quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O país circular

Sinceramente não percebo. A maioria são pessoas inteligentes, cordatas e realmente interessadas no objectivo primordial da sua profissão – ensinar. É certo que desde o 25 de Abril, e passados todos estes anos e ministros, nunca nenhum foi propriamente acarinhado – ora foram os alunos, ora foram os professores, mas ser ministro da educação nunca foi função sossegada ou duradoura. Ao que parece nunca agradaram a gregos ou a troianos, nem sequer a palhaços ou sindicalistas. E alguns eram mesmo maus…

Os professores são essenciais. Ao longo da minha vida tive muitos professores e alguns deles foram essenciais para aquilo que sou hoje. Ainda hoje tento fazer o que o meu professor de desenho do 1º ano do ciclo preparatório nos pediu: que não nos tornássemos em adultos cinzentos, daqueles que se esqueceram que foram crianças e que perderam a imaginação e a capacidade de se maravilharem com as coisas à sua volta. Por alguma razão este pedido nunca me saiu da mente.Nem a minha professora de Física e de Química do Secundário, a professora Edmeia, responsável por aulas em que ninguém se sentia burro ou excluído. Recordarei sempre as aulas de PROEM dadas pelo Prof. Dr. Abreu Faro, que foi a única pessoa que me conseguiu fazer compreender realmente o que traduziam as equações de Schroedinger. É extraordinário como certos professores conseguem tornar o mais complexo em algo simples e entendível! As pessoas contam. Os professores contam para muitas jovens pessoas. Portanto que ninguém diga que sou inimigo dos professores – a demagogia costuma voltar-se contra os demagogos.
Se não apanhei maus professores? Claro que apanhei! Digamos que os extraordinários devem ter sido uns 10%, os normais uns 70% e os maus uns 20% (não, não são quotas). Acreditem que alguns eram mesmo maus…

Na semana passada teve lugar mais uma greve de professores contra o modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Educação. Sinceramente não conheço os pormenores do mesmo, e até admito, por algumas explicações que tenho ouvido, que tenham alguma razão no seu descontentamento. O que já não se compreende (e como eu muito mais gente) é que os sindicatos, e a classe no geral, rejeitem liminarmente toda e qualquer proposta do ministério. Pode haver recuos e cedências, que lá virá sempre Mário Nogueira dizer “não chega”. O que chega já toda a gente percebeu: os professores não querem “esta” avaliação. O que a opinião pública não sabe é se querem alguma, porque até agora não se conhece o que pretendem.

Pelo caminho entretanto percorrido foram coleccionando antipatias. Vários comentadores na comunicação social têm criticado veementemente as posições adoptadas, o que lhes valeu desde logo serem catalogados como “inimigos da classe”, com Miguel Sousa Tavares e Emídio Rangel à cabeça. Pode-se concordar ou não com alguns termos usados por este último, mas a resposta que circulou pela internet era em forma de insulto de ordem pessoal, usando parte de uma frase retirada do contexto para gritar “chamou-nos hooligans”! O mesmo se passa com Miguel Sousa Tavares, que tem sido sistematicamente acusado de ter chamado aos professores “os inúteis mais bem pagos deste país”, afirmação que ele já desmentiu ter feito. Tem feito, isso sim, diversas críticas fundadas: “Um professor que não é capaz de substituir um colega durante uma aula, a quem não ocorre nada de útil para ocupar os alunos nesse tempo, é definitivamente incompetente e não está na escola a fazer nada” (“Expresso”, 6-1-2007), “Eu se fosse Ministro da Educação remunerava os professores pela assiduidade” (“Jornal Nacional”, TVI, 6-6-2006), que curiosamente não vi rebatidas, mas a que continua a ser usada como arma de arremesso é a que ele afirma não ter feito... Também criticou uma suposta proposta de que os professores fizessem auto-avaliação em termos mais ou menos no género de “olha se a moda pega e os alunos também se lembrassem de se querer auto-avaliar?”
Claro que a reboque vieram os ataques pessoais a estes “inimigos da classe”, um porque batia na mulher ou usou um berbequim para entrar na TSF, outro porque faz caçadas no Alentejo ou raides todo-o-terreno, como se isso tivesse alguma coisa a ver com as críticas que fizeram. Não precisam de ser anjos ou santos para poderem criticar ou ter razão.

O que os professores parecem ainda não ter percebido é que, independentemente de estarem todos unidos contra a ministra e convencidos de que isso lhes dá a razão, ainda não convenceram uma boa parte da população. Talvez fosse altura de abrirem os olhos para o país real e para a imagem que passam para a opinião pública. Por exemplo, saber o que acham os pais dos filhos que ficam pendurados na escola cada vez que há uma greve. Talvez aqueles que tão pressurosamente enviam emails a bater no MST e no Emídio Rangel devessem gastar algum tempo a ler os comentários dos leitores na Internet. Por exemplo, no Portugal Diário.

Esta cristalização de posições está a criar uma classe cada vez mais fechada sobre si, cada vez mais hermética e intolerante a opiniões divergentes, que faz de cada voz discordante um ataque à “classe”. O princípio do “quem não é por nós é contra nós” já era usado por Salazar.
Parece que há aqui alguns princípios da democracia que precisam de ser reaprendidos, porque não se pode pedir direito de greve e de manifestação contra “a vaca que está no ministério” para nós e o degredo e a expiação para os comentadores que escrevem na comunicação social apenas porque não nos dão razão.

Agora não nos digam que por ter a minha opinião passo a ser um inimigo da classe, um verme que é necessário esmagar para que os amanhãs possam cantar! Como já disse, uma parte muito importante do que sou hoje devo-o a alguns dos professores que me ensinaram. Mas não se meta tudo no mesmo saco, por favor. Hão-de existir sempre bons e maus professores, bons e maus engenheiros, bons e maus bloguistas. Não se queira é deixar tudo na mesma, para que não haja avaliação, para que não haja responsabilização, para que os bons, os maus e os medíocres continuem todos a ser tratados por igual!

É que este país me parece cada vez mais um círculo em vez de um rectângulo: voltamos sempre ao mesmo e não tem ponta por onde se lhe pegue…


tuguinho, antigo aluno


P.S. – se pretenderem lançar ovos, agradecia que o fizessem directamente na frigideira – adoro omeletes!

P.S. 2 – já há dois anos tínhamos abordado este tema; podem ler esse post
aqui.

Adaptação aos novos tempos...

Têm andado muito na moda as listas de empresas que são as melhores ou para trabalhar no geral, ou para as mulheres, ou para os funcionários com cara de atrasados e que se chamam Arnaldo, etc., etc.

