Escreve o Luso no blog Pontapé na atmosfera acerca do plantel benfiquista para a nova época e termina com uma pergunta: realidade ou ficção?
A minha resposta é esta: toda a estrutura do futebol do Benfica é uma ficção. Época após época, descarrega-se no estádio da Luz mais um contentor de jogadores. Depois da tragédia da época passada, este ano é mais do mesmo. Com tanto "reforço" já devíamos ser a melhor equipa da galáxia... e arredores, pois todos os dias mais alguém vem "reforçar" o plantel. Expectativas, já não as tenho, a não ser talvez conseguir ir à Taça Intertoto. Por isso em boa hora resolvi poupar os 160 € que me custaria a renovação do lugar cativo para ver espectáculos deprimentes. As grandes apostas nos talentos emergentes há um ano (Freddy Adu, Fábio Coentrão) agora transformaram-se em empréstimos provavelmente para nunca mais voltar. O que se pode dizer para já desta nova era com Rui Costa ao comando do futebol encarnado é que mudaram as moscas mas a merda é a mesma. A começar pela cadeira presidencial.
Vou mas é para a praia e não quero pensar mais nisto até começarmos a perder os jogos a sério do início do campeonato. Oxalá eu me engane e esteja a ser demasiado pessimista nesta altura, mas palpita-me que à 4ª jornada já vamos estar a uns 6 ou 8 pontos de distância do primeiro lugar.
É esperar para ver.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
terça-feira, 29 de julho de 2008
Benfica - realidade ou ficção?
Obrigado, JVP
João Vieira Pinto, o “menino de oiro”, como foi chamado, pôs fim à carreira de futebolista. É mais um da “geração dourada” do futebol português que pendura as botas. Agora só resta mesmo o Figo e o Fernando Couto.
Como benfiquista não quero deixar de agradecer a João Pinto tudo o que deu ao Benfica nos oito anos em que lá esteve, antes de ser vergonhosamente escorraçado para fora do clube por um vigarista e gatuno que em má hora os benfiquistas elegeram como presidente do Benfica e que mesmo passados oito anos de ter sido corrido pelos mesmos sócios ainda está a contas com a justiça.
João Pinto escreveu de águia ao peito algumas das páginas mais brilhantes da sua longa carreira e da história do clube. Enquanto teve companheiros à altura das toneladas de talento espalhou o perfume do seu futebol pelos campos do país arrastando consigo a equipa para alguns (infelizmente poucos) feitos que na altura não pareciam possíveis. Na memória de todos os adeptos ficará para sempre a inesquecível exibição no estádio de Alvalade (onde depois ainda viria a brilhar com a camisola do Sporting) que ajudou o Benfica a demolir o Sporting com uns inimagináveis 6-3, com ele a colaborar com os 3 primeiros golos só à sua conta ainda na primeira parte do jogo. Uma página de glória que marcaria o início da crise do clube que o levou a ao mais longo jejum de títulos da sua história.
Quando no final dessa época de 1993/94 o presidente Manuel Damásio despediu o treinador campeão Toni e foi buscar Artur Jorge ninguém imaginaria as consequências trágicas para o clube que a entrada do “rei Artur” teria. Com a conivência do presidente, Artur Jorge reduziu a pó em poucos meses uma equipa campeã nacional e décadas de mística e mentalidade vitoriosa. Se um furacão tivesse passado pelo estádio da Luz os estragos não teriam sido maiores. Mais de 10 anos passados o clube ainda não se recompôs do trabalho de demolição que Artur Jorge (talvez a mando do seu amigo Pinto da Costa) tão minuciosamente executou.
Durante os 6 anos seguintes a 1994 João Pinto ficou a pregar no deserto, tão medíocre era qualidade da equipa montada por Artur Jorge. Até à sua incompreensível saída em 2000 João Pinto carregou a equipa às costas ano após ano, ainda por cima com a responsabilidade acrescida de usar a braçadeira de capitão. Foi um esforço inglório porque andou todo aquele tempo muito mal acompanhado. Mas ninguém poderá apagar a carreira que o “menino de oiro” fez com a camisola encarnada vestida, entrando para a galeria dos 20 jogadores com mais golos marcados e dos 25 com mais jogos realizados (mais de 300).
Por tudo isto, obrigado João Pinto. A nação benfiquista não te esquecerá.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 27 de julho de 2008
Paraísos prostituídos
Mais um artigo notável de Miguel Sousa Tavares no Expresso desta semana. Com a devida vénia deixamos aqui a transcrição do mesmo.
“A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro, pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.
Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.
Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.
A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o «souk» em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.
Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.
Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.
E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta ‘escultura’ do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como “preservação do ambiente” e “crescimento sustentado” e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.
Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: “A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!”. Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.
Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. “É o progresso!”, suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.”
E eu passo férias em Portimão há quase 40 anos e da ano para ano aquela cidade fica mais irreconhecível e mais insuportável. O que fizeram ali e na outrora belíssima Praia da Rocha, ainda hoje a minha praia preferida no Algarve, é um crime pelo qual alguém (ou muitos alguéns) devia ser preso!
