domingo, 30 de maio de 2010

O lado parvo de Miguel Sousa Tavares (2)

Começa a não haver paciência para as crónicas de Miguel Sousa Tavares no jornal “A Bola”. De facto, chega a parecer quase inverosímil como é que um homem com o prestígio que ele tem, um dos comentadores e fazedores de opinião mais proeminentes do país, com lugar garantido como colunista nos jornais mais importantes (Público e Expresso), jornalista e escritor com vários livros publicados, consegue tornar-se tão primário, irracional e obtuso quando toca a futebol (à semelhança do que acontece quando o assunto é tabaco ou caça). Aí, perde a razão e a capacidade de análise e envereda pelo fundamentalismo mais primário que se possa imaginar, conseguindo ver o que não existiu e não vendo o que realmente aconteceu em campo. Aliás, estas crónicas n’A Bola têm sido um manancial para a paródia por parte de Ricardo Araújo Pereira, que anda há meses a compilar todos os dislates dos anti-benfiquistas para depois desmontar com grande eloquência todo o argumentário mais delirante.

Nas últimas jornadas do campeonato, perante a inevitabilidade que se anunciava de o Benfica ser campeão e perante a luta entre Cardozo (SLB) e Falcão (FCP) pelo troféu de melhor goleador do campeonato, MST entreteve-se a descobrir irregularidades nos golos marcados pelo Benfica que só existiram na sua imaginação.

Primeiro foi no jogo na Madeira perante o Nacional (0-1, golo de Cardozo), onde MST descobriu um fora-de-jogo no golo da vitória que, para além dele, só o esclerótico Pôncio Monteiro vislumbrou (dessa anémona falarei em próxima ocasião). As imagens televisivas mostraram bem que o golo foi limpo.

Depois foi no jogo com o Olhanense (5-0, três golos de Cardozo), onde MST mais uma vez vislumbrou um golo de Cardozo em fora-de-jogo que voltou a não existir. Acresce ainda que, no primeiro golo de Cardozo, marcado de penalty por mão de um defesa do Olhanense na grande área, MST conseguiu descobrir que o penalty foi mal marcado quando o defesa tinha os braços abertos, mas já considerou irregular uma hipotética mão de Aimar no 5º golo, em que beneficiou de um ressalto quando a bola foi chutada contra si a um metro de distância e ele tinha os braços encolhidos junto ao peito. Ou seja, na sua análise “sui generis” MST considera irregular uma jogada em que a bola é chutada à queima-roupa contra um jogador que não pode evitar o contacto, mas acha regular uma jogada em que a bola é interceptada pela mão de um jogador que tem os braços abertos…

Finalmente, no jogo da última jornada com o Rio Ave (2-1, dois golos de Cardozo), que foi o da consagração do Benfica como campeão, MST ainda foi mais longe no seu delírio analítico anti-Benfica. Começou a sua crónica com a afirmação espantosa de que Falcão foi o melhor marcador do campeonato mas que lhe roubaram esse troféu! Depois foi desenvolvendo uma narrativa quase digna de Agatha Christie, tão misteriosos são os acontecimentos relatados. Nem Hercule Poirot conseguiria decifrar esta intrincada trama.

Primeiro, na jogada do 1º golo, começou por descobrir, mais uma vez, um fora-de-jogo de Saviola, que fez um primeiro remate que o guarda-redes repeliu para a frente, para mostrar que houve irregularidade. Contudo, esqueceu-se convenientemente duma coisa: a bola chegou aos pés de Saviola vinda dum defesa que tentou aliviar a bola para fora da grande área com o pé esquerdo mas fê-lo tão desastradamente que chutou contra si próprio e a bola ressaltou da sua perna direita na direcção oposta, para a sua própria baliza. Assim a posição de fora-de-jogo deixa de existir, porque a bola vem de um defesa adversário.

Em seguida, quando a bola ressalta do guarda-redes e é amortecida pela coxa de outro defesa, virado para a sua baliza, antes que este tivesse tempo para aliviar a bola Cardozo levantou a perna esquerda e chutou a bola para a baliza, marcando assim o 1º golo. Mais uma vez MST descobre um facto inexistente para provar a sua delirante tese de que Falcão foi privado do troféu de melhor marcador: é que, pelo seu ecrã azul, MST conseguiu ver que não foi Cardozo que marcou o golo, mas sim que este resultou dum pontapé que Cardozo deu na perna do defesa, fazendo este marcar um golo na própria baliza. Ou seja, para MST o golo é 3 vezes falso: porque foi precedido dum fora-de-jogo de Saviola, porque não foi marcado por Cardozo e porque este cometeu uma falta sobre o defesa que supostamente marcou o golo. Aqui chegado, fiquei a pensar se MST estaria lúcido ou a delirar! Chega a parecer que o cérebro lhe congela quando pensa no foculporto!