Proponho que na presente conjuntura se inove e se promovam as listas das empresas que melhor sabem despedir!
Que diabo, devemos reconhecer o saber fazer em todas as áreas, e esta parece ser a que vai estar mais activa nos próximos tempos...

blogoberto, com o cinismo pedido emprestado ao tuguinho

domingo, 25 de janeiro de 2009

Pseudo-jornalistas da RTP

Quem viu a transmissão do jogo Braga-Porto ontem à noite assistiu a um momento patético. Os comentadores Paulo Catarro e António Tadeia não foram capazes de dizer claramente que o jogador Hulk estava em posição de fora-de-jogo na jogada do 1º golo do FC Porto. António Tadeia, que é suposto ser jornalista e até escreve nos jornais e que vai à televisão comentar um jogo, recebendo certamente um pagamento pelos serviços prestados pago com o dinheiro dos contribuintes, não conhece a lei do fora-de-jogo e após uma, duas, três, quatro repetições, não percebeu que há fora-de-jogo porque Hulk está adiantado em relação ao penúltimo defesa do Braga e em relação à linha da bola no momento em que Fucile cruza a bola. Do alto da sua suposta “sapiência” de comentador especializado, António Tadeia resolveu inventar um novo pressuposto para a lei do fora-de-jogo, que é a trajectória da bola. Não importa se Hulk está adiantado no momento do passe, não, para António Tadeia o que agora importa saber é se a bola foi passada para a frente ou para trás.
Para quem anda há tantos anos nisto, é inconcebível tamanha ignorância. Se não sabe as regras, estude-as antes de ir para a televisão dizer asneiras, ou então mude de profissão. E se não sabia, fique a saber: o fora-de-jogo conta no momento em que a bola é passada, independentemente de o jogador que a recebe recuar ou não. Lembram-se do golo do David Luís? Estava adiantado no momento do passe e também recuou. Mas se calhar na lei-Tadeia (a grande inovação do século XXI nas leis do jogo) se calhar o David Luís estava fora-de-jogo... porque a bola foi passada para a frente. Ridículo! Onde é que foram inventar essa? E Paulo Catarro, estava lá a fazer o quê? De verbo de encher? Também não conhece a regra ou não foi capaz de contrariar o comentador convidado?
VERGONHA, SENHORES JORNALISTAS DA RTP!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: É claro que com um golo irregular sofrido e dois penalties por marcar a favor, o treinador do Braga já não vem dizer que foi o maior roubo dos últimos 20 anos e o presidente do Braga já não vai apresentar queixa-crime contra o árbitro. O respeitinho pelo Papa é muito bonito...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Indignação ou realidade?


“Acho extraordinária a maré de indignação com as declarações do Cardeal Patriarca, e sobretudo as pessoas que mais se indignam são aquelas que estão sempre dispostas a perdoar todas as alarvidades que são ditas por lideres das comunidades muçulmanas”.
“Há uns senhores que quando dizem que querem destruir um país, e quando acham que se deve lapidar mulheres, e quando querem matar escritores, temos que lhes perdoar.”
(Pedro Marques Lopes, “O eixo do mal”, Sic Notícias, 18-1-2009)

Pois é, veja-se a capa da Sábado desta semana. É mentira o que disse o D. José Policarpo?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Abençoado Cardeal

Não sou religioso mas diverti-me à brava com as afirmações do Cardeal Patriarca acerca dos casamentos das “jovens portuguesas” com muçulmanos. Num país onde cada vez mais parece que se tem de ser politicamente correcto, tais afirmações caíram como uma bomba nas comunidades religiosas e nos comentadores que não hesitaram em vincar a sua indignação. Mas a verdade é que ele tem carradas de razão naquilo que diz. Nem sabem o que as esperaria.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 18 de janeiro de 2009

O carniceiro


Chama-se Bruno Alves, é defesa-central e joga no FC Porto. Este é apenas mais um na longa lista de carniceiros do FC Porto que passam impunes pelos estádios deste país, numa tradição que já vem do tempo do Rodolfo. Teve muitos e “bons” precursores: André, Paulinho “cotovelinhos” Santos (deve ter sido o jogador na história do futebol português que partiu mais narizes, maxilares e pôs olhos negros aos adversários), Fernando Couto, Jorge Costa, João Pinto... É sempre a mesma coisa. Não haverá ninguém que dê o mesmo tratamento ao Bruno Alves? A este brutamontes fazia falta um tratamento como o que o Acosta deu ao Paulinho Santos no Jamor. Sendo sul-americano, ainda sabia mais que o outro e sem ninguém ver meteu-lhe o maxilar para dentro. Só pecou por tardio. Ele é cotoveladas, pisadelas, patadas no pescoço, vale tudo e fica sempre impune. Devia ser expulso em quase todos os jogos e nem o cartão amarelo vê. Só em Portugal! E depois ainda temos que ouvir o dr. Guilherme Aguiar e o dr. Rui Moreira a defender o indefensável, a dizer que o homem salta muito alto e é apenas impetuoso e que tudo aquilo é fortuito. Até o Luís Sobral já escreveu um editorial no Mais futebol a este respeito, a dizer que os “acasos” já são demais!
Como até agora ninguém foi parar ao hospital vale tudo não é? Pisadela entre as pernas do João Moutinho, patada no pescoço do jogador do Jorge Gonçalves do Leixões, golpe de karaté num jogador do Estrela, pisadela na cabeça do Reguila do Trofense... Se ficar só uma marcazinha no corpo não faz mal, não é senhores comentadores? Mas se fosse o Katsouranis, o Petit ou o Binya era violência e entradas assassinas. Haja vergonha, senhores!
Para verem melhor a "impetuosidade" do Bruno Alves aqui ficam algumas imagens que mostram a inocência do jogador. Espero que se divirtam a vê-las.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Parabéns, Ronaldo


Após a vitória (inteiramente merecida, diga-se) de Cristiano Ronaldo no prémio da FIFA para o melhor jogador do mundo no ano de 2008, há por aí uns tipos muitos contentes por causa de ele ser o segundo jogador português (o outro foi Figo) a ganhar este prémio meia-dúzia de anos depois de ter saído do clube deles.
O que me faz confusão é que eles só ganharam o prémio porque saíram de lá, porque se lá tivessem ficado provavelmente seriam apenas uns entre muitos…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vox Populi

O prometido é de vidro...

...por isso é que se quebram tantas promessas.

blogoberto, chico-esperto

domingo, 4 de janeiro de 2009

Os postes definitivos



Qualquer bloguista que se preze tem surtos de grandiloquência e “certezismo”. São doenças que se transmitem a partir do teclado enquanto se bloga e que se manifestam através dos chamados “postes definitivos”, que são aqueles que transmitem ideias ou conclusões que não admitem discussão e sobre as quais o bloguista está mais do que 100% seguro da sua veracidade.
Seja sobre a utilização de um determinado avançado a defesa, seja sobre a qualidade do treinador ou sobre a validade das teses de um qualquer escriba obscuro (muitas vezes o próprio), são postes que estabelecem o dogma sobre o tema e o fazem cristalizar, estabelecendo doutrina sobre o assunto.
Bom, talvez seja mesmo este “upgrade” de ego que faz com que existam bloguistas, esses escritores com denodo que nada pedem em troca (a maior parte, e apenas pela simples razão de não conseguirem mesmo extrair qualquer provento do post de cada dia – porque se pudessem…) e que contribuem humildemente para encher ainda mais as já escassas horas de cada dia. Uns heróis!
Este é um post definitivo.

tuguinho, cínico a quem deu para filosofar

sábado, 3 de janeiro de 2009

Lá vêm eles com o mesmo sermão!...