Kroniketas, sempre kontra as tretas
segunda-feira, 21 de julho de 2008
De luto pela língua portuguesa
Hoje é um dia triste para a língua portuguesa. O Presidente da República promulgou o malfadado Acordo Ortográfico que assassina a essência da língua e lança o caos nas regras que andamos a aprender há décadas. Simplesmente porque agora deixa de haver regras, é o vale tudo. Não há acentos, não há hífenes, não há “H”, e ainda há o pequeno pormenor de cada um poder escrever como fala.
Há algumas semanas José Pedro Gomes perguntava num artigo de jornal se vamos conseguir impingir aos brasileiros o “treuze”, a “runião” e o “pugrama”. Porque com este acordo eles é que nos vão impingir todas as tropelias que fazem à língua. Aliás, não sei mesmo se a partir de agora ainda valerá a pena ter um dicionário à mão porque os erros ortográficos praticamente vão deixar de existir. Que sorte para os alunos e para os que legendam os filmes e as notícias nos rodapés dos telejornais...
Por mim vou continuar a distinguir “fato” de “facto”, “ato” de “acto”, “pato” de “pacto”, “ora” de “hora”. E “homem”, passará a ser “omem”??? “Humano” passará a “umano”? Mas o “bonde” não passará a ser “eléctrico” (ou “elétrico”) e um “ónibus” não será um “autocarro”. Porque estas diferenças não há (ou “á”?) acordo que resolva.
Perdoai-lhes, senhor, porque eles não sabem o que fazem.
Kroniketas, sempre kontra as tretas e contra o acordo ortográfico
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Tentámo-zo demover
Com a pré-época futebolística a começar vive-se agora o folclore das contratações em catadupa anunciadas diariamente nos jornais, a maioria das quais acabam em nada. Para o Benfica já foi anunciada para aí uma dezena de jogadores que não vieram, tal como aconteceu com o treinador após a saída de Camacho. Mas para começar já levámos um murro, ao deixar sair para o Porto o uruguaio Rodriguez, um dos melhores jogadores no desastre que foi a época passada, cuja situação se deixou arrastar até este desfecho.
Não pude estar na assembleia-geral do Benfica da passada semana mas li nos jornais que acabou de forma tumultuosa, com o presidente Luís Filipe Vieira a ser vaiado e escoltado pela polícia. Devo dizer que não me surpreende o sucedido porque tem havido um acumular de erros de gestão que se metem pelos olhos dentro e cada vez são mais as vozes contestatárias ao presidente que foi eleito com mais de 90% dos votos em 2003. As sucessivas asneiras, acrescidas de um discurso errático e demagógico, estão a fazer perder a paciência aos benfiquistas. E agora que a época futebolística terminou com um balanço quase trágico, Luís Filipe Vieira, sempre tão pressuroso a sacudir a água do capote enquanto ataca os críticos perante as câmaras da televisão, não foi capaz de enfrentar os benfiquistas no local próprio e responder às questões com que foi confrontado. O seu estado de graça acabou e a sua posição é cada vez mais frágil perante a massa associativa, e a saída do treinador Camacho pode ter anunciado o princípio do seu fim.
Visto agora à distância e já com mais frieza, o processo que culminou na saída de José António Camacho do Benfica suscitou-me algumas reflexões acerca do que se tem passado no meu clube.
1 - O momento escolhido por Camacho para sair pode não ter sido inocente. Ao bater com a porta com a equipa ainda no 2º lugar do campeonato mas em plano inclinado, afundando-se de jogo para jogo, e antes do 2º jogo com o Getafe para a Taça Uefa, Camacho parece ter-se preocupado sobretudo em salvar a pele. Evitou ser eliminado (quiçá humilhado) no seu próprio país por uma equipa quase desconhecida, o que prejudicaria a sua imagem, e assim pode sempre invocar a seu favor que deixou a equipa “ainda” no 2º lugar e “ainda” a lutar na Europa. Todas as perdas subsequentes não lhe poderão assim ser imputadas directamente, mas a verdade é que o desastre final era apenas uma questão de tempo. Assim, Camacho saltou do barco a tempo de salvar a pele antes de este se afundar.
2 - Ao sair pelo seu próprio pé, Camacho foi amigo do presidente. Evitou ao Benfica o gasto da indemnização (que seria a segunda na mesma época, depois da rocambolesca saída de Fernando Santos à 1ª jornada) e evitou que, numa fase mais adiantada da época, a situação chagasse a um ponto de tal forma insustentável que obrigasse o presidente a despedi-lo e porventura arrastasse o próprio presidente na enxurrada. Mas como se vê agora, Vieira não passou incólume pela tempestade.
3 - Em todo este processo, o menos inocente é o próprio Luís Filipe Vieira. Foi ele o responsável pela contratação de Fernando Santos (um claro erro de “casting”, apesar do seu apregoado benfiquismo que ele se apressou a renegar quando foi para o Porto em 1999 e voltou a renegar na hora da saída), pela sua manutenção no início da época passada, depois duma época anterior sem qualquer sucesso, e pelo seu imediato despedimento logo após o começo do último campeonato. Se o treinador não servia, não devia ter começado a época. Se servia para começar, não devia sair após um jogo. Assim, construiu-se um plantel à volta dos planos dum treinador para depois ser orientado por outro treinador. Isto faz algum sentido?
