sexta-feira, 16 de abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Regresso do Trio Maravilha!

O entusiasmo grassa no bairro quando se sabe que Torcato e Marcelino vão voltar às lides...





por Eládio Cardíaco, BD-Maníaco

domingo, 24 de janeiro de 2010

O regresso do verme


Não há ninguém que lhe dê um tiro nos cornos?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Acordo ortográfico - a discórdia acesa

O blog “Pérola de cultura” relança o desafio sobre o acordo ortográfico e pede opiniões. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto aqui nas KT, e aproveito este tema para manter alguma actividade antes que isto feche por completo.
Eu estou em desacordo com o acordo e recuso-me a subscrever qualquer das alterações feitas, por várias ordens de razões:
1 – Isto não é um acordo de unificação, é uma capitulação total perante os brasileiros. Alguém sabe de alguma palavra que os brasileiros passem a escrever como nós?
2 – A língua não é estática e evolui, até aí estamos todos de acordo. Mas uma coisa é evoluir naturalmente, por assimilação de novos termos que são incorporados pelo uso (o que acontece muito com as novas tecnologias, em que o “clique” do rato já é usado com naturalidade porque se vulgarizou na informática), ou por um aportuguesamento da grafia de certos estrangeirismos (não me choca que o abat-jour passe a abajur); outra coisa é meter alterações a martelo porque um grupo de sábios, do alto da sua sapiência resolveu que “facto” é igual a “fato” e que “acto” é igual a “ato”, ao mesmo tempo que considera que “bué” já faz parte da língua. Olha, merda também e não a encontro no meu dicionário.
3 – Por muitas unificações que queiram fazer, o que nos separa do brasileiro não é a grafia, é a semântica, porque um eléctrico (ou elétrico) nunca será um bonde e um autocarro nunca será um ónibus. E é um facto que eu às vezes vou trabalhar de fato.
4 – O argumento do número de falantes não colhe. A Inglaterra também tem menos falantes que os EUA e (como disse o professor de inglês) não consta que tenha acordo algum com os americanos. E ninguém deixa de perceber que “colour” é igual a “color” e que “centre” é igual a “center”, e que se pronunciam da mesma forma. E o inglês é só a língua mais espalhada pelo mundo.
5 – Quanto às consoantes mudas, aí até sou capaz de compreender, porque apesar da sua função de abrir a vogal seguinte, a pronúncia não terá grande tendência a alterar-se. Essa ainda será a mudança que menos me incomoda, apesar de tornar difícil distinguir um “corrector” ortográfico dum “corretor” da bolsa de valores. O que já não faz sentido é uma série de alterações que, longe de trazerem algum ganho, só vêm lançar a confusão, nomeadamente ao nível dos hífenes. Qual é a vantagem de transformar mini-saia em minissaia? E director-geral em director geral? Isto é que é o caos, porque há hífenes que desaparecem e as palavras separam-se, enquanto noutros casos dobram a vogal.
6 – Mas a grande aberração ainda vem a seguir: é que ao admitir a escrita de acordo com a pronúncia entra-se no domínio do vale tudo. Se cada um escreve como fala, então tudo é legítimo, até um portuense escrever que “eu beijo o cu daquela baca” enquanto um lisboeta escreve “eu vejo o cu daquela vaca”! Pior que isso, com a obsessão de fazer cair consoantes mudas, a “uniformização” cria situações de dupla grafia quando antes e grafia era igual. Como os brasileiros lêem o “c” de “perspectiva” ficam com ele. Como os portugueses não o lêem o “c” cai, e assim se tornou diferente o que antes era igual.
A verdade é que perante este forrobodó, eu cada vez sei escrever pior em vez de melhor, porque já não se sabe quais são as regras. E para terminar, ainda não consegui perceber que benefícios efecitvos é que advêm para Portugal deste malfadado acordo. Se alguém beneficia, era bom que se soubesse. Parece que o único é o de uns senhores muito importantes e muito inteligentes ficarem babados a admirar o brilhante trabalho que produziram mas que ninguém lhes pediu.

Kroniketas

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

À meia-dúzia é mais barato



Pois é: ainda que ligeiramente moribundos, eis-nos chegados ao sexto (6º) aniversário deste blogue.
A fase do entusiasmo delirante já passou há muito, a da periodicidade respeitada também já se foi e quedámo-nos há já algum tempo na fase da bandalheira total, em que os escritos aparecem quando calha e nos dá na telha.
O aparecimento do blogue mano Krónikas Vinícolas, dedicado aos prazeres da mesa (líquidos e sólidos), foi também de algum modo um pouco fratricida porque dirigiu o nosso escasso tempo para a sua área, deixando estas Krónikas Tugas mais abandonadas.
Tudo isto não quer dizer que a razão por que o criámos não continue válida, mas todos sabemos que o entusiasmo com as coisas novas é diferente, sejam elas LCD gigantes, carros, mulheres ou blogues*.
Por isso não vamos prometer nada, mas lá que gostaríamos de ver aqui posts do Kroniketas sem ser de futebol, o blogoberto mais produtivo, uma nova polémica sobre cabritos, o Torcato e Marcelino ressuscitados ou mesmo os posts chatos do tuguinho sobre arte, lá isso gostávamos!
Como isto não tem prazo de validade e nós ainda somos relativamente novos, caro leitor, pode ser que ainda nos veja a escrever novamente nesta folhita com alguma periodicidade e interesse.
Portanto levantemos os nossos copos (com champanhe fornecido pelas KV) e brindemos a mais um ano das Krónikas Tugas (três “hurrah” e botem abaixo, por favor)

Idálio Saroto, provedor deste blogue

* Eu sei que uma parte desta frase pode ser considerada sexista mas decidi mantê-la porque, para além de gostar de sexo e de portanto ser sexista militante, é a mais pura verdade!
O leitor me dirá se continua a gostar tanto do outrora reluzente rodinhas que comprou há dez anos ou se a sua esposa, viçosa moça que desposou há vinte e cinco anitos, lhe desperta o mesmo entusiasmo que naquela altura em que foram ver os Caça-Fantasmas ao Império…

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Há fumo branco na cimeira


Então é melhor chamarem os bombeiros, porque onde há fumo há fogo!

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A bofetada do mal-amado nos pessimistas