Pois, o título não é debalde. Nesta altura da quadra natalícia, além dos bons sentimentos e da solidariedade*, também somos assaltados pelo cariz excessivamente comercial do evento.
Ok, calem-se lá, todos! Tanto os que nos chamaram neo-hippies como os que nos chamaram comunas, os que nos apodaram de judeus e os que nos adjectivaram de fundamentalistas!Primeiro, nem sequer somos religiosos, e segundo, também não queremos regressar aos natais pobrezinhos mas honrados. Mas achamos que se devia fazer qualquer coisa.
Falando agora por mim**, prefiro muito mais apenas a presença de alguém que tenha gosto na minha companhia do que qualquer presente que me pudesse oferecer. Se não gosto de receber prendas? Claro que gosto, toda a gente gosta! E mais ainda se gostar do presente! Mas o que detecto de ano para ano é a pressão do consumismo a consumir-nos os natais***, que deviam ser calmos e relaxados, apenas com aquela dose de nervoso miudinho que antecede os grandes acontecimentos. Passamos as semanas que o antecedem num reboliço de compras, apenas porque tem de ser. Tem mesmo de ser?
E as crianças, senhor? As crianças, coitadinhas, são submersas por montanhas de prendas da família e dos amigos e levam horas a abrir os presentes, aos quais vão prestar 5 segundos de atenção porque têm de passar aos próximos... Depois admirem-se se derem em pequenos monstros egoístas, que à menor contrariedade se exaltam, desistem ou divorciam.
Essa é talvez a maior diferença que encontro quando comparo com os natais da minha infância. Recordo-me perfeitamente do Natal de 1973****, em que as minhas prendas de natal foram uma pequena caixa de Lego, com rodas dentadas e outras peças especiais que permitiam novas construções, e um exemplar da "Volta à Gália" do Astérix. Todos os leitores com menos de 30 anos devem estar neste momento a chorar e a pensar "coitadinho, era tão pobrezinho!", mas não, não era. Éramos uma simples família da classe média, das que agora preferem pedir empréstimos para passar as férias em Cancun em vez de irem para a Costa, que gastam o 13º mês (e o 14º e o 15º, que parecem desconhecer não existirem) em prendas para as criancinhas e que julgam que "poupança" é alcunha de um personagem dos morangos com açúcar...
E se pensam que tais prendas me entristeceram ou decepcionaram, estão muito enganados - até recebi tudo o que tinha pedido. E diverti-me imenso e não senti falta de mais nada.
Actualmente, todos parecem pensar que têm direito a tudo, independentemente do que realmente possuem ou podem alcançar. Não têm.
O problema são os outros! Os outros têm e eu também quero, os outros vão-nos dar, também temos de comprar algo! And so on, and so on... É realmente difícil quebrar o ciclo. Talvez se começarmos devagarinho, uma coisinha de cada vez, o consigamos fazer.
Só para que conste, ainda tenho o tal Lego e o livro do Astérix, que por vezes releio, sempre com prazer.

tuguinho, cínico natalício (acende-se e apaga-se)


* é como se chama agora à caridade de outrora, não sei porquê - solidariedade era se as tias fossem passar temporadas com os sem-abrigo, a menos que a palavra tenha mudado de significado entretanto.

** mas sabendo que o Kroniketas me secundará

*** a repetição é propositada

**** ok, 'tá certo, estou a ficar usado...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Louvada seja a ERC!



Ao que parece já evoluímos um pouco desde o risível episódio do filme “Pato com Laranja”!
A ERC decidiu, por unanimidade, não dar razão aos 122 cidadãos vigilantes da boa moral, dos bons costumes e da heresia abjecta que fizeram queixa por se sentirem melindrados pela exibição do sketch “Louvado sejas ó Magalhães” no programa “Zé Carlos”.
Fico agora à espera das 122 queixas contra o sketch do “Chato e o Padre” (aqui e aqui), do programa “Contemporâneos”, bem mais engraçado e acutilante que o dos Gatos.
Isto se, entretanto, não falecer nenhum dos 122...

tuguinho, cínico encartado (regressado à pregação nesta freguesia)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mais do mesmo

Esta noite a “grande equipa” do Benfica deu mais uma “alegria” aos benfiquistas. Isto mostra bem o declínio dum clube. Antes as nossas derrotas europeias em casa antes eram com o Liverpool, o Manchester, o Ajax, o Bayern, o Roma, a Fiorentina. Agora são com esses colossos como o Dínamo de Bucareste, o Paok, o Shaktar, o Metalist, o Galatasaray, o Villareal, o Getafe. Já não há cão nem gato da 3ª divisão europeia que não nos venha cá ganhar com a maior limpeza. Este ano foram 2 derrotas em casa em 3 jogos, na época passada mais 2 derrotas em casa.
Agora querem fazer um empréstimo obrigacionista, mas antes diziam que a não ida à Champions não era problema para as finanças e até deram prémios de resultados aos administradores. É brilhante, não é? E depois a culpa é da Lusa porque deu a notícia nesses termos: que deram prémios aos administradores apesar do 4º lugar. Este Benfica não tem remédio com este tipo de política.
Agora a única coisa que nos pode salvar a época é ganhar os 5 jogos antes da ida ao dragão, para chegar lá à frente deles e, eventualmente, aproveitar alguma escorregadela para aumentar o avanço, senão chegamos lá e levamos uma ripada e adeus campeonato.

Kroniketas, benfiquista cansado de tretas

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uma mão cheia



Foi há 5 anos que nos lançámos nesta aventura de escrever num blog. Como em todos os novos amores, começámos cheios de força e entusiasmo, e os textos proliferavam a um ritmo frenético. Por vezes publicávamos vários posts por dia, e o dia-a-dia deste rectângulo tuga, principalmente nas suas vertentes mais… tugas, era alvo frequente de crítica.

O frenesim e a inspiração eram tantos que, para além dos dois escribas que começaram, outros se foram juntando ao leque à medida que começavam a surgir temas com alguma especificidade que passaram a ser objecto de tratamento por escribas... especializados!

O leque de assuntos foi sendo alargado até chegar à vertente gastronómica e vínica. Começámos a escrever algumas sugestões sobre vinhos, a falar sobre aqueles que íamos bebendo e gostando e a certa altura surgiu a ideia (quiçá peregrina, quiçá oportuna) de abrir uma nova secção no blog que se dedicasse especificamente a essa vertente, pois já começavam a aparecer posts em número suficiente para serem publicados autonomamente.

E foi assim que no dia do segundo aniversário das Krónikas Tugas abrimos um blog temático chamado Krónikas Vinícolas. Inicialmente com pouco destaque, quando começou a ser visitado por outros bloguistas dedicados ao mesmo tema (e depois de ter sido referenciado na Revista de Vinhos de Junho de 2006) e quando começámos a interagir com esses mesmos blogs, as visitas dispararam a tal ponto que a certa altura as KV passaram a ter o dobro da audiência diária das KT, não tardando que o blog-filho ultrapassasse o blog-pai em número total de visitas.