4 - Da mesma forma, foi Vieira que recuperou o amigo Camacho, que era tido entre uma facção dos benfiquistas (nunca foi o meu caso) como uma espécie de salvador da pátria. O tempo e os factos encarregaram-se de demonstrar que os regressos raramente são bem sucedidos, porque o tempo não volta para trás e não se pode repetir a história. Na sua anterior passagem pelo clube, em que ganhou uma Taça de Portugal contra o Porto de Mourinho, Camacho nunca mostrou ser um treinador capaz de virar um jogo a partir do banco, não ter soluções alternativas para lançar durante o jogo, uma espécie de “plano B” para a equipa (não sei porquê, mas parece-me que já disse isto em relação a Scolari...). Se não o tinha antes, não seria agora que o teria, e foi isso que voltou a acontecer. Só que à segunda vez o discurso da garra e de “muchas ganas” não foi suficiente para pôr a equipa a praticar um futebol minimamente aceitável. E com uma equipa que foi das que pior jogaram em Portugal na época passada (até o último classificado União de Leiria foi à Luz jogar melhor que o Benfica), só o querer e a garra podem chegar para ir ganhando alguns jogos aqui e ali à beira do fim, mas não resultam sempre, e quando se pede algum conteúdo àquele futebol (isto é, quando se joga contra equipas de alguma qualidade) o fracasso é inevitável. E quando é o próprio treinador a dizer que não sabe as causas para tanta mediocridade e a pior época de sempre em casa, nem consegue encontrar solução para o problema, então o próprio treinador torna-se parte do problema. Logo, só resta uma saída, que é a sua própria saída. E de quem é a culpa, em última análise? Do presidente que o foi buscar.
5 - Quando Luís Filipe Vieira disse que foi apanhado de surpresa com a demissão de Camacho e que “tentámo-zo” demover da sua decisão, só uma de duas coisas podem ser verdade: ou estava a dourar a pílula para parecer que estava muito solidário com o treinador, ou então estava muito distraído e foi o único a ser apanhado de surpresa. A saída de Camacho era apenas uma questão de tempo e só pecou por tardia.
6 - De repente, Luís Filipe Vieira descobriu que era preciso ter alguém a fazer a ponte entra a equipa técnica e a direcção. Vai daí, foi buscar Rui Águas à prospecção e promoveu-o a uma espécie de “José Veiga com funções mitigadas”. Foi buscar Shéu e de secretário-técnico promoveu-o a treinador-adjunto de Chalana. Ou seja, já com mais de metade da época decorrida promoveu uma mini-revolução na estrutura da equipa de futebol. Pergunta-se: se aquela estrutura era necessária, porque é que só se lembrou disso em Março? Onde é que isto se viu? Pelo meio desta trapalhada monumental, foi-se cozendo o Rui Costa em lume brando, dando-lhe um papel do tipo-pescada (antes de ser já o era) nas suas novas-futuras funções de director-geral para o futebol. Com essa destemperada promoção de Rui Costa fora de tempo ainda antes de ele estar fora do campo, o “maestro” foi tendo a sua imagem desgastada ainda antes de assumir qualquer função efectiva, sujeitando-se a todo o tipo de especulações (certamente injustas e imerecidas) que chegaram ao ponto de lançar a suspeição de que ele teria contribuído para a saída de Camacho (até houve quem falasse no abraço ao treinador após o empate com o Sporting em Alvalade como uma espécie de “beijo de Judas”). Depois disso Rui Costa, a par do seu papel de melhor jogador do Benfica dentro do campo, ao que se disse já foi tendo um papel relevante fora dele na escolha do futuro treinador e na definição de toda a estrutura do futebol do clube. Alguém já viu isto acontecer nalgum clube com um jogador em funções? Não terá Rui Costa ficado algo “queimado” ainda antes de começar? E não correrá o risco de também ele vir a ser triturado pela engrenagem, como resultado da postura errática do presidente, se as coisas correrem mal daqui para a frente?
7 - Luís Filipe Vieira tem-se especializado em sacudir a água do capote e atirar as suas próprias responsabilidades para cima de outros, supostos inimigos não identificados dentro e fora do clube. Sabe-se lá porquê, após o fracasso da operação-Getafe veio, mais uma vez, disparar em todas as direcções, invocando o nome de Vale e Azevedo a propósito de coisa nenhuma. Curioso é o facto de ele próprio se parecer cada vez mais com Vale e Azevedo na sua ânsia de agitar a bandeira dos inimigos internos e externos. Se se lhe pode creditar a reabilitação financeira do clube bem como um peso decisivo para a construção do novo estádio, a verdade é que após a saída de José Veiga da SAD o futebol caiu no caos. Depois disso lançou acusações em todas as direcções sobre os oportunistas, os demagogos e sobre os descarregamentos de jogadores, como se ele não tivesse lá estado o tempo todo e não fosse com o seu consentimento que tal aconteceu. E invocar Vale e Azevedo para desviar as atenções de si próprio só pode servir para enganar papalvos, porque Vale e Azevedo foi corrido do clube (em boa hora) em 2000, já lá vão quase 8 anos, e Vieira já vai quase em 5 anos de presidente, além de mais 2 como director da SAD. A quem é que ele quer atribuir culpas? Quem é que ele quer enganar? Deste tipo de conversa já basta, já dei para esse peditório.
