sexta-feira, 20 de junho de 2008

O triste fado português



Há coisas que nunca mudam, e o modo de ser português é uma delas. Não compreendo que qualquer português possa estar contente com a derrota da Selecção Nacional de futebol só porque não gosta do treinador. Mas isso é o espelho da nossa mediocridade e dum país de invejosos...
Portugal caiu nos quartos-de-final do campeonato da Europa aos pés (e cabeça) da Alemanha (como disse Gary Lineker, no futebol são 11 contra 11, há uma bola e no fim ganham os alemães) e mais uma vez ficou pelo caminho quando muitos já faziam a festa antecipada. Passamos sempre do 8 para o 80 e rapidamente da euforia para a depressão. Tão depressa somos os melhores do mundo como logo a seguir tudo é mau. É este o nosso fado, ficamos sempre aquém da glória esperada.
O adeus de Scolari à Selecção Nacional reflecte uma carreira em regressão: em 2004 fomos à final do Europeu, em 2006 ficámos pela meia-final do Mundial, em 2008 não passámos dos quartos-de-final do Europeu. Foi sempre em marcha-atrás e acaba por marcar o tempo certo para a despedida. Já quando ele perdeu a cabeça e deu um “tapa” no sérvio Dragutivonic eu tinha dito que o seu prazo em Portugal se esgotara. E confirmou-se agora, terminando tristemente sem honra nem glória. Se continuasse, o mais provável é que entrássemos numa fase de fracasso, pelo que saiu na altura certa.
Não deixa contudo de ser irónico que a despedida da Selecção do Europeu, e de Scolari da Selecção, fique assinalada por mais uma fífia monumental do guarda-redes Ricardo, um dos protegidos pela teimosia de Scolari. A sua falha clamorosa no terceiro golo alemão, quando a equipa perdia por 2-1 e tentava reerguer-se, afundou-nos de vez e matou as nossas hipóteses. O guarda-redes fetiche do seleccionador, que tantas vezes tinha ameaçado dar barraca, acabou por carimbar a nossa despedida e a de Scolari. Alguma vez as consequências acabariam por ser funestas, e como quase sempre acontece as maiores falhas ocorrem nas piores alturas.
Neste jogo do tudo ou nada Portugal falhou onde e quando não podia. Deu dois golos de avanço na primeira parte e sofreu dois de bola parada. Depois de ter sido analisado exaustivamente na televisão o golo sofrido contra a República Checa, também de bola parada, hoje acabámos por sofrer dois quase iguais, com falhas clamorosas a nível colectivo, o que mostra que não aprendemos nada com os erros anteriores e, ao contrário da Alemanha, não fizemos o trabalho de casa. Esta é uma das principais pechas do trabalho de Scolari, que sempre me pareceu muito limitado em termos técnico-tácticos. Nunca há um plano B para quando as coisas correm mal, os erros sistemáticos continuam a suceder e quando começamos a perder nunca conseguimos dar a volta a nosso favor. Basta lembrarmos que já tínhamos perdido a final de 2004 com a Grécia num golo de bola parada, outra vez com erros colectivos e individuais simultâneos, e agora voltámos a cair da mesma forma.
Também podemos questionar o porquê dos oito dias de descanso dados aos habituais titulares. Vendo as velocidades deste jogo, pergunta-se para que serviram, se os alemães foram sempre mais rápidos. No primeiro golo, 2 alemães conseguiram correr mais que 4 portugueses. Será que não acabou por ser descanso a mais? É que nunca conseguimos meter a 3ª velocidade.
Como se tudo isto não bastasse dentro do campo, ainda tivemos um verdadeiro folclore à volta da selecção durante a permanência na Suíça. Desde o anúncio da saída de Scolari na pior altura, “em cima” da passagem aos quartos-de-final, até ao folhetim Cristiano-Ronaldo-vai-para-Madrid-fica-em-Manchester (onde estava o melhor jogador do mundo quando mais precisávamos dele? Passou completamente ao lado deste campeonato), mais a ida de Deco a Barcelona fazer não se sabe o quê, parece que o hotel se transformou num centro de negociatas quando o que importava era ganhar os nossos jogos. Os nossos pseudo-craques que só querem contratos milionários nos grandes clubes da Europa, quando entram em campo e têm de mostrar o que valem nos jogos a sério, ficam reduzidos à sua insignificância. Muitos deles só são bons a jogar contra a Naval, o Paços de Ferreira ou o Estrela da Amadora...
Agora vem aí outro seleccionador e é altura de arranjar outro guarda-redes. Scolari deixa um legado de vice-campeão europeu e semi-finalista do mundial, o que é muito mais do que estávamos habituados. Mas também deixa a sensação de que nunca conseguiria ir mais além. Para mim já tinha atingido o seu limite de competência. O que alguns nunca lhe perdoaram foi ele não ter ido ao beija-mão do Papa e não se ter agachado perante os poderes instituídos. Esse foi o seu grande mérito. O meu grande receio é se com o próximo não voltaremos ao tempo da sabujice e da bandalheira habituais.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

