“Quando é que descobriu o humôde?”
“O que é que diziam os colegas e professodes?”
(A insuportavelmente pedante Judite de Sousa na “Grande entrevista” com Ricardo Araújo Pereira, RTP1, 11-1-2007)
blogoberto, chico-esperto
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
O que os outros disseram (XXVIII)
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Krónikas Tugas
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
O aviltamento da língua portuguesa (VII)
Começamos o novo ano com mais duas pérolas retiradas da nossa querida televisão.
Num noticiário da RTP N, a locutora disse que “Luís Figo viu abortada a sua ida para a Arábia Saudita pois o Inter de Milão assegura a prolongação do seu contrato”! Ora prolongar dá origem a um... prolongamento!
Já esta noite, numa novela qualquer, uma protagonista saiu-se com esta: “Desculpa, Daniel, mas aí discordo contigo”. Pois. Ou se concorda com alguém, ou se discorda de alguém. Quando não se está de acordo COM, discorda-se DE.
Demérito Matos, sábio com eles
terça-feira, 21 de novembro de 2006
A ditadura

Pois. Estou limitado a um ghetto…
Os hip-hops, dos originais aos falsificados, a pop da treta que se alimenta de si própria e outros nefandos ritmos mais ou menos teen empurraram-me para um quase limbo. A verdade é que tenho acesso a 3-canais-3 de música popular e me vejo limitado a um espaçozito de meia-hora no VH1 (Flipside) e a alguns acessos de lucidez que por vezes acontecem no Music Non-Stop da MTV.
Eu sei que isto é tudo um negócio, mas mesmo no mais desconsiderado dos negócios pode haver lugar para o bom gosto. Eu sei que o pessoal gosta é da Shakira (não lhes levo a mal, também gosto… mas não estou a falar necessariamente da música), dos D’ZRT e de outros produtos fabricados para lhes agradar (amigo, se ficaste admirado por ver escrito “lhes agradar” em vez do macarrónico e cada vez mais (mal) utilizado “agradar a eles”, podes sair por essa porta à tua esquerda), mas que diabo, pelo menos uma horita de boa música por dia não ia fazer mal a ninguém!
tuguinho, cínico melodioso
terça-feira, 7 de novembro de 2006
O pior português de sempre
Paralelamente à iniciativa da RTP para a eleição do melhor português de sempre (falaremos dela um dia destes), o programa “O eixo do mal”, da Sic Notícias, em conjunto com o “Inimigo público”, do jornal Público, avançaram para a eleição do... pior português de sempre.
No blog do programa estão as sugestões que os espectadores vão enviando para lá através de correio electrónico, e as Krónikas Tugas associam-se à iniciativa e deixam aqui uma lista de 3 nomeados:
- Em primeiríssimo lugar, o inefável Salazar, essa figura sinistra que nos assombra até hoje. Quase 30 anos depois de morto, ainda há quem chame por ele e tenha saudades. É o exemplo acabado do português pequenino, mesquinho, tacanho, medíocre, ignorante, e que se sente bem assim. Foi ele que inculcou na mentalidade dos portugueses o triste orgulho do “pobrezinho mas honrado”, que é responsável por meio século de atraso cultural, social, industrial e económico.
- Pinto da Costa, porque representa o malfeitor em cima dum pedestal, com pose de intocável e acima da lei. Uma verdadeira encarnação do "padrinho", com os seus capangas e homens de mão, sempre a disparar sobre inimigos reais ou imaginários, insolente até ao insulto com ares de "fina ironia", capaz de atirar a pedra e esconder a mão e depois fazer um ar angelical e recitar José Régio. O pior retrato do mafioso saído de boas famílias e com ar respeitável, sempre acompanhado da sua guarda pretoriana à boa maneira dos famosos “cappos”.
- Alberto João Jardim, o retrato do burgesso, mal-educado, desbocado, o labrego de fato e gravata que nunca deixou de ser labrego, que não respeita ninguém e insulta todos, o exemplo acabado do portuguezinho rasca.