Perante tamanho arrazoado de disparates, só me resta deixar duas sugestões a MST: não uma vacina contra o anti-benfiquismo, porque essa doença não tem cura e afecta a grande maioria dos adversários do Benfica. Mas sugiro-lhe que, caso não o tenha, compre um gravador de DVD onde possa gravar as imagens dos jogos, passá-las ao ralenti, pará-las nos momentos críticos e ampliá-las para ver melhor; e que, caso também não o tenha, compre um livro com as regras do futebol para ver se consegue aprender o que é o fora-de-jogo e não vir para os jornais inventar irregularidades que não aconteceram, porque só lhe fica mal.

As melhoras, Miguel. Espero que continue a escrever com a qualidade e lucidez que é habitual noutras áreas.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

domingo, 23 de maio de 2010

Rock in Rio Lisboa 2010 - O regresso do Trovante



Fotos: os primeiros tempos do Trovante com uma formação que durou pouco, entre os álbuns “Baile no bosque” (1981) e “Cais das colinas” (1983): José Martins, Artur Costa, Fernando Júdice, Luís Represas, Manuel Faria, João Gil e João Nuno Represas. Falta o baterista José Salgueiro (2ª foto), que entrou depois da saída de João Nuno Represas.
3ª foto: capa do álbum "Terra firme" (1987), com a formação mais estável e que mais tempo se manteve: Manuel Faria, José Martins, João Gil, Fernando Júdice, Artur Costa, José Salgueiro e Luís Represas. José Martins esteve quase até ao fim mas já não participou no último álbum, "Um destes dias" (1990).


Podem chamar-me saudosista. O Trovante (como eles gostam de ser chamados, e não “os” Trovante) foi um dos grupos mais importantes da música portuguesa nas duas últimas décadas do século 20, com grande influência na chamada música popular (não confundir com música pimba, que não é popular mas popularucha). Ao mesmo nível de importância só coloco o Rui Veloso.
Fundados em 1976 por um grupo de amigos em Sagres (Artur Costa, João Gil, Manuel Faria e os irmãos João Nuno e Luís Represas), terminaram a carreira como grupo em 1991, só voltando a reunir-se em 1999 no Pavilhão Atlântico a convite do Presidente Jorge Sampaio. Nós estivemos lá e foi um momento único, com o pavilhão a abarrotar e o público a sair no fim do concerto entoando em coro o “Perdidamente”!
Agora, nos 25 anos do Rock in Rio, nova reunião para gáudio dos fãs, onde desta vez não estive com muita pena. Limitei-me a ver pela televisão alguns momentos musicais sublimes dos oito grandes músicos que, em diversos momentos de entradas e saídas, foram fazendo a história da banda:

1. Luís Represas – voz e bandolim
2. João Gil – guitarras e voz
3. Manuel Faria – piano e sintetizador
4. Artur Costa – flauta e saxofone
(o núcleo duro, que esteve no grupo do princípio ao fim)
5. João Nuno Represas – percussão
(os cinco fundadores)
6. Fernando Júdice – baixo
7. José Martins – bateria, percussão e sintetizadores
8. José Salgueiro – bateria e percussão

Para quem não conheceu, ou não se lembra, aqui fica o registo dos álbuns de originais editados:

1. Chão nosso – 1977 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
2. Em nome da vida – 1978 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
3. Baile no bosque – 1981 (músicos: 1, 2, 3, 4, 5)
4. Cais das colinas – 1983 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7)
5. 84 – 1984 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
6. Sepes – 1986 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
7. Terra firme – 1987 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8)
8. Um destes dias – 1990 (músicos: 1, 2, 3, 4, 6, 8)

No final da carreira, em 1991, foi editada a colectânea “Saudades do futuro - O melhor dos Trovante que reúne ” em duplo CD os grandes e mais emblemáticos temas da banda.
Após o final do grupo os seus elementos seguiram diversos caminhos, destacando-se a carreira a solo do cantor Luís Represas, que no entanto nunca mais conseguiu ter canções tão belas como no Trovante, porque o compositor da maioria dos temas era… João Gil, enquanto Represas era mais escritor de letras que de músicas.
João Gil, por sua vez, enveredou por diversos projectos em grupo como Moby Dick, Filarmónica Gil, Rio Grande (com Rui Veloso, Jorge Palma, Vitorino e Tim dos Xutos e pontapés), Cabeças no ar (os mesmos menos Vitorino) e aquele onde fez mais sucesso e onde finalmente sobressaiu o papel como compositor que no Trovante sempre passou despercebido: Ala dos Namorados, com o piansita Manuel Paulo e o cantor Nuno Guerreiro. Foram os tempos gloriosos da relação de Gil com Caratina Furtado, que fez a letra da famosa canção “Solta-se o beijo”, magistralmente interpretada por Sara Taveres em dueto com Nuno Guerreiro.
Fernando Júdice transitou para os Madredeus, de Teresa Salgueiro e Pedro Ayres Magalhães, com passagem também pelo grupo de guitarras Resistência, com Olavo Bilac, Miguel Ângelo, Tim e Pedro Ayres Magalhães.
Os restantes músicos dividiram-se por projectos diversos em colaboração e produção, como Manuel Faria, enquanto José Salgueiro fez uma incursão pelo jazz.