PS: Por esta hora, o verme deve estar a abrir uma garrafa de champanhe...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Torrente de imbecilidades


Um destes fins-de-semana desloquei-me a uma localidade do Alentejo para um aniversário de familiar ancião. Até aqui nada de novo, pois já o ano passado o evento tinha ocorrido. Desta vez o restaurante do ano passado não estava aberto, pelo que o almoço foi realizado noutro espaço tipo-tenda, onde estava também uma excursão com pessoas de... Lisboa.
Até aqui também nada de novo, pois o espaço é grande e permite a realização de festas para muita gente (casamentos, baptizados, etc.), e há que rentabilizá-los.
Pior foi quando resolveram dar-nos música. Havia um espaço amplo parta dançar e a organizadora tem um acordeão electrónico que dá para uns bailaricos, e até aqui também nada de novo, pois música popularucha nestas festas é o que está a dar... Só que antes da dona entrar em cena, e para acompanhar o almoço, puseram a tocar uma compilação de músicas do Quim Barreiros! E aqui é que ficou tudo estragado.
Ouvir o “quero cheirar teu bacalhau, Maria” ainda passa e até tem alguma piada. O pior é que tivemos que levar com umas 20 músicas do indivíduo, o que estraga qualquer almoço. A torrente de imbecilidades naquelas “letras” é verdadeiramente dramática, e ouvindo-as todas de seguida é que nos apercebemos da verdadeira dimensão da insanidade daqueles “versos”. Mais grave ainda, à hora do lanche fomos brindados com uma segunda dose, como se a primeira não tivesse chegado!
Só que desta vez tive a paciência para ir registando algumas pérolas daquelas canções, que passo a transcrever, para que se perceba bem onde chega a vulgaridade e a brejeirice. Uma coisa é uma conversa de café entre amigos onde se usam todo o tipo de expressões mais libertinas. Mas fazer canções unicamente à base de trocadilhos fáceis sempre com insinuações brejeiras das mais vulgares é absolutamente insano.

Aqui ficam para que cada um possa apreciar:

“cada um lava o que quer, e há quem goste de lavar no rego”
“eu comi a sobra”
“há quem não goste de cuuuba, mas eu gosto, qual é a capital de cuba, habana meu amor”
“hoje de noite vou dar uma, vou dar uma, vou dar uma voltinha por aí”
“eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha, mamo à hora que quero porque a cabrita é minha”
“Ó tio Quim, dê-me um autógrafo desses...”
“todos querem ver a greta, ou então tocar na greta, quem sabe beijar a greta, mas que grande sensação, ou fotografar a greta, ou até pintar a greta, queremos rever a greta, mesmo na televisão”
“quem pode pode, quem nao pode sai de cima”


Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Camionistas em greve

Este país está a precisar dum levantamento popular. Por muito menos, um buzinão na ponte 25 de Abril precipitou o início do fim do cavaquismo. Agora o governo mais reaccionário desde a revolução está a pedir que alguém o encoste à parede.
Parece que o primeiro-ministro não se impressionou com as 200 mil pessoas que desfilaram na Avenida da Liberdade, pode ser que se impressione com um país paralisado. Se começarem a faltar abastecimentos e houver uma revolta da população, pode ser que então José Sócrates e os seus “boys” saiam do seu autismo e comecem a olhar para os problemas reais do país e sejam obrigados a fazer marcha-atrás nas suas políticas ultra-liberais. Nem Cavaco Silva em 10 anos ousou ir tão longe no ataque às conquistas de Abril.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quarta-feira, 28 de maio de 2008

6 milhões de idiotas e um imbecil


Esta eu não sabia, mas fiquei a saber agora. Rui Reininho, vocalista dos GNR, festejou o tri-campeonato do FC Porto, após a vitória por 6-0 sobre o Estrela da Amadora, com uma frase que revela bem o tipo de mentalidade trauliteira que caracteriza aquele clube: “Foi um golo por cada milhão de idiotas que há neste País”. Como foram 6 golos dá 6 milhões.
Pois aqui somos 2 que fazem parte dos 6 milhões de idiotas que acham que o Rui Reininho, além dum cantor medíocre, é um imbecil e um merdoso, que tem tanta classe como o corrupto do seu presidente.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 24 de maio de 2008

Notícia do outro dia

A novidade é que depois de não ter aumentado no dia anterior, o preço da gasolina aumentou hoje...

blogoberto, chico-esperto

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Notícia do dia

A novidade é que o preço da gasolina não aumentou...

