Usem-na bem porque custou muito a ganhar.
tuguinho e Kroniketas, de cravo vermelho ao peito
Onde a realidade ultrapassa a ficção (mas se despista na curva seguinte)
Blog livre do Aborto Ortográfico
publicado por
Krónikas Tugas
@
23:50
|
Etiquetas: 25 de Abril
Na sua coluna do Expresso deste sábado, Miguel Sousa Tavares manifesta-se contra os habituais dislates de Alberto João Jardim, dizendo que faz parte do grupo, porventura escasso, dos que não acham Jardim “engraçadíssimo”. Eu também não acho, portanto também faço parte desse grupo.
É pena que MST não demonstre a mesma lucidez quando fala do seu querido FC Porto e do idolatrado Pinto da Costa. Neste país em que também a comunicação social é subserviente perante o poder (ou certos poderes), andamos há 30 anos não só a ler e ouvir alguns sabujos repetir até à náusea que Jardim é "engraçadíssimo", mas também que Pinto da Costa fala com "fina ironia", quando o que ele é, é um insolente e um boçal, um indivíduo sem respeito por nada nem ninguém, com insinuações miseráveis e execráveis que já o deviam ter levado à barra dos tribunais há muito tempo. É pena que MST não se disponha a repudiar as frases inqualificáveis que o “melhor presidente do mundo e arredores” vomitou nas últimas semanas, desde os vermes ao pó branco passando pela morgue. Um nojo acerca do qual MST não consegue opinar como homem íntegro e recto que julgo que ele seja.
Mas, como diz o tuguinho em relação ao MST quando toca ao FC Porto, “é o lado parvo dele...” E, por favor, não lhe falem de tabaco...
Kroniketas, sempre kontra as tretas
publicado por
Krónikas Tugas
@
12:24
|
Etiquetas: FC Porto, Jardim, MST, Pinto da Costa
publicado por
Krónikas Tugas
@
00:42
|
Etiquetas: Pinto da Costa
Benfica, 0 - Académica, 3
Em tempos não muito distantes, já teria havido um tumulto no estádio da Luz e um cerco ao presidente e aos jogadores. Por causa da saída de Mourinho invadiram a sala de imprensa. Agora parece que os benfiquistas estão anestesiados e resignados com a mediocridade crescente da equipa de futebol, que se afunda semana a semana perante os olhos de todos. É preciso um tratamento de choque a este clube, a começar pelas esferas superiores.
Sr. Presidente, faça um favor aos benfiquistas: DEMITA-SE!
Kroniketas, sempre kontra as tretas
O nosso amigo Palmer do Pó de Estrelas, pediu-nos que avisássemos possíveis leitores do seu blog (NR: mas se são leitores do blog dele, que sentido faz este anúncio aqui?) de que vai começar a publicar em fascículos uma noveleta de FC chamada Impérios de Vento.
Pronto, já dissemos!
tuginho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Mensagem enviada ao comentador Rui Santos, que no passado Domingo se absteve de comentar:
"Desta vez não viu bem o que se passou...
…e por isso, e para que continue a acreditar que realmente vale a pena ouvi-lo, espero que volte a comentar o lance em que Mateus derruba primeiro Petit na área e, seguidamente, impede Leo de prosseguir pisando-lhe o pé direito. Quero acreditar que não viu bem as imagens da jogada – que foram aliás profusamente repetidas, e de vários ângulos, pela reportagem da SporTV, porque elas são totalmente elucidativas.
No lance da presumível mão, a bola muda de trajectória quando chega ao jogador axadrezado – e para que isso aconteça teve de lhe tocar! Ora no peito dele não tocou, o que me leva a concluir que foi com o braço, visto que a bola não se lhe aproximou de outras partes do corpo. Mas como não há imagens de outra câmara, não tenho 100% de certeza e até concedo o benefício da dúvida.
Ver futebol desapaixonadamente pode ser muito bom, mas para proteger os árbitros não se devem branquear os seus erros.
O Benfica podia e devia ter ganho sem precisar das consequências desses lances? Pois devia! Mas é no mínimo ardiloso que se elidam esses erros pelo demérito nas outras jogadas.