Venha o diabo e escolha.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
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Krónikas Tugas
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quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Insinuação ou conhecimento de causa?
As afirmações do treinador Fernando Santos por causa da expulsão do jogador Miccoli no último domingo deixaram o comentador José Guilherme Aguiar (“O dia seguinte”, na SIC Notícias) irritado, fazendo-o perder o verniz e o seu habitual “low profile”. Guilherme Aguiar, conhecido portista, indignou-se com aquilo que considerou “insinuações” do treinador do Benfica acerca dum clube (FC Porto) onde prestou serviços remunerados.
Eu sei onde lhe dói: é que o Fernando Santos esteve lá 3 anos, portanto sabe bem do que a casa gasta. Isso é que custa.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 3 de setembro de 2006
Até à náusea!

Já não suporto ouvir a toda a hora e em todo o lugar a canção da Shakira em que ela se farta de abanar as ancas. A rapariga até não canta mal e tem algumas canções animadas, mas também não passa muito disso. O que não se aguenta é estar a levar sempre com a mesma, que por acaso até não tem piada nenhuma. Não há posto de rádio onde não se leve com a maldita canção. No canal de televisão MCM, em qualquer dia e a qualquer hora lá aparece o vídeo da canção. De manhã, de tarde e de noite.
Até numa estação de serviço da auto-estrada A2, às 2 da manhã, onde entrei para comprar uma garrafa de água, lá estava a dar a maldita canção das ancas. Como se não bastasse, entra-se numa loja de artigos de casa de banho a meio da tarde, e na instalação sonora o que é que passa? A Shakira e o malfadado “My hips don’t lie”.
Arre! Já não há pachorra! Será que os idiotas dos radialistas não sabem pôr mais nada?
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 20 de agosto de 2006
Silly Season 2 - O banho de multidão

Jornalista da RTP que fazia o relato do jogo da supertaça entre F.C.P e Vitória de Setúbal, quando do segundo golo do Porto:
"Anderson comemorou primeiro com um samba, depois com um banho de multidão, ou seja, com os 11 companheiros, ou melhor, com os 10 porque Helton ficou na baliza!"
Uff! Quase pensei que o Porto estivesse a jogar com 13, mas afinal não - eram só 12!
tuguinho, cínico a rebolar no chão de tanto rir
terça-feira, 8 de agosto de 2006
A queda (II)
Continuando na senda da queda da língua portuguesa, esta noite assisti a mais duas preciosidades linguísticas na nossa querida televisão.
Durante a transmissão do jogo Áustria-Benfica, o locutor fartou-se de dizer que os “correctores” de apostas davam não sei quantas vezes o dinheiro investido no resultado do jogo. Fiquei a pensar para mim: os correctores de apostas serão uns tipos que corrigem as apostas que os outros fizeram? É que eu já conhecia os correctores ortográficos. Quanto aos das apostas e da bolsa, conhecia-os como “corretores”, mas pelos vistos agora foram promovidos.
Terminado o jogo, fiz uma passagem por alguns canais e na SIC Mulher apanhei um filme em que uma juíza dizia algo que a legendagem apresentou como “interveniu”. Está bem que a língua evolui, mas por agora parece-me que “interveio” era bem capaz de servir para a frase em causa. Aliás, era bom que usassem um dicionário quando fazem estas coisas. É que o verbo “intervir” é dos mais mal tratados entre nós. Desde o “interviu” que se ouve a torto e a direito, já evoluímos para o “interveniu”.
Bom, isto é capaz é de ser do sol que apanhei na cabeça. Desculpem, mas vou ali dar mais um mergulho na Praia da Rocha, que a água está a 22 ºC.
Kroniketas, veraneante com ligação Wi-Fi
sábado, 1 de julho de 2006
O massacre continua
Depois do post sobre o massacre televisivo e as imbecilidades com que somos brindados nas reportagens de rua, cá e lá, a coisa agravou-se. Antes do Portugal-Holanda perguntava-se aos emigrantes qual ia ser o resultado e quem marcava os golos, que é das perguntas mais estúpidas e idiotas que se podem fazer a alguém. Só faltou perguntar se os golos eram marcados com o pé ou com a cabeça, de canto, livre, penalty ou bola corrida, e a que minutos!