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Confissões de um benfiquista

Pronto, tenho de o dizer... hoje o meu coração foi verde!... Espera, o coração não! O baço. Hoje o meu baço foi verde! Assim está melhor.

tuguinho, cínico encarnado

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Rui Costa vai ser “rectificado”

Rui Costa foi apresentado como director desportivo do Benfica. Na conferência de imprensa de apresentação, o presidente Luís Filipe Vieira disse que o nome de Rui Costa como administrador da SAD será “rectificado” na próxima assembleia-geral.
Esperemos que ao ser “rectificado” não obriguem o Rui a mudar de nome.
Assim vai o meu clube. Já tivemos como presidente um pedreiro, depois um gatuno e agora temos um analfabeto.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As músicas da minha vida 4 - 1977 / 1979 - Seventy seven, nearly heaven: o surgir do Punk Rock/New Wave


Antes de começar a escrever sobre o assunto, são devidos alguns esclarecimentos já prestados em comentário, mas nunca aqui na rua principal: estas krónikas são sobre as músicas da minha vida, por isso as datas referidas dizem respeito ao ano em que o disco ou as músicas chegaram aos meus ouvidos, não tendo nada a ver com a data de edição; outra questão diz respeito à própria cronologia dos artigos – não vão sair necessariamente numa ordem cronológica. Posto isto, vamos ao que interessa.

Nos fins da década de 70 a música chegara a um impasse: os grupos de rock progressivo já não conseguiam progredir mais, os grupos de hard rock estavam encalhados nos mesmos riffs de sempre, e levara-se a execução para tão altos voos que era impossível a um grupo de miúdos com vontade de fazer música fazerem-na efectivamente – era preciso ser perfeito, tocar sem falhas, ser quase um erudito do instrumento respectivo, coisa que obviamente só se consegue com muitos anos de estudo e prática, e não se coadunava minimamente com o imediatismo dos desejos da juventude.
Isso, antes de qualquer outra coisa, foi o que fez agitar a modorra! Em certos meios de Londres e de Nova Iorque começaram a surgir grupos de putos que antes de tudo queriam tocar. Não tinham dinheiro para instrumentos caros nem tempo para aprenderem a ser virtuosos da guitarra. No cru início, tinham mais vontade do que jeito, e foi uma espécie de aprendizagem com a prática que fez guindar muitos deles a voos maiores.

Como sempre nestas coisas, a música não veio só: toda uma iconografia e forma de vestir, uma atitude provocatória e penteados pouco consentâneos com a Old England se mostraram numa Londres pouco preparada para o ciclone que se seguiu, uma espécie de Maio de 1968, mas cínico e nihilista e completamente anti-flower power e hippiezada rançosa. Ou seja, de Maio de 1968 só a força radical da ruptura! (mas desse Maio falaremos noutro post)
Grupos que hoje nada dizem a quase toda a gente, como Slaughter and the Dogs, X-Ray Spex, The Damned, e outros que quase todos conhecemos, como The Cars, The Clash, os Sex Pistols ou os Ramones, surgiram nessa altura. A pressa era muita porque o mundo já era rápido. Esta explosão de sons sucedeu em 1977 e passou como um rolo compressor sobre a música existente. Uma boa parte do que hoje ouvimos provém, de uma forma ou doutra, dessa revolução sem líderes e da evolução desse grito básico de há 31 anos.
É óbvio que o Punk Rock não surgiu do nada: tirou a energia ao rock’n’roll inicial e foi buscar muito do seu estilo a grupos como New York Dolls ou The Who, que nem todos andavam na batida rua principal dos sons.
Mas o Punk foi o estado puro da revolução e, como todos sabemos, as revoluções acalmam sempre depois de cortarem umas cabeças, real ou virtualmente. Por isso o punk como punk durou pouco. Aliás, e pensando bem, nunca foi puro - na sua própria natureza libertária e contestatária já continha os germes que o modificaram e adoçaram e no-lo trouxeram já baptizado como New Wave.
Com o nosso proverbial atraso, só se começou a ouvir por cá pelo ano de 1978 e com maior força em 1979. As primeiras tropelias dos Sex Pistols foram relatadas pela revista Música & Som (de que sou feliz proprietário de colecção completa) e foram-nos dadas a ouvir, na vertente New Wave, por Luís Filipe Barros no seu programa radiofónico Rock em Stock, uma verdadeira pedrada no charco da rádio desse tempo, quando ainda não havia playlists e não se tinha de esgravatar o húmus do solo para descobrir grupos novos e interessantes.
Foi nessa altura que apareceram grupos e artistas como Blondie, Police, Joe Jackson, Elvis Costello, The Jam e etc. Muitos etc.!
Não é possível num singelo post num blog esmiuçar as implicações e analisar tudo o que trouxe ou provocou, nem isso se pretende nestas romagens músico-saudosas (mas no bom sentido!). Por isso vamos tentar assim:
Imaginem o seguinte. Estão num quarto fechado. Cheira a bafio (ou a mofo, como quiserem). Parece que lá fora o sol brilha. Resolvem abrir a janela. Quando a abrem, entra cor por todo o lado, os horizontes expandem-se até ao infinito e tudo parece possível! O Verão de 1979 há-de soar-me aos ouvidos da memória sempre assim, cheio de luz e de liberdade, ao som de “Art-I-Ficial” dos X-Ray Spex, de “11:59” dos Blondie ou de “Can’t Stand Losing You” dos Police…
Espero que tenham compreendido.