Na noite do Rock in Rio, tal como em 1999, voltaram a juntar-se os 8 músicos que nunca estiveram juntos no Trovante ao mesmo tempo, mais um grupo de metais com 4 elementos, para tocarem estes temas:

Xácara das bruxas dançando (álbum: 84)
Namoro II (álbum: Sepes)
Travessa do poço dos negros (álbum: 84)
Comboio (álbum: Cais da colinas)
Noite de verão (álbum: Terra firme)
Memórias de um beijo (álbum: Terra firme)
Um caso mais (álbum: Terra firme)
Perdidamente (álbum: Terra firme)
Balada das sete saias (álbum: Baile no bosque)
Fizeram os dias assim (álbum: Sepes)
Saudade (álbum: Cais das colinas)
125 azul (álbum: Terra firme)
Timor (álbum: Um destes dias)

Infelizmente desta vez não estive lá, mas se houver outra reunião daqui a 10 anos não vou faltar.

Kroniketas

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O ataque dos porcos - parte 4: os relatos do terror

F.C. Porto-Benfica: o filme de longas horas de tensão

Clássico foi marcado por apedrejamentos, cargas policiais e detenções

O jogo entre o F.C. Porto e o Benfica viveu de uma tensão enorme dentro e fora do relvado. Uma tensão alimentada numa rivalidade que conduziu, por exemplo, ao apedrejamento dos autocarros oficiais. O autocarro do Benfica foi apedrejado à chegada ao Dragão, o F.C. Porto diz que lhe aconteceu o mesmo em Granja.
Os apedrejamentos começaram, de resto, por ser negados pelas Relações Públicas da Polícia de Segurança Pública, mas acabaram depois por ser reconhecidos. O que levou João Gabriel, director de comunicação do Benfica, a criticar o Subcomissário Marco Almeida e a exigir responsabilização «pela infeliz declaração».
O autocarro do Benfica foi apedrejado já no acesso ao Dragão, acabando os ferimentos por atingir Aimar na cara e Kardec na mão. Não foi essa a razão, porém, que levou Jesus a deixar o argentino no banco, como admitiu. O F.C. Porto diz que um adepto do Benfica estilhaçou um vidro do autocarro oficial na zona da Granja.
Antes da chegada dos autocarros, já tinha havido incidentes na chegada dos adeptos do Benfica. As claques viajaram para o Porto de comboio e foram escoltadas pela polícia no trajecto a pé da Estação de Campanha para o Dragão. Os adeptos do F.C. Porto pensaram esperar por eles já muito perto do estádio.
Ora a presença de cerca de duas mil pessoas nas imediações do caminho levou as forças de segurança a disparar tiros de aviso e a distribuir bastonadas para limpar a zona. Houve pedras pelo ar e cabeças partidas. Um adepto foi detido, depois de tentar esconder-se no acesso às garagens, e ainda reagiu com agressões a um polícia.
Muitos petardos, bolas de golfe e até telemóveis no relvado
Durante o jogo manteve-se o clima de guerrilha: rebentaram petardos, foram lançados foguetes para o relvado (alguns rebentaram muito perto de Quim), atirou-se com tudo para o terreno de jogo, isqueiros, bolas de golfe, até telemóveis. Luisão reagiu e lançou um isqueiro contra os adeptos portistas: arrisca-se a um castigo por isso.
Também a claque do Benfica, aliás, lançou foguetes e petardos. Um deles foi dirigido para a bancada de adeptos portistas logo ao lado, o que provocou a raiva de quem lá estava. Algumas dezenas de pessoas, que não estavam ali para morrer, abandonaram o estádio logo que o petardo rebentou naquela zona.
Antes disso já tinha havido uma carga policial sobre os adeptos encarnados, o que levou um deles a ser retirado da zona pelos bombeiros. O clássico teve ainda agressões a um carro da comunicação social e a um jornalista na bancada de imprensa, prontamente sanada com a retira do responsável da bancada.
Refira-se, por fim, que o autocarro do Benfica abandonou o Estádio do Dragão cerca de hora e meia após o final da partida. No exterior do recinto havia nessa altura bem menos adeptos. Escoltadas pelas forças de segurança, a comitiva encarnada seguiu para o aeroporto, de onde apanhou um avião para Lisboa.