Como resultado desta maior atenção dada às Krónikas Vinícolas, as Krónikas Tugas foram ficando um pouco à parte e enquanto aquele crescia este definhava. Os posts foram rareando a partir de certa altura e quando o tuguinho resolveu virar a sua atenção para outras actividades mais artísticas fiquei praticamente sozinho com os dois blogs a meu exclusivo cargo. Se manter um com regularidade já é difícil, manter dois ainda é pior. Neste momento faço o que posso por manter este blog vivo mas só conto comigo: os últimos posts do tuguinho em ambos os blogs datam de Maio deste ano! (Olá! Eu sou o tuguinho! Apesar de tudo ainda ando por aqui.)

No dia do 5º aniversário, a continuidade das Krónikas Tugas é uma incógnita. Já pensei em fechar (fecharmos!) para balanço. Um blog não se pode manter vivo apenas com um post por mês. A verdade é que tudo tem a sua época e a inspiração e o entusiasmo para escrever já não são as mesmas. Quando a escrita deixa de ser um prazer e passa a ser uma obrigação, então é porque o projecto chegou ao fim.
Não quero decretar (ainda) (decretarmos!) o fim das Krónikas Tugas, mas não garanto a sua continuidade por tempo indefinido, nem sei em que moldes. Cinco anos já fazem uma boa história e durante este tempo vimos aparecer e desaparecer outros blogs que não se aguentaram, tivemos algumas polémicas e alguns desafios interessantes que ajudaram a dinamizar este blog. Chegámos a ter 51 posts num mês e 350 num ano; neste momento vamos em 67 em 2008, e só em Janeiro e Março tivemos mais de 10 posts. Em consequência, no último ano a curva de visitas tem sido sempre em descida. Em contrapartida, as Krónikas Vinícolas estão bem e recomendam-se, atingindo novos máximos de visitas com alguma frequência: o mês de Novembro de 2008 teve o máximo do último ano.

Como disse o outro (ou quase), vou (vamos!) estar por aqui e vou (vamos!) andar por aí... até ver.

Kroniketas, ainda e sempre kontra as tretas (e tuguinho, escondidito mas vivinho!)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um Benfica em grande

Costuma-se dizer que em futebol as verdades duram uma semana, ou o tempo que medeia entre um jogo e o jogo seguinte.
Em semana e meia, o Benfica passou de uma derrota por 5-1 em Atenas a uma vitória por 6-0 no Funchal. A dúvida que me fica é sempre a mesma: porque é que eles não jogam sempre assim? A resposta entronca no post abaixo: por falta de cultura de exigência. Tanto podem fazer uma grande exibição como logo a seguir andar a arrastar-se pelo campo.
Agora que, ao fim de 3 anos, voltámos ao primeiro lugar do campeonato, mantém-se a dúvida sobre o que irão eles fazer no próximo jogo. Como benfiquista, “só” peço que se mantenham assim durante mais 19 jogos…

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 7 de dezembro de 2008

O que os outros disseram (XLV)

(A propósito da avaliação dos professores): “E pergunto eu: quando é que há avaliação para os políticos? Porque as eleições são uma avaliação viciada à partida – só nos dão a escolher entre «maus» e «piores»!...”
(José Pedro Gomes, actor, jornal “Sexta”, 21-11-2008)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um Benfica da treta


Esta equipa do Benfica é sempre a mesma miséria. Como é que isto pode ser sempre tão previsível? Há quanto tempo é que o Benfica só joga metade do jogo? Este é um filme já visto vezes demais e sempre com o mesmo final. SERÁ QUE NÃO HÁ NINGUÉM QUE PONHA MÃO NISTO?
Um dos problemas do Benfica é o nível de exigência, próximo do zero. Pagam-se ordenados milionários a pseudo-craques que nada produzem, a não ser espectáculos deprimentes e frustrações para os adeptos. Continuamos com a mania que somos os maiores do mundo e arredores, mas quando é preciso prová-lo no local próprio (dentro do campo) o que se vê é nada. Basta-nos continuar embalados na lenga-lenga das "equipas-maravilha" e do "maior clube do mundo" e de mais uma série de tretas que só servem para enganar os incautos.
Mas a mim já deixaram de me enganar há muito tempo, por isso é que este ano deixei o meu lugar cativo no estádio e não ponho lá os pés. Para ver isto e chatear-me a 6 graus de temperatura, chateio-me em casa, no quentinho. E francamente, já estou com a paciência tão esgotada que nem sei se valerá a pena continuar a ver os jogos do Benfica mesmo pela televisão. ESTOU FARTO!!!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 29 de novembro de 2008


Começou hoje e vai decorrer até ao dia 5 de Dezembro em várias localidades do distrito de Beja (Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Odemira, Ourique e Serpa), onde diversos restaurantes apresentam pratos alusivos ao tema, à volta de perdiz, lebre, coelho, veado e javali.
No Portal do caçador podem ver mais detalhes e consultar a lista de restaurantes participantes e respectivas ementas. É de fazer crescer água na boca.

Kroniketas, caçador só no prato

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Um bando de facínoras no meu clube


11,5 quilos de haxixe, 115 gramas de cocaína, 70 gramas de ecstasy e 187 gramas de liamba, três armas, munições de vários calibres, quatro soqueiras, cinco embalagens de gás de defesa (spray), três bestas, três armas eléctricas, quatro bastões extensíveis, seis tacos de basebol, nove tochas, cinco potes de fumo e um very-light.
Foram também apreendidas seis viaturas e cerca de 15.300 euros em dinheiro. Segundo a polícia, «os suspeitos dedicavam-se ao tráfico de produto estupefaciente como forma de financiamento da claque».
17 de Fevereiro de 2008 - roubo, dano e ofensas corporais no Montijo.
25 de Fevereiro de 2008 - ofensas corporais qualificadas a adepto de outra claque.
7 de Abril de 2008 - incêndio em instalações da claque «Juve Leo» de apoio ao Sporting Clube de Portugal, no complexo desportivo deste Clube.
12 de Abril de 2008 - agressão a um jornalista nas imediações do Centro de Estágios do Benfica, no Seixal.
21 de Junho de 2008 - incêndio provocado num autocarro usado por adeptos da claque Super Dragões, afecta ao Futebol Clube do Porto.
21 de Junho de 2008 - agressão e injúrias a Agentes de Autoridade junto ao Estádio da Luz, com utilização de material pirotécnico.
21 de Junho de 2008 - roubo e agressões a adeptos do Futebol Clube do Porto, na estação de serviço de Alcochete, na Ponte Vasco da Gama.
30 de Agosto de 2008 - tentativa de agressão a Agentes de Autoridade com utilização de garrafas e pedras.
31 de Agosto de 2008 - ofensas à integridade física qualificadas e danos praticados contra adeptos do Futebol Clube do Porto e respectivas viaturas, com recurso a uma tocha incendiária que foi lançada para o interior da viatura de uma vítima, tendo esta sido impedida de sair da mesma por acção dos suspeitos.