Para foto deste artigo usei a capa de um registo histórico do punk/new wave, uma colectânea registada no Roxy London Theatre e que na altura foi uma espécie de ponto da situação na frente londrina. A álbuns específicos voltarei depois, e prometo não esquecer o icónico “Pink Flag” dos Wire, obra-prima do género e do minimalismo, com 21 temas arrumados nos dois lados da velha rodela de vinil.
Portanto, se for caso disso, relembrem. Se forem tenrinhos, vão conhecer! Porque nunca ter ouvido The Clash equivale a não saber quem foi o primeiro rei de Portugal...


tuguinho. cínico de crista

sábado, 3 de maio de 2008

Fumar mata

Um dia destes ardeu um lar de idosos, ao que parece devido a um cigarro mal apagado. Se alguém ainda tinha dúvidas de que fumar mata...

blogoberto, chico-esperto

quinta-feira, 24 de abril de 2008

25-ABRIL-2008




L I B E R D A D E !

Usem-na bem porque custou muito a ganhar.

tuguinho e Kroniketas, de cravo vermelho ao peito

domingo, 20 de abril de 2008

O lado parvo de Miguel Sousa Tavares

Na sua coluna do Expresso deste sábado, Miguel Sousa Tavares manifesta-se contra os habituais dislates de Alberto João Jardim, dizendo que faz parte do grupo, porventura escasso, dos que não acham Jardim “engraçadíssimo”. Eu também não acho, portanto também faço parte desse grupo.
É pena que MST não demonstre a mesma lucidez quando fala do seu querido FC Porto e do idolatrado Pinto da Costa. Neste país em que também a comunicação social é subserviente perante o poder (ou certos poderes), andamos há 30 anos não só a ler e ouvir alguns sabujos repetir até à náusea que Jardim é "engraçadíssimo", mas também que Pinto da Costa fala com "fina ironia", quando o que ele é, é um insolente e um boçal, um indivíduo sem respeito por nada nem ninguém, com insinuações miseráveis e execráveis que já o deviam ter levado à barra dos tribunais há muito tempo. É pena que MST não se disponha a repudiar as frases inqualificáveis que o “melhor presidente do mundo e arredores” vomitou nas últimas semanas, desde os vermes ao pó branco passando pela morgue. Um nojo acerca do qual MST não consegue opinar como homem íntegro e recto que julgo que ele seja.
Mas, como diz o tuguinho em relação ao MST quando toca ao FC Porto, “é o lado parvo dele...” E, por favor, não lhe falem de tabaco...

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 12 de abril de 2008

Vergonha 54 anos depois

Benfica, 0 - Académica, 3

Em tempos não muito distantes, já teria havido um tumulto no estádio da Luz e um cerco ao presidente e aos jogadores. Por causa da saída de Mourinho invadiram a sala de imprensa. Agora parece que os benfiquistas estão anestesiados e resignados com a mediocridade crescente da equipa de futebol, que se afunda semana a semana perante os olhos de todos. É preciso um tratamento de choque a este clube, a começar pelas esferas superiores.