(Mais futebol)

Jorge Jesus desentende-se com funcionário do F.C. Porto

Treinador do Benfica chegou à sala de imprensa acompanhado pela polícia

A saída de Jorge Jesus da sala de imprensa do Dragão foi atribulada. Tudo começou com palavras de desafio à passagem do técnico: «toma», «embrulha» e «vão lá para Lisboa», ouviu-se da parte de um funcionário do F.C. Porto. Jorge Jesus já tinha passado a porta de saída, quando deu dois passos atrás.
Foi então que agarrou o funcionário pelo braço com agressividade: «Por que é você está aqui a provocar as pessoas?», questionou. O desentendimento durou apenas alguns segundos, o tempo necessário para o director de comunicação João Gabriel puxar o treinador para longe daquela zona.
Refira-se, de resto, que Jorge Jesus fez o trajecto até à sala de imprensa, e o caminho inverso, escoltado por dois agentes da Polícia de Segurança Pública, que acompanharam o técnico o tempo todo e ficaram à sua espera no exterior da sala de imprensa. Um sinal também da tensão que se viveu no Estádio do Dragão.

(Mais futebol)

Um clássico insuportável

Um jogo que custou a ver

O jogo foi tão insuportável como era de prever.

Ele já nasceu insuportável, de resto, tão rasteiro foi o ambiente criado em redor da partida. Um ambiente que resulta da doentia rivalidade que benfiquistas e portistas têm construído nas últimas décadas.

Uma rivalidade que se tem feito muito mais de declarações de dirigentes, de processos judiciais e desportivos, de livros e de amizades/inimizades do que propriamente de jogos de futebol inesquecíveis.

Foi doloroso ver o autocarro de uma equipa ser atingido durante dois dias, como se se deslocasse para território inimigo. Foi doloroso ver centenas de polícias suar para manter à distância milhares de adeptos dos dois clubes. Foi, enfim, doloroso assistir a um jogo sempre envolto numa tensão inexplicável.

O futebol não é nada disto. Ainda bem que acabou o clássico. Não deixará saudades.

(Luís Sobral, Maisfutebol)

domingo, 2 de maio de 2010

O ataque dos porcos - parte 3

O nojo continuou no estádio do Ladrão. Bolas de golfe e paus foram sistematicamente atirados para dentro do campo, junto à baliza onde estava o guarda-redes Quim e na saída dos jogadores do Benfica para o balneário ao intervalo. E como sempre, até a polícia do Porto faz vista grossa.
Como de costume, nenhum dirigente porquista veio lamentar o sucedido, e como de costume vai passar tudo impune, tal como aconteceu em 1991 quando os dirigentes do Benfica Jorge de Brito e Fezas Vital tiveram que sair do estádio escondidos numa ambulância e após a queixa do Benfica ao Ministério da Administração Interna o processo foi oportunamente arquivado pelo conivente ministro Dias Loureiro.
Para voltarmos a esses tempos só faltou, esta noite, outro guarda Abel.

Kroniketas, sempre kontra as tretas

O ataque dos porcos - parte 2

Agora foi à chegada ao Estádio do Ladrão que o autocarro do Benfica foi atacado com pedras e bolas de golfe, provocando ferimentos na cara de dois jogadores com estilhaços de vidro.
Que gentinha nojenta!

Kroniketas, sempre kontra as tretas

Os porcos, os vermes e os sabujos


Os porcos do clube dos corruptos do norte, como se esperava já espalharam a porcaria de que são feitos à chegada do autocarro do Benfica a Vila Nova de Gaia. Depois de terem vandalizado quatro casas do Benfica na região, o autocarro não escapou do ataque, nem sequer os batedores da polícia.
Daquele clubezeco de merda já se sabe que não se pode esperar nada de bom, uma vez que é constituído na sua maioria por vermes, mafiosos e marginais. Espero que os benfiquistas não respondam a provocações fora do campo e dêem a devida resposta dentro do campo.
Claro que não podiam faltar os jornalistas sabujos a ir logo entrevistar esse malfeitor encartado que dá pelo nome de Fernando Madureira, líder desse gang de terroristas chamados super dragões. Sempre muito veneranda e obrigada para com os esbirros do papa, a comunicação social sempre que pode presta vassalagem ao mafioso-mor, não vão precisar de algum favorzinho.
Enfim, tudo na mesma como nos últimos 25 anos. Esta noite os jogadores do Benfica deviam entrar em campo vestidos com armadura.

Kroniketas, sempre kontra as tretas