica apenas por conveniência própria. Se amanhã houver eleições só com a lista de Bruno Carvalho, serão umas eleições falseadas. Se houver com a lista de Bruno Carvalho e a de Luís Filipe Vieira serão, provavelmente, umas eleições feridas de ilegalidade e objectivamente alvo fácil de impugnação. Se Manuel Vilarinho voltar a ter um momento de lucidez (*), a única decisão sensata a tomar neste momento é desmarcar as eleições. Para que a vergonha não continue a manchar o nome do maior clube português depois das eleições.

(*) As declarações de Manuel Vilarinho na TVI24 no dia em que anunciou a marcação destas eleições são, também elas, uma vergonha. Ao dizer que “está farto do benfiquista” e que ganhar nas modalidades “é bom mas não lhe diz nada” insultou todos os benfiquistas que fazem sacrifícios para acompanhar o clube e que pagam quotas para ajudar a manter as modalidades e ajudá-las a ganhar. Também eu estou farto de gente que não compreende o clube e trata os benfiquistas como atrasados mentais. Eu que votei em Manuel Vilrainho em 2000 e estive sempre do lado da sua direcção na era pós-Vale e Azevedo, perdi todo o respeito que lhe tinha. Se está farto do benfiquista, vá para outro clube.

Kroniketas, sempre kontra as tretas