E para que não pense que sou só mais um adepto faccioso, digo-lhe que achei muito bem que o penalti contra o SLB fosse marcado, porque existiu! Vejo futebol apaixonadamente, mas tenho cérebro suficiente para saber que a classe dirigente do futebol (nos clubes, federação e liga) é do piorzinho que gerámos neste rectângulo mal plantado à beira-mar, e que há culpas distribuídas por muitas capelinhas e poucas virgens inocentes no meio. Mas aborrece-me muito ver a verdade desportiva distorcida, por muito mal que o futebol ande no país e no meu clube.
Obrigado"
tuguinho, cínico encarnado (de coração e de indignação!)
publicado por
Krónikas Tugas
@
00:14
|
Etiquetas: Futebol, Rui Santos, Televisão
“Jogámos numa toada lenta...”
“O nosso último reduto...”
“Claudicámos na parte final...”
“Os índices de motivação baixaram...”
(José Mota, treinador do Paços de Ferreira, após o jogo no Estádio da Luz)
Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos
Um dia destes, ao observar a indumentária acabada de entrar num café, enquanto tomava o pequeno-almoço, passou-me esta ideia pela cabeça: as mulheres vestem-se bem... para se despirem melhor.
Valter Rego, observador desassombrado
publicado por
Krónikas Tugas
@
23:57
|
Etiquetas: Blogoberto, Educação, Ensino, Humor
A caricata cena do telemóvel entre a professora e a aluna, para além de levantar mais uma vez a já velha questão do esvaziamento da autoridade dos professores, fruto dumas mentes iluminadas responsáveis pela instauração do eduques e do facilitismo para os alunos, aos quais caixa de diálogo vez mais é permitido e menos é exigido, levanta outras questões pertinentes como saber que raio de pais são estes que estão a criar filhos selvagens (além de burros e preguiçosos), que se permitem estar a usar o telemóvel na aula e ficam histéricos quando o professor lho retira.
A jovenzinha histérica que só queria o telemóvel de volta merecia era um par de lambadas bem aplicadas na fuça para ver se se acalmava. E como isso certamente acarretaria um processo disciplinar contra a professora (quiçá até a perda do posto de trabalho), a melhor solução, ao contrário do que sugere o tuguinho, teria sido levá-la para a casa de banho e, longe dos olhares alheios, aplicar-lhe dois valentes tabefes nas trombas e enfiar-lhe a porcaria do telemóvel pelas goelas. Ou então atirá-lo contra a parede até ficar feito em migalhas.
Desde que uns amigos me contaram que a mãe duma colega duma das filhas disse que a sua filhota não queria falar com a outra porque ela não usava telemóvel, fiquei esclarecido sobre o bando de idiotas em que muitos pais (eles próprios uns idiotas chapados) estão a transformar os filhos. Perdeu-se todo o senso do ridículo, parece que só interessa ter telemóveis último modelo e vestir roupa de marca. E depois se calhar são estes mesmos imbecis que vêm reclamar do governo.
Com governados assim, que governo se pode esperar?
Kroniketas, sempre kontra as tretas
Se todos os criminosos, no acto da captura, tivessem de pagar uma multa como os condutores que prevaricam, era ver a PSP e a GNR a correrem atrás deles, esquecendo as barrigas de cerveja e o reduzido treino de tiro!
A criminalidade reduzir-se-ia a valores residuais, não pela acção dos tribunais, mas por os meliantes se fartarem da caça à multa…
blogoberto, chico-esperto
publicado por
Krónikas Tugas
@
19:58
|
Etiquetas: Blogoberto, Crime, Policia
Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Assim, sem mais palavras, as palavras de Álvaro de Campos:
"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."
A já famosa cena da luta pelo telemóvel na sala merece-me uma rápida consideração: mais do que pedagogia, o que era mesmo bom era ter um especialista em artes marciais em cada sala!