Sr. Presidente, faça um favor aos benfiquistas: DEMITA-SE!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

terça-feira, 8 de abril de 2008

Anúncio importantezito

O nosso amigo Palmer do Pó de Estrelas, pediu-nos que avisássemos possíveis leitores do seu blog (NR: mas se são leitores do blog dele, que sentido faz este anúncio aqui?) de que vai começar a publicar em fascículos uma noveleta de FC chamada Impérios de Vento.
Pronto, já dissemos!

tuginho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Rui escondido com Santos de fora

Mensagem enviada ao comentador Rui Santos, que no passado Domingo se absteve de comentar:

"Desta vez não viu bem o que se passou...

…e por isso, e para que continue a acreditar que realmente vale a pena ouvi-lo, espero que volte a comentar o lance em que Mateus derruba primeiro Petit na área e, seguidamente, impede Leo de prosseguir pisando-lhe o pé direito. Quero acreditar que não viu bem as imagens da jogada – que foram aliás profusamente repetidas, e de vários ângulos, pela reportagem da SporTV, porque elas são totalmente elucidativas.
No lance da presumível mão, a bola muda de trajectória quando chega ao jogador axadrezado – e para que isso aconteça teve de lhe tocar! Ora no peito dele não tocou, o que me leva a concluir que foi com o braço, visto que a bola não se lhe aproximou de outras partes do corpo. Mas como não há imagens de outra câmara, não tenho 100% de certeza e até concedo o benefício da dúvida.

Ver futebol desapaixonadamente pode ser muito bom, mas para proteger os árbitros não se devem branquear os seus erros.
O Benfica podia e devia ter ganho sem precisar das consequências desses lances? Pois devia! Mas é no mínimo ardiloso que se elidam esses erros pelo demérito nas outras jogadas.
E para que não pense que sou só mais um adepto faccioso, digo-lhe que achei muito bem que o penalti contra o SLB fosse marcado, porque existiu! Vejo futebol apaixonadamente, mas tenho cérebro suficiente para saber que a classe dirigente do futebol (nos clubes, federação e liga) é do piorzinho que gerámos neste rectângulo mal plantado à beira-mar, e que há culpas distribuídas por muitas capelinhas e poucas virgens inocentes no meio. Mas aborrece-me muito ver a verdade desportiva distorcida, por muito mal que o futebol ande no país e no meu clube.
Obrigado"

tuguinho, cínico encarnado (de coração e de indignação!)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Quercus é contra


O Governo decidiu construir a nova ponte em Lisboa entre Chelas e Barreiro. A Quercus é contra.
O Governo decidiu que a nova ponte será rodo-ferroviária. A Quercus é contra.
O Governo decidiu, depois de enorme polémica nacional, construir o novo Aeroporto de Lisboa no campo de tiro de Alcochete. A Quercus é contra.
O Governo construiu a Via do Infante no Algarve para se poder circular sem ser a passo de caracol na EN 125. A Quercus foi contra.
O Governo construiu, após décadas, uma auto-estrada a ligar Lisboa ao Algarve. A Quercus foi contra.
Tudo o que se faça neste país para facilitar a vida às pessoas que têm de se deslocar sem ser a 10 à hora e sem demorar uma eternidade para chegar ao destino, a Quercus é contra.
Se a Quercus decidisse, ainda andávamos todos de carroça.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pérolas do futebolês (1)

“Jogámos numa toada lenta...”
“O nosso último reduto...”
“Claudicámos na parte final...”
“Os índices de motivação baixaram...”
(José Mota, treinador do Paços de Ferreira, após o jogo no Estádio da Luz)

Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos

sábado, 29 de março de 2008

Pensamento da semana

Um dia destes, ao observar a indumentária acabada de entrar num café, enquanto tomava o pequeno-almoço, passou-me esta ideia pela cabeça: as mulheres vestem-se bem... para se despirem melhor.

Valter Rego, observador desassombrado

quarta-feira, 26 de março de 2008

Telemóvel (3) - E que tal pelas goelas abaixo?


Recebi esta por mail, e não resisti a reproduzi-la aqui.

blogoberto, chico-esperto

segunda-feira, 24 de março de 2008

Telemóvel (2) - E que tal um par de estalos?