8 - O plantel para a época passada foi construído de forma completamente anárquica, sem qualquer critério perceptível. De repente havia 7 esquerdinos e nenhum extremo-direito! Gastaram-se 9 milhões de euros em Cardozo quando por muito menos se podia ter mantido Miccoli. Vendeu-se Simão por um valor inferior à cláusula de rescisão (agora até o Bosingwa rendeu o mesmo ao Porto). Deixou-se sair Karagounis (o único jogador que podia substituir Rui Costa como verdadeiro organizador de jogo) e Manuel Fernandes em cima da hora da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. E depois o director financeiro disse que havia 20 milhões de euros para gastar em aquisições. Então porque deixaram sair Simão? No meio deste caos, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2008 saíram do clube nada menos que Alcides, Anderson, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Karagounis, Karyaka, Simão, Miccoli, Kikin Fonseca. Resultado desta anarquia: a pior época de sempre em casa, o maior número de empates de sempre, a primeira vez em que houve menos vitórias do que empates e derrotas juntos, 2ª pior classificação de sempre e falhado o acesso à Liga dos Campeões. E o que disse o presidente? Que a presença na Liga dos Campeões não era fundamental!
9 - Toda esta barafunda mostra um clube sem rumo, um barco à deriva, em que as decisões parecem ser tomadas casuisticamente ao sabor dos acontecimentos. Não se percebe qual é a estratégia, que caminho se pretende seguir, que objectivos se pretende alcançar e qual é o plano para lá chegar. Segue-se uma rota completamente errática que se vai mudando conforme os obstáculos que surgem no caminho, ao invés de se traçar um rumo bem definido e delinear uma estratégia clara para o seguir.
10 - Vieira diz aos benfiquistas para estarem tranquilos porque “no futuro” iremos ganhar muitas vezes. Só não diz quando será esse futuro, se é amanhã ou daqui a 10 anos. O discurso é sempre para amanhã. Também diz que sabe muito bem o que pretende para o Benfica. Pois então já agora, se não se importa, conviria explicar aos benfiquistas o que é, porque eu não sei o que ele pretende para o Benfica e duvido que alguém saiba. Será que é só vender kits de sócio, encher a boca com o “maior clube do mundo” e continuar a perder? Já em tempos disse que se quisesse podia ganhar 3 campeonatos seguidos mas estaria a prejudicar o clube. Devermos chegar à conclusão de que perdê-los é que está a beneficiar o clube? Porque é que não respondeu aos benfiquistas na assembleia-geral? Terá perdido o pio? E pelo meio disto surgem notícias que dão conta da nova intenção de acabar com as modalidades, que ainda nos vão conseguindo dar algumas alegrias fracamente compensatórias?
Eu estou tudo menos tranquilo... e estou farto deste presidente.
Kroniketas, benfiquista sempre kontra as tretas
quarta-feira, 9 de julho de 2008
O que os outros disseram (XLIII)
“Há uma verdadeira quadrilha que se apodera do Estado para benefício próprio.”
(Clara Ferreira Alves, “O eixo do mal”, Sic Notícias, 8-6-2008)
sexta-feira, 20 de junho de 2008
O triste fado português

Há coisas que nunca mudam, e o modo de ser português é uma delas. Não compreendo que qualquer português possa estar contente com a derrota da Selecção Nacional de futebol só porque não gosta do treinador. Mas isso é o espelho da nossa mediocridade e dum país de invejosos...
Portugal caiu nos quartos-de-final do campeonato da Europa aos pés (e cabeça) da Alemanha (como disse Gary Lineker, no futebol são 11 contra 11, há uma bola e no fim ganham os alemães) e mais uma vez ficou pelo caminho quando muitos já faziam a festa antecipada. Passamos sempre do 8 para o 80 e rapidamente da euforia para a depressão. Tão depressa somos os melhores do mundo como logo a seguir tudo é mau. É este o nosso fado, ficamos sempre aquém da glória esperada.
O adeus de Scolari à Selecção Nacional reflecte uma carreira em regressão: em 2004 fomos à final do Europeu, em 2006 ficámos pela meia-final do Mundial, em 2008 não passámos dos quartos-de-final do Europeu. Foi sempre em marcha-atrás e acaba por marcar o tempo certo para a despedida. Já quando ele perdeu a cabeça e deu um “tapa” no sérvio Dragutivonic eu tinha dito que o seu prazo em Portugal se esgotara. E confirmou-se agora, terminando tristemente sem honra nem glória. Se continuasse, o mais provável é que entrássemos numa fase de fracasso, pelo que saiu na altura certa.
Não deixa contudo de ser irónico que a despedida da Selecção do Europeu, e de Scolari da Selecção, fique assinalada por mais uma fífia monumental do guarda-redes Ricardo, um dos protegidos pela teimosia de Scolari. A sua falha clamorosa no terceiro golo alemão, quando a equipa perdia por 2-1 e tentava reerguer-se, afundou-nos de vez e matou as nossas hipóteses. O guarda-redes fetiche do seleccionador, que tantas vezes tinha ameaçado dar barraca, acabou por carimbar a nossa despedida e a de Scolari. Alguma vez as consequências acabariam por ser funestas, e como quase sempre acontece as maiores falhas ocorrem nas piores alturas.