Por exemplo, neste caso, um rápido pontapé na boca da aluna resolveria o caso e quaisquer reincidências nas semanas seguintes, por óbvia impossibilidade em falar…
P.S. – é claro que fizemos muita porcaria nos nossos tempos, a maioria brincadeiras de garotos que nunca magoaram ninguém, nunca a balda e o desrespeito dos dias de hoje!
tuguinho, cínico encartado

Quem se queixa das dificuldades da actualidade, provavelmente não conheceu ou já não se lembra como era noutros tempos, quando o problema, mais do que não poder, era não haver. Vem isto mais uma vez a propósito da diferença com que se encarava o valor de uma coisa que hoje está banalizada, mas que na época era considerada de forma muito diversa. Ou seja, tudo isto para dizer que cada disco comprado ou oferecido era um pequeno tesouro que se ouvia vezes sem conta.
Já aqui me referi à primeira peça da minha colecção. A que hoje é tema deste post foi a terceira. A que fica no meio das duas ainda será tema um dia destes, porque os primeiros ficam sempre na memória…
Mas falemos agora desta obra que, não sendo a primeira que conheci do grupo, foi das que mais me marcou. Trata-se de “Nursery Cryme” dos Genesis, terceiro álbum do grupo, depois da estreia com “From Genesis to Revelation” – um disco em que já se detectavam algumas pistas do som característico da banda, mas ainda demasiado ténues e mascaradas – e de “Trespass”, o primeiro com ideias já bem alinhadas e som definido.
“Nursery Cryme” é um conjunto de canções ligadas por um certo universo onírico, mais do que por uma história conceptual bem definida. Logo a abrir apresenta o maior hino do grupo, que é quase uma declaração de intenções do que fizeram nos álbuns posteriores, com a excepção de “The Lamb Lies Down on Broadway”. “The Musical Box” é assim um espelho do que se tornaria o tema-tipo do grupo, com andamentos rápidos conjugados com instantes mais suaves e lentos, com a tradicional união da guitarra eléctrica de Steve Hacket com as teclas de Tony Banks, e a voz de Peter Gabriel a criando ambientes por si só – e nesta canção a terminar com o grito “Why don’t you touch me?” repetido até à exaustão. Aliás, e apesar de todos os membros serem músicos de primeira água e comporem também, foi Peter Gabriel a verdadeira alma dos Genesis. Ao abandonar o grupo após o álbum “The Lamb Lies Down on Broadway”, foi apenas uma questão de tempo até seguirem por caminhos que nada tinham a ver com o tipo de rock progressivo que até aí tinham desenvolvido – e isto não obstante ser posterior à saída de Peter uma das melhores obras do grupo, “Trick of the Tail”, em que ainda se exploravam os ambientes sonoros e as letras surreais típicos dos Genesis.
Mas “Nursery Cryme” tem um lugar especial na minha memória, tanto pelo momento em que o recebi (trazido da Alemanha pelo meu primo mais velho), como pela força da música que contém. E o próprio objecto em si, pois o álbum tinha capa dupla e no interior uma série de desenhos alusivos às histórias contadas cercavam as letras das canções – pois, há coisas que se perderam com os CD’s…
Além do tema referido, mais seis canções compõem o disco: “For Absent Friends”, balada curta e quase acústica, mas deliciosa, acaba por servir como ligação entre os outros dois temas que compunham o lado um; “The Return of The Giant Hogweed” é outro dos hinos dos Genesis, com uma sonoridade que faz lembrar “The Knife”, do álbum “Trespass” – vê-se aqui um Gabriel nas suas sete quintas, soltando a voz sobre um ritmo muito marcado, ilustrando mais uma estranha história sobre exploradores e plantas maléficas trazidas dos confins do império (britânico, of course!).
O lado dois abria com uma canção que nos fala de marinheiros, “Seven Stones”, e que quase parece um prólogo a “Firth of Fifth”, que surgiria dois álbuns depois em “Selling England by the Pound”; segue-se uma espécie de brincadeira, tanto na letra como na melodia, fazendo lembrar um pouco o Vaudeville – “Harold the Barrel”; depois vem outra balada curta e deliciosa, “Harlequin”, cheia de harmonias vocais típicas de algumas das canções do grupo, e que cintila como as chamas de uma lareira nos nossos olhos; o álbum fecha com outro tema de fôlego, espécie de contraponto a “The Musical Box”, bastante teatral, centrada numa história da mitologia grega, grand finale de 7 minutos que nos leva ao encerrar do pano – “The Fountain of Salmacis”!