Pois é, quando o cão é danado todos lhe atiram pedras. E quando se cola um rótulo em alguém tudo o que o homem fizer é mal feito, independentemente dos resultados. Existe uma espécie de unanimidade nacional contra o seleccionador Carlos Queirós, que é apontado como o maior incompetente do país e arredores. Se perdemos a culpa é do Queirós, se ganhamos é apesar do Queirós. Se o homem fizesse o pino no banco de suplentes iam querer que ele fizesse o pino só com uma mão e batesse palmas ao mesmo tempo…
Chegou-se ao cúmulo de dizer que o golo do Bruno Alves no jogo de Lisboa resultou do caos táctico, porque na realidade, numa equipa organizada, ele não devia estar naquele sítio e portanto não teria feito golo. E o que nos safou foi o golo na Albânia no último minuto, mais o golo da Dinamarca contra a Suécia, mais as bolas na trave no 1º jogo com a Bósnia. E como ganhámos por 1-0 o jogo foi péssimo porque devíamos ter ganho por 4! E claro que o Queirós é que tem culpa de os avançados falharem 4 golos de baliza aberta contra a Dinamarca em Alvalade, de o Quim ter dado dois frangos, de o Ronaldo não acertar um único livre, e de em 29 remates na Dinamarca a maioria deles terem ido para fora!
Claro que o Queirós não presta como treinador, não sabe ler o jogo, não sabe fazer substituições e não percebe nada de futebol. Se joga em losango, devia jogar em 4x3x3, mas se joga em 4x3x3 devia jogar em losango. E claro que não conta para nada o facto de termos ganho os últimos 5 jogos, de feitas as contas só termos perdido um jogo na fase de qualificação, precisamente aquele jogo surrealista com a Dinamarca em Alvalade, em que podíamos estar a ganhar por 4-0 aos 80 minutos se os avançados não atirassem a bola para fora sem ninguém na baliza (por culpa do Queirós, pois claro); de há 5 jogos não sofrermos um golo (graças à sorte, pois claro, a mesma que nos faltou nos dois jogos com a Dinamarca); e nem mesmo agora, que fomos a única equipa a ganhar os dois jogos do play-off (alguém reparou nisso? A França passou com um empate obtido com um golo irregular) e em que fizemos uma exibição seguríssima na Bósnia, onde se esperava um vendaval que nunca existiu e onde nunca estivemos em risco de perder o jogo, nem agora se dá um bocadinho de crédito ao treinador.
Há um ano que lhe andam a fazer o funeral e a dizer que não íamos ao Mundial porque ele não presta. A verdade é que, contra todos os pessimismos, vamos lá com ele como treinador. Como não morreu na qualificação, ia morrer no play-off. Se não morreu no play-off, vai morrer no Mundial. Vá-se lá ser prior numa freguesia destas… É como a oposição em Portugal: se o governo não aumenta as pensões está a tratar mal os reformados. Se aumenta é demagógico…

Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos

domingo, 15 de novembro de 2009

O regresso dos patetas da hora


Isto é cíclico. Todos os anos, por esta altura, acontecem alguns eventos regulares. As feiras de vinhos a partir de Setembro, o festival de gastronomia em Santarém, o Encontro com o Vinho e os Sabores, a semana gastronómica da caça no Alentejo, e no último domingo de Outubro a mudança para a hora de Inverno. E também ciclicamente, nesta altura, regressam os patetas da hora a protestar contra o fuso horário em que nos situamos.
No país dos coitadinhos e dos subsídio-dependentes, onde os agricultores pedem subsídio de calamidade por causa das inundações quando chove e por causa da seca quando não chove, onde os empresários acham que as suas empresas só podem sobreviver se fugirem ao fisco, se despedirem trabalhadores ou se pagarem salários de miséria e onde os comerciantes da baixa pombalina querem ser indemnizados pela perda de clientes por causa das obras no túnel do Rossio, só faltava virem os patetas queixar-se de que a hora de Inverno lhes prejudica o negócio.
Já há uns anos, no governo de Cavaco Silva, se mudou a hora legal para o fuso horário da Europa central, o que nos punha com a mesma hora da Alemanha, da Hungria e da Dinamarca, o que fazia que no início do Verão as crianças se levantassem de noite e se deitassem de dia pois ficávamos quase 3 horas adiantados em relação à hora solar, alterando completamente o ritmo de sono e vigília natural que é dormir de noite e estar acordado de dia. Tudo isto, claro, a propósito dos negócios que, coitados, não podiam ser realizados se tivéssemos uma hora a menos. Felizmente o governo de António Guterres repôs o bom-senso e a normalidade nesta matéria e voltámos ao nosso fuso horário normal. Mas não faltou, há uns anos, que alguns empresários voltassem à carga a reclamar que quando viajavam para o estrangeiro tinham de ir na véspera por causa da diferença horária porque não conseguiam chegar a tempo se viajassem no próprio dia! Coitados dos americanos, não sei como é que eles conseguem negociar com 4 fusos horários dentro do país!
Mas agora, com a recente mudança para a hora de Inverno, atingiu-se um novo patamar de estupidez: pessoas duma associação de comerciantes vieram queixar-se, sem se rirem nem corarem de vergonha, de que o facto de anoitecer mais cedo prejudica o negócio porque as pessoas deixam de ir às compras ao fim da tarde!!! E se experimentassem ir a um centro comercial à hora de jantar, para verem quantas pessoas lá andam? E a um supermercado ao fim da tarde? Alguém acredita que se deixe de fazer as compras que se tem de fazer só porque o sol se põe uma hora mais cedo?
Esta gente não tem noção do ridículo. Será que querem mudar a geografia? Nós estamos na ponta ocidental da Europa, coitados de nós, mas não podemos fazer nada quanto a isso. Portanto ainda é de dia quando o sol já se pôs na maioria dos países da Europa central e ocidental, e não há volta a dar. Talvez os comerciantes e os empresários gostassem de parar o sol no poente durante uma ou duas horas, mas o que querem? A rotação da terra não pára…
Basta ver as duas imagens com que ilustramos este post, para se perceber a estupidez desta pretensão absurda. A primeira é capturada (http://www.fourmilab.ch/cgi-bin/uncgi/Earth) às 16:30 e a segunda às 17 horas. Vê-se facilmente na primeira imagem que enquanto Itália, Bélgica, Holanda, e Alemanha já estão completamente às escuras e Paris já tem as luzes acesas, só agora começa a anoitecer nas ilhas britânicas e toda a Península Ibérica ainda tem pelo menos uma hora de sol. Meia hora mais tarde, em toda a Grã-Bretanha (que tem a mesma hora de Portugal e menos uma hora que a Espanha) e parte da Irlanda já é completamente noite, enquanto em Espanha já é noite em Barcelona e Valência mais ainda é dia em Madrid. E em Portugal ainda falta quase uma hora para anoitecer.
Perante isto, facilmente se percebe que não faria qualquer sentido termos a mesma hora de países que estão 2 ou 3 mil quilómetros para leste, com uma diferença solar de quase duas horas. Felizmente o Observatório Astronómico de Lisboa pronunciou-se contra essa nova tentativa no governo de Durão Barroso. Deixem de ser ridículos e patéticos, senhores comerciantes e empresários.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 28 de julho de 2009

O voo das águias


Na passada semana assisti ao concerto de um grupo clássico, os Eagles, no Pavilhão Atlântico. Nunca foram propriamente um dos meus grupos favoritos, sendo que como muitas outras pessoas conheci-os mais pelo inesquecível Hotel California do que pelo conjunto da sua obra.
Com o tempo fui ficando mais atento a outros temas, ao mesmo tempo que o grupo se separava durante década e meia. Depois do reencontro e do segundo fôlego acabei por ficar mais atento à carreira das “águias” e quando soube da sua deslocação a Portugal achei que era uma oportunidade a não perder. E ainda bem que o fiz. Durante quase 3 horas, os 4 elementos que vêm da década de 70, secundados por mais 8 músicos (!!!), entre os quais 4 instrumentistas de sopro, brindaram um pavilhão quase a abarrotar com os clássicos que toda a gente esperava alternados com temas do álbum mais novo, “Long road out of Eden”. Mas o maior destaque vai para o virtuosismo dos instrumentistas cantores (os Eagles são dos raros grupos em que todos os elementos cantam) que conseguem harmonias vocais maravilhosas ao alcance de poucos. A idade nota-se nas faces e nos cabelos mas não na execução. 3 guitarristas fazem uma conjugação sonora notável e mais um guitarrista convidado eleva a performance a níveis superiores, muito bem secundado pelos fundadores resistentes.
Não se trata de um concerto para dançar e muito menos estar aos pulos; trata-se de ouvir música tocada e cantada maravilhosamente, quase não se dando pelo passar do tempo. O que se pode pedir mais dum espectáculo destes?
Foram 3 horas muito bem passadas. As águias continuam a voar alto.