É este o curriculum da claque No Name Boys, suposta apoiante do Benfica. Os dados indicados acima respeitam às apreensões feitas pela PSP e aos actos imputados a elementos daquela claque. Perante isto, dizer-se que estamos perante um grupo de apoiantes dum clube é um eufemismo, porque na realidade eles são um bando de facínoras e malfeitores.
Este panorama é extensível a outras claques de outros clubes, o que só reforça a ideia que tenho acerca desta gente: são os marginais da sociedade que deviam ser definitivamente banidos dos campos de futebol. São autênticos selvagens à solta, cujo lugar não é num estádio de futebol mas numa jaula para feras.
Entretanto, o fala-barato do presidente do meu clube, sempre tão pronto a dizer baboseiras quando lhe põem um microfone à frente, está calado que nem um rato. Não tem nada a dizer desta vez, sr. Presidente Vieira?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 16 de novembro de 2008

A morte de James Bond

E ao 22º filme da série, os produtores “mataram” o agente secreto 007. A morte já tinha estado iminente (não confundir com eminente) no filme anterior, Casino Royale, que marcou a estreia de Daniel Craig na pele do agente do MI6 com ordem para matar, bem como no último filme protagonizado por Pierce Brosnan.
Para mim, que me ufano de ter visto todos os filmes da série por mais de uma vez (e alguns mais de 10 vezes) e que tenho todos em DVD, os dois filmes anteriores já prenunciavam uma viragem significativa no perfil da personagem e não foram inteiramente do meu agrado, mas agora, depois de ter visto “Quantum of solace” (já o raio do título não lembra a ninguém), posso dizer que pela primeira vez saí do cinema e não gostei do filme.
Não sei o que é que os produtores pretendem, mas contaram-me que passou na Sic uma entrevista de Mário Augusto ao realizador deste filme e ele referiu que tentaram dar uma volta completa à personalidade de James Bond: torná-lo mais humano, sensível, sofredor, com as mesmas dúvidas e os mesmos sentimentos de qualquer outro mortal. Pois se o querem tornar um comum mortal, estão a matá-lo.
Ao “humanizar” Bond estão a tirar toda a essência que construiu a personagem ao longo de mais de 40 anos e a torná-lo igual a qualquer outro herói de qualquer outro filme de acção e aventuras. Podia lá estar o Tom Cruise, o Mel Gibson, o Harrison Ford a fazer de Indiana Jones ou Jack Ryan, que não se notaria grande diferença. Se querem tornar Bond um comum mortal, então chamem-lhe outra coisa qualquer que ninguém notará. Tudo aquilo que foi construído por Sean Connery e Roger Moore na interpretação deste papel está a ser completamente deitado ao lixo. Para mim, Bond é o herói que nunca se despenteia mesmo quando luta, que tem sempre uma tirada irónica mesmo nos momentos de mais aperto e que sai sempre ileso das situações mais complicadas, quase sempre com a ajuda dos indispensáveis “gadgets” do insubstituível Q. Pois neste filme até o Q desapareceu.
Segundo Daniel Craig, neste filme os “gadgets” não apareceram porque queriam principalmente contar uma história. Pois é, mas o que é que a história tem a ver com um filme de James Bond? Praticamente nada.
Quanto a mim, se continuam por este caminho vão acabar rapidamente com o sucesso dos filmes. O que estão a fazer de 007 é a antítese daquilo que lhe deu o sucesso, porque se todos os filmes tivessem sido como este certamente a série não teria o sucesso que teve até hoje. Tal como na “Guerra das estrelas” ninguém espera que os cavaleiros Jedi lutem com metralhadoras, não é suposto que o agente secreto ao serviço de Sua Majestade seja torturado, sangre abundantemente ou seja trocado por um bandido. Pois foi um pouco de tudo isto que aconteceu nos últimos três filmes. Se continuam por este caminho, o herói invencível vai morrer, não no ecrã, mas fora dele.
E depois... este inexplicável título! Olhando para trás, todos faziam algum sentido e podiam ser traduzidos. Senão vejamos:

Dr. No (Agente Secreto 007)
From Russia with love (007 Ordem para matar)
Goldfinger (007 contra Goldfinger)
Thunderball (007 Operação relâmpago)
You only live twice (007 Só se vive duas vezes)
On her Majesty’s secret service (007 Ao serviço de Sua Majestade)
Diamonds are forever (007 Os diamantes são eternos)
Live and let die (007 Vive e deixa morrer)
The man with the golden gun (007 E o homem da pistola dourada)
The spy who loved me (007 O agente irresistível)
Moonraker (007 Uma aventura no espaço)
For your eyes only (007 Missão ultra-secreta)
Octopussy (007 Operação tentáculo)
A view to a kill (007 Alvo em movimento)
The living daylights (007 Risco imediato)
Licence to kill (007 Licença para matar)
Goldeneye (007 Goldeneye)
Tomorrow never dies (007 O amanhã nunca morre)
The world is not enough (007 O mundo não chega)
Die another day (007 Morre noutro dia)
Casino Royale (007 Casino Royale)
Quantum of solace - ????


O que raio é o “quantum of solace”?

Kroniketas, bondmaníaco desiludido

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Richard Wright


O mês passado fui surpreendido com a notícia de que o teclista e fundador dos Pink Floyd tinha morrido aos 65 anos após uma breve luta contra o cancro. Caiu assim por terra, definitivamente, a ténue esperança que os fãs dos Pink Floyd ainda alimentavam de ver os quatro membros do grupo voltarem a juntar-se depois daquela breve aparição em palco no Live 8.

Richard Wright terá sido, porventura, o menos valorizado dos músicos do grupo. Com o brilhantismo de David Gilmour nas guitarras e o protagonismo de Roger Waters na composição a partir de certa altura, com ambos a repartirem a parte vocal, sabendo-se que a figura do baterista (Nick Mason) nunca é posta em causa, sobrava o teclista de que ninguém falava. O seu papel sempre foi mais discreto e na sombra, dedicado sobretudo à composição e aos arranjos. Wright teve uma acção preponderante nos arranjos de “Dark side of the moon” e marcou indelevelmente a sonoridade de “Wish you were here” e “Animals”. Um dos temas míticos dos Pink Floyd, “Shine on you crazy diamond”, que abre e fecha “Wish you were here”, tem a suportá-lo, por trás duma das melhores peças de guitarra do grupo, os teclados de Wright a dar ao tema o enchimento que lhe confere uma atmosfera quase cósmica. Em “Dark side of the moon” é da sua autoria um dos temas mais badalados do grupo, “The Great gig in the sky” onde a fabulosa voz de Clare Torry acompanha o piano de Wright.

Quando Roger Waters começou a assumir um protagonismo crescente e a querer dirigir o grupo segundo a sua vontade, Richard Wright foi uma das vítimas. Nas gravações de “The wall” e na digressão que se lhe seguiu, Wright participou não como membro do grupo mas como… empregado, porque Waters o tinha despedido. A sua saída foi inevitável e já no sucessor “The final cut”, o ponto máximo das paranóias de Waters que foi uma espécie de refugo do “The wall”, Richard Wright não participou e nota-se a sua falta na sonoridade do disco. Há ali um vazio que só Wright parecia saber preencher. Foi o fim dos Pink Floyd como os conhecíamos, e acabou por ser o fim de Waters no grupo em conflito com os restantes, tentando inclusive impedir que estes continuassem a usar o nome do grupo, o que resultou num processo judicial. Felizmente Roger Waters perdeu, porque o grupo não era ele.