Convém aqui salientar que os Genesis foram sempre o meu grupo favorito até ao advento do punk e da new wave, no fim dos anos 70 – e que depois da poeira assentar e nos deixarmos de radicalismos estéticos, olhando com atenção o que tínhamos ouvido no passado (passe a confusão entre os dois sentidos), voltou a ser considerado no lugar que devia.
Este para mim será sempre das melhores músicas da minha vida…
Instados a comentar esta troca, ambos os presidentes responderam:
"Esperamos que com esta acção o Benfica passe a ganhar em casa e o Sporting fora, o que resolveria uma parte dos nossos problemas..."
Não conseguimos saber qual seria a outra parte.
Mateus Bichoso, repórter horroroso
publicado por
Krónikas Tugas
@
00:59
|
Etiquetas: Blogoberto, FC Porto, Futebol
Com a devida vénia, transcrevemos aqui o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso deste sábado, 8 de Março de 2008. Sem mais comentários.
“Setenta mil professores, segundo a Fenprof, estarão hoje nas ruas de Lisboa a manifestar-se. Querem a morte de todas as reformas ensaiadas nos últimos dois anos por Maria de Lurdes Rodrigues e, obviamente, querem também a cabeça de Maria de Lurdes Rodrigues. Desde que há Ministério, desde que há Educação, desde que há democracia, que não me lembro de a Fenprof e os sindicatos da Educação terem deixado de exigir a cabeça do ministro ou ministra em funções. Começou há muitos anos, quando Sottomayor Cardia se lembrou de fazer uma lei de gestão das escolas e Universidades em que (vejam lá a ironia e o escândalo) os conselhos directivos eram maioritariamente compostos por professores e não por funcionários e alunos. Na altura, gritou-se que o fascismo estava de volta e hoje quase que se grita o mesmo, porque a ministra se lembrou de propor a figura de um director para as escolas.
Julgou-se, a certa altura, que o problema poderia estar em os ministros da Educação serem homens, ditando ordens e instruções a um universo essencialmente feminino. Seguindo à letra o discurso feminista oficial de que as mulheres são melhores para a governação porque têm maior capacidade de diálogo, entendimento, etc., e tal, entrou-se na moda dos ministros mulheres, a ver se a coisa acalmava. Não acalmou: o problema não estava aí. E, a menos que se siga a sugestão ditada há dias ironicamente por Maria de Lurdes Rodrigues - experimentar uma loira burra - há que procurar as origens do confronto em outras razões.
Durante muitos anos, e para garantir uma paz podre no sector, todos os governos, incluindo os socialistas, renunciaram a tentar mudar o que quer que fosse. A política de educação estava entregue aos professores e as escolas aos sindicatos. O grosso dos ministros foi do PSD e os sindicatos estavam nas mãos da facção do PSD dirigida por Manuela Teixeira, e a do PCP e companheiros dirigida pelo crónico Paulo Sucena. Como nada de essencial no «statu quo» estava em causa, o confronto centrou-se na ineficácia funcional do Ministério. Anos a fio fomos confrontados com o espectáculo confrangedor de ver os dirigentes sindicais deleitados com as dificuldades e problemas crónicos da colocação de professores e os dramas reais dos professores “não efectivos” que viviam com a casa e a vida às costas, um ano no Algarve outro no Minho. Sem nenhum pudor, tornou-se claro que, quanto pior funcionasse o Ministério e mais problemas viessem para os professores desse mau funcionamento mais felizes andavam os sindicatos. Hoje, são ambos problemas resolvidos e cuja resolução ninguém se lembrou de enaltecer: os professores são colocados a tempo e horas e têm contratos que lhes garantem três anos de permanência no mesmo local.