Agora inovaram com outra. Foram ao Porto perguntar a uns tipos com ar de embriagados que nomes é que punham naquelas placas enormes com os nomes das caves de vinho do Porto. E então os inteligentes substituíam o Offley, o Ferreira, o Graham’s, o Delaforce, por Maniche, Deco, Vítor Baía ou Ricardo Carvalho.
Mas esta gente não tem a noção do ridículo? Nem uns nem outros! Isto faz-me lembrar uma frase que em tempos li num jornal atribuída não sei a quem, que dizia qualquer coisa parecida com isto: que as entrevistas com os artistas de rock eram feitas por pessoas que não sabem escrever, com pessoas que não sabem falar, para pessoas que não sabem ler.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 25 de junho de 2006
Massacre televisivo
Têm sido tempos difíceis, estes do campeonato do mundo de futebol, em termos de visionamento televisivo. Quando não posso ver os jogos tento ver os resumos e, de preferência, os golos na primeira oportunidade. E aí começa o drama.
Somos assim obrigados a engolir meias-horas de comentários até conseguirmos ver as imagens que nos faltam. Pelo meio, na Sporttv, televisão oficial da prova para Portugal, vão passando, em cima das imagens dos jogos, duas linhas de rodapé, uma com os habituais SMS de conteúdos absolutamente indigentes, e como se não bastasse por cima dessa passa outra linha em que se explica como mandar as aberrantes mensagens para lá. Dizem que Portugal vai ser campeão do mundo, que somos os maiores, que o Figo assim e o Deco assado, que Portugal e Brasil na final era lindo... A estupidez destas mensagens é de tal modo reveladora da ignorância dos seus autores, que quem o escreve nem se deu ao trabalho de tentar perceber que Portugal e Brasil não se poderão encontrar na final devido aos emparelhamentos nas eliminatórias: se se encontrarem será nas meias-finais. Como se não bastasse, os repórteres, fazendo gala do seu profissionalismo de pacotilha, fazem esse mesmo tipo de perguntas aos adeptos: logo no princípio do campeonato alguém perguntava a um inglês se gostava de encontrar Portugal na final. Lá está: Portugal e Inglaterra podem encontrar-se, se passarem ambos este domingo, mas é já no próximo jogo, nos quartos-de-final.
Na televisão oficial do Estado, por sua vez, somos brindados com um estúdio montado algures num local de emigrantes, com os comentadores estrategicamente colocados à frente dum conjunto de espectadores que, à boa maneira tuga, se afadigam durante aqueles escassos minutos em que a câmara foca quem está à frente deles para tentar aparecer na imagem de todos os ângulos possíveis e fazer adeus sabe-se lá para quem. Entretanto vão-se mirando num monitor algures no estúdio para se tentarem posicionar no melhor enquadramento e fazer aquele sorriso alarve dos basbaques tipo-emplastro. E o espectador tem que levar com isto enquanto desespera por três minutos que mostrem o resumo do malfadado jogo que não viu.
Tudo isto é entrecortado com aquelas reportagens com os emigrantes na rua ou nos cafés, que nos mostram o Portugal pequenino de outrora e grandes tiradas acerca do que Portugal vai fazer no Mundial. No meio da saloiice só falta aparecer o garrafão de tinto a martelo, a melancia e a sandes de coirato para o quadro ser completo.
Entretanto, nas reportagens de rádio é a mesma coisa. Para se saber duas ou três notícias levamos com 10 minutos de reportagens vazias de interesse e de conteúdo feitas na rua. E, a cereja no topo do bolo, ainda lhe acrescentam o massacre duns pseudo-hinos futebolísticos absolutamente anedóticos que, além de não dizerem nada, ainda cederam a essa caricatura sonora a que alguém quer chamar música que é o “rap”, que me deixam a pensar por que raio é que até a selecção tem que ser brindada com umas frases idiotas duns tipos que de música só devem ter ouvido falar em sonhos?