O ano passado foi editado um DVD de David Gilmour em concerto onde contava com a presença de Richard Wright nos teclados. Era, portanto, uma espécie de metade dos Pink Floyd, o que sempre é melhor que nada. Mas não chega. Cerca de um quarto de século depois da saída de Roger Waters ainda havia quem esperasse que os quatro se voltassem a juntar em concerto para matar saudades aos fãs. Com a morte de Richard Wright ficaram sepultadas, também, todas as possibilidades de isso acontecer. Por culpa, essencialmente, de Waters.

Shame on you, Roger.

Kroniketas, floydista militante

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A música está mais pobre



Richard William Wright
(28/7/1943 - 15/9/2008)
Fundador e teclista dos Pink Floyd


Kroniketas, floydista militante

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Um mar... de gente


Uma tarde de Agosto na Praia da Rocha.

Kroniketas a banhos

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Por falar em turismo à portuguesa

Aqui há tempos passei na Herdade dos Grous, ao pé de Albernoa, um dos nomes em destaque no panorama de vinhos do Alentejo.
Fui lá só para ver como era. Pedi uma lista de preços dos alojamentos e deram-me uma… em alemão!
Eu quero aplaudir!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 9 de agosto de 2008

“Guilho” shrimps


Esta imagem está à porta de um restaurante em Alvor. Reparem bem no pormenor do “guilho” shrimps. Presume-se que são camarões à “Guilho”. O que eu não sei é que raio é o “guilho”, e presumo que os estrangeiros que passarem também não fazem ideia.
Isto mostra o rigor com que certas coisas são tratadas em Portugal, e no turismo é o que se sabe. O que eles querem dizer, mas na sua infinita ignorância nem imaginam, é que isto tudo começou com camarões “al ajillo”, ou seja, ao alhinho ou coisa que o valha. Mas como ninguém faz a mínima ideia daquilo que está a fazer, vai de começar a escrever que os camarões “al ajillo” são “à la guilho”, seja lá isso o que for.
Então sai esta maravilhosa tradução para inglês ver: temos os famosos “guilho” shrimps.
Como diria o Jô Soares, eu quero aplaudir.

Kroniketas a banhos

sábado, 2 de agosto de 2008

O que os outros disseram (XLIV)

“80% das famílias ciganas recebem o Rendimento de Reinserção Social, vivem em casas cedidas pelas autarquias com rendas simbólicas, que muitas vezes nem sequer pagam, como se viu na Quinta da Fonte, dispõem de escola grátis para os filhos e assistência médica. Isto é o que a comunidade lhes dá. E o que dão eles em troca? Nada: não trabalham, não pagam impostos, não cumpram as leis do Estado que os acolhe. Reclamam-se uma diferença sociocultural que os exime de responsabilidades semelhantes às de quaisquer cidadãos, mas estão sempre na primeira linha a exigir tudo e mais alguma coisa a que se acham com direito.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 2-8-2008)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Benfica - realidade ou ficção?

Escreve o Luso no blog Pontapé na atmosfera acerca do plantel benfiquista para a nova época e termina com uma pergunta: realidade ou ficção?
A minha resposta é esta: toda a estrutura do futebol do Benfica é uma ficção. Época após época, descarrega-se no estádio da Luz mais um contentor de jogadores. Depois da tragédia da época passada, este ano é mais do mesmo. Com tanto "reforço" já devíamos ser a melhor equipa da galáxia... e arredores, pois todos os dias mais alguém vem "reforçar" o plantel. Expectativas, já não as tenho, a não ser talvez conseguir ir à Taça Intertoto. Por isso em boa hora resolvi poupar os 160 € que me custaria a renovação do lugar cativo para ver espectáculos deprimentes. As grandes apostas nos talentos emergentes há um ano (Freddy Adu, Fábio Coentrão) agora transformaram-se em empréstimos provavelmente para nunca mais voltar. O que se pode dizer para já desta nova era com Rui Costa ao comando do futebol encarnado é que mudaram as moscas mas a merda é a mesma. A começar pela cadeira presidencial.
Vou mas é para a praia e não quero pensar mais nisto até começarmos a perder os jogos a sério do início do campeonato. Oxalá eu me engane e esteja a ser demasiado pessimista nesta altura, mas palpita-me que à 4ª jornada já vamos estar a uns 6 ou 8 pontos de distância do primeiro lugar.
É esperar para ver.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Obrigado, JVP

João Vieira Pinto, o “menino de oiro”, como foi chamado, pôs fim à carreira de futebolista. É mais um da “geração dourada” do futebol português que pendura as botas. Agora só resta mesmo o Figo e o Fernando Couto.
Como benfiquista não quero deixar de agradecer a João Pinto tudo o que deu ao Benfica nos oito anos em que lá esteve, antes de ser vergonhosamente escorraçado para fora do clube por um vigarista e gatuno que em má hora os benfiquistas elegeram como presidente do Benfica e que mesmo passados oito anos de ter sido corrido pelos mesmos sócios ainda está a contas com a justiça.
João Pinto escreveu de águia ao peito algumas das páginas mais brilhantes da sua longa carreira e da história do clube. Enquanto teve companheiros à altura das toneladas de talento espalhou o perfume do seu futebol pelos campos do país arrastando consigo a equipa para alguns (infelizmente poucos) feitos que na altura não pareciam possíveis. Na memória de todos os adeptos ficará para sempre a inesquecível exibição no estádio de Alvalade (onde depois ainda viria a brilhar com a camisola do Sporting) que ajudou o Benfica a demolir o Sporting com uns inimagináveis 6-3, com ele a colaborar com os 3 primeiros golos só à sua conta ainda na primeira parte do jogo. Uma página de glória que marcaria o início da crise do clube que o levou a ao mais longo jejum de títulos da sua história.
Quando no final dessa época de 1993/94 o presidente Manuel Damásio despediu o treinador campeão Toni e foi buscar Artur Jorge ninguém imaginaria as consequências trágicas para o clube que a entrada do “rei Artur” teria. Com a conivência do presidente, Artur Jorge reduziu a pó em poucos meses uma equipa campeã nacional e décadas de mística e mentalidade vitoriosa. Se um furacão tivesse passado pelo estádio da Luz os estragos não teriam sido maiores. Mais de 10 anos passados o clube ainda não se recompôs do trabalho de demolição que Artur Jorge (talvez a mando do seu amigo Pinto da Costa) tão minuciosamente executou.
Durante os 6 anos seguintes a 1994 João Pinto ficou a pregar no deserto, tão medíocre era qualidade da equipa montada por Artur Jorge. Até à sua incompreensível saída em 2000 João Pinto carregou a equipa às costas ano após ano, ainda por cima com a responsabilidade acrescida de usar a braçadeira de capitão. Foi um esforço inglório porque andou todo aquele tempo muito mal acompanhado. Mas ninguém poderá apagar a carreira que o “menino de oiro” fez com a camisola encarnada vestida, entrando para a galeria dos 20 jogadores com mais golos marcados e dos 25 com mais jogos realizados (mais de 300).
Por tudo isto, obrigado João Pinto. A nação benfiquista não te esquecerá.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 27 de julho de 2008

Paraísos prostituídos

Mais um artigo notável de Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana. Com a devida vénia deixamos aqui a transcrição do mesmo.