Essa frente de luta sindical acabou, mas os trinta anos que ela durou deixaram marca. Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastámos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isso serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu, se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos ministros da Educação que tivemos - todos, sem excepção, incompetentes.
Nesta altura do campeonato já toda a gente percebeu que o problema não está em Maria de Lurdes Rodrigues, como também não estava no sacrificado ministro da Saúde Correia de Campos. O problema é mais fundo, mais antigo e mais complicado de enfrentar: Portugal é, de há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons. Acontece com os professores, com os médicos, com os magistrados, com os agentes culturais, com os empresários encostados ao Estado.
Certo que aquele labiríntico organigrama da avaliação dos professores parece, à primeira vista, uma obra-prima de burocracia. Certo que a ministra parece demasiado precipitada e intransigente, adepta de uma atitude de fazer primeiro e avaliar depois. Certo que, como tantas vezes sucede, ela parece ter perdido já a paciência para discutir o pormenor, se não lhe concederem o essencial. Mas, no essencial, ela tem razão e todos nós, que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.
Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora - vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada “independência”, que é causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos nada aprenderem e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as suas aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola, sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho - como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo ‘civil’, em qualquer empresa ou qualquer local de trabalho. É isto o essencial.
Infelizmente, Maria de Lurdes Rodrigues não tentou ou não conseguiu cativar para o seu lado e para as suas reformas os bons professores, que seriam os maiores interessados e beneficiários delas. Deixou que ficassem isolados e que, pouco a pouco, fossem arrastados pela onda de ‘bota-abaixo’ da Fenprof. Talvez seja este o destino inevitável de qualquer tentativa que se faça de quebrar o poder paralisante das corporações. Talvez haja sempre uma maioria de acomodados que vejam em qualquer mudança um sinal de perigo para a paz podre em que se habituaram a viver. Estas coisas vêm de longe e estão entranhadas: no tempo de Salazar, o grande sonho do português era arranjar emprego para a vida no Estado - o ordenado era garantido assim como a progressão por antiguidade e a reforma ao fim de 36 anos; não lhe era exigido nem mérito nem resultados e jamais seria despedido, a menos que ousasse contestar o Governo. Com a democracia, se a fé no Estado e no emprego público se mantiveram, a única coisa que mudou é que as corporações do sector público já podem contestar os governos. Mais: fazem-no sempre que acham que os governos pretendem mudar o Estado, de que eles se julgam os guardiões.
E é por isso mesmo que a queda de Maria de Lurdes Rodrigues teria o efeito de um toque a finados por qualquer futura tentativa de reformar o Estado e mudar o país.”
Como é que se diz “merda” em sueco?
- Farnerud.
E em sérvio?
- Purovic.
blogoberto, chico-esperto
publicado por
Krónikas Tugas
@
00:14
|
Etiquetas: Blogoberto, Futebol, Sporting
“Para acabar de vez com a sua linda obra só falta a este Governo e a este ministro [Nunes Correia, Ministro do Ambiente] darem a machadada final que têm em estudo: transferir para as autarquias a faculdade de decidir a delimitação das Áreas de Reserva Agrícola e Ecológica. Seria como confiar a um assaltante de bancos a guarda das reservas de ouro do Banco de Portugal.”
(Miguel Sousa Tavares, “Expresso”, 23-2-2008)
“A lei do tabaco está a alterar profundamente as relações sociais da população portuguesa. Agora, os melhores amigos dos fumadores são os arrumadores, pedintes, Testemunhas de Jeová, mendigos, toxicodependentes, dementes, vendedores de lotarias e prostitutas. É tudo malta que passa imenso tempo à porta dos prédios.”