Muito sofre um adepto que só quer ver a bola...
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 21 de maio de 2006
O treinador do Benfica

Depois do alarido feito na 6ª feira com o nome de Carlos Queirós, de que todos os outros órgãos da comunicação social fizeram eco, que credibilidade merece a Sic Notícias agora que o Benfica apresentou Fernando Santos como novo treinador? Isto não lhes causa nenhum embaraço, nenhuma vergonha?
Que credibilidade merece um canal que anuncia um treinador que poucas horas depois é desmentido por todas as partes interessadas, e passado um dia é apresentado outro nome? Isto não mereceria um pedido de desculpas público perante os espectadores? Perante todos os outros órgãos que fizeram notícia de abertura dos seus noticiários a partir duma notícia falsa? Não se deviam retractar? Não deveria haver uma intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação Social, perante uma tal falta de verdade e seriedade? O que interessa aqui é apenas fazer manchete para chamar as atenções sobre si?
Deviam ter vergonha. A partir daqui vou desconfiar de tudo o que a Sic Notícias disser, porque já se percebeu que o rigor das notícias anunciadas, bem como o respeito pelos telespectadores (o que aliás é apanágio da estação), são nulos. Como é nulo o meu respeito por esta televisão.
Os espectadores deveriam ter o direito de processar um canal que emite notícias falsas.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
PS: apesar de não ser o treinador da minha preferência nem me dar grande satisfação a sua entrada, só lhe posso desejar sucesso no clube; que seja feliz e nos faça felizes a todos.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Desligai, pecadores!
Só nos faltava esta. Fazendo jus à sua conhecida aversão ao progresso e à modernidade, um representante da igreja católica resolveu criar uma nova categoria de pecados: televisão, Internet e jornais em excesso.
Claro que já estou a ver os católicos mais empedernidos a desligarem os computadores, a deitarem os jornais para o lixo e a desistir dos canais por cabo. Claro que o acesso è informação é perigoso porque abre o espírito às pessoas e elas podem começar a pôr em causa os dogmas que lhes instilaram. Tal como durante a longa noite salazarista, o que convém à igreja é manter as pessoas na ignorância e no medo de que tudo o que façam possa fechar-lhes as portas do céu. E como a doutrina da igreja católica é baseada num Deus que não é protector mas antes castigador, há que incutir o medo do pecado para continuar a ter na mão os beatos e os pobres de espírito que acreditam em todas as patranhas que ouvem na igreja.
Só assim a igreja católica poderá continuar a fazer valer o seu poder, alimentando-se da ignorância dos seus fiéis. Para tal há que criar novas categorias de pecados, porque os tradicionais parece que já não chegam. Afinal, há cada vez mais divórcios e casos de adultério, o que quer dizer que o princípio afirmado na igreja do “até que a morte nos separe” está esgotado.
Portanto, façam favor: os católicos apostólicos romanos que estão a ler isto façam favor de benzer-se imediatamente, ir rezar 2 pais-nossos e 3 ave-marias e amanhã ir confessar-se ao padre. Nós, por aqui, vamos continuar a pecar muitas horas na Internet, na tv e nos jornais.
Felizmente não sou católico…
Kroniketas, ateu convicto
quinta-feira, 30 de março de 2006
Golos a dobrar
Depois do intenso jogo Benfica-Barcelona (quando cheguei a casa ainda estava cansado depois daquela segunda parte sempre em alta voltagem), ouvidas várias análises na rádio e na televisão, esta 4ª feira dei uma espreitadela no jornal “O Jogo”. Na página 3 é feita a apreciação geral ao resultado do jogo e às perspectivas para a segunda mão, e no último parágrafo surge uma preciosidade que já há algum tempo não encontrava, mas que continua a ser dita com a maior desfaçatez nos órgãos de comunicação social:
“O Barça terá de atacar para seguir em frente, mas não poderá sofrer golos que valerão, em caso de empate, por dois”.