Neste jogo do tudo ou nada Portugal falhou onde e quando não podia. Deu dois golos de avanço na primeira parte e sofreu dois de bola parada. Depois de ter sido analisado exaustivamente na televisão o golo sofrido contra a República Checa, também de bola parada, hoje acabámos por sofrer dois quase iguais, com falhas clamorosas a nível colectivo, o que mostra que não aprendemos nada com os erros anteriores e, ao contrário da Alemanha, não fizemos o trabalho de casa. Esta é uma das principais pechas do trabalho de Scolari, que sempre me pareceu muito limitado em termos técnico-tácticos. Nunca há um plano B para quando as coisas correm mal, os erros sistemáticos continuam a suceder e quando começamos a perder nunca conseguimos dar a volta a nosso favor. Basta lembrarmos que já tínhamos perdido a final de 2004 com a Grécia num golo de bola parada, outra vez com erros colectivos e individuais simultâneos, e agora voltámos a cair da mesma forma.
Também podemos questionar o porquê dos oito dias de descanso dados aos habituais titulares. Vendo as velocidades deste jogo, pergunta-se para que serviram, se os alemães foram sempre mais rápidos. No primeiro golo, 2 alemães conseguiram correr mais que 4 portugueses. Será que não acabou por ser descanso a mais? É que nunca conseguimos meter a 3ª velocidade.
Como se tudo isto não bastasse dentro do campo, ainda tivemos um verdadeiro folclore à volta da selecção durante a permanência na Suíça. Desde o anúncio da saída de Scolari na pior altura, “em cima” da passagem aos quartos-de-final, até ao folhetim Cristiano-Ronaldo-vai-para-Madrid-fica-em-Manchester (onde estava o melhor jogador do mundo quando mais precisávamos dele? Passou completamente ao lado deste campeonato), mais a ida de Deco a Barcelona fazer não se sabe o quê, parece que o hotel se transformou num centro de negociatas quando o que importava era ganhar os nossos jogos. Os nossos pseudo-craques que só querem contratos milionários nos grandes clubes da Europa, quando entram em campo e têm de mostrar o que valem nos jogos a sério, ficam reduzidos à sua insignificância. Muitos deles só são bons a jogar contra a Naval, o Paços de Ferreira ou o Estrela da Amadora...
Agora vem aí outro seleccionador e é altura de arranjar outro guarda-redes. Scolari deixa um legado de vice-campeão europeu e semi-finalista do mundial, o que é muito mais do que estávamos habituados. Mas também deixa a sensação de que nunca conseguiria ir mais além. Para mim já tinha atingido o seu limite de competência. O que alguns nunca lhe perdoaram foi ele não ter ido ao beija-mão do Papa e não se ter agachado perante os poderes instituídos. Esse foi o seu grande mérito. O meu grande receio é se com o próximo não voltaremos ao tempo da sabujice e da bandalheira habituais.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
PS: Por esta hora, o verme deve estar a abrir uma garrafa de champanhe...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Torrente de imbecilidades
Até aqui também nada de novo, pois o espaço é grande e permite a realização de festas para muita gente (casamentos, baptizados, etc.), e há que rentabilizá-los.
Pior foi quando resolveram dar-nos música. Havia um espaço amplo parta dançar e a organizadora tem um acordeão electrónico que dá para uns bailaricos, e até aqui também nada de novo, pois música popularucha nestas festas é o que está a dar... Só que antes da dona entrar em cena, e para acompanhar o almoço, puseram a tocar uma compilação de músicas do Quim Barreiros! E aqui é que ficou tudo estragado.
Ouvir o “quero cheirar teu bacalhau, Maria” ainda passa e até tem alguma piada. O pior é que tivemos que levar com umas 20 músicas do indivíduo, o que estraga qualquer almoço. A torrente de imbecilidades naquelas “letras” é verdadeiramente dramática, e ouvindo-as todas de seguida é que nos apercebemos da verdadeira dimensão da insanidade daqueles “versos”. Mais grave ainda, à hora do lanche fomos brindados com uma segunda dose, como se a primeira não tivesse chegado!
Só que desta vez tive a paciência para ir registando algumas pérolas daquelas canções, que passo a transcrever, para que se perceba bem onde chega a vulgaridade e a brejeirice. Uma coisa é uma conversa de café entre amigos onde se usam todo o tipo de expressões mais libertinas. Mas fazer canções unicamente à base de trocadilhos fáceis sempre com insinuações brejeiras das mais vulgares é absolutamente insano.
“eu comi a sobra”
“há quem não goste de cuuuba, mas eu gosto, qual é a capital de cuba, habana meu amor”
“hoje de noite vou dar uma, vou dar uma, vou dar uma voltinha por aí”
“eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha, mamo à hora que quero porque a cabrita é minha”
“Ó tio Quim, dê-me um autógrafo desses...”
“todos querem ver a greta, ou então tocar na greta, quem sabe beijar a greta, mas que grande sensação, ou fotografar a greta, ou até pintar a greta, queremos rever a greta, mesmo na televisão”
“quem pode pode, quem nao pode sai de cima”
Kroniketas, sempre kontra as tretas
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Camionistas em greve
Este país está a precisar dum levantamento popular. Por muito menos, um buzinão na ponte 25 de Abril precipitou o início do fim do cavaquismo. Agora o governo mais reaccionário desde a revolução está a pedir que alguém o encoste à parede.