A caricata cena do telemóvel entre a professora e a aluna, para além de levantar mais uma vez a já velha questão do esvaziamento da autoridade dos professores, fruto dumas mentes iluminadas responsáveis pela instauração do eduques e do facilitismo para os alunos, aos quais caixa de diálogo vez mais é permitido e menos é exigido, levanta outras questões pertinentes como saber que raio de pais são estes que estão a criar filhos selvagens (além de burros e preguiçosos), que se permitem estar a usar o telemóvel na aula e ficam histéricos quando o professor lho retira.
A jovenzinha histérica que só queria o telemóvel de volta merecia era um par de lambadas bem aplicadas na fuça para ver se se acalmava. E como isso certamente acarretaria um processo disciplinar contra a professora (quiçá até a perda do posto de trabalho), a melhor solução, ao contrário do que sugere o tuguinho, teria sido levá-la para a casa de banho e, longe dos olhares alheios, aplicar-lhe dois valentes tabefes nas trombas e enfiar-lhe a porcaria do telemóvel pelas goelas. Ou então atirá-lo contra a parede até ficar feito em migalhas.
Desde que uns amigos me contaram que a mãe duma colega duma das filhas disse que a sua filhota não queria falar com a outra porque ela não usava telemóvel, fiquei esclarecido sobre o bando de idiotas em que muitos pais (eles próprios uns idiotas chapados) estão a transformar os filhos. Perdeu-se todo o senso do ridículo, parece que só interessa ter telemóveis último modelo e vestir roupa de marca. E depois se calhar são estes mesmos imbecis que vêm reclamar do governo.
Com governados assim, que governo se pode esperar?

Kroniketas, sempre kontra as tretas

sábado, 22 de março de 2008

A Solução para a criminalidade

Se todos os criminosos, no acto da captura, tivessem de pagar uma multa como os condutores que prevaricam, era ver a PSP e a GNR a correrem atrás deles, esquecendo as barrigas de cerveja e o reduzido treino de tiro!
A criminalidade reduzir-se-ia a valores residuais, não pela acção dos tribunais, mas por os meliantes se fartarem da caça à multa…

blogoberto, chico-esperto

Uns versitos neste dia

Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Assim, sem mais palavras, as palavras de Álvaro de Campos:

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."

Álvaro de Campos - "Aniversário"


tuguinho, cínico em verso

Telemóvel (1) - E um pontapé na boca?

A já famosa cena da luta pelo telemóvel na sala merece-me uma rápida consideração: mais do que pedagogia, o que era mesmo bom era ter um especialista em artes marciais em cada sala!
Por exemplo, neste caso, um rápido pontapé na boca da aluna resolveria o caso e quaisquer reincidências nas semanas seguintes, por óbvia impossibilidade em falar…

P.S. – é claro que fizemos muita porcaria nos nossos tempos, a maioria brincadeiras de garotos que nunca magoaram ninguém, nunca a balda e o desrespeito dos dias de hoje!

tuguinho, cínico encartado

quarta-feira, 12 de março de 2008

As músicas da minha vida 3 - Setembro de 1975: Genesis - "Nursery Cryme"