“A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro, pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o «souk» em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta ‘escultura’ do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como “preservação do ambiente” e “crescimento sustentado” e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: “A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!”. Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. “É o progresso!”, suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.”


E eu passo férias em Portimão há quase 40 anos e da ano para ano aquela cidade fica mais irreconhecível e mais insuportável. O que fizeram ali e na outrora belíssima Praia da Rocha, ainda hoje a minha praia preferida no Algarve, é um crime pelo qual alguém (ou muitos alguéns) devia ser preso!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 21 de julho de 2008

De luto pela língua portuguesa

Hoje é um dia triste para a língua portuguesa. O Presidente da República promulgou o malfadado Acordo Ortográfico que assassina a essência da língua e lança o caos nas regras que andamos a aprender há décadas. Simplesmente porque agora deixa de haver regras, é o vale tudo. Não há acentos, não há hífenes, não há “H”, e ainda há o pequeno pormenor de cada um poder escrever como fala.
Há algumas semanas José Pedro Gomes perguntava num artigo de jornal se vamos conseguir impingir aos brasileiros o “treuze”, a “runião” e o “pugrama”. Porque com este acordo eles é que nos vão impingir todas as tropelias que fazem à língua. Aliás, não sei mesmo se a partir de agora ainda valerá a pena ter um dicionário à mão porque os erros ortográficos praticamente vão deixar de existir. Que sorte para os alunos e para os que legendam os filmes e as notícias nos rodapés dos telejornais...
Por mim vou continuar a distinguir “fato” de “facto”, “ato” de “acto”, “pato” de “pacto”, “ora” de “hora”. E “homem”, passará a ser “omem”??? “Humano” passará a “umano”? Mas o “bonde” não passará a ser “eléctrico” (ou “elétrico”) e um “ónibus” não será um “autocarro”. Porque estas diferenças não há (ou “á”?) acordo que resolva.
Perdoai-lhes, senhor, porque eles não sabem o que fazem.

Kroniketas, sempre kontra as tretas e contra o acordo ortográfico

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tentámo-zo demover

Com a pré-época futebolística a começar vive-se agora o folclore das contratações em catadupa anunciadas diariamente nos jornais, a maioria das quais acabam em nada. Para o Benfica já foi anunciada para aí uma dezena de jogadores que não vieram, tal como aconteceu com o treinador após a saída de Camacho. Mas para começar já levámos um murro, ao deixar sair para o Porto o uruguaio Rodriguez, um dos melhores jogadores no desastre que foi a época passada, cuja situação se deixou arrastar até este desfecho.
Não pude estar na assembleia-geral do Benfica da passada semana mas li nos jornais que acabou de forma tumultuosa, com o presidente Luís Filipe Vieira a ser vaiado e escoltado pela polícia. Devo dizer que não me surpreende o sucedido porque tem havido um acumular de erros de gestão que se metem pelos olhos dentro e cada vez são mais as vozes contestatárias ao presidente que foi eleito com mais de 90% dos votos em 2003. As sucessivas asneiras, acrescidas de um discurso errático e demagógico, estão a fazer perder a paciência aos benfiquistas. E agora que a época futebolística terminou com um balanço quase trágico, Luís Filipe Vieira, sempre tão pressuroso a sacudir a água do capote enquanto ataca os críticos perante as câmaras da televisão, não foi capaz de enfrentar os benfiquistas no local próprio e responder às questões com que foi confrontado. O seu estado de graça acabou e a sua posição é cada vez mais frágil perante a massa associativa, e a saída do treinador Camacho pode ter anunciado o princípio do seu fim.
Visto agora à distância e já com mais frieza, o processo que culminou na saída de José António Camacho do Benfica suscitou-me algumas reflexões acerca do que se tem passado no meu clube.

1 - O momento escolhido por Camacho para sair pode não ter sido inocente. Ao bater com a porta com a equipa ainda no 2º lugar do campeonato mas em plano inclinado, afundando-se de jogo para jogo, e antes do 2º jogo com o Getafe para a Taça Uefa, Camacho parece ter-se preocupado sobretudo em salvar a pele. Evitou ser eliminado (quiçá humilhado) no seu próprio país por uma equipa quase desconhecida, o que prejudicaria a sua imagem, e assim pode sempre invocar a seu favor que deixou a equipa “ainda” no 2º lugar e “ainda” a lutar na Europa. Todas as perdas subsequentes não lhe poderão assim ser imputadas directamente, mas a verdade é que o desastre final era apenas uma questão de tempo. Assim, Camacho saltou do barco a tempo de salvar a pele antes de este se afundar.

2 - Ao sair pelo seu próprio pé, Camacho foi amigo do presidente. Evitou ao Benfica o gasto da indemnização (que seria a segunda na mesma época, depois da rocambolesca saída de Fernando Santos à 1ª jornada) e evitou que, numa fase mais adiantada da época, a situação chagasse a um ponto de tal forma insustentável que obrigasse o presidente a despedi-lo e porventura arrastasse o próprio presidente na enxurrada. Mas como se vê agora, Vieira não passou incólume pela tempestade.

3 - Em todo este processo, o menos inocente é o próprio Luís Filipe Vieira. Foi ele o responsável pela contratação de Fernando Santos (um claro erro de “casting”, apesar do seu apregoado benfiquismo que ele se apressou a renegar quando foi para o Porto em 1999 e voltou a renegar na hora da saída), pela sua manutenção no início da época passada, depois duma época anterior sem qualquer sucesso, e pelo seu imediato despedimento logo após o começo do último campeonato. Se o treinador não servia, não devia ter começado a época. Se servia para começar, não devia sair após um jogo. Assim, construiu-se um plantel à volta dos planos dum treinador para depois ser orientado por outro treinador. Isto faz algum sentido?

4 - Da mesma forma, foi Vieira que recuperou o amigo Camacho, que era tido entre uma facção dos benfiquistas (nunca foi o meu caso) como uma espécie de salvador da pátria. O tempo e os factos encarregaram-se de demonstrar que os regressos raramente são bem sucedidos, porque o tempo não volta para trás e não se pode repetir a história. Na sua anterior passagem pelo clube, em que ganhou uma Taça de Portugal contra o Porto de Mourinho, Camacho nunca mostrou ser um treinador capaz de virar um jogo a partir do banco, não ter soluções alternativas para lançar durante o jogo, uma espécie de “plano B” para a equipa (não sei porquê, mas parece-me que já disse isto em relação a Scolari...). Se não o tinha antes, não seria agora que o teria, e foi isso que voltou a acontecer. Só que à segunda vez o discurso da garra e de “muchas ganas” não foi suficiente para pôr a equipa a praticar um futebol minimamente aceitável. E com uma equipa que foi das que pior jogaram em Portugal na época passada (até o último classificado União de Leiria foi à Luz jogar melhor que o Benfica), só o querer e a garra podem chegar para ir ganhando alguns jogos aqui e ali à beira do fim, mas não resultam sempre, e quando se pede algum conteúdo àquele futebol (isto é, quando se joga contra equipas de alguma qualidade) o fracasso é inevitável. E quando é o próprio treinador a dizer que não sabe as causas para tanta mediocridade e a pior época de sempre em casa, nem consegue encontrar solução para o problema, então o próprio treinador torna-se parte do problema. Logo, só resta uma saída, que é a sua própria saída. E de quem é a culpa, em última análise? Do presidente que o foi buscar.