Parece que o primeiro-ministro não se impressionou com as 200 mil pessoas que desfilaram na Avenida da Liberdade, pode ser que se impressione com um país paralisado. Se começarem a faltar abastecimentos e houver uma revolta da população, pode ser que então José Sócrates e os seus “boys” saiam do seu autismo e comecem a olhar para os problemas reais do país e sejam obrigados a fazer marcha-atrás nas suas políticas ultra-liberais. Nem Cavaco Silva em 10 anos ousou ir tão longe no ataque às conquistas de Abril.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
quarta-feira, 28 de maio de 2008
6 milhões de idiotas e um imbecil
Pois aqui somos 2 que fazem parte dos 6 milhões de idiotas que acham que o Rui Reininho, além dum cantor medíocre, é um imbecil e um merdoso, que tem tanta classe como o corrupto do seu presidente.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
sábado, 24 de maio de 2008
Notícia do outro dia
A novidade é que depois de não ter aumentado no dia anterior, o preço da gasolina aumentou hoje...
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Notícia do dia
A novidade é que o preço da gasolina não aumentou...
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Confissões de um benfiquista
Pronto, tenho de o dizer... hoje o meu coração foi verde!... Espera, o coração não! O baço. Hoje o meu baço foi verde! Assim está melhor.
tuguinho, cínico encarnado
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Rui Costa vai ser “rectificado”
Rui Costa foi apresentado como director desportivo do Benfica. Na conferência de imprensa de apresentação, o presidente Luís Filipe Vieira disse que o nome de Rui Costa como administrador da SAD será “rectificado” na próxima assembleia-geral.
Esperemos que ao ser “rectificado” não obriguem o Rui a mudar de nome.
Assim vai o meu clube. Já tivemos como presidente um pedreiro, depois um gatuno e agora temos um analfabeto.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
quinta-feira, 8 de maio de 2008
As músicas da minha vida 4 - 1977 / 1979 - Seventy seven, nearly heaven: o surgir do Punk Rock/New Wave
Nos fins da década de 70 a música chegara a um impasse: os grupos de rock progressivo já não conseguiam progredir mais, os grupos de hard rock estavam encalhados nos mesmos riffs de sempre, e levara-se a execução para tão altos voos que era impossível a um grupo de miúdos com vontade de fazer música fazerem-na efectivamente – era preciso ser perfeito, tocar sem falhas, ser quase um erudito do instrumento respectivo, coisa que obviamente só se consegue com muitos anos de estudo e prática, e não se coadunava minimamente com o imediatismo dos desejos da juventude.
Isso, antes de qualquer outra coisa, foi o que fez agitar a modorra! Em certos meios de Londres e de Nova Iorque começaram a surgir grupos de putos que antes de tudo queriam tocar. Não tinham dinheiro para instrumentos caros nem tempo para aprenderem a ser virtuosos da guitarra. No cru início, tinham mais vontade do que jeito, e foi uma espécie de aprendizagem com a prática que fez guindar muitos deles a voos maiores.
Grupos que hoje nada dizem a quase toda a gente, como Slaughter and the Dogs, X-Ray Spex, The Damned, e outros que quase todos conhecemos, como The Cars, The Clash, os Sex Pistols ou os Ramones, surgiram nessa altura. A pressa era muita porque o mundo já era rápido. Esta explosão de sons sucedeu em 1977 e passou como um rolo compressor sobre a música existente. Uma boa parte do que hoje ouvimos provém, de uma forma ou doutra, dessa revolução sem líderes e da evolução desse grito básico de há 31 anos.
É óbvio que o Punk Rock não surgiu do nada: tirou a energia ao rock’n’roll inicial e foi buscar muito do seu estilo a grupos como New York Dolls ou The Who, que nem todos andavam na batida rua principal dos sons.
Mas o Punk foi o estado puro da revolução e, como todos sabemos, as revoluções acalmam sempre depois de cortarem umas cabeças, real ou virtualmente. Por isso o punk como punk durou pouco. Aliás, e pensando bem, nunca foi puro - na sua própria natureza libertária e contestatária já continha os germes que o modificaram e adoçaram e no-lo trouxeram já baptizado como New Wave.
Com o nosso proverbial atraso, só se começou a ouvir por cá pelo ano de 1978 e com maior força em 1979. As primeiras tropelias dos Sex Pistols foram relatadas pela revista Música & Som (de que sou feliz proprietário de colecção completa) e foram-nos dadas a ouvir, na vertente New Wave, por Luís Filipe Barros no seu programa radiofónico Rock em Stock, uma verdadeira pedrada no charco da rádio desse tempo, quando ainda não havia playlists e não se tinha de esgravatar o húmus do solo para descobrir grupos novos e interessantes.
Foi nessa altura que apareceram grupos e artistas como Blondie, Police, Joe Jackson, Elvis Costello, The Jam e etc. Muitos etc.!