Há mais de 30 anos que ando a ouvir este disparate. Sempre me tenho perguntado onde é que estes jornalistas inventaram esta. Golos a valer a dobrar? A que propósito? Só se quem os vê estiver bêbado!
Não há golos a valer a dobrar, o que há é um factor de desempate introduzido pela UEFA nos anos 70 para evitar a necessidade de realizar jogos suplementares em situações de igualdade no fim dos dois jogos das eliminatórias. Actualmente esse sistema vigora em todas as competições mundiais, e foi uma forma de premiar as equipas que, jogando fora, marcassem mais golos do que aqueles que sofriam em casa, de modo a dissuadir as equipas visitantes de jogar apenas à defesa.
Assim, quando houver igualdade em golos após dois jogos, quem marcar mais golos no terreno do adversário ganha. Tão simples como isto. 0-0 e 1-1, 1-1 e 2-2, 1-0 e 1-2, 1-2 e 3-2, 2-0 e 1-3, são tudo exemplos de situações de igualdade em que o maior número de golos marcados fora dá a vitória a uma das equipas. Daqui a dizer-se que os golos fora valem a dobrar vai uma distância enorme. É uma rematada estupidez, porque se assim fosse quem perdesse por 3-2 acabaria por ganhar por 4-3, e isso não existe. No caso concreto do Benfica-Barcelona, se houvesse golos a dobrar até poderíamos perder em Barcelona por 2-1, porque o “golo a dobrar” fazia 2-2, ou se empatarmos 1-1 ganhamos por 2-1. A estupidez desta expressão é tal que há alguns anos o Boavista perdeu por 2-1 fora e até havia quem pensasse que, por causa do famigerado “golo a dobrar” marcado fora de casa, bastava ao Boavista empatar o 2º jogo para seguir em frente. Santa estupidez!
Portanto vamos ver se nos entendemos: não há golos a dobrar, o que há é marcar mais golos fora de casa do que o adversário na nossa casa. E ponto final. Daí resulta a vantagem que o Benfica pode tirar deste 0-0. Como não sofremos golos em casa, qualquer golo marcado fora dá-nos logo vantagem porque obriga o Barcelona a marcar mais um. Ou seja, o Benfica pode empatar para seguir em frente (1-1, 2-2), enquanto o Barcelona, como não marcou nenhum golo fora, tem mesmo que ganhar. Já o mesmo se tinha verificado com o Liverpool e foi um aspecto fundamental para o sucesso do Benfica. Assim se justifica a preocupação de Koeman em não sofrer golos em casa.
É pena que alguns jornalistas sejam tão pouco rigorosos no que dizem e escrevem, muitas vezes desinformando em vez de informar.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
domingo, 19 de fevereiro de 2006
Quem disse que vivemos num estado laico?
Hoje tentei ver notícias e nos três canais em sinal aberto só vi uma trasladação.
Haja paciência!
tuguinho, ateu com dúvidas
sábado, 21 de janeiro de 2006
Só conhecia a anedota
Peça na RTP1, Primeiro Jornal, num dia desta semana: apesar do frio árctico que se abatera sobre a Rússia, um grupo de devotos mergulhou em águas geladas para comemorar o baptismo dos primeiros russos cristianizados, realizado em 980 antes de Cristo. Ahn? Como disse? Repita lá!
Pois, eu só conhecia a anedota…
tuguinho, cínico antes e depois de Cristo
quinta-feira, 13 de maio de 2004
Avés do Povo (periódico anual a 13 de Maio)
Ouvi agora na tv a notícia de que os republicanos espanhóis não vão assistir ao casamento do príncipe com a jornalista Letizia Ortiz. Outros dizem que a noiva deveria ser de sangue azul.
Perante questões tão prementes, pergunto eu: who cares?