Kroniketas, audiófilo encantado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

As eleições da vergonha


O processo eleitoral do Benfica deve encher de vergonha qualquer benfiquista e, sobretudo, devia encher de vergonha aqueles que causaram todo o imbróglio jurídico em que o Benfica está mergulhado. A um dia da data marcada, ainda não se sabe se amanhã haverá eleições com uma lista, com duas listas ou se não haverá eleições de todo.
E de quem é a culpa? Ao contrário do que dizem os seguidistas e todos aqueles que estão sempre do lado da situação, a culpa não é de Carlos Quaresma, o candidato rejeitado, e muito menos de Bruno Carvalho, o candidato da lista B; é precisamente da situação, daqueles que através duma golpada rasteira anteciparam a data das eleições inopinadamente apenas com o objectivo de, como titulava “ A Bola” a 9 de Junho, driblar a oposição e retirar margem de manobra aos outros possíveis candidatos. A pretexto da suposta instabilidade criada pela oposição, criaram uma instabilidade ainda maior.
Mantendo o habitual discurso truculento e atacando tudo e todos, comportando-se sempre como se fosse o salvador na terra, o dono da verdade e o único benfiquista com boas intenções, Luís Filipe Vieira garante que não há nenhum advogado nem nenhuma solicitadora que impeça as eleições do Benfica e que nenhum garoto vai ser presidente do Benfica. O actual presidente fala como se fosse o dono do clube, como se estivesse acima da lei e como se os sócios não tivessem o direito de pensar pela sua cabeça. E continua sempre a comportar-se como se fosse mais esperto que toda a gente.
Mas, como sempre acontece com aqueles que se julgam mais espertos que toda a gente, há sempre um dia em que encontram alguém mais esperto que eles. E neste caso a esperteza foi questionar a legitimidade da candidatura do próprio Luís Filipe Vieira, e certamente com isso é que os mentores desta estratégia não contavam. Saiu-lhes o tiro pela culatra. O tom irritado e inflamado do discurso de ontem em Évora parece indiciar um homem nervoso e à beira de perder a cabeça. Talvez esteja a sentir o chão fugir-lhe debaixo dos pés e a ver a sua estratégia virar-se contra si.
Agora está criada uma situação que só pode acabar mal, por culpa de quem atropelou os estatutos do Benfica apenas por conveniência própria. Se amanhã houver eleições só com a lista de Bruno Carvalho, serão umas eleições falseadas. Se houver com a lista de Bruno Carvalho e a de Luís Filipe Vieira serão, provavelmente, umas eleições feridas de ilegalidade e objectivamente alvo fácil de impugnação. Se Manuel Vilarinho voltar a ter um momento de lucidez (*), a única decisão sensata a tomar neste momento é desmarcar as eleições. Para que a vergonha não continue a manchar o nome do maior clube português depois das eleições.

(*) As declarações de Manuel Vilarinho na TVI24 no dia em que anunciou a marcação destas eleições são, também elas, uma vergonha. Ao dizer que “está farto do benfiquista” e que ganhar nas modalidades “é bom mas não lhe diz nada” insultou todos os benfiquistas que fazem sacrifícios para acompanhar o clube e que pagam quotas para ajudar a manter as modalidades e ajudá-las a ganhar. Também eu estou farto de gente que não compreende o clube e trata os benfiquistas como atrasados mentais. Eu que votei em Manuel Vilrainho em 2000 e estive sempre do lado da sua direcção na era pós-Vale e Azevedo, perdi todo o respeito que lhe tinha. Se está farto do benfiquista, vá para outro clube.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O regresso das hordas


Já não há palavras para desqualificar as hordas que se dizem adeptos dos clubes e que mais não fazem do que espalhar terror pelos campos do país. Este fim-de-semana, as hordas seguidoras dos três maiores clubes portugueses cobriram o país de vergonha. Enquanto no Algarve os super-dragões prosseguiam a sua saga de saques em todos os lugares por onde passam, destruindo uma pastelaria em Lagoa, no “derby” de juniores entre os rivais de Lisboa o campo da Academia de Alcochete foi palco de uma batalha campal com pedras, paus e tochas a voarem para dentro e para fora do campo.
O mais escandaloso nisto tudo é que estes acontecimentos vão-se sucedendo e ninguém faz nada para banir esta escumalha dos recintos desportivos duma vez por todas. Pelo contrário, os responsáveis dos clubes sacodem a água do capote, fazem de conta que não é nada com eles e atiram as culpas para cima do vizinho.
Enquanto não houver mão pesada para estes selvagens isto vai acontecer cada vez com mais frequência, cada vez em mais recintos e em mais modalidades. As bestas tratam-se à porrada, as feras domesticam-se a chicote. Neste caso, se o Benfica e o Sporting apanhassem 10 jogos de interdição de certeza que tomariam medidas drásticas em vez de andarem com paninhos quentes a tentar defender o indefensável. Basta!

Kroniketas, benfiquista indignado

domingo, 31 de maio de 2009

O cerco ao bastonário


O “problema” do bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, é que diz em voz alta, e sem papas na língua, aquilo que muita gente diz em surdina e em voz baixa. E estas pessoas nunca agradam aos lobbies e aos interesses instalados. O melhor exemplo é José António Barreiros, advogado do Alves dos Reis do século XXI (Vale e Azevedo), um dos maiores vigaristas de que há memória. E é esse advogado que ainda tem a lata de pedir nomes de advogados que cometem crimes??? Se tivesse um pingo de vergonha na cara por andar a defender um aldrabão de marca maior estava era caladinho em vez de mandar postas de pescada. Se quer nomes olhe para aqueles que defende.

Pois é, Marinho Pinto incomoda muita gente...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 30 de maio de 2009

Justiça cega... e estúpida


Pela decisão do juiz do tribunal de Guimarães, ficámos a saber que em Portugal a justiça, para além de cega, é estúpida.

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Juiz de merda

As imagens da menina que foi recambiada para a Rússia a ser castigada pela mãe deviam ser mostradas ao juiz que tomou tão brilhante decisão todas as noites antes de dormir para lhe assombrarem o sono. De que serve agora dizer-se chocado depois da decisão aberrante que tomou? E de que serve agora a onda de solidariedade em que até o ministro da justiça se diz incomodado?
Como sempre neste país, em que ninguém é responsabilizado por nada (o contrário são excepções), os inimputáveis juízes (que consideram que uma ponte pode cair num rio por “causas naturais…), do alto da sua intocável torre de marfim, põem e dispõem da vida dos outros a seu bel-prazer sem que daí advenham quaisquer consequências. Neste caso, as únicas consequências são para uma criança de 6 anos que foi enviada para 4000 quilómetros de distância para começar a levar umas palmadas para aprender a falar russo!
VÁ À MERDA, SR. JUIZ!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 12 de maio de 2009

Jorge Jesus no Benfica?