Não é possível num singelo post num blog esmiuçar as implicações e analisar tudo o que trouxe ou provocou, nem isso se pretende nestas romagens músico-saudosas (mas no bom sentido!). Por isso vamos tentar assim:
Imaginem o seguinte. Estão num quarto fechado. Cheira a bafio (ou a mofo, como quiserem). Parece que lá fora o sol brilha. Resolvem abrir a janela. Quando a abrem, entra cor por todo o lado, os horizontes expandem-se até ao infinito e tudo parece possível! O Verão de 1979 há-de soar-me aos ouvidos da memória sempre assim, cheio de luz e de liberdade, ao som de “Art-I-Ficial” dos X-Ray Spex, de “11:59” dos Blondie ou de “Can’t Stand Losing You” dos Police…
Espero que tenham compreendido.
Para foto deste artigo usei a capa de um registo histórico do punk/new wave, uma colectânea registada no Roxy London Theatre e que na altura foi uma espécie de ponto da situação na frente londrina. A álbuns específicos voltarei depois, e prometo não esquecer o icónico “Pink Flag” dos Wire, obra-prima do género e do minimalismo, com 21 temas arrumados nos dois lados da velha rodela de vinil.
Portanto, se for caso disso, relembrem. Se forem tenrinhos, vão conhecer! Porque nunca ter ouvido The Clash equivale a não saber quem foi o primeiro rei de Portugal...
sábado, 3 de maio de 2008
Fumar mata
Um dia destes ardeu um lar de idosos, ao que parece devido a um cigarro mal apagado. Se alguém ainda tinha dúvidas de que fumar mata...
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
25-ABRIL-2008
Usem-na bem porque custou muito a ganhar.
tuguinho e Kroniketas, de cravo vermelho ao peito
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domingo, 20 de abril de 2008
O lado parvo de Miguel Sousa Tavares
Na sua coluna do Expresso deste sábado, Miguel Sousa Tavares manifesta-se contra os habituais dislates de Alberto João Jardim, dizendo que faz parte do grupo, porventura escasso, dos que não acham Jardim “engraçadíssimo”. Eu também não acho, portanto também faço parte desse grupo.
É pena que MST não demonstre a mesma lucidez quando fala do seu querido FC Porto e do idolatrado Pinto da Costa. Neste país em que também a comunicação social é subserviente perante o poder (ou certos poderes), andamos há 30 anos não só a ler e ouvir alguns sabujos repetir até à náusea que Jardim é "engraçadíssimo", mas também que Pinto da Costa fala com "fina ironia", quando o que ele é, é um insolente e um boçal, um indivíduo sem respeito por nada nem ninguém, com insinuações miseráveis e execráveis que já o deviam ter levado à barra dos tribunais há muito tempo. É pena que MST não se disponha a repudiar as frases inqualificáveis que o “melhor presidente do mundo e arredores” vomitou nas últimas semanas, desde os vermes ao pó branco passando pela morgue. Um nojo acerca do qual MST não consegue opinar como homem íntegro e recto que julgo que ele seja.
Mas, como diz o tuguinho em relação ao MST quando toca ao FC Porto, “é o lado parvo dele...” E, por favor, não lhe falem de tabaco...
Kroniketas, sempre kontra as tretas
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
Descubra você mesmo: onde está o verme?
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sábado, 12 de abril de 2008
Vergonha 54 anos depois
Benfica, 0 - Académica, 3
Em tempos não muito distantes, já teria havido um tumulto no estádio da Luz e um cerco ao presidente e aos jogadores. Por causa da saída de Mourinho invadiram a sala de imprensa. Agora parece que os benfiquistas estão anestesiados e resignados com a mediocridade crescente da equipa de futebol, que se afunda semana a semana perante os olhos de todos. É preciso um tratamento de choque a este clube, a começar pelas esferas superiores.
Sr. Presidente, faça um favor aos benfiquistas: DEMITA-SE!
Kroniketas, sempre kontra as tretas
terça-feira, 8 de abril de 2008
Anúncio importantezito
O nosso amigo Palmer do Pó de Estrelas, pediu-nos que avisássemos possíveis leitores do seu blog (NR: mas se são leitores do blog dele, que sentido faz este anúncio aqui?) de que vai começar a publicar em fascículos uma noveleta de FC chamada Impérios de Vento.
Pronto, já dissemos!
tuginho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Rui escondido com Santos de fora
Mensagem enviada ao comentador Rui Santos, que no passado Domingo se absteve de comentar:
"Desta vez não viu bem o que se passou...
…e por isso, e para que continue a acreditar que realmente vale a pena ouvi-lo, espero que volte a comentar o lance em que Mateus derruba primeiro Petit na área e, seguidamente, impede Leo de prosseguir pisando-lhe o pé direito. Quero acreditar que não viu bem as imagens da jogada – que foram aliás profusamente repetidas, e de vários ângulos, pela reportagem da SporTV, porque elas são totalmente elucidativas.
No lance da presumível mão, a bola muda de trajectória quando chega ao jogador axadrezado – e para que isso aconteça teve de lhe tocar! Ora no peito dele não tocou, o que me leva a concluir que foi com o braço, visto que a bola não se lhe aproximou de outras partes do corpo. Mas como não há imagens de outra câmara, não tenho 100% de certeza e até concedo o benefício da dúvida.
Ver futebol desapaixonadamente pode ser muito bom, mas para proteger os árbitros não se devem branquear os seus erros.
O Benfica podia e devia ter ganho sem precisar das consequências desses lances? Pois devia! Mas é no mínimo ardiloso que se elidam esses erros pelo demérito nas outras jogadas.