Enquanto isso, a televisão pública transmite a peregrinação dos beatos (há quem lhes chame fiéis) a Fátima. E no que é que isso contribui para a minha felicidade? Mas será que aquela gente acredita mesmo naquela treta da virgem Maria e dos pastorinhos?
blogoberto, chico-esperto
terça-feira, 4 de maio de 2004
Ladrando à Lua (14) - Ponha…ponha…ponha…
Arranjam-se 3 ou 4 pretensos especialistas, muito directos, muito pós-modernos e cheios de certezas absolutas elucubradas em 5 segundos. Juntam-se candidatos à humilhação bem frescos e ingénuos, mistura-se com 2 apresentadores com à vontade e uma montagem modernaça e serve-se em doses limitadas durante várias semanas numa estação de televisão, para fazer render o peixe. Esta descrição lembra-vos alguma coisa?
Pois é, não é necessário ser espectador assíduo, basta estar a fazer zapping e dar de chofre com estes abastardamentos do que devia ser um programa de entretenimento. Dos Big Brothers de má memória ao Masterplan que gerou um ícone pimba de nome Gisela, dos Sobreviventes da treta ao Ponha… ponha… ponha… que quase deu mau nome às iguanas, existe uma coisa em comum a todos estes programas: a devassa da intimidade dos participantes de um ou outro modo – pela exploração das fobias de cada um, pelo abastardamento das relações entre pessoas, pela humilhação do que devia ser íntimo e não exposto a um universo de voyeurs javardos(as).
A SIC descobriu (comprou!) agora uma nova fórmula que resultou: a humilhação mascarada de procura de novos talentos. Foi o que aconteceu em parte no Ídolos e está a acontecer no Sonho de Mulher, até porque o tema – a beleza – se presta mais a isso.
É notório que uma boa parte das candidatas a este concurso, que desembocará na eleição de Miss Portugal, foram iludidas pelo amor-próprio, pelos namorados à procura de mais extensos favores, ou pela simples e santa ingenuidade daquelas idades mais tenras (sem bocas, por favor, que isto é sério!). Isso sempre aconteceu e sempre acontecerá. Mas, no passado, a destruição de semelhantes ilusões passava-se à porta fechada e não perante a multidão de telespectadores ávida do sofrimento dos outros. Sim, muitas eram feias, mas era preciso dizer-lhes daquela maneira? As coisas só se passam assim porque, mais do que a eleição da Miss, o que se procura mostrar no programa é a amargura das rejeitadas, a revolta das eliminadas, a vergonha, o choro, mais ainda do que a alegria das escolhidas que tem muito menor impacto para o teleconsumidor deste lixo emocional. Ou seja, o objectivo deste programa não é eleger a Miss Portugal, é mostrar o processo de eleição! E quanto mais sangue e humilhação houver, melhor! Pão e circo, lembram-se? Resulta há mais de dois mil anos…
Deixem-me então ser mauzinho e, por breves instantes, travestir-me de júri e dissertar sobre as quatro peças que agora nos é dado ver e apreciar:
Ana Borges – a ex-manequim habituada a lidar com carne, cheia de certezas e certamente a pensar que o mundo gira em volta dela.
Xana Guerra – quando diz que não gosta da roupa, ou do rosto, ou do corpo das candidatas já olhou realmente para si? Já viu que parece uma lésbica bêbeda e com mau gosto, com roupa horrível e aspecto desleixado?
Manuel Serrão – um caso perdido da bimbice que existe em certas regiões. Se fosse presidente de câmara seria um émulo do cacique Torres, assim é apenas um parvalhão alegre, que mesmo com um Armani vestido continuará a parecer um aprendiz de taberneiro.
Vítor Nobre – apesar de ser o menos acintoso dos quatro, não deixa de ser afirmativo demais e aquele ar e modos de pederasta que está bem na vida acabam por traí-lo.
Pronto, já estou mais aliviado. Não gostaram, pois não? Fiz juízos apressados, foi isso? Fui injusto? E olhem que tive bastante mais do que uns segundos para os analisar e depois opinar!
