quinta-feira, 26 de março de 2009

Taça amarga


No sábado fiz 600 e tal quilómetros (ida e volta) para ir ver a final da Taça da Liga, mas o jogo foi mau demais. Tendo em conta a forma como surgiu o golo do empate, que levou o jogo para os penalties, fica um gosto amargo nesta vitória que sabe a espúria. O Benfica não faz nada para ganhar e não mereceu a vitória a não ser pela maior competência nos penalties. Assim não dá gozo nem me apetece festejar. Nunca um troféu me soube tão mal.
Como benfiquista não me revejo nas declarações de João Gabriel, director de comunicação do Benfica, no comunicado de 2ª feira à noite a propósito dos protestos do Sporting. Sempre ouvi dizer que não se deve cuspir para o ar, porque nos pode cair em cima. Agora que ganhámos uma taça em que a verdade desportiva foi desvirtuada, o presidente do meu clube que não se cala com a “verdade desportiva” podia ter aproveitado para vir defender a verdade desportiva e dizer que não tem orgulho de ter ganho assim, mas ao invés vieram exibir a taça e dizer que têm orgulho nela. Lamentável.
Gosto de vitórias merecidas e, sobretudo, limpas. Esta não foi nem uma coisa nem outra. Fica um travo amargo e não, não tenho nenhum orgulho neste troféu.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 10 de março de 2009

O Magalhanês


Ainda a propósito do mesmo tema, a empresa fabricante do software emitiu um comunicado a esclarecer as alegadas omissões e imprecisões existentes na notícia que saiu no Expresso do último fim-de-semana. O que se me oferece dizer a propósito é que o esclarecimento não esclarece coisa nenhuma. Não esclarece, sobretudo, como é que é possível que alguém faça uma tradução macarrónica daquelas.
O mais engraçado é o ponto 4 do esclarecimento: diz que o tradutor, afinal, não tem a 4ª classe mas uma licenciatura em Filosofia e outra em Informática. Só não diz como é que ele foi capaz de fazer um trabalho desta índole! Até pode ser muito bom em computadores e a filosofar, mas de português não percebe patavina. Aliás, custa mesmo a crer como é que um licenciado em Filosofia conhece tão mal a língua portuguesa, ao nível de uma 4ª classe mal acabada. E se actualmente trabalha em tecnologias de informação, escrevendo desta forma só pode sair burrada em tudo aquilo que fizer! E não prestigia em nada os conhecimentos de português dos profissionais desta área, que já têm a má fama de assassinar o português.
Em resumo: por muitas justificações que dêem, o que se passou é verdadeiramente inqualificável e vergonhoso. Não há desculpa!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de março de 2009

Burricadas



Chegou com alarde aos jornais na semana que passou mais um episódio “magalhanesco”: depois de abrilhantar o carnaval de Torres com um folhetim porno-chanchada, eis que irrompe agora na área da língua o que, diga-se de passagem, até poderia estar relacionado com o episódio anterior. Mas não tomemos esses caminhos de má-língua* e expliquemos o que se passou aos mais distraídos.
Ao que parece fruto da livre iniciativa anarco-gregária tão do agrado da comunidade do chamado software livre**, as instruções de algum do software didáctico presente na versão Linux do computador Magalhães estão pejadas de erros de português dos mais básicos aos mais chocantes.
Dos “vês” substituindo “vez” aos “encontras-te” em vez de “encontraste”, das traduções arrevesadas aos erros mais canhestros de sintaxe, essas instruções são muito esclarecedoras de como se pode assassinar o português com requintes de crueldade (embora involuntária).
Este facto nada teria a ver com “guerras” entre software (no melhor pano cai a nódoa) se não fosse a desculpa esfarrapada alvitrada por Paulo Trezentos da Caixa Mágica*** (distribuição portuguesa de Linux): que na Microsoft são 10 mil**** e que eles na Caixa Mágica são só 10! Além de não saber onde foi parar a sempre tão propalada comunidade que resolve todos os problemas do software livre** em menos de um nada e da comparação esconsa que mais parece uma desculpa de menino em recreio de escola primária, o branqueamento da bronca pelo lado da dificuldade cai pela raiz quando confrontado com os factos: então não é que foi uma criatura a que geralmente chamamos deputado que descobriu a algaraviada num piscar de olhos? Aliás, tais são os erros que bastava alguém, como fez o deputado, ter acedido às instruções do software em causa para verificar que as nódoas eram mais que o pano! E não, não é por o tradutor ter apenas a 4ª classe que o problema se verificou – aconteceu porque essa pessoa não conhece a língua portuguesa com um mínimo de proficiência e capacidade de escrutínio e pela incompetência de todos por quem o software passou e não detectaram o problema, incluindo os tais 10 elementos da Caixa Mágica.
Concluindo, este é mais um episódio de tuguice endémica – de quem fez o software, de quem o devia ter verificado, de quem é responsável por ele (alô, é do Ministério da Educação?) e de quem o usa como muleta (um certo senhor Sócrates, engenheiro tipo Mikau e primeiro-ministro por nossa culpa*****). Vá lá, sejam maus tugas e façam os trabalhos de casa.
Obrigado

tuguinho, cínicus magallanensis******

* - ou boa…

** - não se sabe muito bem de quê
*** - isto de chamar Caixa Mágica a um sistema operativo tem muito que se lhe diga (especialmente sobre a imaginação pobre e saloia de certos tugas)

**** - ora aqui está mais um erro – pelo que sei, no mundo todo são bastante mais que 10 mil, mas por cá andarão à volta dos 400

***** - culpa no entanto bastante atenuada quando se enumeram as alternativas…

****** - assim em latim é melhor, porque sendo língua morta é mais difícil detectar os erros
******* - se for bom observador e tiver tido paciência para ler até aqui, constatará q não existe no texto nenhuma chamada às notas com 7 asteriscos, pelo que este parágrafo não passa de uma pequena brincadeira sem muita graça.