Parece-me bem. No estado a que chegou o futebol do Benfica, só mesmo Jesus para operar um milagre.

blogoberto, chico-esperto

domingo, 3 de maio de 2009

Descalabro benfiquista

Meu caro consócio Sílvio Cervan

Não consigo ficar calado perante o descalabro que é a nossa equipa de futebol, de uma mediocridade atroz. A derrota clara com o Nacional na Choupana foi apenas mais um penoso episódio duma época toda ela penosa do princípio ao fim, que só poderia terminar desta forma, com a equipa a afundar-se semana a semana perante os olhos de todos enquanto os responsáveis assobiam para o lado. O título já era uma miragem, o 2º lugar passou a ser e nem o 3º está seguro, pois a partir de agora temos o Nacional a 3 pontos e com vantagem no confronto directo. Não há dúvida, o futuro é risonho...

Você, como membro da direcção, tem obrigação de, lá dentro, fazer ver a todos que este estado de coisas não pode continuar e que é urgente tomar medidas para evitar o descalabro por mais uma época, que é o que vai acontecer se o treinador Quique Flores continuar a “dirigir” (chamar dirigir ao que ele faz é um eufemismo) esta caricatura de equipa. A sua argumentação de que é preciso dar tempo não colhe, porque toda a gente vê as outras equipas evoluir ao longo da época enquanto o Benfica, após 9 meses de “trabalho”, cada vez joga pior e de forma mais atabalhoada. Em vez de progredir só regride. O Benfica é, ao longo da época, das equipas que pior joga em Portugal, e isto já não é de agora. Qualquer um que abra os olhos vê que o treinador é um incompetente, que não faz ideia do que está ali a fazer, não tem a menor noção da realidade do campeonato português nem tem qualquer capacidade para pôr esta equipa a jogar um futebol um pouco mais do que medíocre. Quando nos lembramos que o Porto em Outubro/Novembro estava de rastos e como cresceu ao longo da época e comparamos com o que se passou no Benfica, qualquer semelhança é pura coincidência. Dar tempo ao treinador para quê? Para passarmos mais uma época miserável como esta? Mas alguém com um mínimo de lucidez vê alguma perspectiva de na próxima época este treinador fazer algo melhor? Ou será que o “projecto” de que você fala passa por continuar a perder todos os anos e a lutar para conservar o 3º lugar? Não é essa a filosofia do presidente, que acha que o que é bom é perder campeonatos? É isto que têm para oferecer aos benfiquistas? Já não bastou a catástrofe que foi a época passada, com o pior campeonato de sempre em casa, igualando a 2ª pior classificação de sempre, batendo o “record” de empates e pela primeira vez na história tendo menos vitórias do que empates e derrotas juntos? Não acha que JÁ CHEGA?

Quanto às afirmações do presidente, já nem há forma de classificá-las, tão ridículas e destituídas de sentido elas são. A lenga-lenga do “melhor clube do mundo” não passa de propaganda e demagogia barata para enganar papalvos, como se isso servisse de alguma coisa. De que serve encher a boca com o “maior clube do mundo” se a nossa perspectiva todos os anos é balançar entre o 3º e o 4º lugar? Dizer que para o “maior clube do mundo” não é fundamental ir à Liga dos Campeões e que se ganhássemos 3 campeonatos seguidos isso seria prejudicar o clube é conversa para atrasados mentais, e eu não gosto de ser tratado como atrasado mental. Já bastaram os anos negros do Vale e Azevedo mas, infelizmente, este presidente cada vez se parece mais com ele. Bom será, ao invés, ver o Porto a conquistar “tetras”, “pentas” e taças europeias e nós continuarmos todos os anos à espera da “equipa-maravilha” ou do “melhor plantel dos últimos 10 anos”?

Como se não bastasse, está sempre a sacudir a água do capote, descartando responsabilidades nesta tragédia em que se transformou a nossa equipa de futebol nos últimos anos. O ano passado foi mau demais e só há uma pessoa responsável: Luís Filipe Vieira. Toda a trapalhada com a substituição de Fernando Santos por Camacho e a subsequente saída deste, tal como a apressada promoção de Rui Costa a director desportivo feito à pressa têm o dedo do presidente, que agora aproveita para dizer que a responsabilidade não é dele. Então quem foi que deixou Fernando Santos começar a época e o despediu à 1ª jornada? Se ele não servia nem devia ter começado. E quem pôs o Rui Costa no lugar onde ele está? Será que agora vai descobrir à pressa que afinal ele também não serve? Tal como antes José Veiga? A verdade é que os treinadores vão passando, os directores desportivos vão mudando, a equipa de futebol piora de ano para ano (e desde 2005 para cá só andamos a coleccionar 3ºs ou 4ºs lugares) e só uma coisa se mantém igual: o presidente. É ele o grande responsável por este estado de coisas, e se tivesse o mínimo de lucidez, em vez de se achar o homem providencial e o insubstituível, tinha-se demitido quando mandou embora o Fernando Santos. Pelo meio vai lançando ataques a torto e a direito contra supostos inimigos internos sem rosto, como se esses que ele acusa não se sabe de quê fossem culpados de alguma coisa.

ESTOU FARTO. É preciso mudar de treinador urgentemente, é preciso mudar de presidente, é preciso mudar de política desportiva, ou melhor, é preciso ter ALGUMA política desportiva, porque ela não existe. Navega-se à vista, de forma completamente errática, sem se saber o que se pretende fazer nem para onde ir. O presidente diz que o rumo é para manter? Mas que rumo? O da derrota? E até quando? Até o Porto nos ultrapassar em títulos? Ele sabe o que pretende para o Benfica? Então era bom que o explicasse aos sócios, pois deve ser o único a sabê-lo.

Os discursos inflamados contra os supostos opositores e o “apito dourado” após cada derrota (para disfarçar os erros gravíssimos cometidos internamente) fazem-me lembrar aquela anedota do Solnado, em que alguém tinha a casa a arder e gritava “não batam com as portas!” Ou então a história do Titanic: o navio a afundar-se e a orquestra continuava a tocar...

Valha-nos ao menos uma ou outra modalidade amadora. O futsal, o andebol, o basquetebol, até ver, sempre nos vão dando aqui e ali algumas parcas alegrias para mitigar a pobreza de década e meia da equipa de futebol. Curiosamente, com Luís Filipe Vieira presente em metade desse tempo. Mas podemos estar tranquilos: a equipa está à beira do abismo mas vai dar um passo em frente...

Saudações benfiquistas

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 25 de abril de 2009

Sei que estás em festa, pá!

http://peroladecultura.blogspot.com/2009/04/sei-que-estas-em-festa-pa.html

ORA JÁ CÁ CANTAM TRINTA E CINCO!




É certo que temos escrito pouco por aqui. Não é por mal, mas sim porque outras solicitações se nos deparam e o tempo não chega para tudo. Mas há coisas que não se devem falhar e uma delas é o post comemorativo do 25 de Abril de 1974.

Chegados a este ponto, trinta e cinco longos anos depois dessa data, que tipo de balanço se poderá fazer? Confrontando na balança o que se conseguiu e o que falhou, onde nos encontramos afinal?
Nesta época de crise é difícil ver nuvens azuis acima de nós, e olhando para tudo o que tem acontecido nos bancos, na política, no desporto (falo do futebol, como é óbvio) e em outras áreas da sociedade, é muito fácil dizer que falhámos rotundamente.