Quem se queixa das dificuldades da actualidade, provavelmente não conheceu ou já não se lembra como era noutros tempos, quando o problema, mais do que não poder, era não haver. Vem isto mais uma vez a propósito da diferença com que se encarava o valor de uma coisa que hoje está banalizada, mas que na época era considerada de forma muito diversa. Ou seja, tudo isto para dizer que cada disco comprado ou oferecido era um pequeno tesouro que se ouvia vezes sem conta.
Já aqui me referi à primeira peça da minha colecção. A que hoje é tema deste post foi a terceira. A que fica no meio das duas ainda será tema um dia destes, porque os primeiros ficam sempre na memória…
Mas falemos agora desta obra que, não sendo a primeira que conheci do grupo, foi das que mais me marcou. Trata-se de “Nursery Cryme” dos Genesis, terceiro álbum do grupo, depois da estreia com “From Genesis to Revelation” – um disco em que já se detectavam algumas pistas do som característico da banda, mas ainda demasiado ténues e mascaradas – e de “Trespass”, o primeiro com ideias já bem alinhadas e som definido.
“Nursery Cryme” é um conjunto de canções ligadas por um certo universo onírico, mais do que por uma história conceptual bem definida. Logo a abrir apresenta o maior hino do grupo, que é quase uma declaração de intenções do que fizeram nos álbuns posteriores, com a excepção de “The Lamb Lies Down on Broadway”. “The Musical Box” é assim um espelho do que se tornaria o tema-tipo do grupo, com andamentos rápidos conjugados com instantes mais suaves e lentos, com a tradicional união da guitarra eléctrica de Steve Hacket com as teclas de Tony Banks, e a voz de Peter Gabriel a criando ambientes por si só – e nesta canção a terminar com o grito “Why don’t you touch me?” repetido até à exaustão. Aliás, e apesar de todos os membros serem músicos de primeira água e comporem também, foi Peter Gabriel a verdadeira alma dos Genesis. Ao abandonar o grupo após o álbum “The Lamb Lies Down on Broadway”, foi apenas uma questão de tempo até seguirem por caminhos que nada tinham a ver com o tipo de rock progressivo que até aí tinham desenvolvido – e isto não obstante ser posterior à saída de Peter uma das melhores obras do grupo, “Trick of the Tail”, em que ainda se exploravam os ambientes sonoros e as letras surreais típicos dos Genesis.
Mas “Nursery Cryme” tem um lugar especial na minha memória, tanto pelo momento em que o recebi (trazido da Alemanha pelo meu primo mais velho), como pela força da música que contém. E o próprio objecto em si, pois o álbum tinha capa dupla e no interior uma série de desenhos alusivos às histórias contadas cercavam as letras das canções – pois, há coisas que se perderam com os CD’s…
Além do tema referido, mais seis canções compõem o disco: “For Absent Friends”, balada curta e quase acústica, mas deliciosa, acaba por servir como ligação entre os outros dois temas que compunham o lado um; “The Return of The Giant Hogweed” é outro dos hinos dos Genesis, com uma sonoridade que faz lembrar “The Knife”, do álbum “Trespass” – vê-se aqui um Gabriel nas suas sete quintas, soltando a voz sobre um ritmo muito marcado, ilustrando mais uma estranha história sobre exploradores e plantas maléficas trazidas dos confins do império (britânico, of course!).
O lado dois abria com uma canção que nos fala de marinheiros, “Seven Stones”, e que quase parece um prólogo a “Firth of Fifth”, que surgiria dois álbuns depois em “Selling England by the Pound”; segue-se uma espécie de brincadeira, tanto na letra como na melodia, fazendo lembrar um pouco o Vaudeville – “Harold the Barrel”; depois vem outra balada curta e deliciosa, “Harlequin”, cheia de harmonias vocais típicas de algumas das canções do grupo, e que cintila como as chamas de uma lareira nos nossos olhos; o álbum fecha com outro tema de fôlego, espécie de contraponto a “The Musical Box”, bastante teatral, centrada numa história da mitologia grega, grand finale de 7 minutos que nos leva ao encerrar do pano – “The Fountain of Salmacis”!
Convém aqui salientar que os Genesis foram sempre o meu grupo favorito até ao advento do punk e da new wave, no fim dos anos 70 – e que depois da poeira assentar e nos deixarmos de radicalismos estéticos, olhando com atenção o que tínhamos ouvido no passado (passe a confusão entre os dois sentidos), voltou a ser considerado no lugar que devia.
Este para mim será sempre das melhores músicas da minha vida…


tuguinho, cínico musicado

domingo, 9 de março de 2008

Notícia de última hora! Camacho em Alvalade! Paulo Bento na Luz!

Instados a comentar esta troca, ambos os presidentes responderam:
"Esperamos que com esta acção o Benfica passe a ganhar em casa e o Sporting fora, o que resolveria uma parte dos nossos problemas..."
Não conseguimos saber qual seria a outra parte.

Mateus Bichoso, repórter horroroso

Uma questão de trombas


Na passada 5ª feira foram avistados alguns elefantes no Porto. Parece que após a eliminação do FC Porto pelo Schalke 04 no desempate por “penalties” o pessoal andava de trombas...

blogoberto, chico-esperto

A rua e o beco

Com a devida vénia, transcrevemos aqui o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso deste sábado, 8 de Março de 2008. Sem mais comentários.