5 - Quando Luís Filipe Vieira disse que foi apanhado de surpresa com a demissão de Camacho e que “tentámo-zo” demover da sua decisão, só uma de duas coisas podem ser verdade: ou estava a dourar a pílula para parecer que estava muito solidário com o treinador, ou então estava muito distraído e foi o único a ser apanhado de surpresa. A saída de Camacho era apenas uma questão de tempo e só pecou por tardia.

6 - De repente, Luís Filipe Vieira descobriu que era preciso ter alguém a fazer a ponte entra a equipa técnica e a direcção. Vai daí, foi buscar Rui Águas à prospecção e promoveu-o a uma espécie de “José Veiga com funções mitigadas”. Foi buscar Shéu e de secretário-técnico promoveu-o a treinador-adjunto de Chalana. Ou seja, já com mais de metade da época decorrida promoveu uma mini-revolução na estrutura da equipa de futebol. Pergunta-se: se aquela estrutura era necessária, porque é que só se lembrou disso em Março? Onde é que isto se viu? Pelo meio desta trapalhada monumental, foi-se cozendo o Rui Costa em lume brando, dando-lhe um papel do tipo-pescada (antes de ser já o era) nas suas novas-futuras funções de director-geral para o futebol. Com essa destemperada promoção de Rui Costa fora de tempo ainda antes de ele estar fora do campo, o “maestro” foi tendo a sua imagem desgastada ainda antes de assumir qualquer função efectiva, sujeitando-se a todo o tipo de especulações (certamente injustas e imerecidas) que chegaram ao ponto de lançar a suspeição de que ele teria contribuído para a saída de Camacho (até houve quem falasse no abraço ao treinador após o empate com o Sporting em Alvalade como uma espécie de “beijo de Judas”). Depois disso Rui Costa, a par do seu papel de melhor jogador do Benfica dentro do campo, ao que se disse já foi tendo um papel relevante fora dele na escolha do futuro treinador e na definição de toda a estrutura do futebol do clube. Alguém já viu isto acontecer nalgum clube com um jogador em funções? Não terá Rui Costa ficado algo “queimado” ainda antes de começar? E não correrá o risco de também ele vir a ser triturado pela engrenagem, como resultado da postura errática do presidente, se as coisas correrem mal daqui para a frente?

7 - Luís Filipe Vieira tem-se especializado em sacudir a água do capote e atirar as suas próprias responsabilidades para cima de outros, supostos inimigos não identificados dentro e fora do clube. Sabe-se lá porquê, após o fracasso da operação-Getafe veio, mais uma vez, disparar em todas as direcções, invocando o nome de Vale e Azevedo a propósito de coisa nenhuma. Curioso é o facto de ele próprio se parecer cada vez mais com Vale e Azevedo na sua ânsia de agitar a bandeira dos inimigos internos e externos. Se se lhe pode creditar a reabilitação financeira do clube bem como um peso decisivo para a construção do novo estádio, a verdade é que após a saída de José Veiga da SAD o futebol caiu no caos. Depois disso lançou acusações em todas as direcções sobre os oportunistas, os demagogos e sobre os descarregamentos de jogadores, como se ele não tivesse lá estado o tempo todo e não fosse com o seu consentimento que tal aconteceu. E invocar Vale e Azevedo para desviar as atenções de si próprio só pode servir para enganar papalvos, porque Vale e Azevedo foi corrido do clube (em boa hora) em 2000, já lá vão quase 8 anos, e Vieira já vai quase em 5 anos de presidente, além de mais 2 como director da SAD. A quem é que ele quer atribuir culpas? Quem é que ele quer enganar? Deste tipo de conversa já basta, já dei para esse peditório.

8 - O plantel para a época passada foi construído de forma completamente anárquica, sem qualquer critério perceptível. De repente havia 7 esquerdinos e nenhum extremo-direito! Gastaram-se 9 milhões de euros em Cardozo quando por muito menos se podia ter mantido Miccoli. Vendeu-se Simão por um valor inferior à cláusula de rescisão (agora até o Bosingwa rendeu o mesmo ao Porto). Deixou-se sair Karagounis (o único jogador que podia substituir Rui Costa como verdadeiro organizador de jogo) e Manuel Fernandes em cima da hora da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. E depois o director financeiro disse que havia 20 milhões de euros para gastar em aquisições. Então porque deixaram sair Simão? No meio deste caos, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2008 saíram do clube nada menos que Alcides, Anderson, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Karagounis, Karyaka, Simão, Miccoli, Kikin Fonseca. Resultado desta anarquia: a pior época de sempre em casa, o maior número de empates de sempre, a primeira vez em que houve menos vitórias do que empates e derrotas juntos, 2ª pior classificação de sempre e falhado o acesso à Liga dos Campeões. E o que disse o presidente? Que a presença na Liga dos Campeões não era fundamental!

9 - Toda esta barafunda mostra um clube sem rumo, um barco à deriva, em que as decisões parecem ser tomadas casuisticamente ao sabor dos acontecimentos. Não se percebe qual é a estratégia, que caminho se pretende seguir, que objectivos se pretende alcançar e qual é o plano para lá chegar. Segue-se uma rota completamente errática que se vai mudando conforme os obstáculos que surgem no caminho, ao invés de se traçar um rumo bem definido e delinear uma estratégia clara para o seguir.

10 - Vieira diz aos benfiquistas para estarem tranquilos porque “no futuro” iremos ganhar muitas vezes. Só não diz quando será esse futuro, se é amanhã ou daqui a 10 anos. O discurso é sempre para amanhã. Também diz que sabe muito bem o que pretende para o Benfica. Pois então já agora, se não se importa, conviria explicar aos benfiquistas o que é, porque eu não sei o que ele pretende para o Benfica e duvido que alguém saiba. Será que é só vender kits de sócio, encher a boca com o “maior clube do mundo” e continuar a perder? Já em tempos disse que se quisesse podia ganhar 3 campeonatos seguidos mas estaria a prejudicar o clube. Devermos chegar à conclusão de que perdê-los é que está a beneficiar o clube? Porque é que não respondeu aos benfiquistas na assembleia-geral? Terá perdido o pio? E pelo meio disto surgem notícias que dão conta da nova intenção de acabar com as modalidades, que ainda nos vão conseguindo dar algumas alegrias fracamente compensatórias?

Eu estou tudo menos tranquilo... e estou farto deste presidente.

Kroniketas, benfiquista sempre kontra as tretas