Num tempo em que ser famoso sem mérito é profissão, em que a aparência ultrapassa a competência, em que um caso nítido de tentativa de corrupção mereceu uma multa de 5000 euros (e presumo que uma palmadinha nas costas e um “vá lá e não torne a fazer isto, ouviu?”), em que andar nas estradas é tão seguro como conduzir uma diligência no velho oeste (com a desvantagem de que no velho oeste o objectivo não era levar a diligência), em que toda a gente sabe o que se passa no futebol mas ninguém está disposto a alterar o status quo, é difícil dizer que chegámos a algo positivo.

Quando os deputados da nação são essencialmente uns saca-benesses que assinam de cruz atrás do chefe e da sua agenda, quando o primeiro-ministro acha normal ficar engenheiro quase por correspondência, quando se olha para a oposição (a que tem possibilidade de alcançar a governação) e não se vêem diferenças, quando a pobreza aumenta em vez de diminuir, realmente é de começar a ficar desesperado.

Claro que se olharmos para outras coisas, o balanço é bem mais positivo: com todos os defeitos que este regime possa ter, somos um país em que podemos ter a opinião que desejarmos (embora o Sócrates não goste muito disso), em que ninguém está acima da lei (em teoria, porque sem dinheiro estamos destinados a ser bonecos de teste de advogados oficiosos), em que podemos eleger quem quisermos para nos governar (embora a qualidade dos políticos deixe muito a desejar).

Se calhar a culpa das falhas é nossa, porque protestamos pouco, porque limitamos a nossa intervenção ao acto de votar, porque a presente noção de comunidade se fica pelas reuniões de condomínio, porque cada qual zela por si e se está a lixar para os outros.
Mas tudo isto nunca apagará a emoção daquele dia e a alegria de poder crescer livre, e de não ter sido preciso nenhum banho de sangue para o conseguir. Foi numa 5ª feira nublada e até parecia um dia triste. Não foi.
Mesmo assim, valeu a pena? Claro que valeu! Mas pode ser que esteja só a ser romântico. Acham que será preciso fazer uma nova revolução?


escrito por tuguinho, cínico avermelhado (e subscrito pelo Kroniketas, sempre kontra as tretas!)

domingo, 5 de abril de 2009

A classe nojenta

Excertos dum diálogo entre os autores deste blog:

- “Esta história do provedor de justiça e do Domingos Névoa é um nojo.”
- “Completo”.
- “O PS e o PSD não são partidos, são clientelas.”
- “Acho que devia ir para lá para ficar rico.”
- “Também já pensei nisso, mas acho que nos faltam as características necessárias.”
- “O quê, ser suficientemente corrupto, hipócrita e destituído de princípios?”
- “Exacto.”
- “Ora, isso aprende-se com o tempo.”
- “Podias ter dito isso duma forma mais curta.”
- “Ou seja...”
- “Armando Vara.”
- “Ah pois...”
- “Dias Loureiro... Entre outros.”

E assim sucessivamente...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos a pensar aderir à classe nojenta, perdão, classe política... ou então não...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tribunal dá razão “há” PT


Ainda bem que “há” quem dê razão “há” PT. Mas também “há” quem não saiba distinguir um verbo dum artigo. Eles não sabem que “há” o “à” e o “á”, e também “há” analfabetos a escrever notícias que depois saem cá para fora com estas burradas.
Porra, já ninguém escreve de forma decente nesta merda de país? Porque é que não voltam para os bancos da escola? Pois, não adiantava, se eles já saíram dos bancos da escola assim...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 26 de março de 2009

Taça amarga


No sábado fiz 600 e tal quilómetros (ida e volta) para ir ver a final da Taça da Liga, mas o jogo foi mau demais. Tendo em conta a forma como surgiu o golo do empate, que levou o jogo para os penalties, fica um gosto amargo nesta vitória que sabe a espúria. O Benfica não faz nada para ganhar e não mereceu a vitória a não ser pela maior competência nos penalties. Assim não dá gozo nem me apetece festejar. Nunca um troféu me soube tão mal.
Como benfiquista não me revejo nas declarações de João Gabriel, director de comunicação do Benfica, no comunicado de 2ª feira à noite a propósito dos protestos do Sporting. Sempre ouvi dizer que não se deve cuspir para o ar, porque nos pode cair em cima. Agora que ganhámos uma taça em que a verdade desportiva foi desvirtuada, o presidente do meu clube que não se cala com a “verdade desportiva” podia ter aproveitado para vir defender a verdade desportiva e dizer que não tem orgulho de ter ganho assim, mas ao invés vieram exibir a taça e dizer que têm orgulho nela. Lamentável.
Gosto de vitórias merecidas e, sobretudo, limpas. Esta não foi nem uma coisa nem outra. Fica um travo amargo e não, não tenho nenhum orgulho neste troféu.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 10 de março de 2009

O Magalhanês


Ainda a propósito do mesmo tema, a empresa fabricante do software emitiu um comunicado a esclarecer as alegadas omissões e imprecisões existentes na notícia que saiu no Expresso do último fim-de-semana. O que se me oferece dizer a propósito é que o esclarecimento não esclarece coisa nenhuma. Não esclarece, sobretudo, como é que é possível que alguém faça uma tradução macarrónica daquelas.
O mais engraçado é o ponto 4 do esclarecimento: diz que o tradutor, afinal, não tem a 4ª classe mas uma licenciatura em Filosofia e outra em Informática. Só não diz como é que ele foi capaz de fazer um trabalho desta índole! Até pode ser muito bom em computadores e a filosofar, mas de português não percebe patavina. Aliás, custa mesmo a crer como é que um licenciado em Filosofia conhece tão mal a língua portuguesa, ao nível de uma 4ª classe mal acabada. E se actualmente trabalha em tecnologias de informação, escrevendo desta forma só pode sair burrada em tudo aquilo que fizer! E não prestigia em nada os conhecimentos de português dos profissionais desta área, que já têm a má fama de assassinar o português.
Em resumo: por muitas justificações que dêem, o que se passou é verdadeiramente inqualificável e vergonhoso. Não há desculpa!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de março de 2009