E para que não pense que sou só mais um adepto faccioso, digo-lhe que achei muito bem que o penalti contra o SLB fosse marcado, porque existiu! Vejo futebol apaixonadamente, mas tenho cérebro suficiente para saber que a classe dirigente do futebol (nos clubes, federação e liga) é do piorzinho que gerámos neste rectângulo mal plantado à beira-mar, e que há culpas distribuídas por muitas capelinhas e poucas virgens inocentes no meio. Mas aborrece-me muito ver a verdade desportiva distorcida, por muito mal que o futebol ande no país e no meu clube.
Obrigado"
tuguinho, cínico encarnado (de coração e de indignação!)
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quinta-feira, 3 de abril de 2008
A Quercus é contra
O Governo decidiu que a nova ponte será rodo-ferroviária. A Quercus é contra.
O Governo decidiu, depois de enorme polémica nacional, construir o novo Aeroporto de Lisboa no campo de tiro de Alcochete. A Quercus é contra.
O Governo construiu a Via do Infante no Algarve para se poder circular sem ser a passo de caracol na EN 125. A Quercus foi contra.
O Governo construiu, após décadas, uma auto-estrada a ligar Lisboa ao Algarve. A Quercus foi contra.
Tudo o que se faça neste país para facilitar a vida às pessoas que têm de se deslocar sem ser a 10 à hora e sem demorar uma eternidade para chegar ao destino, a Quercus é contra.
Se a Quercus decidisse, ainda andávamos todos de carroça.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
segunda-feira, 31 de março de 2008
Pérolas do futebolês (1)
“Jogámos numa toada lenta...”
“O nosso último reduto...”
“Claudicámos na parte final...”
“Os índices de motivação baixaram...”
(José Mota, treinador do Paços de Ferreira, após o jogo no Estádio da Luz)
Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos
sábado, 29 de março de 2008
Pensamento da semana
Um dia destes, ao observar a indumentária acabada de entrar num café, enquanto tomava o pequeno-almoço, passou-me esta ideia pela cabeça: as mulheres vestem-se bem... para se despirem melhor.
Valter Rego, observador desassombrado
quarta-feira, 26 de março de 2008
Telemóvel (3) - E que tal pelas goelas abaixo?
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Telemóvel (2) - E que tal um par de estalos?
A caricata cena do telemóvel entre a professora e a aluna, para além de levantar mais uma vez a já velha questão do esvaziamento da autoridade dos professores, fruto dumas mentes iluminadas responsáveis pela instauração do eduques e do facilitismo para os alunos, aos quais caixa de diálogo vez mais é permitido e menos é exigido, levanta outras questões pertinentes como saber que raio de pais são estes que estão a criar filhos selvagens (além de burros e preguiçosos), que se permitem estar a usar o telemóvel na aula e ficam histéricos quando o professor lho retira.
A jovenzinha histérica que só queria o telemóvel de volta merecia era um par de lambadas bem aplicadas na fuça para ver se se acalmava. E como isso certamente acarretaria um processo disciplinar contra a professora (quiçá até a perda do posto de trabalho), a melhor solução, ao contrário do que sugere o tuguinho, teria sido levá-la para a casa de banho e, longe dos olhares alheios, aplicar-lhe dois valentes tabefes nas trombas e enfiar-lhe a porcaria do telemóvel pelas goelas. Ou então atirá-lo contra a parede até ficar feito em migalhas.
Desde que uns amigos me contaram que a mãe duma colega duma das filhas disse que a sua filhota não queria falar com a outra porque ela não usava telemóvel, fiquei esclarecido sobre o bando de idiotas em que muitos pais (eles próprios uns idiotas chapados) estão a transformar os filhos. Perdeu-se todo o senso do ridículo, parece que só interessa ter telemóveis último modelo e vestir roupa de marca. E depois se calhar são estes mesmos imbecis que vêm reclamar do governo.
Com governados assim, que governo se pode esperar?
Kroniketas, sempre kontra as tretas
sábado, 22 de março de 2008
A Solução para a criminalidade
Se todos os criminosos, no acto da captura, tivessem de pagar uma multa como os condutores que prevaricam, era ver a PSP e a GNR a correrem atrás deles, esquecendo as barrigas de cerveja e o reduzido treino de tiro!
A criminalidade reduzir-se-ia a valores residuais, não pela acção dos tribunais, mas por os meliantes se fartarem da caça à multa…
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Uns versitos neste dia
Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Assim, sem mais palavras, as palavras de Álvaro de Campos:
"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."
tuguinho, cínico em verso
Telemóvel (1) - E um pontapé na boca?
A já famosa cena da luta pelo telemóvel na sala merece-me uma rápida consideração: mais do que pedagogia, o que era mesmo bom era ter um especialista em artes marciais em cada sala!
Por exemplo, neste caso, um rápido pontapé na boca da aluna resolveria o caso e quaisquer reincidências nas semanas seguintes, por óbvia impossibilidade em falar…
P.S. – é claro que fizemos muita porcaria nos nossos tempos, a maioria brincadeiras de garotos que nunca magoaram ninguém, nunca a balda e o desrespeito dos dias de hoje!
tuguinho, cínico encartado