Citado com a devida vénia do Biscoito interrompido.
blogoberto, chico-esperto
Eu não perco um artigo do Miguel Sousa Tavares desde há muitos anos, no Público, no Expresso e na Bola, assim como não perco as suas opiniões às 3ªs na TVI. Mas a sua insistência na lei do tabaco, nos artigos que escreve no Expresso, já começa a cansar. Ao contrário do que afirma na edição do último sábado, os fumadores perderam a batalha e perderam-na em toda a linha. Ao contrário do que se apregoa por aí, os restaurantes, bares e cafés continuam cheios, os centros comerciais idem. Ainda na passada semana estive em Portalegre em 3 bares diferentes e o único que era de não fumadores estava tão cheio que não se podia lá entrar, havendo mais do dobro das pessoas na rua, enquanto os dois de fumadores estavam menos de meios. E a diferença do que se respira agora é abismal: finalmente pode-se entrar em qualquer sítio sem ficar a tresandar a tabaco em dois minutos.
Também as reacções quase histéricas nos debates da rádio e da televisão (onde uma professora fez uma triste e lamentável figura, cobrindo-se de ridículo) têm deixado clara a fraqueza dos argumentos dos fumadores inveterados e empedernidos, que apenas reclamam o seu direito continuado a poluir os seus pulmões e incomodar o próximo. A sua fúria pseudo-libertária resume-se sempre a um “eu hei-de fumar enquanto quiser e vou fumar até morrer e ninguém me pode obrigar a ser saudável”, porque não conseguem ir mais longe, tão fraca é a argumentação. Para além da própria imbecilidade do acto em si, maior estupidez é defender furiosamente a vontade de fumar “até à morte”. Claro que o direito dos não fumadores a não fumarem o fumo alheio continua a passar-lhes completamente ao lado, pois é um assunto para o qual se estão completamente nas tintas.
Pois é, só que agora vão fazê-lo sem incomodar o próximo, porque quem não é fumador tem muito mais direito a não levar com o fumo alheio, e isso é que eles nunca conseguirão entender.
Desistam, porque não há volta para trás. Esta lei só peca por tardia. E já agora, um conselho: aproveitem para deixar de fumar.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
publicado por
Krónikas Tugas
@
01:13
|
Etiquetas: Carnaval, Humor, Torcato e Marcelino
"Quando a moralidade é demasiada, o cínico desconfia..."
blogoberto, chico-esperto
publicado por
Krónikas Tugas
@
17:54
|
Etiquetas: Bancos, Blogoberto, Humor
“Não se faz um aeroporto para que seja fácil aterrar, faz-se um aeroporto para que contribua para o desenvolvimento do país e para a felicidade e bem-estar das pessoas.”
(Henrique Neto, dirigente do movimento pró-OTA, “Prós e contras”, RTP 1, 14-1-2008)
Claro, o que é bom é construir um aeroporto onde haja perigo de colidir com uma montanha e não haja hipóteses de expansão para satisfazer a felicidade e o bem-estar de alguns que querem um aeroporto no seu quintal. Que se lixem os pilotos e a segurança dos passageiros.
blogoberto, chico-esperto
publicado por
Krónikas Tugas
@
01:36
|
Etiquetas: Blogoberto, Citações, OTA
“Eu tenho a impressão que tudo o que disse até agora não serviu para nada. (...) Houve ataques aqui que foram feitos à dignidade das pessoas que conduziram o estudo. O único interesse que nos move é o serviço do país. Não há interesse diferente deste.
(...) As palavras que ouvi da sua boca ofenderam a equipa, ofenderam a instituição a que eu neste momento presido, porque o sr. Presidente da Câmara [das Caldas da Rainha] acabou de referir que pede para fazer um parecer e as pessoas fazem-lhe um parecer. Pode ser que no ponto de vista jurídico isso seja verdade. Na engenharia quem faz isso não é digno da profissão que exerce.”
(Carlos Matias Ramos, presidente do LNEC, “Prós e contras”, RTP 1, 14-1-2008)
tuguinho, cínico encartado
Kroniketas, sempre kontra as tretas
blogoberto, chico-esperto
Valter Rego, observador desassombrado
Mónica Galho, cronista da soçáite
Mateus Bichoso, repórter horroroso
Eládio Cardíaco, bd-maníaco
Ângelo Prepúcio, detective lúcido
Rogério Profundo, cidadão do mundo
Gabriel Alves dos Santos, tanto comenta livres como cantos
Demérito Matos, sábio com eles
Idálio Saroto, provedor do blog