Burricadas



Chegou com alarde aos jornais na semana que passou mais um episódio “magalhanesco”: depois de abrilhantar o carnaval de Torres com um folhetim porno-chanchada, eis que irrompe agora na área da língua o que, diga-se de passagem, até poderia estar relacionado com o episódio anterior. Mas não tomemos esses caminhos de má-língua* e expliquemos o que se passou aos mais distraídos.
Ao que parece fruto da livre iniciativa anarco-gregária tão do agrado da comunidade do chamado software livre**, as instruções de algum do software didáctico presente na versão Linux do computador Magalhães estão pejadas de erros de português dos mais básicos aos mais chocantes.
Dos “vês” substituindo “vez” aos “encontras-te” em vez de “encontraste”, das traduções arrevesadas aos erros mais canhestros de sintaxe, essas instruções são muito esclarecedoras de como se pode assassinar o português com requintes de crueldade (embora involuntária).
Este facto nada teria a ver com “guerras” entre software (no melhor pano cai a nódoa) se não fosse a desculpa esfarrapada alvitrada por Paulo Trezentos da Caixa Mágica*** (distribuição portuguesa de Linux): que na Microsoft são 10 mil**** e que eles na Caixa Mágica são só 10! Além de não saber onde foi parar a sempre tão propalada comunidade que resolve todos os problemas do software livre** em menos de um nada e da comparação esconsa que mais parece uma desculpa de menino em recreio de escola primária, o branqueamento da bronca pelo lado da dificuldade cai pela raiz quando confrontado com os factos: então não é que foi uma criatura a que geralmente chamamos deputado que descobriu a algaraviada num piscar de olhos? Aliás, tais são os erros que bastava alguém, como fez o deputado, ter acedido às instruções do software em causa para verificar que as nódoas eram mais que o pano! E não, não é por o tradutor ter apenas a 4ª classe que o problema se verificou – aconteceu porque essa pessoa não conhece a língua portuguesa com um mínimo de proficiência e capacidade de escrutínio e pela incompetência de todos por quem o software passou e não detectaram o problema, incluindo os tais 10 elementos da Caixa Mágica.
Concluindo, este é mais um episódio de tuguice endémica – de quem fez o software, de quem o devia ter verificado, de quem é responsável por ele (alô, é do Ministério da Educação?) e de quem o usa como muleta (um certo senhor Sócrates, engenheiro tipo Mikau e primeiro-ministro por nossa culpa*****). Vá lá, sejam maus tugas e façam os trabalhos de casa.
Obrigado

tuguinho, cínicus magallanensis******

* - ou boa…

** - não se sabe muito bem de quê
*** - isto de chamar Caixa Mágica a um sistema operativo tem muito que se lhe diga (especialmente sobre a imaginação pobre e saloia de certos tugas)

**** - ora aqui está mais um erro – pelo que sei, no mundo todo são bastante mais que 10 mil, mas por cá andarão à volta dos 400

***** - culpa no entanto bastante atenuada quando se enumeram as alternativas…

****** - assim em latim é melhor, porque sendo língua morta é mais difícil detectar os erros
******* - se for bom observador e tiver tido paciência para ler até aqui, constatará q não existe no texto nenhuma chamada às notas com 7 asteriscos, pelo que este parágrafo não passa de uma pequena brincadeira sem muita graça.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A origem do problema…



A apreensão pela PSP de Braga de um livro denominado “Pornocracia”, que afixava na capa uma reprodução do quadro “A origem do mundo”, do francês Gustave Courbet (ver acima), causou grande agitação mas, simultaneamente, foi muito mal explicada. Que alguém fez queixa porque achou que não sei quê, disseram. Que foi por causa das criancinhas, afirmou-se noutro canal. Ora, nenhum tuga normal faz queixa por ver um livro com uma mulher nua na capa – é mais provável que obtenha vários exemplares, um para si e alguns para os amigalhaços. Quanto às criancinhas, meus amigos, aquela história da cegonha deixou de pegar desde que a Internet se vulgarizou. Portanto, concluí, a explicação tinha de ser outra! Não me decidindo a escolher nenhuma daquelas em que cogitei, aqui vão elas (as explicações) sem nenhuma ordem em especial:
- Explicação 1: os agentes Serafim e Gervásio toparam o livro e ficaram admirados por a Celestina, profissional conceituada da cidade dos arcebispos e fornecedora assídua de serviços lá pela esquadra, aparecer assim na capa; com receio de que aquilo viesse a dar bronca, trataram de fazer desaparecer o livro.
- Explicação 2: um tuga anormal (ver acima) fez mesmo queixa à polícia; quando confrontados com o facto de ser uma obra de arte do Courbet logo ripostaram: “até podia ser do Gargaleiro ou da dona Amália! É porno vai dentro, quero lá saber se é do curbê!”; veio depois a saber-se que a magistrada que tinha tratado do caso tinha vindo transferida dos lados de Torres Vedras…
- Explicação 3: o livro foi apreendido por constituir uma óbvia provocação ao primeiro-ministro, uma autêntica campanha negra! (se bem que esta até fosse arruivada…)
- Explicação 4: os agentes ouviram um professor dizer bem do livro e foram apreendê-lo; quando depararam com a capa viram que estavam certos e que aquilo era uma óbvia sátira à ministra da educação.
- Explicação 5: uma invejosa (e malfeitona) viu a capa e sentiu-se insultada; apesar de conseguir o que queria (a apreensão) saiu-se mal quando se insinuou junto do agente Gervásio e acabou na choça depois de levar umas bordoadas (sem sentido literal) “para aprender a ter juízo naqueles cornos” (SIC).
- Explicação 6: todas as anteriores.

Valter Rego, observador desassombrado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O país dos coitadinhos (II)


Calimero:
“It’s an injustice, it is!”

John Fitzgerald Kennedy:
“Don't ask what your country can do for you, but what you can do for your country.”

Lei de Murphy:
“Se algo pode correr mal, correrá mal.”

Lei da Política de Wilson:
“Se quiser fazer inimigos, tente alterar alguma coisa.”