“Setenta mil professores, segundo a Fenprof, estarão hoje nas ruas de Lisboa a manifestar-se. Querem a morte de todas as reformas ensaiadas nos últimos dois anos por Maria de Lurdes Rodrigues e, obviamente, querem também a cabeça de Maria de Lurdes Rodrigues. Desde que há Ministério, desde que há Educação, desde que há democracia, que não me lembro de a Fenprof e os sindicatos da Educação terem deixado de exigir a cabeça do ministro ou ministra em funções. Começou há muitos anos, quando Sottomayor Cardia se lembrou de fazer uma lei de gestão das escolas e Universidades em que (vejam lá a ironia e o escândalo) os conselhos directivos eram maioritariamente compostos por professores e não por funcionários e alunos. Na altura, gritou-se que o fascismo estava de volta e hoje quase que se grita o mesmo, porque a ministra se lembrou de propor a figura de um director para as escolas.
Julgou-se, a certa altura, que o problema poderia estar em os ministros da Educação serem homens, ditando ordens e instruções a um universo essencialmente feminino. Seguindo à letra o discurso feminista oficial de que as mulheres são melhores para a governação porque têm maior capacidade de diálogo, entendimento, etc., e tal, entrou-se na moda dos ministros mulheres, a ver se a coisa acalmava. Não acalmou: o problema não estava aí. E, a menos que se siga a sugestão ditada há dias ironicamente por Maria de Lurdes Rodrigues - experimentar uma loira burra - há que procurar as origens do confronto em outras razões.
Durante muitos anos, e para garantir uma paz podre no sector, todos os governos, incluindo os socialistas, renunciaram a tentar mudar o que quer que fosse. A política de educação estava entregue aos professores e as escolas aos sindicatos. O grosso dos ministros foi do PSD e os sindicatos estavam nas mãos da facção do PSD dirigida por Manuela Teixeira, e a do PCP e companheiros dirigida pelo crónico Paulo Sucena. Como nada de essencial no «statu quo» estava em causa, o confronto centrou-se na ineficácia funcional do Ministério. Anos a fio fomos confrontados com o espectáculo confrangedor de ver os dirigentes sindicais deleitados com as dificuldades e problemas crónicos da colocação de professores e os dramas reais dos professores “não efectivos” que viviam com a casa e a vida às costas, um ano no Algarve outro no Minho. Sem nenhum pudor, tornou-se claro que, quanto pior funcionasse o Ministério e mais problemas viessem para os professores desse mau funcionamento mais felizes andavam os sindicatos. Hoje, são ambos problemas resolvidos e cuja resolução ninguém se lembrou de enaltecer: os professores são colocados a tempo e horas e têm contratos que lhes garantem três anos de permanência no mesmo local.
Essa frente de luta sindical acabou, mas os trinta anos que ela durou deixaram marca. Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastámos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isso serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu, se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos ministros da Educação que tivemos - todos, sem excepção, incompetentes.
Nesta altura do campeonato já toda a gente percebeu que o problema não está em Maria de Lurdes Rodrigues, como também não estava no sacrificado ministro da Saúde Correia de Campos. O problema é mais fundo, mais antigo e mais complicado de enfrentar: Portugal é, de há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons. Acontece com os professores, com os médicos, com os magistrados, com os agentes culturais, com os empresários encostados ao Estado.
Certo que aquele labiríntico organigrama da avaliação dos professores parece, à primeira vista, uma obra-prima de burocracia. Certo que a ministra parece demasiado precipitada e intransigente, adepta de uma atitude de fazer primeiro e avaliar depois. Certo que, como tantas vezes sucede, ela parece ter perdido já a paciência para discutir o pormenor, se não lhe concederem o essencial. Mas, no essencial, ela tem razão e todos nós, que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.
Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora - vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada “independência”, que é causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos nada aprenderem e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as suas aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola, sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho - como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo ‘civil’, em qualquer empresa ou qualquer local de trabalho. É isto o essencial.
Infelizmente, Maria de Lurdes Rodrigues não tentou ou não conseguiu cativar para o seu lado e para as suas reformas os bons professores, que seriam os maiores interessados e beneficiários delas. Deixou que ficassem isolados e que, pouco a pouco, fossem arrastados pela onda de ‘bota-abaixo’ da Fenprof. Talvez seja este o destino inevitável de qualquer tentativa que se faça de quebrar o poder paralisante das corporações. Talvez haja sempre uma maioria de acomodados que vejam em qualquer mudança um sinal de perigo para a paz podre em que se habituaram a viver. Estas coisas vêm de longe e estão entranhadas: no tempo de Salazar, o grande sonho do português era arranjar emprego para a vida no Estado - o ordenado era garantido assim como a progressão por antiguidade e a reforma ao fim de 36 anos; não lhe era exigido nem mérito nem resultados e jamais seria despedido, a menos que ousasse contestar o Governo. Com a democracia, se a fé no Estado e no emprego público se mantiveram, a única coisa que mudou é que as corporações do sector público já podem contestar os governos. Mais: fazem-no sempre que acham que os governos pretendem mudar o Estado, de que eles se julgam os guardiões.
E é por isso mesmo que a queda de Maria de Lurdes Rodrigues teria o efeito de um toque a finados por qualquer futura tentativa de reformar o Estado e mudar o país.”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Cultura linguística (para sportinguistas)

Como é que se diz “merda” em sueco?
- Farnerud.
E em sérvio?
- Purovic.

blogoberto, chico-esperto

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O que os outros disseram (XLII)

“Para acabar de vez com a sua linda obra só falta a este Governo e a este ministro [Nunes Correia, Ministro do Ambiente] darem a machadada final que têm em estudo: transferir para as autarquias a faculdade de decidir a delimitação das Áreas de Reserva Agrícola e Ecológica. Seria como confiar a um assaltante de bancos a guarda das reservas de ouro do Banco de Portugal.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 23-2-2008)