É preciso também dizer que há muito tempo que este tipo de concursos deixaram de ser de beleza e passaram a ser de modelos – mais que a Miss Portugal, elege-se a Manequim Portugal! É por isso que o júri, independentemente do processo utilizado, julga as candidatas usando o estereótipo da mulher cabide (óptima para passar roupa) e não os parâmetros de beleza de gente normal. Sim, porque não aceito que uma modelo anoréctica possa ser o ideal de beleza de alguém.
É mesmo preciso telelixo para se atraírem audiências? Ou é apenas mais fácil e mais barato? Por outras palavras, será que uma televisão comercial não pode ter qualidade para ter sucesso? O sucesso será inimigo da qualidade? Recuso-me a acreditar que seja assim.
tuguinho, cínico encartado e heterossexual inveterado
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Com espírito pouco natalício
Estamos naquilo a que se poderia chamar uma “silly season”. Nesta época torna-se obrigatório ser solidário e bonzinho, mesmo que se passe o ano a sacanear o próximo. Dá-se presentes a torto e a direito, fazem-se almoços e jantares de empresas, onde se juntam em ambiente festivo pessoas que se calhar se detestam o resto do ano, somos bombardeados com possíveis ofertas para os pais, filhos, namorados/as, todo o tipo de bebidas e comidas adequadas à época, no dia 25 lá vão passar na televisão 50 reportagens, sempre iguais ano após ano, sobre as ementas de Natal com o famigerado bacalhau com couves (mas há tantas maneiras bem melhores de comer bacalhau, por que raio é que há-de ser com couves?). E, claro, vai passar pela 35ª vez o “Sozinho em casa” na SIC.
Passam-se dias numa azáfama absurda para comprar presentes, o que provoca filas intermináveis nos centros comerciais e no trânsito. E se todos ficassem sossegadinhos em casa e dessem só prendas aos filhos, como se fazia antes? Não havia “playstations”, nem catálogos do Continente onde os petizes escolhem e pedem os brinquedos que querem. Antes pedia-se ao Pai Natal e podia ser que se tivesse sorte. Segundo estudos recentemente divulgados, parece que há quem chegue a gastar 500 euros (sim, são 100 contos!!!) em presentes para os filhos. Mas está tudo doido? É assim que querem formar pessoas responsáveis? Caiu-se definitivamente na febre consumista sem qualquer critério, e sem mostrar às criancinhas que os presentes custam dinheiro e o dinheiro tem que ser ganho com esforço? Para alguns, pelo menos...
Mas o mais irritante nisto tudo são os detestáveis símbolos que começam a aparecer por todo o lado. Para além das inócuas iluminações de rua, que dão outra alegria (e se assim é, porque é que não ficam todo o ano? Só nesta época é que se pode gastar dinheiro em iluminações?), surgem uns ridículos barretes de Pai Natal nos logótipos das televisões, mas o pior de tudo é nas estações de rádio, aqueles separadores que vão passando entre as notícias, os anúncios e os sinais horários. Aquela música de 10 segundos que nos habituamos a ouvir ao longo do ano, sempre igual, e que se torna a imagem de marca da estação, passa a estar acompanhada com um som de fundo de sinos a tocar ou guizos a fazer lembrar as renas do Pai Natal. E assim todas as músicas separadoras na rádio transformam-se, subitamente, em separadores natalícios. Como se isso lhes desse alguma mais valia, as tornasse mais bonitas ou melhorasse a qualidade da estação.
Então e aqueles que não são religiosos? Porque é que hão-de levar com esta panóplia de lugares comuns e frases feitas, a propósito de factos em que não acreditam? Já para não falar nas costumeiras canções de Natal que ensinam às crianças, que continuam a falar na virgem Maria e no menino Jesus, e que os pobres inocentes repetem mecanicamente pensando que tudo aquilo é verdade. Mas já alguém pensou em explicar como é que uma virgem é mãe, ou uma mãe é virgem? A fraqueza do princípio é tanta que este se baseia, há 2000 anos, numa incongruência anatómica.
Kroniketas, sempre kontra as tretas
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