A lei supracitada aplica-se na perfeição ao estado actual do nosso país. Em três décadas de democracia, pela primeira vez alguém teve o arrojo (não sei se lhe deveria chamar coragem ou loucura) de tentar mexer com interesses corporativos e direitos adquiridos cujos beneficiários os tinham como garantidos “ad aeternum”.
Ao tentar acabar com o imobilismo e a irresponsabilidade reinante em muitos sectores, o resultado destas tentativas (umas mais ou menos justificadas, outras nem tanto, mas quase todas mal sucedidas e todas, sem excepção, mal aceites pelos visados) foi um acirrar de ânimos e uma onda crescente de contestação e protestos. Mas será que com razão?
Como cidadão utilizador de serviços públicos, a avaliação que faço dos mesmos é a sua eficiência, e esta é dada pelos funcionários que lá estão a dar a cara e a resolver os problemas aos utentes. Só que às vezes eles não estão lá para resolver coisa nenhuma: estão lá para complicar ou para arranjar ainda mais problemas. No último número do Expresso, Clara Ferreira Alves relata a inenarrável odisseia de tentar obter um cartão de cidadão e resume tudo numa frase: “...excepto quando temos de tratar de um documento oficial e recorrer a essa espessa teia de burocracia e incompetência, desleixo e má-criação que se chama Administração Pública”.
Quando peço uma declaração à Segurança Social na Loja do Cidadão e me dizem que a enviam para casa no prazo de um mês e, passados 2 meses, nem declaração nem notícias, em vez de ir lá outra vez (uma vez que me disseram que não precisava de ir lá buscá-la) telefono. Do outro lado aparece-me uma daquelas funcionárias tipo-robot que me responde com voz seca e repetidamente “não damos informações por telefone” e nem me deixa explicar que pretendo saber porque é que o raio da declaração não foi enviada. Depois de me irritar com a dita funcionária acabo a voltar à Loja do Cidadão onde a eficiência do sistema me manda para um edifício recôndito algures no Areeiro para obter a malfadada declaração que supostamente me deveria ter sido enviada para casa dois meses antes.
Quando vou ao centro de saúde a uma urgência médica com o meu filho ao fim da tarde e mais de uma hora antes do fecho das consultas a médica de serviço olha para a sala e desaparece durante 45 minutos, vou ao guichet e pergunto o que se passa. Dizem-me que “a sotôra foi comer porque está grávida”. Portanto a “sotôra”, que iria sair de serviço daí a uma hora e, como a gravidez não é uma doença, podia ir tranquilamente jantar em casa, em vez de comer uma sanduíche rápida e despachar o serviço para o qual é paga com o dinheiro do Estado, devido à gravidez deixa os seus doentes à espera durante 45 minutos e ninguém lhe pede responsabilidades.
Quando vou a um hospital fazer radiografias para depois levar a uma consulta, pago ambas no mesmo guichet e dias depois me aparece em casa a conta para pagar a radiografia que eu já paguei, fica clara a eficiência dos serviços administrativos.
Quando vejo dois polícias de trânsito, às 9 da manhã no centro de Lisboa, durante mais de um quarto de hora de volta de um carro que está com duas rodas em cima duma passadeira, enquanto a 50 metros dali um cruzamento está completamente entupido com carros parados em cima da zebra e eles nem para lá olham; quando os cruzamentos na Avenida da República ficam bloqueados ao fim da tarde, impedindo a passagem ao trânsito das transversais e obrigando os carros a autênticas gincanas para conseguir atravessar quando o semáforo já fechou e nem um polícia aparece ali a pôr ordem naquilo; quando vejo uma carrinha da polícia de Portimão abancar à sombra, em transgressão em frente à entrada de uma garagem na Praia da Rocha para multar os incautos turistas que estacionaram os carros com duas rodas no passeio porque não têm outro sítio onde deixá-los para poder ir dar uns mergulhos na praia; fico ciente da inutilidade da polícia de trânsito cujo único objectivo de existência parece ser a caça à multa. Inúteis e parasitas.
Quando vejo um juiz decretar que a ponte de Entre-os-Rios caiu devido a causas naturais, como se fosse natural uma ponte cair, e quando vejo milhares de processos prescreverem por incúria, incapacidade ou incompetência, sei lá eu, dos senhores juízes e ninguém lhes pede responsabilidades pelas asneiras que cometem, fica claro que, para além de aplicarem (mal) a lei e sobretudo porem os criminosos cá fora, eles próprios estão acima da lei, na sua torre de marfim, e sentem-se intocáveis.
Quando sou multado pelas Finanças em mais de 200 euros por causa de um engano em 20 euros, ainda por cima com um auto levantado por um muito zeloso funcionário já depois de eu ter regularizado a situação, e ainda me ameaçam com uma penhora da casa; e quando depois de pagar a multa peço uma certidão de ausência de dívidas e me dizem que não ma podem passar porque ao pagar a multa o sistema se esqueceu de incluir o imposto de selo (!!!) dá-me vontade de lhes chamar gatunos e mandá-los todos à merda!
Estes são apenas alguns exemplos entre muitos que poderia citar acerca da função pública. “Pronto, aqui está mais um a atacar a função pública”, já deve estar alguém a dizer. Convém desde já esclarecer que sou casado com uma funcionária pública, que me conta casos de pessoas que não fazem nada durante todo o dia, anos a fio, que ela vai ter de avaliar e aos quais está com medo de dar menos de “bom”, porque pode acabar a responder em tribunal. Disse-me também que, pelo que vê à sua volta, já começa a perceber a razão das quotas na atribuição das classificações. Nada como saber das coisas contadas por quem as vive por dentro...
Tenho oportunidade de contactar frequentemente com técnicos superiores da função pública e francamente já me cansa a interminável ladainha dos coitadinhos dos funcionários públicos que estão a ser vítimas duma campanha do governo. Os médicos também se acham vítimas duma campanha do governo porque este quer que cumpram horários nos hospitais e tenham cartão de ponto, mas quando deixam os doentes horas intermináveis à espera das consultas ou deixam morrer doentes por incúria já não há problema, porque nunca lhes acontece nada. E depois o bastonário ainda tem o desplante de vir para a rádio dizer que há uma campanha contra os médicos! Os juízes acham-se vítimas duma campanha do governo porque este quer reduzir as férias judiciais, mas quando deixam prescrever dezenas de processos já não há problema, porque também nunca lhes acontece nada. E assim sucessivamente. Um verdadeiro país de Calimeros, este! Os Contemporâneos fizeram alguns sketches que retratam bem este estado do país, com uma frase do Chato: “coitadinho de mim”.
É o país onde ninguém quer ser responsável nem responsabilizado pelo que (não) faz, e se lhe pedem responsabilidades acha-se vítima duma campanha do governo. É o país onde há pessoas de 40 e poucos anos cuja maior ambição e objectivo de vida é reformarem-se e que fazem grave porque daqui a 20 anos vão ter que trabalhar mais 5 do que esperavam (grandes objectivos de vida de quem tem o ordenado garantido todos os meses e não tem falta de comida na mesa); que acham que, qualquer que seja o seu desempenho têm o direito, adquirido por decreto, de subir, subir, subir eternamente até ao topo da carreira sem terem de o justificar.
É o país onde os magníficos empresários que temos acham que as suas empresas só conseguem ser competitivas se pagarem salários de miséria aos funcionários e só conseguem sobreviver se fugirem ao fisco e não pagarem à segurança social, e onde o homem mais rico despede trabalhadores, apesar de ter lucro, só para prevenir uma crise que possa vir aí. É o país onde os agricultores só conseguem trabalhar à custa de subsídios do Estado e onde pedem subsídio de calamidade para as inundações quando chove e subsídio de calamidade para a seca quando não chove, como se a chuva e a seca não fizessem parte do risco do negócio; e onde em vez de cultivarem as terras para delas retirar o seu produto (longe vão os tempos da “terra a quem a trabalha”) preferem ficar a gozar os subsídios para não fazer nada ou vendê-las aos espanhóis para estes virem cá plantar olivais e comprar porcos pretos que levam para Espanha e depois vêm vender como produto seu.
E, “last but not least”, temos a interminável luta dos professores. Dois anos depois do post citado pelo tuguinho, cujo texto causou enorme irritação nas hostes (já se esperava, o contrário é que seria surpreendente) o que temos agora é mais do mesmo. Sabemos agora que as cedências do ministério foram apenas “cedências à força manifestada por uma classe”, “que está disposta a fazer greve por tempo indeterminado, e aí se verá o que dói”. De cedência em cedência até à cedência total, será esse o objectivo? E não será difícil saber o que dói: há-de doer, sobretudo, nos prejuízos causados à aprendizagem dos alunos e aos pais que não sabem se os filhos estão em aulas na escola, se estão na rua, em casa ou num ATL. E esses milhares também têm, seguramente, direito à sua opinião.
Neste blog sempre demos aos leitores o direito ao contraditório. O mesmo não aconteceu com um comentário nosso que foi apagado noutro blog, curiosamente (ou talvez não...) por uma professora. Falar-se em direito ao contraditório quando não se dá esse direito a terceiros e se ataca o carácter daqueles que o exercem é, no mínimo, uma piada. Tal como é uma piada questionar-se o direito à opinião num blog sobre este ou outro assunto qualquer. Parece que o único direito dos 9.850.000 portugueses que não são professores é limitar-se a ouvir as queixas e não abrir a boca...
Ninguém aqui falou em educação, embora se pudesse questionar que qualidade de educador terá um professor que, nas aulas de TIC, mostra filmes pirateados antes de estes saírem para o mercado... Que excelente exemplo para os seus alunos!
Também ninguém defendeu o Emídio Rangel ou o Miguel Sousa Tavares, que certamente se sabem defender a si próprios se precisarem. Tanto quanto sabemos, o que temos em comum com o Emídio Rangel é o facto de sermos benfiquistas. Com o MST talvez tenhamos ainda menos. Sabemos que é um portista ferrenho e empedernido e um fumador inveterado. Mas, se entendêssemos defendê-los ou corroborar as suas opiniões, esse seria um direito que nos assiste. O direito à greve é tão legítimo em democracia como o direito à liberdade de opinião, nomeadamente dos que são afectados pelas greves por tempo indeterminado (sejam elas de professores, camionistas, enfermeiros, motoristas da CP, da Carris ou do Metro, ou funcionários de recolha do lixo), ou como o direito de concordar com outras opiniões discordantes, sem que isso se traduza automaticamente numa classificação de mau carácter. E menos se pode contestar o direito de opinião quando há um país inteiro que é constantemente bombardeado, na Internet e nos meios de comunicação social, com a luta duma classe.
Ninguém aqui defendeu o Miguel Sousa Tavares, mas vou eu agora fazê-lo. Nem sempre acho que ele tenha razão e sei que ele é um bocado convencido naquilo que diz. Mas também sei que sempre tem manifestado a sua opinião sem estar dependente ou ao serviço de lóbis ou interesses obscuros e tem dado a cara em defesa de causas que ele considera justas, nomeadamente em prol da cidade de Lisboa, ele que é portista e portuense de nascimento. Foi dos primeiros a falar contra o projecto megalómano de arranha-céus na “Manhattan de Alcântara”, contra as arbitrariedades e ânsia edificadora da Administração do Porto de Lisboa, contra o fecho do Terreiro do Paço aos domingos, contra as paredes à beira-Tejo com o hotel para paquetes em Santa Apolónia e o terminal de contentores de Alcântara (ao contrário do vereador José Sá Fernandes, que oportunistamente se colou ao poder), o que aliás lhe valeu ser ameaçado fisicamente por trabalhadores da zona (pois é, foi mexer com interesses instalados), contra o embuste que parecia ser o aeroporto da Ota, contra o desastre financeiro que parece vir a ser o TGV, contra a utilização completamente desvirtuada da barragem do Alqueva (que em vez do regadio vai servir para regar campos de golfe e hotéis de charme, como ele previu muito tempo antes da construção), contra os atentados urbanísticos que se preparam às zonas de paisagem protegida na ria de Alvor e na costa vicentina através de mais projectos de construção desenfreada. Que eu saiba, nenhum benefício pessoal lhe advém destas lutas que ele faz com a voz e a escrita. E é este o mesmo homem que agora é alvo, ele sim, de uma campanha, porque nos espaços de opinião ousou afrontar os professores.
Quando se ataca em termos de carácter quem opina em sentido contrário; quando se lançam campanhas na Internet contra a compra de livros do Miguel Sousa Tavares por causa duma frase que ele nega ter dito (e a técnica de usar frases retiradas do contexto para se fazer um aproveitamento oportunista a nosso favor é por demais conhecida), porque é fanfarrão, faz caçadas no Alentejo e raides todo-o-terreno; quando se mistura uma opinião de carácter político-social com o que os seus autores fazem na sua vida privada; quando se quer catalogar como pessoa mal formada quem possa concordar com a opinião de alguém que não nos agrada, perdeu-se a noção da realidade porque se ultrapassou a fronteira da discussão racional e se entrou numa espécie de delírio persecutório. Assanhamento, se existe, é de quem vê, ao contrário do que cantava o Zeca Afonso, em cada esquina um inimigo. Já não é discussão nem opinião, é doença colectiva.
E depois, passados dois anos o que temos é mais do mesmo. E mais do mesmo a certa altura cansa. Já ouvi um professor dizer que já não tem paciência, ele próprio, para ouvir as conversas de professores. Quando se entra no exagero o protesto começa a não ter impacto, antes começa a fartar, principalmente quando todos os dias as manchetes e as notícias de abertura dos telejornais são sobre mais empresas que vão fechar, lançando centenas ou milhares para o desemprego, criando às vezes situações dramáticas em famílias onde o marido e a mulher são despedidos ao mesmo tempo. Perante este tipo de problemas realmente graves, as lutas contra o controlo de assiduidade nos hospitais, a idade da reforma na função pública, as progressões nas carreiras, a redução das férias judiciais, o estatuto da carreira docente, os professores titulares ou a avaliação parecem-se mais com birras de crianças mimadas a quem tiraram o brinquedo... Estas e outras classes profissionais deviam, antes de mais, preocupar-se em cumprir bem a função para que são pagos com o dinheiro de todos os contribuintes antes de virem para a praça pública queixar-se de perseguição. E lembrar-se que há quem não tenha trabalho, quem tenha salários em atraso, quem trabalhe a recibo verde ou sem contrato anos a fio, que recebe quando calha, sem férias pagas nem sindicatos a defendê-los e a convocar greves todos os meses. Era bom que deixassem de olhar só para o seu umbigo, abrissem os olhos para o país que os rodeia e percebessem que há muita gente à sua volta com problemas muito maiores.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e farto dos Calimeros

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

On the origin of species...




Passam hoje 150 anos sobre a publicação de um livro fundamental para a compreensão do universo em que vivemos: A Origem das Espécies, de Charles Darwin.
Poucas obras terão tido tanto impacto científico e social e, ainda que possa parecer estranho a alguns, tão rápida aceitação. Sim, porque ultrapassando a superfície espelhada da imbecilidade de alguns poucos, a teoria da origem das espécies por meio de selecção natural foi rapidamente aceite por cientistas e pessoas de todo o mundo. Até a igreja católica não viu na teoria nada que chocasse com o seu credo - porque só quem acredita num deus de paróquia pode supor que um criador, a existir, andasse a criar animalzinho a animalzinho, através dos tempos geológicos...
É claro que logo alarves sortidos tresleram o que a teoria afirmava e nos classificaram de descendentes dos macacos - o que só prova que alguns entre nós herdaram a parca inteligência do antepassado comum.
Actualmente, aliás, não a devíamos denominar Teoria porque foi já amplamente comprovada pela biologia, pela paleontologia e pela genética, entre outras disciplinas da ciência. Portanto, o posicionamento de criacionistas e de outras cliques de retardados só prova que o Homem, enquanto criatura, já se colocou fora dos mecanismos de selecção natural: se eles ainda se nos aplicassem, todos esses imbecis teriam perecido na árdua luta pela sobrevivência e um deles não teria sido presidente dos EUA durante oito longos anos. É que não me aborrece nada ser descendente de um honesto e bastante rústico símio ancestral, mas chateia-me até à medula ter parentela actual com um QI semelhante. Mas adiante.
Por tudo isto, Charles, bem hajas e parabéns também pelos teus 200 anos. Abraços do

tuguinho, cínico evolucionista (e às vezes contorcionista)

P.S. - O número de Fevereiro da National Geographic Magazine e o Expresso do último sábado constituem boas leituras sobre o assunto, sem entrar em pormenores de mais difícil apreensão.